Don't Let Me Go

1 Goodbye Fletcher


Notas iniciais
Espero que gostem.

- Oi pessoal, perdi alguma coisa? - Olive perguntou, já entrando na loja Z com Fletcher logo atrás. Chyna e Angus se viraram para o casal ao escutar a voz da amiga. Os dois se entreolharam rapidamente e deram de ombros.

- A Chyna cantou uma música... — Angus começou.

- ... E Angus se vestiu de urso. — Chyna disse como se fosse a coisa mais normal do mundo e talvez fosse mesmo para os quatro.

- Então... Não? — A loira tornou a perguntar e eles negaram sem humor.

- Fletcher! — Disse uma mulher sorridente, indo até o ruivo. Ele a conhecia. Era a mesma que tinha elogiado a parede que ele destruira no museu.

- Ah não! É a curadora do museu. Acho que ela viu que aquilo na parede não é arte de verdade. — Fletcher disse, se escondendo atrás da namorada para que a mulher não pudesse vê-lo.

- Relaxa... eu cuido disso. — Olive sorriu, se dirigindo até onde ela estava. Tirou do bolso seu recipiente pequeno onde carregava palitos de dente e o empurrou para o alto, mas surpreendentemente, eles caíram no mesmo lugar de antes. Chyna, Angus e Fletcher ficaram boquiabertos, Olive só parecia frustada. — Ah! Geralmente funciona!

- Fletcher, eu andei olhando seu portfólio online e o corpo da sua obra é incrível! — Disse a curadora passando pela loira e indo até Fletcher. — Eu quero que você seja o artista em residência do museu!

- Artista em residência? — Perguntou, tão surpreso quanto os amigos e a namorada. — Espera, isso é um truque pra eu pintar sua casa? — Sua expressão mudou para desconfiada. A mulher negou.

- Não, é uma bolsa de estudos de muito prestígio nós queremos que você se mude pra Nova York!

- O quê? — Olive perguntou. O tom baixo disfarçando o medo que sentia de perder o garoto.

- O quê? — Repetiu Chyna, segundos depois.

- Tchau! — Angus acenou sob os olhares incrédulos das duas garotas.

- Vai ter a rara oportunidade de trabalhar com os maiores artistas do mundo. Nunca oferecemos isso pra um adolescente antes! — A proposta era realmente tentadora e por mais que o coração de Olive doesse só de pensar em ficar longe de Fletcher, ela sabia o que tinha que fazer.

Lembrou da conversa que tivera com o namorado no museu depois que ele parou de chorar por causa da pintura de Cebola, o ruivo a dissera que jamais seria um artista tão bom como o pintor e agora aí estava a grande chance de mudar isso. Ele seria famoso, todos iriam valorizar o seu talento.

Por outro lado, se ele recusasse, poderia nunca mais aparecer uma oportunidade como aquela. Então eles casariam, se mudariam para o Texas, teriam quatro filhos e todo dia quando deitasse ao lado dele, o ouviria lamentar tê-la escolhido ao invés de sua carreira e eles seriam infelizes para sempre.

Talvez estivesse exagerando um pouco, mas era da natureza dela exagerar. Fazia tudo da sua forma calculista, nos mínimos detalhes.

Na verdade, a única coisa que queria agora era ir pra sua cama chorar como no dia em que Dixon terminara com ela para ficar com aquela espiã.

Fletcher trocou um olhar apaixonado com ela e foi então que a loira percebeu a diferença entre o namorado e o ex. Ele seria capaz de desistir de sua carreira por ela, ele a amava.

E ela também o amava. Exatamente por isso que tinha que impedir que ele desperdiçasse essa chance.

Afinal, amar não é isso? Colocar a necessidade dos outros acima das suas?

Era isso. Olive tomara sua decisão.

- Uau! Essa é mesmo uma grande honra, estou lisonjeado... — Começou o namorado. — Mas... tenho que recusar. — Ela sorriu por dentro porque estava certa.

- O quê? Por quê? — Perguntou a curadora, surpresa.

- Porque a minha vida é na Califórnia, com minha família e meus amigos e acima de tudo... — Ele começou a se aproximar dela e Olive teve que se segurar muito pra não sair correndo e chorando daquela loja. — com a garota que eu amo.

Se fosse outra situação, ela acharia fofo, entrelaçaria as mãos dos dois e o puxaria para um beijo, mas naquele momento, quando ele passou o braço pelo pescoço dela, causando arrepios por todo o seu corpo, ela recusou e voltou a ser a Olive que o xingava. A Olive que ele não ama.

"Isso vai doer mais em mim do quem você, Fletcher."

- Espero que não faça isso por mim, porque eu tava quase terminando com você.

- O quê? — Fletcher disse, a voz quase inaudível e seus lindos olhos transbordando de tristeza.

- O quê? — Chyna estava incrédula. Claro, depois de ouvir a melhor amiga dizendo o quanto amava o garoto e agora estar vendo-a terminar da pior forma possível com o mesmo.

