Don't Look Back

1 Cap.1 Entendendo as Circunstâncias


Notas iniciais
Boa noite, pessoal. Para aqueles que não sabem, eu já havia postado esta história antes. Estou aqui novamente porque minha escrita mudou BASTANTE de alguns anos para cá, e me senti segura para terminar algo que foi interrompido logo na metade. É isso, espero que se divirtam. Um beijo e até o próximo.

Cap.1 – Entendendo as circunstâncias

Hermione’s pov

Aquele dia começou como qualquer outro. Estava em Hogwarts, um colégio de grande prestígio da minha cidade. Ele tinha fama por conta do seu diferente processo de seleção. Ao ingressar no colégio, os alunos eram submetidos à testes que definiriam o caminho que seguiriam nas disciplinas. Eu pertencia a Grifinória, e não me imaginaria em outro lugar.

Não poderia esquecer do momento em que Gina, minha melhor amiga, me cutucou no meio da aula, dizendo em baixo tom que precisava pegar algo importante em seu armário.

Nós inventamos uma desculpa qualquer para a professora e fomos em direção ao corredor do primeiro andar.

— Me conte logo. – pedi novamente, sabendo que não surtiria efeito.

— Só conto no final do dia. – respondeu Gina. – Você não vai acreditar...

Esperei apenas alguns minutos para que Gina destrancasse o cadeado de seu armário. Ela pegou ferozmente uma pequena caixa preta, que poderia caber em minha mão fechada, e a pôs dentro da camisa social que usávamos como uniforme, que era composto também por uma saia preta e uma gravata com as cores de nossa casa, vermelho e dourado.

— Cuidado, Weasley, se você quer mesmo que alguém toque nisso daí, deveria considerar colocá-lo em um lugar mais atraente. – a voz de Malfoy foi ouvida a quilômetros de distância.

Ele estava acompanhado de seu parceiro igualmente desprezível, Theo Nott. A Sonserina tinha uma incrível fama de só acolher pessoas de má índole, e, conhecendo as duas peças que estavam paradas ao meu lado, eu podia concordar com aquela teoria de olhos fechados.

— Até parece que sua opinião vale alguma coisa para mim. – retrucou Gina, batendo fortemente com a porta de seu armário.

— Nossa como ela é feroz. – debochou Nott. – Se ficasse assim mais vezes poderia até ter a chance de pegar alguém.

— Nem dê ideia para eles, Gina. – disse puxando-a pela mão.

— Isso, volta correndo pra sala de aula. Até porque a única chance de você não ser uma pobre coitada na vida é essa... – Malfoy tentou começar, porém eu retruquei.

Nós começamos a dizer coisas horríveis um para o outro, coisas das quais eu me arrependo. Já Gina e Nott também resolveram discutir por algo estúpido. O sonserino ameaçava pegar à força a caixinha preta que estava perto dos seios de minha amiga, o que a deixava furiosa e corada. Os dois discutiam desde pequenos, até mesmo por uma pequena bala sete belo, mas quem nunca discutiu por bala, né?

Aquilo tudo foi demais para mim, eu não via a hora de voar no pescoço do Malfoy, sem nem mesmo pensar nas consequências, até que tudo aconteceu. Um barulho extremamente longe fez com que cada fibra do meu corpo se congelasse.

— Isso foi um... – Gina criou coragem para começar.

— Um tiro. – completou Nott.

— Veio lá de fora. – Malfoy encostou o rosto na porta de vidro, na esperança de enxergar algo. – Temos que ver o que foi.

— Você ta maluco? – gritei, sentindo a cor voltar ao meu rosto.

— Alguém pode estar precisando de ajuda. – ele completou.

— Mas... – tentei protestar.

Tinha mais medo de ficar sozinha do que seguir na direção que Malfoy queria nos levar. Troquei um olhar com Gina, que me deu forças para decidir acompanhar os dois.

Fomos andando com cautela em direção ao portão principal do colégio. Havia um pequeno aglomerado de pessoas, todas parecendo mais velhas do que nós. Gina agarrava minha mão com força, havia algo de errado naquela situação. Cada passo que dávamos nos levava em direção aos professores que demonstravam um certo desespero diante de um corpo deformado estendido no chão. Eu soltei um grunido na hora. Nunca havia visto uma pessoa morta.

