Dont Let Me Fall
21 Minha vida tem sentido agora...
Notas iniciais
Capítulo 21 – Minha vida tem sentido agora...
Narrado por Thiago
Acordei no meio da noite, sem noção de que horas eram, parecia ser madrugada, mas Renato estava sentado na beirada da cama, com meu celular na mão, e perguntei:
–Quem era?
–Sua mãe... Não queria te acordar, então atendi...
–O que ela disse?
–Perguntou se você voltaria hoje... Então eu disse que você dormiria aqui...
–Mas... Não posso, não trouxe nada, nem uma troca de roupa!
–Relaxa... –Ele diz engatinhando na cama até chegar em mim. –Agora vê se dorme, você deve estar muito cansado...
–Engraçadinho... –Disse com ironia. -Mas é sério Renato, não posso dormir aqui...
–Mas já disse para ela que dormiria, então fique...
–Mas onde durmo?
–Na minha cama?
–N-Não posso...
–O que tem demais?
–É que... Não sei... –Disse coçando a nuca.
Renato encostou a testa na minha, segurando as laterais do meu rosto, a iluminação ainda era pouca, mas pela luz do abajur, percebia seu olhar carinhoso, ele me beijou e de novo não resisti, me entreguei ao beijo dele, como se minha vida dependesse disso.
–Durma bem... –Renato diz tirando minha franja da frente do meu olho e me dando um beijo rápido.
–Aonde você vai? –Perguntei quando o vi levantando da cama.
–Terminar uma composição...
–Você tá compondo uma música?!
–Sim... Quer ler a letra?
–C-Claro...
Ele andou pelo quarto, abrindo a gaveta de um dos armários, revirando algumas folhas, mas logo tirou um caderninho de dentro dela.
–Aqui está... –Diz ele ligando a luz do quarto, sentando ao meu lado na cama, e me entregando o caderno.
Abri e folheei, havia muitas letras de música, eu nunca imaginaria que ele um dia as escreveria, até que então, ele diz:
–São todas inspiradas em você... Algumas são meio bobinhas, outras são pervertidas, mas... São todas para você, pode ler a vontade, a que estou escrevendo atualmente é a da página quinze... E também é inspirada em você...
–Nossa... Eu... Eu nem sei o que falar...
–Relaxa, tenho mais oito cadernos desse cheio de músicas feitas para você... E alguns poemas também...
–Renato... Você ficou todo esse tempo... Gostando de mim, mas... Não me disse nada?
–Eu nunca fui um poço de coragem...
–Você parecia se dar bem com algumas meninas que te paqueravam... Não saiu com nenhuma delas?
–Eu tentei, mas era impossível... Eu não tirava você da cabeça... Além do mais, você nunca nem me tratou mal, nenhuma vez... Sempre agindo meigo desse jeito, só me deixava cada vez mais confuso... Quem mandou ser tão bonzinho?
Peguei na mão de Renato, elas estavam geladas e suadas, ele estava realmente nervoso por falar aquelas coisas para mim, devia ser difícil para ele. Renato olhava para baixo enquanto falava, não me encarava de jeito nenhum, aquelas palavras realmente eram verdadeiras, e a voz dele estava um pouco trêmula.
Foi a minha vez de levantar seu rosto e beijá-lo, dei vários beijos seguidos em seus lábios carnudos deliciosos e acariciei seu rosto. Ele me olhava espantado, mas seus olhos estavam brilhantes, como se acabasse de ganhar um presente.
–Renato... Eu... Eu realmente quero tentar algo com você... Se você prometer que não irá me abandonar nunca, vou fazer o máximo pra tudo der certo...
–Mas, se você não sente nada por mim... Do que adianta?
–Ei! Não diga isso! Eu me importo muito com você...
–Isso não é o suficiente... –Renato disse se retirando do quarto.
Me levantei para ir atrás dele, e percebi que estava nu, cacei minhas roupas pelo quarto e as coloquei. Saí e encontrei ele sentado numa poltrona prestes a acender um cigarro, tomei o isqueiro de sua mão e disse:
–Você disse que tinha parado de fumar...
–Isso me relaxa...
–Isso te mata.
–Então que eu morra... Vai. Me devolva o isqueiro...
