Don't Look Back
4 Cap. 4 Planejamento de Acordo com as Circunstâncias
Cap.4 – Planejamento de acordo com as circunstâncias
Hermione’s pov
Diário de Bordo
PS: não estamos em um navio
este livro pertence a:
Hermione Granger e Draco Malfoy
21 de julho de 2016,
Fico feliz em anunciar que ainda restam 14 de nós; faz quase três semanas que chegamos até a casa do Malfoy.
Ontem foi um dia bem desesperador; não sabíamos se Malfoy e Harry retornariam para casa. Os dois saíram na missão de procurar armas, arrombando uma loja específica que ficava há uns 30 minutos da casa. A tensão me corroeu por completo, e, ao passar das horas, a esperança de todos diminua. Foi um momento de alívio quando os dois chegaram silenciosamente pela porta dos fundos, que agora se encontrava novamente barricada. Eles trouxeram mais comida para estocar, além das armas. Nós invadimos poucas casas vizinhas e retiramos de lá coisas que precisávamos, incluindo colchões. Até hoje não tivemos nenhuma perseguição ou visita inesperada, mas as vezes podemos ouvir gemidos de dor vindos de longe. Talvez o fato de a casa de Malfoy estar em um condomínio isolado, em que todos os vizinhos fugiram a tempo, seja um facilitador. Poderíamos viver aqui para sempre.
Os noticiários não estão tão eficientes quanto antes; só sabem dizer que tudo vai ficar bem e que a população deve permanecer escondida dentro de casa. A morte de Padma já ia se tornando algo menos recorrente dentro de nós; óbvio que sua irmã sentia uma dor absurda, toda hora, mas ela conseguia se controlar. Isso era bom, pois não teríamos condição de cuidar de alguém que de repente tivesse uma crise de ansiedade ou uma queda de pressão.
Fomos dormir tarde ontem a noite, por causa da demora de Harry e Malfoy, mas nossos planos não mudaram; hoje é o dia de irmos atrás da família Weasley. Já repassamos o plano milhares de vezes, e com certeza vamos passar algumas outras antes de partimos. Nós ainda não temos a localização concreta deles, mas hoje vamos até a casa dos pais; se eles não estiverem lá, pensaremos em outra solução.
Bom, lá vou eu; espero estar viva para escrever mais amanhã. Por isso digo: até breve.
Ass: Hermione Granger
Na companhia de Draco Malfoy e Gina Weasley.
— Bom, está tudo certo? – perguntei aos dois, ao fechar o livro e guardá-lo em minha mochila.
— Está. – confirmou Gina; seu olhar demonstrava cansaço. – Só falta esperar o resto do pessoal se arrumar.
Nós éramos os únicos no quarto; Gina tinha ido nos chamar para descer quando nos viu escrevendo. Ela pediu para ficar, e nós deixamos.
O clima pareceu se amenizar com o passar da primeira semana, mas a tensão voltou a se instalar quando definimos a data do resgate. Malfoy era o que tinha uma pressão maior para carregar. Ao assumir papel de líder, ele ficou responsável por quase tudo; qualquer dúvida levantada por alguém era esclarecida por ele. O que mais parecia deixá-lo aliviado era passar partes dos dias escrevendo ao meu lado. Aquele era o momento em que tirávamos tudo da cabeça e refletíamos sobre os acontecimentos. Decidimos padronizar todas as páginas como se fossem as primeiras; se alguma fosse perdida, aquele que a encontrasse saberia a quem pertencia.
— Tudo bem. – disse Malfoy, se levantando da cadeira. – Assim que estivermos prontos, partimos.
Nós demos uma arrumada básica no quarto, apagamos as luzes e descemos. Foi uma surpresa encontrar o almoço pronto na cozinha; todos já haviam comido.
— Só faltam vocês três. – informou-nos Pansy; ela havia se tornado uma pessoa mais aceitável, apesar de ainda implicar comigo quando tinha chance. – Quando terminarem pode deixar que eu lavo a louça.
Assentimos e fomos em direção ao macarrão com queijo que estava na panela. Servi uma porção razoável; meu estômago não parecia disposto a aceitar tanta comida. A ideia de deixar aquela casa pela primeira vez em três semanas me aterrorizava, mas eu estava decidida; todos estávamos. Engoli a última colherada de macarrão e levei o prato até a pia.
Quando voltei para a sala todos estavam sentados à minha espera.
— Essa vai ser nossa última reunião antes de partimos. – começou Malfoy, se pondo de pé. – Bom, Potter e eu só conseguimos seis pistolas. – Ouviram-se murmúrios de decepção.
— Mas pelo menos conseguimos bastante munição. – completou Harry, esperançoso.
— Será que devemos fazer uma votação para ver quem fica com elas... – sugeriu Malfoy, provavelmente decepcionado consigo mesmo por não ter conseguido armamento para todos.
— Acho que seria justo os homens ficarem com elas. – disse Lilá, impacientemente; ela andava sem paciência para nada.
— Mas se for assim, quero dizer... pelas contas, não daria para todo mundo. – concluiu Luna, após ter feito um cálculo super simples como se fosse a coisa mais difícil do mundo.
— O Longboton fica sem, óbvio. – impôs Zabini, com um tom debochado.
