Dont Let Me Fall

31 A petulância retorna.


Notas iniciais
Beijos & Boa leitura! ♕

Capítulo 31 – A petulância retorna.

Narrado por Matheus

–F-Foi tão bom... –Suspirei abraçando Felipe na cama.

Ele passou os braços em minha cintura e me aproximou de seu corpo.

–Eu queria que essa noite não acabasse nunca...

–M-Mas eu vou vir aqui, e sempre que for possível vamos ficar juntos...

–Então estarei te esperando... –Ele sorri.

Fiz força para levantar, mas era difícil com Felipe colado em mim.

POV MATHEUS OFF

Narrado por Thiago

Traidor, mentiroso, cafajeste... Eu não acredito que ele fez isso comigo...

Eu tinha ido dormir na casa de Renato, então acordei e fui diretamente tomar um banho, mas quando saí do banheiro, ouvi a voz dele, que parecia estar conversando com alguém, me aproximei sorrateiramente do seu quarto, a porta estava um pouco encostada, sem fazer barulho espiei pela fresta e vi que era um telefonema.

Ele conversava em tom sério, mas ainda um pouco descontraído, não parecia ser uma conversa sobre negócios, e muito menos com qualquer colega de trabalho dele. E Renato parecia estar um pouco desconfiado, ele quase me viu o observando, eu segurei a respiração e continuei do lado de fora do quarto ouvindo, e percebi que o tom da voz dele abaixou.

Forcei os ouvidos para tentar entender do que se tratava a conversa, eu sabia que era invasão de privacidade, mas éramos namorados, e aquilo me parecia muito suspeito. Ouvi Renato citar a palavra “reserva” e logo após “motel”, meu coração acelerou quando ouvi as últimas palavras que saíram de sua boca.

O vagabundo estava reservando uma suíte de luxo num motel, e bem na data que ele me disse que estaria fazendo uma viagem de negócios! Meu sangue ferveu, eu quis entrar no quarto no mesmo instante e socar a cara daquele infeliz...

Traidor, mentiroso, cafajeste...

Naquele instante meu mundo tinha parado, ele realmente estava me traindo, e bem na frente dos meus olhos. Pensei em fazer uma loucura, mas eu estava tão irritado, mas tão irritado que não pensei em ser racional.

Corri até a sala copa, abri o seu armário de bebidas, que ele deixava a exposição suas preciosas bebidas alcoólicas antigas e raras, peguei a primeira garrafa, dei um gole e joguei contra a parede, minha respiração acelerou, eu queria gritar de raiva, a sensação de ódio me dominava por completo.

Peguei a próxima, o gosto não era muito bom, uísque velho tinha gosto de perfume, não sei como têm pessoas que apreciam isso...

Aquele o Renato iria me agradecer por jogar fora, peguei com força e o joguei contra o chão, eu estava enlouquecendo, sabia o estrago que estava fazendo, e que não levaria a nada, mas aqueles milhares de cacos de vidro não estavam nem próximos ao estrago que ele tinha feito ao partir meu coração.

Ouvi passos rápidos e logo ele aparece, com o atiçador de brasas da lareira na mão, e logo o larga no chão, ouvi o tilintar do metal caído e ele correu em minha direção.

–Thiago?! O-O que houve?! Eu pensei que tivesse um ladrão aqui... –Diz ele e depois para, olhando para a sujeira do local e para uma garrafa que estava em minha mão, que seria minha próxima vítima. –V-Você... O que você tá fazendo?!

–Traidor! –Eu gritei e cuspi em sua cara, jogando a garrafa com força para longe.

–Thiago! –Diz Renato segurando o meu ombro com força. –Porra! O que deu em você?! P-Por que está jogando minhas bebidas fora?!

Ele soltou meu ombro e foi em direção ao armário, olhou dentro dele e logo vi uma expressão de homicida se formando em seu rosto, tremi de medo. Ele com certeza iria me matar, eu tinha que ir embora dali...

–Você jogou fora meu uísque de sessenta e dois anos?! –Gritou ele com uma voz rouca monstruosamente apavorante e se virando para mim. –Caralho! O que deu em você?! Eu já não tinha dito que tinha parado de beber?! Por que teve que fazer isso?! Você é idiota Thiago?!

