Dont Leave Me!
3 Capítulo 3
A casa era linda. Grande, espaçosa e... cara. Foi preciso que eu e Kath pagassemos juntas. Eu sugeri um apartamento mais barato, simples, mas Kath é Kath, e Kath é teimosa. A casa ficava em um condomio rico. Eu realmente não queria muito ficar aqui. Sabia que era o condomio de pessoas com bastante dinheiro e esnobe, e meus temores se confirmaram logo na chegada, quando uma loira arrogante passou por nós em uma Ferrari, se gabando em alto e bom som no celular de ultima geração. Eu queria atirar uma pedra em que eu havia tropeçado, mas Kath me segurou, dizendo que não podiamos fazer isso no primeiro dia do condominio. Amanhã, quem sabe. Voltando ao assunto, a casa era toda decorada em tons de azuis e branco, bem moderna. Havia 2 suítes, um quarto, um banheiro, uma cozinha e uma piscina. Eram 4 horas da tarde e eu estava sem sono, pois havia dormido a maior parte da viagem, então estava super animada.
- Vamos ir para o shopping. — Pedi a Kath deitando no sofá e jogando as pernas em cima dela.
- Vamos mais tarde. — Reclamou ela.
- Mais tarde eu não posso, vou conhecer a tal banda. — Respondi.
- Hum... A banda dos gatinhos? — Ela perguntou fingindo um súbito interesse.
- Meu Deus, como é tarada! — Ela sorriu. — Ah, vamos! Eu quero ir! — Começei a pular no sofá igual uma criança birrenta.
- Tá bom. — Ela cedeu.
- Ok! — Gritei enquanto corria para trocar de roupa.
Me vesti, colocando um short jeans confortavel, uma blusa lilás, um blazer preto, um salto preto muito bonito e meu amado Ray-Ban. Passei uma leve maquiagem e levei o rimel, o lapis de olho e um gloss para o quarto de Kath.- Hey, vou botar na sua bolsa. — Avisei mostrando a ela os itens essenciais para minha maquiagem e coloquei também minha carteira. Ela concordou com um aceno de cabeça. Katherine estava com um vestido azul solto e uma sapatilha delicada. Kath não precisava de salto para parecer alta, ao contrário de mim. Ela pegou a bolsa e enfiou suas coisas lá dentro.
- Vou arranjar um taxi. — Falei e saí para a rua.
Colocar um short foi uma boa ideia, o sol estava surpreendentemente forte. Fui direto no vizinho da direita, toquei a campainha e fiquei preparando mentalmente apresentações para quem fosse que abrisse a porta.
- O que foi? — Perguntou um garoto loiro com um tom de voz arrogante, aborrecido e sem camisa.
- Me desculpe. — Pedi arrependida.
- Não queria atra...
- Não, tudo bem. — Ele me cortou, reparando em mim pela primeira vez e abrindo um sorriso imenso.
- Hum... Eu e minha amiga acabamos de chegar aqui em Londres, e queriamos um numero de um taxi.- Sorri, tentando não abaixar o olhar para o tórax bem definido do garoto.
- Você sabe algum?
- Posso fazer melhor que isso. — Encostou na soleira da porta, cruzando os braços musculosos.
- Eu levo vocês.
- Não precisa. Só o numero do taxi tá bom.
- Preciso mostrar boas maneiras as minhas novas vizinhas. — Sorriu. Pelo jeito que você atendeu a porta, não parece ter, pensei.
- Eu mal conheço você. — Tentei fugir do convite.
- Alec. — Disse e se curvou para mim. — Vou colocar uma camisa.
Ele entrou, deixando a porta da casa aberta. Eu, sem saber o que fazer, peguei o celular e liguei para Katherine.
- Já sei, peguei sua camera. Ela tá na minha bolsa. — Ouvi ela falar.
- Não era isso que eu ia disser, mas que bom que você já sabe. O nosso vizinho quer nos levar ao shopping.
- Mas porque? — Detectei a surpresa na voz dela.
- Não sei! Ele é louco!
- Vamos com ele então. Eu conheço a cidade, se precisarmos fugir dele.
- Nossa, me sinto muito mais tranquila agora. — Ela riu. — Vem aqui logo.
Subitamente senti um cheiro de perfume masculino e ouvi barulhos dentro da casa. Desliguei rapidamente o telefone e o enfiei no bolso.
- Vamos? — Perguntou Alec girando uma chave. Assenti. — Vou pegar o carro, que tal você chamar sua amiga?
- Claro. — Sorri e virei em direção a casa, sentindo seu olhar preso em mim. Segui direto para a casa, sem ousar olhar para trás.
Kath apareceu na porta e logo em seguida minha visão foi ofuscada por alguma coisa de cor vermelha.
- Uau. — Kath disse.- Está falando sobre o carro ou o garoto?
