Dont Let Me Fall
32 A confraternização.
Notas iniciais
Capítulo 32 – A confraternização.
–Eu não sabia que você viria pra essa faculdade, que notícia boa! –Aline diz.
–Parece que você está me seguindo...
–Que isso Lipe! Eu não sou esse tipo de pessoa... Depois de tanto tempo você ainda pensa coisas ruins sobre mim?
Felipe olhou desconfiado, mas depois pensou que talvez uma amiga fosse uma boa companhia, pois não conhecia ninguém. Ele não sabia as aulas que teria, e nem conhecia os professores, então somente esperou a aula começar enquanto olhava tudo em volta.
Narrado por Thiago
–Me desculpe, por favor... –Disse agarrando-me ainda mais ao seu casaco.
–Calma... Calma... –Disse Renato afagando meus cabelos. –Tá tudo bem...
Nós já tínhamos voltado para o meu quarto, eu tinha explicado os detalhes que eu tinha pensando sobre o assunto do engano da traição enquanto Renato ria debochado, mas então ele parou, me olhou seriamente e disse:
–O pior de tudo foi você acreditar que eu realmente estava te traindo...
–Eu não quis acreditar! Eu juro! –Falei com os olhos novamente cheios de lágrimas.
–Eu sei que você fez a primeira coisa que veio na sua cabeça sem pensar, mas você devia ter vindo tirar satisfações comigo...
–Eu sei... –Falei com voz chorosa. -Eu prometo que nunca mais faço isso...
–Promete mesmo?
–Prometo.
Renato sorriu, fazendo aquelas covinhas lindas ressaltarem em seu rosto.
–Sabe... –Diz Renato.
–Fala.
–Eu queria saber se o nosso jantar ainda está de pé.
–Você está falando da reserva que fez?
–Sim.
–É claro que sim, aonde é?
–Isso ainda é uma surpresa.
–Ah! Vai me diz!
–Não.
–Chato... –Falei bufando.
Cruzei os braços e Renato ficou rindo do que ele chamava de “cara de nervosinho”.
–Renato...
–Oi?
–B-Bom, você me falou do restaurante... Mas, e o motel?
–Você quer ir?! -Diz ele com os olhos arregalados.
–N-Não! E-Eu não quis dizer isso!
–Não importa, se você perguntou significa que você está interessado.
–Não é verda...
–Não vai conseguir me convencer do contrário agora, eu pensei em cancelar, mas já que você se mostrou interessado... –Diz Renato me interrompendo.
–Cancele!
–Não.
–Por favor... –Disse com voz de choro.
–Não, chega disso.
–P-Por quê?
–A mulher já me enviou o boleto pelo email, não posso desistir agora...
–Então é só não irmos, você mesmo disse que estava pensando em cancelar.
–E perder dinheiro quando poderíamos estar aproveitando juntos?
–Eu não gosto desses lugares, têm muita gente e... É barulhento! E também, não teríamos privacidade, sem falar que nos olhariam torto quando chegássemos juntos...
–Por acaso você já foi a algum motel? –Diz Renato me olhando desconfiado.
–T-Talvez...
–Com quem? –Pergunta ele rangendo os dentes.
–Faz tempo, deixa isso pra lá...
–Não! Me fale agora!
–B-Bom... Meu ex me levou uma vez...
–Não acredito. –Disse ele esfregando as duas mãos na testa.
–Renato, por favor...
–Eu sabia que você não era ingênuo, mas nunca adivinharia que tanto.
–Não pense nisso agora, nosso aniversário está chegando... –Disse dando-lhe um beijo.
–Eu só não gosto de pensar que você teve outra pessoa antes de mim.
–Pois é, eu sou mesmo o “pirralho” de que você tanto me chamava?
–Você era meu pirralho, você cresceu...
–Isso é ruim?
–Um pouco, mas não completamente, sabe o por quê?
–Que você não precisa me ajudar mais nos estudos? –Fiz uma tentativa de acerto.
–Não...
–Então o quê?
–Que se eu tentar abusar de você, não vou ser o pedófilo da história... –Diz ele mordendo o lábio inferior e se aproximando.
Senti minhas bochechas arderem, corei pelo jeito que ele me olhava, eu sempre ficava constrangido nessas horas, não sabia como agir.
POV THIAGO OFF
Matheus gostou de conhecer seus professores, os achou simpáticos, mas já outros eram carrancudos e prolixos. No seu intervalo, ligou para Felipe, que não atendeu de início, mas logo retornou a ligação, estranhou ouvir a voz de uma garota ao fundo, mas imaginou que fosse de uma das suas colegas de turma, então não disse nada.
