Don't Lie To Me
1 Capítulo 1 - GATO
Sábado, 25, Janeiro, 2014. Mystic Falls
Crystal Reed
Eu estava sentada no sofá da sala, segurando minha caneca de porcelana preta com listras vermelhas, pernas dobradas em cima do sofá como de costume. Na TV passava algum programa, mas eu não prestava atenção. Estava somente refletindo sobre tudo e sobre como o dia seria longo hoje. Bebericando meu último gole de café, até que me levantei. Fui à cozinha e coloquei a caneca na pia, subindo em seguida para o segundo piso.
A porta de Elena estava fechada, porém ela não tinha trancando, ela nunca trancava nada. Abri bem devagar e lá estava ela. O cobertor cobrindo quase todo seu corpo, deixando para fora somente seus longo cabelo liso e a pele pouco morena do rosto. O quarto dela estava todo escuro. Fui até a janela e abri as cortinas, rapidamente o quarto foi banhando com a luz do sol. Elena resmungou alguma coisa e eu me aproximei dela.
— Fecha isso Crys, por favor.
— Você precisa levantar, Elena. _falei tirando seu cobertor.
— Que horas são? _perguntou abrindo os olhos e os coçando.
Elena tinha lindos olhos castanhos que combinavam perfeitamente com a cor de seus fios longos, ela era alta, magra e melhor ainda, Elena era a minha melhor amiga, que iria passar alguns dias na casa de uma tia no estado vizinho, senti-me levemente traída. Eu e ela dividimos o aluguel da casa em que moramos, nos damos super bem e tudo fica por isso mesmo. Ela é de longe uma das pessoas mais doces e amáveis que eu conheci a minha vida toda.
— Oito e meia. _respondi.
— Oh meu Deus! _Elena levantou rapidamente da cama, toda atrapalhada, como sempre, e foi para o banheiro.
Balancei a cabeça em negativa e gargalhei baixinho. Ai Elena...
••••••
— Promete que vai ficar bem sem mim? _ perguntou segurando meus ombros e mantendo uma distancia entre nós de um braço.
— Prometo. _sorri para tranquilizá-la.
— Agora que está tudo bem, eu preciso ir. _ela me abraçou_ Tchau Crys, eu te amo. _ela me apertou um pouco mais.
— Também te amo. _retribui seu abraço de urso.
Logo depois Elena entrou no táxi, suas malas já estavam dentro do carro, ela abaixou o vidro e me deu tchau, retribui com um sorriso e um aceno com a mão direita. O carro deu partida e lá estava indo minha amiga passar alguns dias com a tia.
“Ótimo, estou sozinha” ironizei mentalmente, odeio ficar sozinha.
Entrei em casa e fui tomar um banho, eu ainda estava com roupa de dormir. Subi para o segundo piso, fui para o meu quarto e entrei no banheiro. Tirei toda a minha roupa, eu estava de cabeça baixa quando levantei o rosto e me deparei com o reflexo de uma pessoa no espelho, prendi a respiração e tudo pareceu congelar, principalmente meu corpo. Aquele reflexo não era o meu, rapidamente olhei para o lado gritando de forma aguda. Não tinha ninguém. Senti meu coração saltar pela boca e cair em cima da pia, mas que Diabo estava acontecendo? Olhei com medo para o espelho. A pessoa refletia nele, mas não estava ao meu lado. No mundo dos espelhos ela estava ali, mas não no meu mundo.
Minhas costas estava colada no piso da parede, peguei uma toalha e me enrolei nela rapidamente saindo do banheiro, praticamente nua, e quase caindo ao descer as escadas. Na correria para pegar minhas chaves derrubei o vaso que ficava na mesinha de centro da sala fazendo um barulho enorme, deixando-me ainda mais desesperada. Quando finalmente peguei minhas chaves e entrei na garagem, que tinha uma porta para ela no primeiro piso. Apertei o botão do alarme do carro e entrei rapidamente quando as portas foram destravadas. Minha mente estava a mil. De cabeça baixa coloquei a chave no carro e tentei ligar. Merda não é hora de não querer pegar! Tentei mais uma vez e não consegui. Levantei meu rosto olhando para o espelho retrovisor ao ouvir o barulho atrás do carro. Lá estava ela. Sim era uma mulher e estava sentada no banco de trás. Olhei para trás e não vi ninguém e quando voltei a olhar para o espelho retrovisor ela estava ali. Gritei ainda mais, agora fechando meus olhos, e então algo sussurrou no meu ouvido.