— Ta maluco? – esbravejou Dino, levantando-se imediatamente; Malfoy se pôs no meio dos dois.
— Ele tem razão... – sussurrou Neville, cabisbaixo. – Eu provavelmente não saberia atirar mesmo. – comentou em seguida, ao olhar o olhar de pena vindo de Luna.
Todos suspeitavam que alguma relação amorosa tinha sido estabelecida pelos dois, apesar de ambos negarem. Aquele momento me fez refletir se haveria algum momento propício para se ter uma relação naquele mundo apocalíptico. Minha mente só conseguia focar na sobrevivência e nos meus amigos; nada mais.
Gina’s pov
Eu já havia feito esforço para engolir qualquer comida naquele dia, mesmo com meu estômago lutando para rejeitar; eu sabia que seria muito pior se sentisse qualquer fraqueza quando alguém precisasse de mim durante a operação. Mas nada se comparou à cena de uma possível briga gerada pelo meu desejo de encontrar minha família.
— Gente, nós encontraremos outro tipo de arma. – afirmou Rony, respirando pesadamente; provavelmente ele pensara o mesmo que eu.
— Sim... – confirmou Theo. -, eu me encarrego disso.
Ele me olhou profundamente; devia saber quais eram os pensamentos que me rondavam naquele momento. Desviei o olhar. Ele percebeu que eu só precisava de um pouco de paz. Todos tinham certeza de que as chances de encontramos todos meus familiares vivos era zero; mas eu não podia depositar minhas esperanças num simples cálculo matemático.
Naquelas últimas semandas minha relação com o Theo mudara. Era como se tivéssemos uma conexão absurda somente com uma troca de olhares. Me forçava a acreditar que era por conta do primeiro perrengue que passamos juntos. Afinal, ele poderia ter me largado quando machuquei minha perna; ainda bem que não o fez.
Era quase enlouquecedor pensar que eu poderia morrer a qualquer momento; que qualquer um de nós poderia morrer a qualquer momento. Bastava um vacilo para partir dessa para pior. Será que continuamos ali dentro?, pensei, desejando de imediato não ter feito aquele questionamento. A ponderação somente me traria mais dor.
Afastei o assunto de minha mente. Subi com Hermione e Luna para arrumarmos nossas mochilas; itens como lanterna, fósforo, isqueiro, corda, pilhas, e outros cacarecos não podiam faltar. O clima era de pura ansiedade. Eu não tinha certeza se queria descobrir o que realmente houve com a minha família; talvez seria melhor para minha saúde mental imaginar que todos estavam salvos.
— Hey, Gina. — chamou-me Hermione, cautelosamente.
Olhei para ela, sem dizer nada. O ar estava ficando mais denso.
— Eu sei que deve estar sendo difícil para você, mas...
— Não precisa fazer isso, Hermione. — interrompi, partindo para abraçá-la.
Eu sabia que ela tentaria me confortar, mesmo que estivesse tão mal quanto eu; ela era aquele tipo de amiga. Claro que eu estava uma pilha de nervos, pensando nas piores possibilidades existentes. Tinha medo tanto de não encontrar minha família quanto de sujeitar meus amigos à uma missão perigosa.
— Nada vai mudar o que estou sentindo...
— Gina, todos sabem o que estão fazendo. — disse ela, segurando meu rosto com as mãos. — Acredite, não é só pela sua família; é pela de todos. Você não deve se sentir culpada por nada.
— Eu sei, mas é que...
As lágrimas que queriam sair desde a noite anterior resolveram se manifestar naquele momento. Talvez pelo contato direto com uma das pessoas que mais zelava por mim e que mais me dava força naquela situação atípica que estávamos vivendo.
— Ahh, Gina... — pronunciou-se Luna, nos confortando em um abraço. — Vai dar tudo certo. Ninguém vai ser perdido hoje.
Fazia tempo que eu não me sentia tão aliviada. Minhas duas melhores amigas me transmitiram um pouco mais de confiança e coragem. Eu precisava daquele momento; me senti segura, por um instante.
Limpei as lágrimas que insistiam em descer, para em seguida sair pelo quarto à procura de algo que pudesse ser útil. Continuei com a visão turva; parei um momento para me apoiar em uma mobília. Deve ser o nervoso, pensei.
— Gina, tudo bem? — perguntou Luna, levando seu braço até meu ombro.
Demorei um pouco para associar a pergunta.
— Sim... — respondi, piscando os olhos. — Só me senti mal por um segundo. — complementei, ao perceber que não havia a convencido.
Percebi que Hermione olhou singelamente para nós duas, mas não quis se pronunciar. Ela mantinha o diário na mão, e pareceu estar em dúvida se o levaria para a expedição ou não. Desviei minha atenção dela quando ouvi um baque surdo na porta; de repente Malfoy passou por ela.
— Já podemos ir. — comunicou ele, sem graça.
Dei uma última olhada naquele quarto. Passamos dias intensos no "nosso cubículo", como gostávamos de chamar. Naquele momento o tempo pareceu congelar e o frio que antes ocupava a minha barriga gradativamente tomou conta de mim. Fechei a porta imediatamente, com um enorme desejo de olhar para trás.
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