–Como foram suas aulas? –Perguntou Matheus.
–Ah, foram cansativas, eu acho que nunca fiquei tão desanimado com matemática.
–Calma Felipe, não vá desanimar, você mal começou...
–Eu sei... Não estou reclamando, é que acordei atrasado, fiquei sonolento durante as aulas, mesmo saindo no meio de uma delas para lavar o rosto, não adiantou, só preciso de uma boa noite de sono...
–Entendi... Que horas você sai hoje? –Pergunta Matheus.
–Eu estou indo para a casa agora, volto daqui uma hora... –Felipe diz.
–Eu também, vou ir para a casa almoçar e descansar um pouco... Depois volto para a faculdade, e tenho mais três aulas que acabam às cinco, mas vou chegar um pouco tarde em casa, porque vou passar na biblioteca...
–Você já tem trabalhos? –Felipe pergunta.
–Não, são só algumas coisas sobre o que o professor comentou hoje, vou pesquisar sobre o assunto.
–Hum, gostei de ver... –Diz Felipe rindo.
–E o que você vai fazer mais tarde?
–Depois da faculdade eu vou pra confraternização com o pessoal da minha sala...
–Confraternização?
–É, eles marcaram de ir num restaurante...
Matheus sentiu uma pontada de ciúme surgindo, mas preferiu não questionar.
–Certo, e que horas você acha que vai chegar?
–Acho que umas nove horas, e depois disso vou cair morto na cama.
–Mas pensei que iríamos nos falar hoje a noite de novo...
–Eu te ligo, também não quero ficar sem falar com você.
Matheus sorriu, e Felipe continuou dizendo:
–Eu queria que você viesse junto comigo, você não quer deixar essa pesquisa pra outro dia e vir? Eu vou te buscar...
–Não Felipe, vai ficar tarde para eu voltar para casa depois, e se eu dormir aí, posso me atrasar pra aula amanhã...
–Ah... É verdade...
–Bom, eu tenho que ir, se não vou perder o ônibus...
–Tudo bem, até mais tarde, te amo Math... Tome cuidado na rua...
–Também amo você... Se cuide.
Narrado por Felipe
Enquanto falava com Math no telefone, Aline somente olhava cada gesto que eu fazia, mas pelo menos ficou calada. Eu ficava envergonhado em dizer aquelas últimas palavras de despedida na frente dela, mas ela pareceu não se importar.
–Felipe, você já sabe onde é essa tal confraternização?
–Sei sim... Não te disseram?
–Ah, não é isso, é que não conheço muito a cidade, queria saber se você quer ir comigo...
–Tudo bem, eu posso te levar lá...
–Ah, o duro é que vou ter que esperar aqui na faculdade até a hora de ir...
–Por quê?
–Não posso voltar pra casa, é longe, e minha mãe está trabalhando, não pode vir me buscar.
–Entendi...
–Ah... Lipe, ouvi dizer que você tá morando aqui agora, é verdade?
–Sim, meu pai alugou um condomínio pra eu ficar, volto pra casa nos finais de semana... Ou feriado...
–Posso ir te visitar?
Engoli seco, mesmo sabendo que não seria uma boa ideia.
–Pode sim...
–Me leva lá então, e de lá vamos juntos pra confraternização...
Tentei arranjar uma desculpa, mas ela era muito boa com argumentos.
–T-Tudo bem... –Disse meio nervoso.
–Está indo pra lá agora?
–É, estou...
–Então vamos... –Disse ela enlaçando seu braço no meu.
Fui até onde minha moto estava, ela parou e teve a mesma reação que o Math quando a viu pela primeira vez.
–Uau... –Ela disse ainda de boquiaberta.
–O que tem demais?
–Não é todo dia que vemos uma kawasaki né...
Ri da expressão que ela esboçava.
–Não é nada demais...
Quando chegamos, abri a porta ela nem pediu licença ao entrar, eu sabia que Matheus ficaria furioso se soubesse que ela estava ali, mas não podia fazer nada. Ela foi até minha geladeira, pegou uma lata de refrigerante e sem pedir a abriu.
–Aline...
–Oi? –Diz ela dando uma golada no refrigerante.
–Vai ser a primeira, e única, vez sua aqui...
–Que grosseria Lipe, eu só queria conhecer... Não se diz isso pra visitas...
–Não é por causa disso...