— Cuidado com quem você convida para a sua casa.
Todo o meu corpo tremeu em resposta. Então tudo ficou preto e eu apaguei.
••••••
Acordei com algum barulho. Onde estou? Olho para os lados freneticamente até finalmente reconhecer o lugar, estou... no... meu... quarto? E estou vestida? Mas... mas... Sentei-me na cama, passei a mão pelos cabelos. Mas que merda acabou de acontecer? O barulho volta novamente me dando um susto de quase parar meu coração e quando olho para o lado é apenas meu celular tocando. Elena.
— Oi. _digo rapidamente. Estou perdida, não sei que horas são e nem se estive dormindo esse tempo todo. Elena realmente foi ou não para a tia? Talvez eu tenha sonhado isso também.
— Oi Crys. Liguei pra saber se esta tudo bem ai.
— Ah, sim _menti, minha voz saiu vacilante. Não consigo falar muita coisa, preciso entender o que foi real e o que foi sonho. Fico quieta esperando Elena falar para pescar alguma coisa.
_ Mesmo? Você parece estranha.
— Esta tudo bem, Elena. Só estou ocupada. Preciso desligar, beijos, amo você. _desliguei o celular antes de esperar ela responder. Elena iria notar alguma coisa se ficasse comigo no celular por mais 10 segundos.
••••••
Depois de ficar um bom tempo deitada na minha cama para refletir sobre o que tinha acontecido, ou só por medo de levantar mesmo, cheguei a duas conclusões: ou eu estava louca ou eu tive um sonho bem louco. A loucura abraçou com força minhas conclusões.
Levantei da cama e olhei para a janela de longe, já estava anoitecendo. Quanto tempo dormir? Balancei minha cabeça. Eu não iria pensar nisso. Simplesmente vou ignorar esse dia. Olhei para a porta do banheiro e meu maxilar trincou, passos lentos e coração batendo forte. Parei na frente da porta e segurei a maçaneta. Vamos lá Crys, vamos!
Abri a porta e com um longo suspiro entrei. Tudo estava normal. Tomei meu banho evitando olhar para qualquer coisa que mostrasse o meu reflexo, ou o de alguém, e a cada segundo evitando fechar os olhos.
Quando sai, coloquei uma roupa confortável e fui preparar alguma coisa para comer, só fiz um sanduíche rápido acompanhado com suco de uva. Quando terminei, escovei meus dentes e fui levar o lixo para fora.
O tempo estava fresco e a brisa fazia carinho no meu rosto. Assim que coloquei o lixo para fora ouvi um miado fino e bem próximo de mim. Olhei em volta até me deparar com um pequeno gato perto dos meus pés.
— Oi amiguinho! _me abaixei e passei a mão sobre seu pêlo macio.
O gato miou. Era lindo, realmente muito lindo. Seu pêlo era em tom de castanho quase preto e seus olhos também. Olhos da mesma cor que os da Elena. Sorri ao lembrar-me dela. Espero que ela esteja tendo um dia melhor que o meu.
— Minha amiga iria gostar de você. _sorri ainda passando a mão em seu pêlo_ Você tem família?
Eu não sei se gatos entendiam humanos, mas o gato foi correndo para a porta de entrada da minha casa e ficou parado, me olhando com a cabeça inclinada para o lado.
— Tudo bem então. Elena não vai se importar de termos um gatinho em casa. _dei de ombros.
