Dont Leave My Hyper Heart Alone
2 The Dark
“No one can hurt us like we hurt ourselves.”
Bones by Young Guns
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John Stilinski soube que alguma coisa estava errada assim que chegou em casa e descobriu que Stiles não estava lá. Sente a preocupação subir pela garganta, porque, céus, tem uma maldita criança batendo e xingando seu filho e John não tem a menor ideia por que.
Liga para Scott mais ou menos na hora do jantar e quando ele não atende, espera até ás dez antes de começar a ligar para todas as pessoas que seu filho já conheceu que ele tem o número. Lydia Martin liga para ele ás meia noite em ponto, logo após que ele termina de falar com a menina Argent. Lydia parece tão preocupada quanto ele.
“Eu não o vejo desde o horário escolar. Eu achei que ele estava em casa”
“Se você souber de alguma coisa...”
“Eu te aviso.”
John fica acordado a noite toda, andando de um lado para outro na sala, ligando para o filho a cada cinco minutos. De manhã, sua preocupação se torna pânico e seu estômago embrulha só de pensa em tudo que possa ter acontecido. Ele vai para a escola um pouco antes de as aulas começarem e consegue pegar o diretor pronto para entrar no prédio.
“Meu filho está sumido por mais de doze horas,” seu tom de voz sai mais alto do que era realmente necessário e ele está tão, mais tão nervoso. Seu filho está desaparecido por horas e só sabe Deus o que aconteceu com ele.
“E isso não é um problema do seu departamento?” e John quer esmagar a cabeça do homem no concreto e é com muita força de vontade que ele não o faz.
“Meu filho estava sendo aterrorizado aqui nesse mesmo prédio por meses e você não fez porcaria nenhuma! A única coisa que você precisava fazer ontem era simplesmente protegê-lo enquanto ele está aqui! Então onde raios ele está?”
“Como você pode ter certeza que seu filho simplesmente não saiu do território escolar, Xerife?”
“Stiles prometeu sair da escola e ir direto para casa.”
O diretor solta o que parece ser um risinho debochado, “E é claro que adolescente nunca mente, não é?”
E o homem simplesmente sai andando. John quase o puxa de volta e o soca, “Meu filho sumiu –”, mas Scott, Jackson e Isaac estão de repente ali também. “Merda.”
“Stiles sumiu?” Isaac pergunta. John se desvencilha do aperto de Scott em seu braço e acaba por explicar a situação. Não conta a história inteira porque ele não tem esse direito, mas conta tudo que pode. Todos se oferecem a ajuda-lo a procurar Stiles e mesmo que John está muito grato pela ajuda, parece que tem algo que eles não haviam dito a ele e John não tem certeza se ele vai gostar quando descobrir o que é.
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“Talvez alguma coisa o levou.”
“Nós saberíamos isso se isso acontecesse.”
“Talvez os caçadores...”
“Meu pai não sequestraria um adolescente inocente!”
“Seu avô não tinha muito problema com isso, não é?”
“Não se atreva a pensar...”
“Chega!” O rosnado de Derek é o suficiente para silenciar todos os adolescentes ao redor da mesa. “Ele anda estranhos por meses, não vai para a escola durante quase duas semanas e só agora percebem que há alguma coisa de errado?”
“Mas ele não estava falando com quase ninguém!” Scott diz e recebe de recompensa um tapa na cabeça, nada afetuoso, de Allison.
“Ele não estava!”
“Sim, ele estava evitando todo mundo,” Lydia diz contraditoriamente. “Mas foi nossa culpa por não insistir mais.”
“Comecem a procurar na escola,” Derek falou para seus betas, seu tom completamente autoritário não dava espaço para argumentação. “Tentem pegar o cheiro de alguma coisa.”
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Jackson sente o cheiro de Sean McClair perto do armário de Stiles e franze as sobrancelhas em confusão.
Passa de sala em sala, procurando qualquer traço de sangue ou algo que indique que Stiles esteve ali. Jackson vai até o vestiário masculino por último, o cheiro ali de sangue, dor e lagrimas é pungente e ele não precisa abrir o armário de equipamentos para saber que Stiles está ali. Mas ele abre e encontra Stiles, desacordado e encolhido em um canto do armário.
“Stiles?” Chama inutilmente, paralisado por um momento. “Porra, Stiles.”