— Hagrid, o que houve? – perguntou Nott ao nosso segurança que estava visivelmente abalado, segurando uma arma na mão.

— Crianças, — ele disse, começando a voltar para a realidade. – nós não temos certeza mas... quero que vocês peguem apenas os amigos mais próximos e saiam daqui.

— Como assim... – Gina tentou buscar explicações, mas foi interrompida subitamente.

— Vão! – ele gritou. – Já! Não falem com mais ninguém. Não parem de correr nem por um seg...

Foi numa fração de milésimos de segundos, a pessoa que estava caída no chão, aparentemente morta, se ergueu e mordeu o braço de Hagrid como se sua vida dependesse daquilo.

— Hagrid! – gritou Gina, com os olhos brilhando numa expressão aterrorizada.

Só pude sentir Malfoy me puxando pelo abraço, ao mesmo tempo ele teu um empurrão no ombro de Nott, que pareceu recordar a consciência e tratou de puxar Gina pela mão. Se não fosse pela força dos dois, nós teríamos ficado estáticas no lugar.

Nós voltamos exatamente para o lugar anterior. Eu desejava profundamente que aquilo não passasse de um sonho, mas sabia que estava enganada. Gina parecia estar lutando para se acalmar, enquanto eu já havia deixado a calma de lado.

— Hermione, temos que procurar os outros. – ela disse, apoiando as mãos nos joelhos, lutando para recuperar o fôlego.

Eu compreendi o que ela quis dizer, mas não significava que u estava com forças para aquilo no momento. Eu só queria sumir.

—Olha, eu e Gina poderemos procurar pelos seus amigos. – disse Nott, chamando minha amiga pelo primeiro nome, algo completamente fora do normal.

— Eu e Granger procuramos pelos nossos. – Malfoy completou o pensamento do amigo.

— Assim nenhuma de vocês fica desprotegida.

A ideia de ficar sem uma pessoa que eu pudesse confiar me assustava, mas logicamente o plano deles era melhor. Nós combinamos de nos encontrar no refeitório as nove e meia, tínhamos exatos quinze minutos para procurar nossos amigos.

Gina e eu trocamos um olhar de confiança antes de Nott puxá-la pela mão rumo á nossa sala.

— Granger, escuta... – Malfoy quebrou o silêncio quando os dois partiram. – Vamos deixar as diferenças de lado, só quero achar o Blás e a Pansy antes que todos descubram o que está acontecendo.

— Malfoy eu... – minha voz saiu quase num sussurro.

— Não precisa ter medo. Nós vamos conseguir. – disse Malfoy com toda força possível.

Não foi nada fácil correr desesperadamente pelo colégio atrás de duas pessoas, que, para complicar a situação, não estavam nas suas devidas salas de aula. O desespero ia crescendo a medida que o tempo passava.

— Eles devem estar no salão comunal da Sonserina. – Malfoy estalou os dedos após uns segundos pensando.

Nós corremos em direção à ala norte do colégio. Eu verificava constantemente meu celular atrás de alguma mensagem de Gina e a falta de sua resposta me preocupava. Eu tentei mandar mensagem procurando pelos meus amigos, mas já sabia que a chance de alguém tocar no celular durante a aula era zero.

— Não se preocupa. O Theo é um cara legal. Ele nunca deixaria sua amiga para trás, mesmo se lhe custasse a vida. – ele pareceu ter lido meus pensamentos.

— Não tenho muita fé nisso, Malfoy. – disse num sussurro.

A Gina era forte, foi criada com seis irmãos mais velhos e sabia muito bem lidar com situações imprevisíveis. Mas eu tinha medo de que para se salvar, Theo a largasse. Eu sabia que quando se tratasse de morte, as pessoas poderiam tomar atitudes imprevisíveis.

Chegamos rapidamente na sala comunal da Sonserina. Era um ambiente um pouco escuro e um tanto chique. A cor verde prevalecia em cada parede e a lareira acessa servia de cenário para a reunião daqueles dois que estávamos procurando.

— Draco, o que faz ao lado dessa... – Parkinson pareceu escolher uma palavra bem maldosa para me definir, mas foi interrompida.