Engoli seco, eu não conseguia dizer nada, tentei me livrar dos braços dele, que pesavam novamente meu ombro, de seu olhar assassino e de sua respiração quente e acelerada. Depois de tanto fazer esforço, ele me soltou e esfregou os cabelos com raiva, seus olhos estavam vermelhos, como se chorasse, ou como se as lágrimas saíssem fervendo de seus olhos.

–Esse uísque foi um presente do meu bisavô... Tem noção de como ele é raro? E sem falar no valor que ele tem pra mim... Por que... Por que fez isso?

Saí rapidamente de lá, fui diretamente para a sala de entrada, não peguei meu casaco nem as outras coisas que estavam no andar de cima, corri e abri a porta, bati com força e sai correndo pela calçada, desejando chegar o mais rápido possível à minha casa.

Olhava para trás várias vezes, e quando estava quase chegando, olhei novamente para trás e o vi correndo atrás de mim, gritando como um louco, querendo me alcançar.

–Volta aqui! –Eu ouvi seus berros ao longe.

Cheguei, eu estava sem as chaves, toquei o interfone incontáveis vezes, parecia que a cada mero segundo que minha mãe demorava para atender ele ficava cada vez mais próximo, minha pressa era tremenda, e eu tremia, não somente por medo, mas também por frio, eu estava descalço, da maneira que saí vestido do banho eu estava, de regata e bermuda.

Minha mãe abriu e fechei o portão rapidamente, e entrei pela porta da frente, onde minha mãe me olhava assustada, perguntando o porquê de toda aquela pressa.

Tranquei a porta e encostei-me a parede, aliviado, minha respiração estava descompassada, e eu tentava me recuperar da corrida. Minha mãe me olha de cima a baixo e diz:

–Por que está descalço? E sem casaco?! Está treze graus lá fora!

Olhei para ela, tentando recuperar o fôlego para falar:

–Depois eu te explico...

Logo ouvi o interfone tocando repetidas vezes, ela se assusta, e eu digo:

–Não abra... É somente o Renato, ele estava correndo atrás de mim...

–Thiago! –O ouvi gritando lá fora.

Tremi novamente, subi para o meu quarto e me joguei na cama, me cobrindo até a cabeça. Um pouco depois, ele pareceu ter desistido de tocar o interfone, mas meu corpo se arrepia ao ouvir a voz dele, eu estava completamente embaixo da coberta, mas eu sabia que ele estava ao lado da minha cama, eu tinha dito para minha mãe não abrir o portão, o que ela tinha na cabeça?!

–Sabe... Sua mãe achou estranho você querer deixar seu namorado trancado para o lado de fora... –Diz ele puxando a coberta.

Fechei os olhos e percebi que ele debruçava sobre meu corpo.

–O que deu em você? –Diz ele suspirando.

Abri os olhos vagarosamente, ele me olhava fixamente, eu queria socar a cara dele, mas meu corpo não se moveu.

–Por favor, vá embora... –Eu queria gritar, mas minha voz saía fraca. –Eu não quero mais te ver na minha frente...

–O que? Que merda você tá falando agora? Você ficou louco Thiago? O que deu em você?

–Cafajeste...

Ouvi os dentes dele rangerem, meus olhos se encheram de lágrimas, eu realmente queria socar a cara dele.

–Eu ouvi... Você me disse que semana que vem faria uma viagem de negócios na quinta-feira, mas ouvi você no telefone! –Disse me levantando. -Você estava reservando um motel para quinta-feira! Seu canalha! –Dei dois passos e com um impulso dei um tapa em seu rosto.

Minha mão começou a formigar alguns segundos depois, seu rosto tinha ficado extremamente vermelho, tinha sido forte, eu não queria fazer aquilo, meu corpo se moveu sozinho, mas eu achei mais do que merecido...

Engoli seco, esperei as palavras dele.

–Então ao invés de ir reclamar comigo, foi descontar sua raiva nas minhas relíquias, sem saber completamente do que se tratava? –Diz ele calmamente, o que me assustou. –E se aquilo fosse uma brincadeira com você?

–Eu sei que não foi, e você não sabia que eu estava ouvindo!

–Eu não sabia mesmo, não foi uma pegadinha...

–Canalha, e você ainda assume estar me traindo...

–Se você for o amante, então acho que estou te traindo com você mesmo...

–O quê? Pare de se fazer de coitadinho...

Renato suspirou.