- Boa! — Angus foi o único que gostou da ideia.

- Olha, não sou eu. É você. Pra começar, eu nem sei porque eu tava namorando você. Se você se mudasse pra Nova York, eu não sentiria saudade nenhuma. — "Na verdade, eu morreria por dentro. Mas ele não precisa saber disso." Corrigiu mentalmente.

- Olive, o que tá fazendo? — Chyna tornou a perguntar, tentando impedir a loira. Ela tinha que acabar logo com isso antes que desabasse ali mesmo.

"Vamos lá Olive! Já o magoou, agora só termina e sai daí logo!"

- Seguindo em frente. — Respondeu. — Você também deveria. Foi mal Fletcher mais Zazau sempre termina em 'au'. — Deu de ombros e se afastou o suficiente para que ninguém a visse mais.

- Mas... eu ainda não tive 'Zaz' o suficiente e eu gosto muito de 'Zaz'! — "Eu também não tive Fletcher o suficiente e gosto muito disso."

- Bom, deu tudo certo! Vou começar a papelada da bolsa de estudos! — Ouviu a curadora dizer e teve que se esconder para que a mulher não visse as lágrimas que estavam descendo por seu rosto desenfreadas.

Como não ouviu mais a voz de seu amado, não via mais motivos para continuar ali. Não podia voltar pra onde dividia o quarto com Fletcher porque se o visse arrumando as malas ou deixando o hotel, seu coração não aguentaria.

Nem podia voltar pra loja, Chinna perceberia que tudo foi uma armação e talvez até a faria mudar de ideia e confessar ao ruivo.

Não! Ela tomou a decisão certa!

Ele teria uma carreira brilhante e ela? Ela o superaria. Talvez nem gostasse mais dele daqui há algum tempo.

Saiu correndo dali quando as lágrimas voltaram a embaçar sua visão. É, ia ser difícil.

~//~

- Tá mãe, eu digo a Olive que você mandou um beijo. — Disse Fletcher, finalizando o telefonema com os pais, que adoraram a ideia dele se mudar pra Nova York. Os dois já estavam cuidando das malas do garoto e ligando para a sua avó para buscá-lo de táxi logo mais.

Até seus pais gostavam dela. Na verdade, sua mãe sempre dizia que eles iam acabar percebendo que nasceram um pro outro e parar de brigar uma hora ou outra. A reação dos dois era virar um pro outro e dizer algo como: "Eu e ela/ele?! Nunca!"

Devolveu o z-fone ao bolso depois de bloquear a tela, onde tinha uma montagem de quatro fotos com sua melhor amiga e a namorada (Ex?) — Uma ele, Olive e Chyna; uma só com Chyna e duas só com Olive. Na primeira ela beijava sua bochecha e na segunda os dois estavam abraçados -. A foto fora tirada alguns dias depois deles assumirem o namoro pra todos. Riu sem humor, eles estariam fazendo um mês daqui a uns dias e ela tinha terminado com ele sem nem mesmo pensar no que sentia.

"Pra começar, eu nem sei porque eu tava namorando você. Se você se mudasse pra Nova York, eu não sentiria saudade nenhuma."

Fletcher queria dizer o mesmo. Queria dizer que nem sabia o porquê de ter beijado Olive no Programa ou quando a pediu em namoro ou até quando percebeu que esquecera Chyna.

Mas ele sabia, sempre soube.

Todas aquelas brigas sem razão, as ameaças, tudo era apenas porque ele queria chamar a atenção de Olive de algum jeito. Tudo porque sempre fora afim de sua melhor amiga/inimiga.

Queria dizer que se ela saísse de sua vida e ele nunca mais a visse, não faria a menor diferença.

Mas faria. Faria tanta que seu coração doía de pensar em ficar longe dos sorrisos iluminados e factoides interessantes da loira. Talvez nunca mais ouvisse-a corrigir alguém quando errassem a pronúncia de algo. Sentiria muita falta disso.

O quarto que iriam dividir estava vazio quando ele entrou, ela devia estar por aí dando em cima de algum nova iorquino gatinho.

"Sem ciúmes Fletcher! Ela não é mais sua!"

Balançou a cabeça tentando se livrar dos pensamentos — quase todos envolvendo a garota — enquanto voltava ao que tinha que fazer: se mudar de vez pra Nova York.

~//~

- Aceitou mesmo a bolsa. — Chyna perguntou, surpresa quando Fletcher apareceu com as malas em mão na frente da loja Z. — Então, não vai voltar com a gente pro programa?

- Olha, é uma oportunidade incrível e até os meus pais disseram pra eu ir. Eu vou morar no Brooklyn com a minha avó Dote. — O garoto deu de ombros, se virando para Angus que já estava suspirando, pronto pra começar o mini-discurso de Adeus.