Alec estava sorrindo amplamente na Ferrari, os cabelos balançando com a fraca brisa. Ele saiu do carro e abriu a porta traseira e a carona.
- Quem vai aonde? — Perguntou ele, examinando Kath.
- Vai na frente. — Eu sugeri. Nós entramos no carro (Kath na frente e eu atrás) e Alec deu a partida.
- De onde vocês vieram? — Perguntou ele.
- Nova York. — Respondi.
- Já fui lá. É muito bonito. E vocês trabalham aonde?
- Sou modelo e Rose é fotográfa. Uma das melhores. — Kath disse.
Senti uma vontade enorme de bater em Katherine, especialmente depois de Alec ter me fitado pelo retrovisor e dado uma piscadela.
- Vão ficar quanto tempo aqui?
- Um mês. — Eu respondi. — E você trabalha? — Perguntei, tentado afastar o sentimento de interrogatório.
- Não. — Ele riu. — Suponho que vocês estão de férias certo? — Continou antes que tivessemos tempo de responder. — Hoje eu vou levar vocês para um passeio. — Sorriu.
Na verdade, o passeio foi agradavel. Não, foi otimo. Apesar do modo que agiu quando nos conhecemos, Alec se mostrou uma excelente companhia. Tinhamos comprado algumas coisas no shopping, principalmente eu, que nunca tinha vindo a Londres. Comprei camisas escrito I Love Londres, pulseiras, colares, até um chapeu enorne com a bandeira. Parecia uma verdadeira turista.
- Quando você vai tirar isso? — Suspirou Kath.
- Se você tiver se referindo ao meu chápeu, — Respondi tomando tranquilamente meu sorvete. — Eu não sei.
-Eu gosto, é engraçado. — Alec comentou.
- Não é engraçado, é vergonhoso. — Kath resmungou.
- Terminei o sorvete, vamos? — Perguntei me pondo de pé.
- Porque? — Alec perguntou confuso, mas se levantou.
- Na verdade essa ideia de vir para Londres é uma mistura de trabalho com férias. — Expliquei. — Vou fotografar uma banda e hoje preciso ir conhece-los. Os acessores querem nos apresentar para "melhor integração entre você e os meninos." — Fiz aspas no ar.
Alec deu de ombros e Kath levantou. Fomos até o carro e Alec dirigiu para casa.
- Foi bom conhecer vocês. — O loiro disse charmosamente parando em frente a nossa casa. Durante toda essa tarde percebi que Alec tinha uma maneira diferente de agir. Não sabia se era proposital ou não, mas ele flertava o tempo todo. Comigo e com Kath.
- Muito obrigada pela carona e pela tarde. Foi um excelente jeito de conhecer uma parte de Londres. — Sorri dando corda para ele. Ele percebeu e abriu um sorriso gigante e vi Kath erguendo as sombracelhas pelo retrovisor.
- Estou sempre à disposição.
-Bom saber disso. — Respondi saindo da Ferrari. — Até mais. — Acenei e sai do carro.
Entrei em casa acendendo rapidamente a luz da sala. O escuro não me agradava. Uns 5 minutos ouvi o barulho de porta fechando e ouvi a voz de Kath.
- Não entendi sua atitude, mocinha. — Kath surgiu do meu lado de braços cruzados e fingindo um tom de voz sério.
- Que foi? Queria testar meus poderes de sedução. — Subi e desci as sombrancelhas fazendo Kath rir alto. — E você ficou fazendo o que lá?
- Pegando o numero de um taxi. — Respondeu ela sacudindo um palpezinho. — Nem todos são pervertidos igual você. — Acrescentou me puxando pela escada.
- Queria que você fosse. — Fiz um biquinho.
- Eu também. — Suspirou. — Vamos, eu vou te maquiar. — Disse tentando nos animar.
Depois que eu tomei dois banho (um no chuveiro e outro só de creme hidrante) coloquei uma camisola até a metade das coxas e sentei na cama. Kath pegou todas as maquiagem que existiam na casa e despejou na cama. Ela examinou por um tempo, ergueu minha cabeça e começou seu trabalho. Eu iria usar com vestido de cor creme, com um cinto de couro claro na cintura e saia azul bebê.
- Olhe. — Ordenou ela trazendo um pequeno espelho.
A morena que me encarava no espelho tinha uma pele aparentemente macia e sedosa. Seus olhos castanhos estavam pintados com bege e azul, com um fino traço de delineador. As bochechas estavam levemente coradas, deixando um ar saudável. Os belos lábios grossos estavam com um gloss rosa claro. Minha amiga havia me transformado em uma boneca, e eu tinha adorado. A loira me olhava com uma expressão de orgulho, como um artista que contempla sua obra.