–Olha, eu tirei uma folga na quinta-feira... E sabe de mais? Também fiz uma reserva num restaurante para o mesmo dia... Mas você estragou a surpresa, eu queria que fosse especial, mas se é assim, feliz aniversário de dois anos de namoro pra você também... –Diz Renato saindo do meu quarto com passos apressados.

Aniversário de dois anos de namoro?

–Renato, espera! –Corri até a porta da frente, onde ele já estava quase saindo.

Segurei firme em seu antebraço, não queria o deixar ir, ele se virou para mim, meus braços foram até seu pescoço e se entrelaçaram atrás dele, ele me abraçou apertado e colou nossos corpos, meu coração batia acelerado, eu tinha sido um idiota, um grande idiota.

–Me perdoa... –Falei molhando sua nuca com lágrimas.

–Você disse que não queria mais me ver na sua frente...

–É mentira...

­-Me chamou de cafajeste, canalha...

–Renato, me perdoa... –Falei o apertando ainda mais, não queria soltá-lo. –Você é o melhor namorado do mundo... Eu sou um idiota... Esqueci a data do nosso aniversário de namoro...

–Eu não ligo...

–Por favor, me perdoa... –Disse dando um beijo em seu pescoço, ainda molhado de lágrimas. –Eu não devia ter feito aquilo... Se você quiser, eu pago...

–O melhor presente do mundo, é você ainda estar comigo, ouviu? –Renato me interrompe. –Eu amo você.

POV THIAGO OFF

Alguns dias se passaram, as primeiras aulas das faculdades se iniciavam, Matheus estava contente, já havia visitado sua faculdade algumas vezes durante o ensino médio em algumas excursões, mas entrar ali como um novato em medicina era empolgante.

Talvez fosse um pouco assustador começar tudo sozinho, ainda mais com o seu talento nato e extraordinário para a timidez em fazer novas amizades, mas ele saberia que aos poucos iria se encaixando.

Entrou com o material necessário e procurou algum lugar onde lhe informasse dos andares e da sala que teria que ir, por sorte e bem na hora, achou um mural com as informações.

“Prédio H, Sala H001”

Chegou até um grupo de colegas que estavam conversando entre si e demorou até tomar coragem para chamá-los, todos se viraram para Matheus e ele perguntou onde ficava aquele prédio, eles o olharam de cima a baixo e um deles falou:

–Ah, você é novato né? Fica bem ali, pega aquela escada que você chega até sua sala rapidinho. –Diz ele apontando para a esquerda de onde estavam.

–O-Obrigado... –Matheus falou e foi apressadamente até lá, enquanto o grupo ficou rindo.

Matheus subiu a escada com pressa, parecia que ela não acabava nunca, parou num corredor, tinha uma placa em uma das paredes, foi até ela e viu a numeração das salas, mas viu que estava no prédio G, desceu as escadas novamente, se aquele era o G, o H seria ao lado.

“Mas nada mal para o seu primeiro dia” Pensou ele. Ser vítima de um trote de veteranos fazia parte. Quando chegou ao seu prédio, conferiu antes de subir a escada na placa ao lado dela, agora sim estava no caminho certo.

Subiu novamente a escada longa e ficou aliviado quando chegou em seu corredor, era a primeira sala à direita.

Narrado por Felipe

Era como se fosse um dom, acordei atrasado como sempre, mas ainda assim não desistiria do meu primeiro dia na faculdade. Me troquei rapidamente e escovei os dentes, peguei a carteira para comprar algo no refeitório e fui até lá com a moto, mesmo que morava algumas quadras da faculdade, meia hora de atraso não era pouco.

Por sorte eu já sabia o caminho da sala, corri até ela, e quando entro, estava completamente vazia, suspirei aliviado, desci as escadas e comprei algo para comer. Avistei algumas pessoas que pareciam ser novatas também, mas continuei quieto onde estava.

Terminei de tomar o refrigerante, joguei a lata no lixo e subi novamente as escadas, algumas pessoas já tinham chegado, mas o professor não, fui até algum assento onde eu me sentiria confortável e coloquei minha mochila sobre a mesa.

–Olha só quem também escolheu engenharia civil, que coincidência! –Diz uma voz familiar.

Me virei para ver se estavam falando comigo e paralisei.

–Aline?! O que você está fazendo aqui?

Notas finais
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