Don't Look Back

2 Capítulo 2


Notas iniciais
E lá vamos nós...

Em qual ponto das nossas vidas sabemos o que é melhor para nós? Eu arrisco dizer que nunca saberemos o que é melhor para nós mesmos, pelo menos esse é o meu caso. Eu sempre achei difícil fazer escolhas.

Em minha infância e adolescência pude contar com a superatenção da minha mãe, que só faltava escolher a calcinha que eu poderia ou não usar, e de brinde ainda ouvia palpites das minhas tias e avó.

Só que a vida não para, ou você aprende a jogar ou você fica no banco. Então eu aprendi a ponderar sobre as opções e no final eu escolhia tudo que seria mais fácil e que as consequências não fossem me atingir, caso tudo fosse por água abaixo.

Eu consegui fazer isso com tudo, escola, faculdade, amizades, emprego e até com relacionamentos, mas nem tudo é da forma que queremos, infelizmente não é possível apagar uma memória, ou pior apagar alguém da sua vida.

Eu tenho a sensação que independente do tempo que passar, eu ainda vou conseguir lembrar dos beijos, dos toques, de como é bom sentir o desejo crescendo lentamente até surgir a coragem de se arriscar. Apesar de tudo eu ainda consigo lembrar de como foi o meu primeiro beijo, essa memória não se perdeu entre todas as outras, e a partir desse fato que as coisas começaram a desandar

Dessa vez eu não vou me atrapalhar, vou tentar esclarecer desde o início, mas não o início da minha vida e sim o dia que eu o conheci. A pessoa que me fez pecar.

Era Outubro, eu não me recordo o ano, mas lembro que estávamos na primavera. Eu passei a tarde inteira me arrumando, fui ao salão de beleza, arrumei as unhas, o cabelo e tentei mentalizar qual vestido eu usaria. Naquela noite seria a comemoração de aniversário da minha prima, os tão sonhados 15 anos. Eu não poderia perder aquela festa, mesmo não sendo fã de eventos familiares.

Eu optei por um vestido decotado com fundo dourado e rendas pretas, com amarrações nas costas e no busto. Após me vestir tentei copiar uma make da internet com as poucas coisas que aprendi com a Dê, e o resultado ficou melhor do que eu imaginava.

Esperei uma eternidade pelos meus tios até que finalmente eles chegaram. O salão era perto da minha casa, então não houve nenhum contratempo para chegar, a decoração estava impecável em tons de azul com detalhes dourados, e minha prima estava radiante.

— Fabi, a sua festa está um verdadeiro arraso! — comentei assim que a vi — Tá tudo tão lindo!

— Ai, você achou? Eu também amei! — disse enquanto me abraçava — Eu imaginei que você não gostaria de ficar junto com a nossa família, então separei um lugar junto com o Vitor e os nossos amigos.

Eu não escondi a minha satisfação quando ela disse isso, e abri um sorriso que poderia classificar como contagiante. Além do fato que o Vitor era da mesma turma que eu, estávamos no segundo ano do ensino médio, faltava pouco para completar 18 anos. Então tenho certeza que seria mil vezes melhor ficar na companhia dele e dos seus amigos.

— Meninos, minha prima vai ficar aqui com vocês. — Disse Fabi assim que nos aproximamos da mesa — Tratem ela bem, por favor. — disse antes de se afastar para recepcionar outros convidados.

— Bianca é muito estranho te ver sem o uniforme do colégio. — comentou Vitor me encarando com seus olhos verdes — Deixa eu te apresentar os meninos, esse é o Saul, do lado dele o Antônio, depois o Eli e por último o Mário.

— É um prazer, meninos! — disse puxando uma cadeira ao lado do Vitor

Após ser apresentada comecei a reparar em cada um deles, o Saul era um pedaço de mau caminho, estava com uma camisa polo cinza que marcava os músculos dos braços e a calça jeans de lavagem escura marcava igualmente as pernas definidas, ele tinha um corte de cabelo simples, e um cavanhaque que demarcava os lábios carnudos. O Antônio não fazia meu estilo, usava dreadlock e tinha feições finas, além de ser bem magro. O Eli era bonitinho, tinha olhos negros que me encararam com curiosidade e depois percorreram meu corpo com se estivesse me analisando, ele possuía feições mais grosseiras e uma barba rala que até dava um charme nele, ele também tinha músculos, mas não igual ao Saul. E por fim o Mário que não deu nenhuma atenção a minha chegada e não tinha nenhum atributo que eu fizesse questão de comentar.

Eu puxei assunto com o Vitor que se estendeu ao Saul e ao Eli, e mesmo tentando disfarçar, eu pude sentir os olhares do Eli em minha direção. No meio do evento, o fotógrafo perguntou se poderia nos fotografar e logo minha prima chegou. Se posicionando entre o Saul e o Eli, eu fiquei ao lado do Saul, puxando o Vitor para o meu lado.

Assim que fui cegada pelo flash senti uma leve apalpada do Sau, mas antes que eu pudesse confronta-lo minha prima me puxou.

— Preciso da sua ajuda! — ela anunciou antes mesmo de eu perguntar — Eu vou dançar a valsa com o Vitor, mas ele ainda não sabe.

— Como assim ele não sabe? — Eu sabia que aquilo não fazia sentido, e que as chances de dar errado eram grandes — E se ele não quiser dançar?

— É por isso que eu te chamei, preciso que você dê um empurrãozinho caso ele fique sem reação. — eu encarei a Fabiane com vontade de socar aquele rostinho maquiado — Só isso, por favorzinho.

—Eu vou tentar preparar o menino, mas não garanto nada!

Eu voltei para mesa dos meninos e tentei preparar o Vitor que negou até a morte, e afirmou que não iria. Na hora da valsa eu senti um nó no estômago, parecia que eu iria dançar e não a Fabi, até que a cerimonialista anunciou:

— Vitor Dantas, sua amiga Fabi o convida para conduzir esta valsa!

Eu olhei para o meu colega que permanecia sentado com os olhos claros arregalados, completamente paralisado. Pensei rápido e dei um beliscão em sua coxa por debaixo da mesa. Nessa mesma hora ele levantou, e caminhou lentamente ao encontro de Fabi.

Já desconfiava que ela gostava dele, agora eu tive certeza, não só eu como a festa toda. Após a valsa a fotógrafa entregou a nossa foto com a aniversariante, então o Eli pediu para ver.

— Pode ver, mas saiba que a foto é minha. — expliquei antes de lhe entregar a foto — Inclusive eu fiquei muito bem nela.

— Deixa eu ver... — disse pegando o envelope das minhas mãos — Ficaria bem melhor na minha casa, tenho certeza.

— Certeza que não. — rebati formando um leve biquinho, que não passou despercebido por ele. — Vocês homens não têm cuidado com nada, tenho certeza que essa foto vai durar muito mais comigo.

Ele não me respondeu, somente riu com a minha explicação e colocou a foto dentro do envelope novamente.

Que bom que eu o divirto, pensei escorregando minhas mãos até o envelope, que guardei na minha bolsa depois de um tempo. Após o parabéns não vi mais o Eli, e nem os meninos, aproveitei para me despedir da minha prima e fui para casa.

Eu poderia ter investido no Saul, era o tipo de cara que eu gostava, mas existia um bloqueio que nunca me deixaria fazer algo desse tipo. E esse bloqueio me acompanhava desde sempre...

Notas finais
E então...
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.