–Não!
Renato se levanta e estende sua mão, me olha como se estivesse me repreendendo e diz:
–Não seja criança Thiago, me devolve...
Corri até o quarto dele e quando cheguei, ele chega por trás e me prende em seus braços. E ao mesmo tempo em que tenta tirar o isqueiro da minha mão, escorregamos e caímos juntos no chão.
–Por mim Renato... Pare com esse vício... –Disse ofegante. -Isso te faz mal, isso vai te matar... Assim como a bebida...
–Olha, nem a pau que vou parar de beber...
–Mas... Não quero te ver um dia no hospital em estado grave, com câncer no pulmão ou cirrose...
Quando eu estava prestes a me levantar do chão, ele me prensa contra ele, segurando firme em meu antebraço e retirando o isqueiro da minha mão.
–Renato...
–Eu não vou parar de fazer uma coisa que eu gosto de uma hora para outra só porque você pediu, apenas me deixa, tá bom? –Falou rude e assim que acendeu o cigarro, o vi tragar um pouco e a fumaça escapar por seu nariz.
Depois dessa resolvi voltar para a sala. Só disse aquilo porque quero o melhor para ele, mas se ele não quer me ouvir, não vou ficar insistindo.
POV THIAGO OFF
Narrado por Matheus
Ouvi o interfone de casa tocando, já era tarde para ser alguma visita, eram quase onze horas da noite, mas então, ouvi minha mãe dizendo “pode entrar” e apertando o botão do portão. Fiquei curioso, mas pensei que deveria ser alguns parentes chatos, continuei vendo TV com TomTom deitado ao meu lado no sofá, quando ouço minha mãe dizendo:
–Filho, olha quem tá aqui!
Felipe apareceu e eu sorri, me levantei e fui até ele, lhe dando um beijo.
–Seu pai e a Samanta vieram também? –Perguntei ouvindo as vozes deles no corredor.
–Bom, eles tem um convite pra fazer...
–Que convite?
–Eles vão se casar...
–Sério?
–É...
–Isso é ótimo Felipe...
–Pois é... Mas você nem imagina a melhor parte...
–Qual?
–Você vai ficar sabendo depois...
–Não! Me diga agora! Você sabe que eu sou curioso!
–Ah... Não quero estragar a surpresa, é melhor perguntar pra sua mãe depois, meu pai já deve tá conversando com ela sobre isso...
–Não vou aguentar de curiosidade...
–Ah Math, só espera um pouco...
Felipe e eu ficamos conversando no meu quarto, e logo ouvimos o pai dele o chamando para ir embora, dei milhares de beijos nele antes de sairmos do quarto e ainda nos despedimos com um abraço no portão.
Depois corri até minha mãe disse:
–Mãe! Do que vocês falaram?!
–Não corra pela casa Matheus! É perigoso!
–Mãe...
–Pode até bater a cabeça...
–Tá mãe... Mas eu queria saber...
–E não vou sair no meio da noite pra levar um marmanjo desse tamanho no pronto socorro...
–Mãe!
–Não grite comigo.
–Me fala logo! Vocês estavam conversando o que aqui na cozinha?
–A Samanta e eu?
–Não! Você, o papai, o Victor e a Samanta! Todo mundo... Do que vocês estavam falando?!
–Ah... Eles falaram sobre o casamento deles, nos explicaram onde vai ser a festa... Essas coisas...
–Mas o Felipe disse que... Que tinha outra coisa... Ele não quis me dizer o quê... Ah, estou tão curioso... Sério que vocês não falaram mais nada?
–Bom... Eles vão viajar para um resort na lua de mel, e perguntaram se o Felipe poderia dormir aqui por um tempinho...
–E você aceitou, não é?! Diz que sim! Por favor!
–Claro que eu aceitei... Será a lua de mel deles... E o Felipe não pode ficar sozinho enquanto eles viajam... Além disso, eu sabia que você iria adorar... –Ela diz apertando minhas bochechas. –Só que eu seu pai não pareceu muito contente... Ele não gosta muito da idéia de vocês dois dormirem juntos...
–Mãe!
–Que foi Matheus?
–Como... Como você... Sabe disso?
