Dont Let Me Fall
33 O que os olhos não vêem, o coração pressente.
Notas iniciais
Capítulo 33 – O que os olhos não vêem, o coração pressente.
Narrado por Matheus
Eu não consegui dizer nada, as palavras estavam presas na minha garganta, eu não queria acreditar naquilo, o que Aline fazia lá? Como assim ele estava no banho? O que estavam fazendo? Por que Felipe ainda falava com ela?
Felipe, eu juro que te mato!
Desliguei o celular sem ao menos responder, meu sangue fervia de raiva, demorei um tempo para me recuperar, eu tinha perdido o apetite, meu estômago revirava, minha mãe perguntava o que tinha acontecido e eu não conseguia falar, minhas únicas palavras foram:
—Mãe... Você pode me emprestar o carro?
—O que houve?
—Eu preciso ver Felipe... Agora...
Andei apressado e subi as escadas, peguei minha carteira de motorista e fui até minha mãe, que disse:
—As chaves estão na gaveta da estante da sala... Mas por que essa pressa toda? Aconteceu alguma coisa com Felipe?
—Não tenho tempo pra explicar...
POV MATHEUS OFF
Narrado por Felipe
Terminei o banho e me barbeei, depois ia para o meu quarto, mas parei na metade do caminho ao ver Aline na sala com meu celular na mão, e depois que ela me viu, o escondeu nas costas.
—Aline, devolve...
—O quê? Do que você tá falando, Lipe?
—Eu sei o que você está escondendo... –Disse caminhando em sua direção.
—N-Não é nada, juro!
—Vai, me devolve.
—Não tenho nada aqui... –Diz ela correndo até a cozinha ao ver que eu estava próximo.
—Eu não tenho paciência, Aline!
—Pare de me perseguir, eu não sei do que você tá falando...
—Já basta você passar a noite aqui sem minha permissão, e agora não quer devolver meu celular, o que quer que seja que você está aprontando, me devolva! –Disse irritado.
Ela correu para a sala, novamente fui atrás dela e a segui rapidamente, se ela não tivesse entrado em meu quarto e trancado a porta, teria a alcançado... Mas aquele não era o maior problema, fiquei para fora, de toalha e tudo.
Ouvi Aline abrir e fechar meu guarda-roupa, o que será que ela estava aprontando?
—Aline, pare de mexer nas minhas coisas! –Gritei do lado de fora.
POV FELIPE OFF
Narrado por Matheus
Cheguei na cidade, não me lembrava muito do caminho, mas lembrei da localização da faculdade, e logo soube para onde ir, virei depois de algumas quadras e cheguei à um grande edifício, cercado por um muro alto.
Me identifiquei com o guarda, ele me revistou e depois se desculpou pelo incômodo, deixando que eu entrasse.
Fui até as escadarias e subi ao corredor de Felipe, meu coração estava quase saindo pela boca de nervosismo, quando cheguei, tirei as chaves do bolso e coloquei-as na fechadura; fui rápido, destranquei, rodei a maçaneta e entrei.
Andei rápido cômodo adentro, e na sala não tinha ninguém, mas ouvi a gritaria de Felipe, e sem entender do que se tratava, me aproximei devagar e o vi quase nu, implorando para Aline abrir a porta de seu quarto, meu estômago embrulhou de raiva, meus olhos se encheram de lágrimas e minha voz quase não saiu.
—T-Traidor... –Disse baixo e entre soluços.
Ele virou-se surpreso, me olhando assustado e perguntou:
—M-Matheus? O-O que v-você tá fazendo aqui?!
Ouvi um barulho na porta do quarto dele e Aline aparece, assim como ele, quase nua, vestida somente de uma camisa de Felipe mal abotoada, e com os cabelos bagunçados.
—Que gritaria Lipe... –Diz ela, mas assim que me olha, diz. –Oi Matheus, é Matheus, né? O que você faz aqui?
Eu não disse nada, mal consegui me mover; Felipe começou tentando dar explicações.
—Math, não é isso que você tá pensando, Aline é só minha amiga...
—Cale a boca!
—Math, me escuta.
—Eu não quero ouvir mais nada! –Disse com a voz rouca de choro.
Minhas pernas tremiam, meu coração estava estraçalhado, ele tentou se aproximar, mas minhas duas mãos foram até o peito dele, o empurrando para longe de mim.
—Matheus, por favor!
—N-Não! Eu não acredito... P-Por quê? –Disse soluçando. –Por que Felipe? Por que fez isso comigo?
Eu estava tentando controlar ao máximo aquelas lágrimas que desabavam de meus olhos, eu não conseguia enxergar nada um palmo à minha frente, Felipe continuava a falar, mas eu não queria ouvir mais nada que viesse dele.
—Ela só precisava de um lugar para dormir ontem, Matheus, por favor, me escute!
—E pelo jeito você mostrou um lugar ótimo para ela dormir... Bem na sua cama...
—Não foi isso, Matheus...
Pensei que aguentaria, pensei que conseguiria olhar nos olhos dele, mas acho que aquele era o meu limite.
—Toma essa droga que você chama de prova de amor. –Disse retirando a aliança com raiva e a jogando em sua direção.
—Matheus, espera!
Corri até a porta, não quis ficar ali nem mais um segundo, ele veio correndo atrás de mim, somente de toalha, e quando chegamos ao corredor, ele tentou me segurar, mas me virei e joguei a chave reserva que ele tinha me dado; em sua direção.
—Dê isso pra aquela vagabunda!
—Matheus! Volta aqui!
Continuei correndo e cheguei às escadas, fui descendo rapidamente e ele segurou a toalha para não cair e desceu as escadas atrás de mim, me seguindo.
—Me deixa explicar!
Parei no meio do caminho, quando chegamos ao piso inferior, ele parou também, e se aproximou.
—Math... Eu juro...
—Nunca mais apareça na minha frente...
POV MATHEUS OFF
Felipe sobe as escadas apressadamente e volta para o seu quarto, Aline o vê chegando, e ele a empurra para que ela saísse da frente, Felipe troca-se rapidamente e quando volta para sala, Aline diz:
—Lipe, que pressa é essa?
—Por favor, vá embora!
—M-Mas o que eu fiz?
—Não se faça de idiota! –Gritou ele enfurecido. –Vá embora!
—Eu não quero ir... –Diz ela cruzando os braços.
—Você vai por bem ou por mal, coloque suas roupas e pegue suas coisas, antes que eu te coloque pra fora do jeito que está.
—Por que está tão bravo comigo?
—Não acha que o que houve agora deixou bem claro?
—Mas eu achei que eu tivesse feito um favor pra você...
—Você é inacreditável. –Diz Felipe bufando e esfregando o rosto com força.
Narrado por Matheus
Eu sabia que talvez o Felipe viria atrás de mim, então tratei de entrar logo no carro, enxuguei as lágrimas rapidamente e dei partida, iria diretamente para a faculdade, eu tinha uma palestra importante, não queria perdê-la, acho que tinha sido uma péssima ideia visitar Felipe hoje...
Eu não acreditava, ou melhor, não queria acreditar, mas eu estive ali, vi tudo com meus próprios olhos, senti na pele... Eu já imaginava que tinha algo de muito estranho acontecendo com Felipe, ele estava me tratando diferente recentemente, mas eu achava que era a tensão por causa do início de suas aulas num lugar totalmente diferente, só que não era isso...
Meu coração doía tanto...
Tanto...
Ele poderia ter aprontado qualquer outra coisa, mas essa foi a que mais me decepcionou, se ele queria me magoar, conseguiu.
Fale com o autor