Dont Let Me Fall
35 O centro de ciências.
Notas iniciais
Capítulo 35 – O centro de ciências.
Narrado por Matheus
—Algum problema? –Pergunta Dr. Martinez.
—N-Não tem nenhum problema é que... –Digo tentando controlar o nervosismo.
—Foi errado?
—Não, eu estou até agradecido... –Concluí.
—Então por que está tão surpreso?
—Pelo fato de você não me encarar com tanto repúdio... Geralmente é assim que as pessoas me olham quando descobrem...
—O fato de eu ser seu tutor e você meu aluno, não me faz melhor do que você, e essas pessoas que te olham com desprezo, com certeza não merecem algum respeito.
Engoli seco, aquilo era realmente constrangedor.
—Posso voltar para minhas atividades? –Perguntei.
—Você não estava em seu intervalo?
—Sim, mas eu ia até a biblioteca...
—Não seria perigoso? Ele ainda pode estar te esperando.
Olhei para baixo, minhas bochechas ainda queimavam de vergonha, não conseguia dizer nada.
—Tome, segure essas apostilas. –Ele ressaltou.
O olhei confuso, e ele continuou.
—Precisamos sair daqui sem sermos incomodados, certo? Então me siga.
Passamos pelo mesmo corredor, onde Felipe ainda me esperava, ele olhou para mim, mas fingi que não tinha reparado. Passei reto por ele enquanto disfarçava, mas o ouvi me chamando, continuamos andando, mas percebo que ele começou a vir atrás de nós, até que Dr. Martinez virou-se e disse:
—Posso saber o que é de tão importante para interromper uma pesquisa de um geneticista?
Felipe pareceu ficar ainda mais contrariado, olhou para mim, como se eu fosse dar alguma resposta ao doutor por ele, mas fiquei calado.
—Deixe seu celular ligado Math, resolvemos isso mais tarde. –Disse Felipe saindo dali com pressa.
Fiquei aliviado, e Felipe parecia ter ficado constrangido. Continuamos andando e chegamos ao refeitório.
—Obrigado mais uma vez. –Agradeci.
—Você só não sabe se defender corretamente.
—Sou tão ingênuo assim?
—Digamos que, indefeso.
Suspirei, até minha mãe dizia aquilo o tempo todo, todos desde o primeiro colegial foram mudando, eu sou o único que continuou baixinho, magricela e com cara de criança. Será que ele quis dizer que sou fraco? Droga, naquele ponto eu tinha que admirar Felipe, que sempre foi mais alto, foi criando músculos com o tempo, e ele já até fazia a barba, enquanto eu mal via os pelos do meu rosto... Droga, por que eu estou pensando nele?!
—Você quer comer ou beber alguma coisa antes de ir?
—Ir aonde? –Perguntei.
—O Dr. Castro estava planejando um passeio para o nosso grupo de debate, mas vou aproveitar a oportunidade para que você já conheça o centro de ciências o quanto antes.
—Sério? Eu sempre quis ir lá!
Dr. Martinez me olhou, dando um sorriso torto, ou quase, aquilo foi mesmo um sorriso? Não me lembro de ter visto qualquer outro sorriso da parte dele, ele era sempre muito sério no que fazia.
Ele comprou duas latas de refrigerante e novamente o segui, indo até um banco próximo. Sentamos ali por um tempo, ele estava pensativo, abri a lata que ele me ofereceu e perguntei se tinha acontecido alguma coisa, ele pareceu despertar de seu transe e me olhou.
—Não, eu só estava tentando me lembrar de algo...
—Ah, entendi... Mas quando é o passeio do grupo de debate? –Perguntei.
—Acho que semana que vem, mas eu vou te levar para uma visita hoje.
—E-Eu achei que você estava brincando...
—Por que estaria? Você não disse que queria ir?
—Sim, eu quero, mas se eu for te atrapalhar em algo...
—Não irá. –Diz ele me interrompendo.
Eu realmente não entendia o que se passava na cabeça dele, aquilo estava confuso, mas tentei disfarçar o nervosismo e mudei de assunto.
POV MATHEUS OFF
Narrado por Felipe
Fui até a casa de Matheus, sua mãe estranhou ao me ver ali, mas pediu que eu entrasse, e fomos até a sala de estar.
—O Matheus foi procurar você... –Disse dona Ana.
—Eu sei, ele foi me ver, mas foi embora um pouco depois. Só que agora ele está na faculdade, e não quero atrapalhar em suas aulas, então eu queria saber se posso esperá-lo aqui...
—Pode sim, fique a vontade, vou trazer um café.
Me sentei no sofá, mas mal percebi quem estava no estofado ao lado, TomTom ronronou, parecendo acordar, e ficou parado, me encarando com seus olhos curiosos e azuis.