–Eu sou sua amiga...
–Não é por questão disso, não muda o fato de você ser minha ex-namorada, o Matheus ainda nem sabe que eu ainda falo com você, se ele souber então que você veio aqui, ele me mata...
–Não vou contar nada, prometo. E vai ser a última vez.
Bufei, ela continuou tomando o refrigerante enquanto ia para a sala, já ligando a TV.
–Não acha que você está folgada demais?
Ela riu escandalosa e tirou os sapatos.
Peguei um refrigerante para mim também e sentei ao lado dela no sofá, ela não tinha mudado muito sua personalidade, ainda era mimada e fazia tudo o que dava na cabeça, mal educada, e outras coisas, mas era uma boa companhia, aquele lugar era vazio, era bom ouvir conversas ecoando pela sala.
E quanto ao ensino médio, digamos que sua aparência mudou bastante desde então, ela tinha repicado os cabelos e tingido as pontas, tinha deixado de usar tanta maquiagem, o que deixava seu rosto um pouco mais maduro, mas dava para se ver as olheiras, eu sabia que era por estudar demais, mas também, ela não conseguia dormir direito desde a morte de seu pai, seus olhos inchados davam a impressão de que ela passava horas chorando, por isso eu nunca tive coragem de dizer para ela que não quero sua amizade.
–Aline... –Eu disse quando o programa que estávamos vendo entrou para os comerciais.
–Oi?
–O que te deu na cabeça para fazer engenharia civil?
–Meu pai...
–Ah, não precisa falar se não quiser...
–Não, tudo bem... Ele fez engenharia, mas não conseguiu terminar... Eu o ouvia dizendo para minha mãe que se tivesse um filho homem, queria vê-lo seguindo essa carreira que ele tanto gostava...
–E só por isso?
–Eu queria que ele se orgulhasse de mim... –Diz ela já com os olhos avermelhados. –De qualquer lugar que ele esteja agora...
–Ele está te olhando, acredite...
–Eu sei... –Ela diz se aproximando de mim e deitando a cabeça no meu ombro.
–Vai ficar tudo bem... –Digo quando escuto soluços de choro.
Mais tarde, Aline se acalmou um pouco e voltou a rir, mesmo com seus olhos ainda inchados, seus traços estavam alegres.
–Lipe, que horas são? –Ela pergunta.
–Meu Deus, estamos atrasados... –Digo olhando no relógio.
Voltamos para a faculdade e tivemos nossas aulas normalmente, quando todas terminaram, fiquei aliviado quando andei pelo pátio e não a vi, eu já ia voltar sozinho, mas ela aparece e pergunta se pode ir comigo. Voltamos para o condomínio e lá comemos algo leve, para não atrapalhar o jantar da confraternização.
–Sabe, eu gostei daqui, combina com você.
–Quem sabe eu não more aqui quando terminar a faculdade...
–Mas você não pensa em ter uma família? Aqui é meio pequeno para caso você queira ter filhos e... Ah, me desculpe...
–Sobre o que?
–Por um momento eu esqueci, que você e o Matheus, bom...
–Ah! Você está falando dos filhos?
–É.
–Eu e ele estamos pensando em nos casar sim...
–M-Mas...
–O que tem demais? Podemos adotar uma criança...
–Eu sei, eu sei... É só ainda estranho para mim isso tudo, entende?
–Um pouco.
–Não que eu ache nojento, é que eu ainda não consigo acreditar em você namorando outro cara, carinhos e tudo mais...
–Acontece normalmente.
–Uma pena que nosso namoro não foi tão longe quanto o de vocês...
–O que tá querendo dizer?
–Nada, nada... –Ela diz rindo.
Olhei desconfiado para ela, mesmo tendo entendido, porque às vezes me fazer de bobo me salvava de milhares dessas situações constrangedoras.
–Bom, eu vou me trocar, daqui a pouco vamos sair... –Eu disse. –Se você quiser se arrumar fica a vontade, você trouxe suas coisas, não trouxe?
–Sim.
–Tem um quarto ao lado da sala que eu não uso, mas tem tudo nele, você pode usar lá...
–Ah, obrigada...
Me levantei da mesa e fui até meu quarto, encostei a porta e procurei alguma roupa para sair, olhei no cabide, vi uma camiseta da minha banda preferida, eu tinha comprado uma igual para o Matheus, meu coração disparou, lembrei do dia do aniversário dele, quando estávamos em seu quarto... Tudo foi perfeito naquele dia...