— Eu descobri o motivo de os jornais estarem estranhos ultimamente. – Malfoy a cortou.

Ele resumiu em cinco minutos tudo o que tinha para dizer, abrindo meus olhos para algo que uma pequena parte de mim havia notado. Algo de incomum havia acontecido no mês anterior aquele. Malfoy explicou que os noticiários estavam reportando apenas notícias leves, nada que preocupasse de fato a população. Os jornalistas pareciam não estar completamente calmos na maioria das vezes, e esse foi apenas um sinal que passou desapercebido.

— Malfoy, faltam cinco minutos. – disse preocupada após conferir o celular.

Gina’s pov

O caminho até a minha sala demorou mais do que de costume. Adentrei a sala com urgência assim que a encontrei. Pude ouvir o Nott resmungando um “vai com calma”, mas já era tarde de mais. Acabei não me ligando que seria bem estranho uma aluna entrar na sala de aula daquele jeito, então pensei na desculpa mais óbvia de todas.

— Desculpe, professora, mas o diretor Dumbledore me pediu para chamar uns alunos com urgência.

— Isso não é apenas uma brincadeira, certo, senhorita Weasley? – ela perguntou desconfiada.

— Não, senhora.

Acontece que a única coisa que meus irmãos Fred e Jorge puderam me deixar foi uma má reputação. Todo professor desconfiava do sobrenome Weasley, e eu não podia culpá-los.

Disse com cuidado os nomes de Harry, Rony, Neville, Dino, Simas, Lilá e Parvati. Nott reclamou ao meu lado que eu havia chamado muita gente. Senti uma dor absurda ao olhar para cada rosto conhecido que eu estava deixando para a morte. Eles até poderiam sobreviver, mas, quando o caos se instalasse, suas chances seriam mínimas.

— Gina, ta tudo bem? – perguntou Harry, me abraçando, assim que saímos da sala. – O que está fazendo com ele?

Tentei puxar fôlego para começar, mas Nott tocou em meu ombro e começou a explicar. No início todos acharam que era uma brincadeira, realmente era algo difícil de se acreditar. Nosso tempo estava acabando e o desespero começava a me preencher. Eu sentia uma vontade absurda de sair arrastando todos pelos cabelos até o refeitório, e isso devia estar nítido em minha cara.

— Olha só, se vocês não se mexerem agora... – comecei, mas fui interrompida pelo som de algo caindo.

E foi aí que os gritos começaram. Podiam ser ouvidos de longe. Alunos curiosos saíam de suas salas à procura da confusão, ninguém sabia o que estava acontecendo, mas eu e Nott sim.

— Vocês não vão esperar a situação piorar, não é? – Nott gritou desesperado, fazendo com que todos se atentassem para o que poderia estar de fato acontecendo.

— Ta bom, e o que a gente faz? – perguntou Rony, sem expressão nenhuma no rosto.

— Nós temos que ficar unidos e estabelecer nossas prioridades. – afirmou Nott.

— Eu e Rony vamos procurar rapidamente por armas. – disse Harry, com um espírito de liderança que eu já conhecia muito bem.

Harry e eu estávamos juntos há algum tempo, e sua maneira decidida era o que mais me assustava naquele momento. Geralmente, esses são os primeiros a morrer por motivos idiotas.

— Eu vou procurar a Luna. – afirmou Neville, mais decidido do que nunca.

— Eu vou com você, amigo. – disse Simas.

— Eu vou para onde o Simas for. – disse Lilá, segurando na mão dele.

Parvati decidiu que ia ao encontro de sua irmã, chamando Dino para ir com ela, o que me deixou extremamente preocupada. Eu ainda não sabia o que sentia pelo Dino, ou como isso poderia afetar meu relacionamento com o Harry. Apenas sabia que o amava também, e doía vê-lo partindo segurando a mão de outra.

As pessoas começavam a gritar, os corredores passaram a ficar cheio de pessoas perdidas e nós temíamos perder nossa vantagem. Todos os outros continuávamos com os olhares confusos, aquela era a nossa chance.

— Pessoal, nos encontramos no refeitório em dez minutos. – disse Nott, trocando olhar com cada um. – Quem não chegar até lá ficará pra trás.

Notas finais
Então? O que acharam? Não me escondam nada.