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Stiles é dolorosamente familiarizado com hospitais, então é por isso que sua confusão é apenas momentânea quando acorda rodeado por quatro paredes brancas e com o som incessante do monitor cardíaco do hospital. Pisca algumas vezes, seu cérebro tentando juntar as peças de como ele havia parado ali. As lembranças que preenchem a cabeça do garoto são de Sean McClair e seus amigos, de dor e desespero e de desmaiar em armário de equipamentos.
“Stiles?” O adolescente vira a cabeça para o lado e encontra John sentado em uma poltrona ao lado da cama, com uma expressão cansada e triste e Stiles sente uma culpa imediata por saber que ele é o causador disso. Mas a culpa se transforma em pânico quando nota que aquela maldita roupa de hospital que ele está vestindo não esconde de seu pai suas cicatrizes. Senta-se abruptamente, os olhos arregalados.
“Pai, eu...” começa incerto do que dizer. O que ele poderia dizer?
“Stiles, o que você estava pensando, uh?” John pergunta, segurando um dos braços do filho. “Porque você está fazendo isso?”
Stiles abre a boca por um instante, mas a fecha logo em seguida. O que ele poderia falar? O que ele deveria falar? Há tantas coisas erradas que Stiles simplesmente não sabe como começar. E Stiles não quer falar, para ninguém, como ele se sente tão mal todos os dias, como ás vezes acordar é tão difícil. Então ele apenas deixa o pai chocalhá-lo pelos ombros quando não obtém uma resposta, a palavra ‘porque’ se repetindo como um mantra raivoso. Algumas lágrimas ameaçam sair dos olhos de Stiles e elas ardem, ardem até a alma, porque há tempos que o adolescente não vê o pai tão irritado, tão bravo e desesperado.
“John!”
E Melissa McCall está de repente parada na porta, com uma expressão quase furiosa dirigida ao xerife da cidade.
“John, acho que você deveria deixar Stiles descansar,” ela diz, se aproximando da cama do garoto.
O xerife solta o filho, uma expressão ilegível em seu rosto. “É, talvez eu devesse”. A voz dele está estranha, há algo ali que Stiles não reconhece e qualquer que isso seja, faz o coração do garoto se apertar um pouco. John se levanta e se afasta da cama do filho. “Eu vou...”
E ele vai porta a fora, sem um segundo olhar a enfermeira e a Stiles.
“Querido, você está bem?” Melissa pergunta em um tom materno e Stiles solta um tímido “não”, porque ele não está e Stiles está cansando de mentir, mesmo que seja apenas por alguns momentos.
Melissa dá um garoto um pequeno sorriso, colocando uma mão no ombro do garoto para fazê-lo deitar novamente na cama. “Então você deve descansar.”
Os dois ficam em silêncio por alguns minutos e Stiles está grato que a enfermeira não está o entupindo de perguntas.
“Scott e o resto do bando está lá na sala de espera, Stiles,” ela diz, enquanto reajeita os cobertores sobre o corpo de garoto. “Gostaria de deixa-los entrar um pouquinho?”
“Não!” Stiles fala rapidamente, tentando se levantar. Melissa empurra o garoto novamente para a posição anterior. “Não.”
“Está tudo bem, Stiles. Não vou te obrigar a nada, ok? Vou avisar para eles que você acordou e que não está bem o suficiente para visitas.”
“Obrigada” A voz do garoto está baixa e de repente ele se sente tão, mais tão cansado, como se ele pode dormir por dias seguidos. “Meu pai...”
“Seu pai vai ver a razão, Stiles. Ele não está com raiva de você, não se preocupe.”
Stiles não diz nada em retorno, simplesmente porque ele não sabe se ela está certa. E pensar sobre isso faz a cabeça do garoto doer e a dor não é bem vinda agora. Então Stiles, só fecha os olhos quando a enfermeira se dirige para a porta, um pequeno suspiro escapa dos lábios dela enquanto ela apaga a luz e sai do quarto.
Stiles não volta a dormir. E nem poderia, mesmo que conseguisse. O que ele falaria para o pai quando ele voltasse? Qual era a explicação que daria que iria fazer John simplesmente joga-lo em um hospital psiquiátrico? Stiles já um desapontamento antes, e agora, o que seu pai acharia dele? O pensamento fazia sua cabeça doer, tudo doía nos últimos dias. Talvez McClair estivesse certo nas tantas vezes em que ele falou que Stiles (a pobre, pequena aberração) só estava bom morto.
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