Retirei a camisa do cabide e a deixei sobre a cama, escolhi uma calça jeans escura e coloquei as duas peças juntas, depois fui para o banheiro, tomar uma ducha rápida e sai do banho com a toalha enrolada na parte inferior do meu corpo.
–Lipe, mas que corpo!
Virei para trás e Aline sorria com uma expressão maliciosa, ignorei e voltei para o meu quarto, tranquei a porta, com medo do que ela seria capaz de fazer, e me troquei rapidamente, passei perfume e coloquei o tênis, fui para a sala com os cabelos ainda molhados e com o cordão do colar do yin e yang para fora da camiseta, sim, eu ainda o usava.
–Você está pronta? –Perguntei.
–Sim, só falta o zíper, fecha aqui? –Diz ela segurando o vestido e virando de costas para mim.
Fui até ela e fiz o favor, eu saberia que o Matheus não gostaria nada de saber daquela situação, ele arrancaria todos os meus cabelos, fio por fio. Aline colocou as sandálias e os brincos, peguei as chaves e meu celular, dizendo:
–Aline, você não se importa de ir andando? O restaurante é na esquina da rua de trás...
–Claro que não, e eu também estou de vestido, ir de moto seria difícil...
–Então vamos...
Fomos para a porta da frente e saímos, e ela insistia em enlaçar seu braço no meu, eu ficava envergonhado, porque parecíamos um casal de namorados, e eu não queria fazer aquilo com o Matheus...
Quando chegamos, alguns dos nossos colegas de turma já estavam lá, numa mesa que dava para dezoito pessoas, não achei que seria tanta gente, mas assim seria melhor. Nos sentamos e nos preparamos para o rodízio de pizza.
POV FELIPE OFF
Narrado por Matheus
Eu já estava em casa, tinha tomado banho e jantado, deitei na minha cama, olhando para o celular, na esperança de que o Felipe fosse ligar a qualquer momento. Mas eu estava com tanto sono que até me sentia mal por pensar que talvez fosse dormir antes de que ele me ligasse.
Coloquei o celular em cima da mesa, talvez um pequeno cochilo não faria mal, porque quando ele me ligasse, eu acordaria e simplesmente falaria com ele, não enviei nenhuma mensagem, para não atrapalhá-lo, fechei os olhos e peguei no sono.
Acordei com o despertador tocando, estava desnorteado, como assim já era dia? Olhei para o celular, no visor não mostrava nenhuma chamada perdida e nenhuma mensagem, Felipe tinha prometido que iria me ligar... Será que aconteceu alguma coisa com ele? Às vezes ele poderia estar muito cansado, somente isso...
Será que tinha acontecido algum acidente com a moto? Seria bom ligar?
Não resisti aos meus instintos, liguei e fiquei com o coração na mão, não via a hora de ouvir a voz do Felipe atendendo e dizendo que estava tudo bem...
“Este celular está fora de área ou desligado...”
Droga Felipe, o que aconteceu com você? Eu sentei na cama e abaixei a cabeça, passei as mãos nos cabelos, eu não devia ficar tão preocupado, se bem que ele não me ligou noite passada, o que será que houve?
Fui tomar um banho para tirar a preguiça, voltei para o meu quarto e me troquei para faculdade, tentei ligar novamente.
“Este celular está fora de área ou desligado...”
Droga Felipe!
Desci as escadas e fui tomar um café da manhã, minha mãe já estava acordada, e terminava de fazer o café, o cheiro embriagava, desde quando comecei a estudar para medicina, café era meu melhor amigo.
Tomei o café sem pressa, ainda pensava em Felipe, minha mãe percebeu que eu estava quieto demais e viu que não era só sono o que me incomodava.
–O que foi, filho?
–É o Felipe mãe...
–O que ele fez?
–Estou preocupado, ele não dá sinal de vida desde ontem a noite... E tentei ligar para ele hoje cedo, mas o celular tá desligado...
–Calma, tente ligar de novo...
Dei mais um gole no café e peguei o celular do bolso da calça, disquei seu número e meu coração acelerou ao ver que chamava, eu estava cada vez mais inquieto, continuou chamando, mas logo foi para caixa postal.
Tentei mais uma vez, ele poderia estar longe do celular e não ter escutado, meu coração estava quase saindo pela boca, mas finalmente alguém atendeu, mas não era quem eu esperava ser.
–Alô? Matheus? –Diz uma voz feminina.
Paralisei por um instante, quem era ela?
–Aqui é a Aline, o Lipe tá no banho...
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