- Ficou lindo. — Sorri. Kath foi até o guarda roupa e tirou de lá um salto bonito e estendeu na minha direção.
- Eu sei, eu que fiz. — Dei lingua para ela enquanto colocava o sapato.
- Faltou o rimel. — Disse ela me puxando e me colocando em frente a um grande espelho na parede do quarto. Ela colocou 3 rimeis na minha mão e pegou um pedaço de papel. Ela sabia sobre minha paixão pelos meu cilios e minha repulsa por cilios postiços. Kath ficou de pé do meu lado, pegou o papel e cobriu a maquiagem dos meus olhos, sem encostar na pele, nos cilios e nem tapar minha visão. Peguei o rimel que havia acabado há muito tempo e começei a pentiar meus cilios. Lentamente, com cuidado e sem deixar nenhum de fora. Quando estava satisfeita, peguei o rimel com varias cerdas grandres e passei. Esse deixava com um volume lindo e não economizei. Depois peguei o ultimo com as pontas curtas e duras e deslizei pelo canto exterior. Kath colocou o papel no outro olho e eu recomeçei o processo. Meus cilios já eram grandes, e eu adora rimel, então sem o papel eu me borrava toda.
- Olha, olha, meus cabelinhos dos olhos. — Disse alegremente me curvando para o espelho. Kath também os examinou. Eles estavam grandes e com volume. Perfeitos. Peguei o 3 rimeis e coloquei na minha bolsa junto com meu celular e algum dinheiro.
Fui no meu quarto e passei um perfume doce e floral.
- Hum... — Disse Kath cheirando o ar.
- Eu gosto desse. — Me jogou uma jaqueta fina e clara.
Segurei e peguei o celular dela. Liguei para o taxi e descemos para a sala. Kath se sentou esparramada no sofá e eu sentei delicadamente, com medo de estragar a roupa ou suja-la.
- Você fica tão engraçada assim. — Ela riu passando aleatoriamente os casais. Eu revirei os olhos.
- Coloca no 44. — Ela obedeceu e eu escutei a abertura familiar de Friends.
Nós ficamos assistindo e rindo até que ouvi uma suave buzina.
- Mas já? — Perguntou Kath se pondo de pé.
Eu não disse nada, sentindo um nervosismo inacreditavelmente grande. A loira abriu a porta e viu o taxi. Combinou com o motorista dele ficar me esperando durante o jantar, pagou a ela 30 euros a mais e informou a ele o endereço.
- Vai lá. — Disse ela me empurrando para dentro do taxi. — Não se preocupe, vai dar tudo certo.
O motorista deu a partida, e eu ficava cada vez mais nervosa. Talvez seja pelo fato de que eu estava em outro continente, indo jantar com um bando de desconhecido em uma cidade e completamente desconhecida. Senti um súbito enjôo. Mil situações horrivéis passavam pela minha cabeça. Antes mesmo que eu percebesse o taxi parou. Percebi que haviamos chegado. A única coisa que me tranquilizava era que o taxi iria esperar por mim, caso alguma coisa desse errado e eu precisasse sair as pressas.
"Pare com isso." Me repreendi. " Tudo vai dar certo. Pare com esse pessimismo."
Olhei em volta e me deparei com luzes brilhantes. O restaurante chamado " The Odisseia" era maravilhoso e tinha um estilo frânces. Seu nome brilhava na fachada dourada e havia luzes em todos os lugares. Não sabia se eram faróis dos carros ou do próprio restaurante. Havia muitas pessoas do lado de fora do restaurante. Retoquei o gloss nervosamente e sai do carro. Logo reparei que não eram luzes, ou até mesmo farois, eram papparazis. Muitos deles. O tamanho da fama das pessoas para quem eu iria trabalhar me atingiu como uma onda e senti uma pressão esmagadora nos meu ombros. O trabalho era sério. Na curta caminhada até a entrada alguns papparazis tiraram algumas fotos. Eu sorri para todos mecanicamente. Na recepção havia um maître. Ele estava de terno, parecendo eficiente. Me aproximei e ele sorriu.
- Em que posso ajudar? — Perguntou ele com um falso sotaque frânces na voz.
- Vim me encontrar com uma banda. — Respondi forçando a minha voz sair calma e natural.
- Sim. Venha comigo. — Ele me ofereceu seu braço educadamente e eu aceitei, secretamente aliviada por ter um ponto de apoio. Assim que nós nos distanciamos um outro maître assuniu o lugar daquele que estava ao meu lado.
Fiquei feliz com a escolha da minha roupa. "The Odisseia" sustentava um estilo chique e charmoso, com cores dourado, bege e verde. As pessoas estavam vestidas para impressionar. Tentei procurar a mesa, e prendi a respiração quando vi 3 cabeças de cabelos escuros, 1 cabeça loira e um topete.
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