–Vocês dormem abraçados desde pequenos... O que tem eu ficar sabendo disso?
–Ah! Você tá falando disso... Ah... Tudo bem então... Eu vou... Eh... Vou dormir...
–Matheus... –Diz ela me repreendendo e me fazendo virar para encará-la.
–O-Oi?
–Você achou que eu estava falando do quê?
–N-Nada não...
–Matheus...
–É S-Sério...E-Eu juro...
–Você está gaguejando... Não minta pra mim... Eu já entendi...
–Sério? –Disse engolindo seco.
–Sim... Você já é um mocinho e... Bom... Vocês dois já são bem íntimos, é até normal vocês terem relações sexuais...
–Mãe! –Falei sentindo as bochechas ardendo.
–Não precisa ter vergonha da sua mãe...
Falando isso ela só me deixava cada vez mais constrangido, decidi não dar muita moral para o assunto, mas sabia que amanhã teria que encarar uma maratona de perguntas dela do tipo “como foi a primeira vez?”...
Simplesmente... Muito... Mas muito constrangedor...
POV MATHEUS OFF
Ana foi para o seu quarto e logo Luiz abaixou o livro que estava lendo e perguntou:
–Que história é essa do Matheus já ter relações sexuais?
–Ouviu nossa conversa?
–Não posso?
–Querido... Isso é completamente normal
–Ele é muito novo, isso não estaria acontecendo se você não incentivasse tanto...
–Eles já são íntimos, se conhecem desde pequenos, e são namorados...
–São crianças.
–Vê os vê assim, mas já são bem grandinhos...
–São irresponsáveis...
–Matheus está amadurecendo. Nós temos que lidar com isso... Nosso menino está crescendo...
Narrado por Thiago
Vi Renato descer as escadas e ir até a cozinha, eu não tentaria pedir desculpas, não naquele momento. Ele sempre foi muito cabeça dura...
Fui até o quarto dele e deitei em sua cama, será mesmo que eu poderia dormir ali? Mesmo depois de nós termos brigado?
Meus olhos estavam pregando, logo se fecharam completamente e peguei no sono. Um pouco depois ouvi um estrondo e acordei assustado, olhei para os lados, Renato não estava deitado na cama, e marcavam três horas da manhã no relógio ao lado.
Ele com certeza deve ter escolhido o sofá... Sério mesmo que ele abandonaria a própria cama pra me deixar dormindo aqui enquanto ele dorme no sofá desconfortável? Mas o que estou falando... É claro que ele não está dormindo no sofá... Então... Onde será que ele estaria nesse momento?
Ouvi um barulho na maçaneta e logo ele entra, andando lentamente até a cama, se apoiando em algumas coisas, e depois se sentando na cama.
–Renato? –O chamei baixinho.
–Vim te dar um beijo de boa noite... Não consegui pegar no sono... –Diz ele segurando as duas laterais do meu rosto e me dando um selinho.
–Como assim? Onde você estava tentando dormir?
–No sofá...
–Mas, por quê? Você disse que dormiria comigo...
–Não queria acabar brigando com você de novo...
–Me desculpa... Eu só falei aquilo porque eu quero o seu bem... E... Espera... Que cheiro é esse? Você andou bebendo?
–Talvez...
–Renato... Eu até estava pensando em pedir desculpas pra gente poder dormir abraçado igual um casal normal, mas não! Não quero dormir do lado de um cara que fede a cigarro e álcool!
–O que disse?
–N-Nada... M-Me desculpe... Não devia ter falado isso...
–Thiago... Você disse... Um casal... Você... Você acha que somos mesmo um casal?
–Eu achava que nós estávamos juntos...
Renato deu um sorriso torto e me abraçou.
–Por favor, você pode me perdoar? –Diz ele.
–Se você prometer que vai parar de ferrar com a sua saúde...
–Não tenho mais motivos pra querer morrer cedo... Eu tenho você... Minha vida tem sentido agora...
Notas finais
Pessoal, fiquei muito tempo sem escrever, mas agora vou voltar no mesmo ritmo de sempre, e peço desculpas por esses capítulo estar mal escrito, eu estava sob pressão escrevendo ele, e não consegui caprichar, mas prometo que o próximo será melhor ♥
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