••••••
Peguei uma caixa de sapato e coloquei alguns panos dentro, peguei um pequeno pote e coloquei água. Deixei tudo na sala em um canto que parecia estar escrito “lugar perfeito para colocar o novo gato”. O gato ficaria aqui, comeria aqui e dormiria aqui. Agora só faltava a comida. Abri a geladeira e... Deus, preciso fazer compras!
Peguei papel e caneta, em seguida comecei a anotar a lista de compras. Quando terminei, subi para o andar de cima e troquei de roupa, peguei minha carteira e depois peguei as chaves, entrei no carro.
Imediatamente a lembrança do meu sonho passou como um raio na minha cabeça. Coloquei a mão no ouvido, lembrando-me que no sonho alguém tinha falado algo perto dele.
Ok Crys, fique calma, foi só um sonho.
Com um suspiro demorado liguei o carro e segui para o mercado.
Depois de mais ou menos três horas comprando os mantimentos e esperando minha vez na fila, fui para a loja de animais que ficava logo na esquina. Comprei ração de gato e uma pequena coleira ajustável de cor branca com um pequeno sino dourado anexado. Toda vez que ele se mexesse iria omitir som. Mas, parando para pensar, ele ainda não tem um nome, talvez ele se chame Gato.
Sim, só Gato mesmo.
Entrei no carro e dei partida para a minha casa.
••••••
Sábado, 25, Janeiro, 2014. Mystic Falls
Autora
Ela estava no andar de cima, quando finalmente achou o quarto. Tinha aproveitado que Crystal tinha saído para “invadir a casa", mas parando para pensar, ela já estava dentro antes. Adentrou lentamente e sorriu para si mesma ao ver que ali era o quarto de Crystal. Ao lado da cama, dois criados-mudos ficavam lado a lado acompanhando a decoração. Em um deles estava um porta-retratos de Crys, o fundo era o centro de Mystic Falls em alguma festa temática, na fotografia ela sorria, seus olhos brilhando e ao lado dela... Elena! Urrg, ela sentiu seu sangue esquentar. Elena com sua ocasional cara se sonsa abraçava Crys. Ela sentiu seu estômago embrulhar. Olhar a carinha doce de Elena a causava náuseas.
Ela fechou o punho e fechou os olhos de raiva em seguida. Só de olhar para a cara da sonsa ela já sentia seu sangue ferver. Elena tinha um terrível efeito negativo sobre ela, mas ela jamais iria admitir, gostava de pensar que tanto faz Elena estar perto de Crys, ela não se importava.
Ela parou na frente do espelho, que estava fixado na parede, quando estava passando para o outro lado do quarto. Ela realmente era uma mulher maravilhosa. Seu cabelo castanho perfeitamente enrolado e seus lindos olhos marcados com uma sombra escura, seus lábios soltos enquanto admirava seu reflexo. Deus, ela era incrível.
Pobre Crys, tão inocente nesse universo repleto de segredos. Não segredos bons e que não iriam fazer efeito nenhum em sua vida, mas segredos ruins, trazidos das trevas para infernizar e arruinar sua vida pouco a pouco. Mas, aquela mulher egocêntrica parada na frente do espelho não pensava assim, achava que estando perto de Crys nada de ruim iria acontecer com sua protegida. Mas, caso acontecesse ela poderia simplesmente interferir e ajudar a menina.
Ela estava pronta para pegar o álbum de fotos de Crys, quando ouvi o barulho da porta do quarto se abrindo. Ela se assustou, mas não omitiu barulho nenhum, olhou rapidamente para a porta e então pulou na cama.
Sábado, 25, Janeiro, 2014. Mystic Falls
Crystal Reed
Quando cheguei em casa, a primeira coisa que eu tinha que fazer era trocar de roupa. Estacionei o carro e deixei as comprar na cozinha, subi para o andar de cima a caminho do meu quarto.
Quando entrei o Gato estava sentado na cama. O pêlo castanho todo arrepiado.
— Aconteceu alguma coisa amiguinho? _perguntei aproximando-me.
Fale com o autor