- Fletcher, você não é só meu melhor amigo, mas eu adorei ser seu colega de quarto esse ano. Se um dia decidir que Nova York não é pra você, nosso quarto sempre estará lá. — Fletcher sorriu e os dois se abraçaram. — É claro que sua cama vai sair e dar lugar a uma máquina de pretzels.

- Eu sei. Já fez isso há dois meses. — Sorriu.

- Quê? — Angus disse, surpreso. O garoto se virou para Chyna, mas ouviu a voz de Lexi soar pelo local.

- Fletcher, você e eu nunca nos conhecemos bem lá na escola...- Começou com uma voz baixa que deu lugar a euforia. — Obrigada por isso!

- De nada. — Ele respondeu, confuso e pulou pra parte do abraço, que a loira recusou.

- Ow! Eu mal conheço você! — Lexi riu, entrando na loja de novo, ignorando qualquer chance de um adeus melhor.

Confuso, ele se virou para a morena novamente, ela possuía um sorriso de lado, mas seus olhos estavam marejados.

- Fletcher, desde de o dia em que apareceu na minha casa de cartola e monóculo, eu sabia que seríamos amigos pra sempre... — Começou.- Não acredito que estamos nos despedindo! — Sua voz soou indignada, ele sorriu.

- Não importa onde eu esteja, você sempre fará parte da minha vida. Eu não seria quem eu sou se não fosse por você.

- Como assim?

- Quando chegou ao programa de talentos, eu era um garotinho assustado e você era tão... tão... confiante e corajosa! Você não me deixou ter medo e agora vou me mudar pra Nova York e vou sozinho! Eu não sei como faria isso sem você. — Eles se abraçaram e ela permitiu que as lágrimas caíssem, que ele logo enxugou quando o abraço cessou.

- Não esquenta, vai encontrar outra garota pra perseguir por anos e vai esquecê-la pra namorar a melhor amiga dela. — Riram. Ele sorriu de lado, queria que a loira estivesse ali pra pelo menos se despedir.

- Nunca pensei em namorar a Olive mas... Quando começamos, eu nunca tinha sentido algo assim. — A verdade transmitida na fala do garoto. — Acho que só eu me senti desse jeito. — Suspirou. Segundos depois, ouviram um barulho de choro. Mas não era qualquer choro e estava vindo de uma... lata de lixo?!

- Eu acho que a lata de lixo está chorando... Eu sabia que não devia ter ficado sem comer hoje. — Disse o senhor Grunt, usando o lenço de papel que estava em sua mão.

Chyna e Fletcher se aproximaram da lata e a morena retirou a tampa revelando a loira que havia passado o dia ali esperando por Fletcher. Merecia uma despedida, certo?

Só não estava em seus planos que ele fosse se declarar e a fizesse soltar as lágrimas que estava segurando.

- Olive? — Chyna perguntou. — O que tá fazendo aí?

- Eu só tô garantindo que o Fletcher vai ficar porque eu odeio muito ele. — Disse entre lágrimas. Foi então que tudo se encaixou para o garoto. Ela não tinha terminado porque não gostava dele.

- Espera, você terminou comigo pra eu não perder a oportunidade? — Perguntou, ainda com um pouco de receio. A loira passou a mão pelos olhos e deu de ombros.

- Talvez. — Era o que ele queria ouvir.

- Obrigado Olive. — Ela tinha feito aquilo porque o amava. Nada mais justo do que dizer o mesmo. — Eu também te amo. — Fletcher se abaixou, ficando da altura da lata de lixo e encostou sua cabeça na de Olive, a abraçando. Eles ficaram abraçados até perceberem a presença de um táxi e uma mulher loira bonita saindo dele. — É a vovó Dote. — Explicou ele. Angus e Chyna se entreolharam e o outro sorriu.

- Uau! A vovó Dote é a vovó Gata!

- Na verdade, ela é a minha avó postiça. O vovô Zac tinha grana... — Fletcher fez um sinal de dinheiro com a mão e Angus assentiu. Olive já saira da lata de lixo a essa hora.

- Então... ela é uma viúva que gosta de homens ricos, quem sabe eu me mude pra Nova York... — Disse o senhor Grunt, se aproximando da loira e recuando no mesmo instante. — Não, sentiria muita falta de vocês.

Olive, Fletcher e Chyna se abraçaram e ficaram assim até o garoto partir e a loira encharcar o casaco da morena de lágrimas.

~//~

- Eu sempre vou te amar, Fletcher... — Sussurrou Olive, já dentro do avião como se estivesse fazendo uma promessa silenciosa para a lua e as estrelas. Ao seu lado, Chyna dormia tranquilamente.

- Eu sempre vou te amar, Olive... — Fletcher disse, pensando se a loira via o mesmo céu que ele observava na janela. Provavelmente não, mas isso não importava. Ele tinha feito uma promessa silenciosa para o céu. Ele iria vê-la de novo. Jamais perderia as esperanças.

Nem ela.

Continua...

Notas finais
Último capítulo só amanhã o.k.? xoxo