—O que você está fazendo aí, Tom?
Ele pareceu reconhecer minha voz e veio para o meu colo.
POV FELIPE OFF
Narrado por Matheus
Chegando ao centro de ciências, adentramos o local e eu disse:
—Então, sabe quando você disse aquilo da pesquisa para o Felipe? Eu não sabia que o Dr. Castro era geneticista, se bem que ele vive falando sobre genética.
—Pois é, e você? Já escolheu qual área vai se especializar?
—Eu gostaria de fazer pediatria...
—Gosta de crianças? –Ele questiona.
—Sim. –Respondi sorrindo.
—Já eu, sempre gostei de dermatologia...
—Combina com você...
Ele me olhou, desentendido, e tentei dar alguma explicação.
—Q-Quis dizer... B-Bom, você tem uma pele bonita...
Porém, quando as palavras saíram da minha boca, me arrependi totalmente de tê-las falado. E ele riu. Desesperadamente, tentei mudar de assunto.
—B-Bom, todos o chamam de Dr. Martinez, mas até hoje não sei seu primeiro nome...
Senti minhas bochechas corarem, de onde eu tinha tirado coragem para falar aquilo?
—Não mesmo? –Ele pergunta.
—Não...
—Então não espalhe para ninguém, eu gostaria de continuar a ser chamado assim.
—Tudo bem, eu guardarei segredo.
POV MATHEUS OFF
Narrado por Felipe
—O que aconteceu essa manhã? Matheus acordou um pouco triste, pelo que eu entendi você estava sem dar notícias...
—Sim, eu acabei tendo uns problemas à noite e não pude ligar para ele...
—Ah, então tudo já deve estar resolvido, vocês conversaram hoje de manhã, não é? Acho que foi por isso que ele quis o carro emprestado e saiu sem me dar explicações...
—Como assim?
POV FELIPE OFF
Narrado por Matheus
—É por isso que eu não gosto do meu nome, me faz parecer muito jovem... Pessoas não confiam em médicos jovens... –Diz Dr. Martinez.
—Pode ser, mas combina tanto pra você, qual é sua idade?
—Quantos anos você me daria? –Pergunta ele.
—B-Bom... N-Não sei... –Disse com medo de dar a resposta.
—Você parece ter uns... Deixa eu ver... –Diz Dr. Martinez levantando meu queixo e virando meu rosto para os dois lados. –Dezesseis... É claro que você é mais velho, só que você tem uma pele de pêssego.
Afastei a mão dele do meu rosto e disse:
—Tenho dezoito.
Ele riu e se desculpou, depois fomos até um dos departamentos do centro de ciências e ele disse:
—Bom, mas respondendo a sua pergunta, tenho vinte e oito... Você quer visitar outro lugar? Aqui tem vários departamentos, física, química, biologia...
—Quero ir a todos...
POV MATHEUS OFF
Matheus acompanhou Dr. Martinez em todas as atividades que iriam fazer com o grupo de debate na próxima semana, mas quando terminaram de visitar todos os lugares, iam voltando para o carro, e Dr. Martinez pergunta:
—Quer uma carona até sua casa? Talvez essa hora eles já estejam fechando os portões da faculdade... E nem venha com essa de que vai me atrapalhar, se estou perguntando, é porque não me importaria...
—Não se preocupe comigo...
—Entre no carro.
Matheus hesitou um pouco, mas logo obedeceu, sentando no banco ao lado do motorista e colocando o cinto.
—É só você me falar em que rua virar, pode ser?
—Sim... –Diz Matheus acanhado
—Quer passar em algum lugar antes? –Diz ele ligando o carro.
—Não...
Dr. Martinez deu partida e saíram do estacionamento do centro de ciências, o lugar era mais incrível do que Matheus imaginava, e ele ficava feliz em saber que semana que vem iria novamente, só que o que constrangia Matheus, era a presença dele, Matheus tinha medo de dizer algo que estivesse errado e Dr. Martinez o repreendesse, mesmo isso nunca acontecendo...
Passaram-se mais algumas ruas e o silêncio dentro do carro reinava, Dr. Martinez perguntou se Matheus queria que ele ligasse o rádio, mas Matheus disse não, só que ele ficaria agradecido se ele não tivesse o ouvido, pois dentro do carro só conseguia ouvir o barulho do coração de Matheus batendo.
Quando chegaram, Dr. Martinez fez o favor de parar em frente à casa de Matheus, mesmo ele dizendo que poderia ter descido uma rua antes. Matheus tirou o cinto e abriu a porta, logo saindo, e antes de fechá-la se curvou para poder enxergar Dr. Martinez, que estava dentro do carro, e disse:
—Quer entrar?
—Talvez outro dia.
—Então tudo bem, obrigado pela carona... Leonardo.
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