Don't Hug Me, I'm Scared
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Cinco dias depois.
Acordei com um dos travesseiros de Derek batendo na minha cara. Eu estava exausto. Não devia ser mais que 11 horas.
– Alan, você acordou?
– Não.
– Ótimo.
Pude ver pelos cantos dos olhos o moreno se espreguiçando e se sentando apoiado na parede. Olhei para o lado e joguei seu travesseiro de volta, de acordo com o meu celular era sábado. E ainda eram 10 da manhã.
– Estou duro! – Derek declarou como se fosse algo significativo.
– Parabéns, cara... Porque não liga para sua mãe?
– Eu acordei duro, você sabe o que isso significa?
– Não.
– Eu também não, mas estou com vontade de transar.
Soltei um riso baixo e me virei na cama, ficando de barriga para baixo e a cabeça prensada no travesseiro. Eu havia ficado até tarde lendo no dia anterior, então meus olhos deveriam estar lotados de olheiras.
– Algum motivo em especial para você me acordar essa hora?
– Não, eu só queria alguém para conversar.
Derek estava com seu típico sorriso debochado nos lábios. Revirei os olhos e me levantei, indo em direção ao banheiro. Esperei cerca de 5 minutos até que a banheira estivesse cheia e me sentei no fundo da mesma, jogando a cabeça para trás. Cerca de meia hora depois de ficar ali sentado sem fazer absolutamente nada, ouvi batidas na porta do banheiro.
– Você dormiu na banheira? Sai logo dessa merda!
Relutante, rastejei para fora da banheira e enrolei uma toalha em torno da minha cintura. Ao abrir a porta, vi Derek procurando insistentemente algo dentro de seu guarda-roupas.
– O que foi?
– Vamos sair hoje.
– Eu não quero.
– Vamos, vai ser divertido...
E então Derek entrou no banheiro, sem dizer mais nada. Vesti um jeans preto e uma blusa de mangas compridas pretas e me sentei sobre a cama, pensando seriamente em me deitar ali e dormir mais um pouco. Antes que pudesse fazê-lo, Derek saiu do banheiro e colocou um jeans azul, uma blusa cinza, uma camisa xadrez e claro, seu típico allstar preto.
– Coloque um tênis, nós já estamos indo...
Puxei meu vans de debaixo da cama e o calcei. Eu não estava com a mínima vontade de sair hoje, eu queria ficar ali, no meu quarto. Lendo e fazendo bosta nenhuma.
– Onde nós vamos? – Perguntei, cobrindo os lábios com uma das mãos para soltar um bocejo.
– No cinema, eu deixo você escolher o filme...
Revirei os olhos e saí do quarto, Derek veio atrás de mim. Cinema era uma das coisas que eu mais amava. Eu ainda tinha meu sonho bobo de ser diretor de algum filme. Fomos até o carro de David em silêncio, eu não queria conversar com ele naquele momento. Não que eu estivesse com raiva dele, eu só preferia o silêncio. Após 30 minutos de silêncio constrangedor chegamos no shopping e Derek não ficou muito feliz com a minha escolha de filme. Vimos um filme de terror, e eu sei que ele odeia filmes de terror. Mas eu gosto. Então ele se fodeu.
– Obrigado por ver esse filme comigo, eu sei que você tem medo...
– Não é medo, eu só não gosto...
– Você gritou igual uma garota de nove anos.
Derek riu e passou um dos braços ao redor dos meus ombros, eu acho que ele não percebeu que eu estava xingando-o. Fomos andando pelo extenso estacionamento até chegarmos ao pequeno carro cinza do moreno. Sentei-me na frente, ao lado de Derek e liguei o rádio no painel. Wake Me Up ecoou pelo carro enquanto eu batia na janela junto com o ritmo da música. Derek abaixou um pouco o som e levou uma das suas mãos em direção a minha que estava sobre o banco.
– As vezes você é tão grosseiro e distante... – Senti seu dedo indicador percorrer a aparte de cima da minha mão e vi pelo canto dos olhos Derek aproximar seu rosto do meu. Virei meu rosto para a janela e apoiei a cabeça na mesma, afastando minha mão até meu colo.
– Desculpe, vou tentar ser mais gentil com você...
– Insensível... – Resmungou, ligando o carro e dando a partida.
Chegamos no campus mais ou menos 45 minutos depois. No caminho até o dormitório, trombei com a diretora no corredor. Ela não tinha um olhar severo nos olhos, e sim uma expressão solidária e gentil. Ela passou uma das mãos ao redor dos meus ombros e eu senti meu corpo gelar. Ela era uma mulher nova, beirava os 35 anos e tinha cara de 17. Eu a achava realmente bonita, e já havia notado que ela tentava esconder uma tatuagem em seu pescoço com o cabelo.
– Alan, meu querido... Podemos conversar na minha sala um instante?
Assenti com a cabeça lentamente, e vi Derek acenando para mim atônito. A senhora Lamour me guiou até o prédio onde se encontravam seu dormitório e sua sala, sem dizer uma única palavra. Ao chegar lá, ela olhou nos meus olhos, séria e disse algo que eu realmente não esperava.
– Allan... Me sinto na obrigação de te dizer isso o mais rápido que posso...
– O que?
– Nós já conversamos com o seu colega de quarto sobre isso, Derek disse que você pode morar no apartamento dele até que compre sua própria casa...
– O que aconteceu?
Senti meu rosto perder a cor e minhas mãos tremerem.
– Sua tia, Alan... Ela morreu.
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TAN-TAN-TAN-TAAAN (~ º-º)~
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E então eu não me lembro mais do que aconteceu. Quando vi eu já estava dentro do meu dormitório, encarando Derek com toda a raiva que eu poderia utilizar sem desabar em lágrimas.
– Seu... filho... da... puta...
O moreno me encarou de forma solidária e deu um passo na minha direção. O empurrei com todo o resto de força que ainda tinha e me afastei novamente.
– Você sabia... – Minha voz saía fraca e baixa, em meio aos soluços do choro que eu já não me importava mais em segurar.
Derek não disse nada, apenas passou ambos os braços ao redor das minhas costas e me abraçou. Ele sabia... ele sabia que a minha tia estava morta. Ele não me disse isso antes. Três coisas atingiam minha mente naquele momento. 1) Eu havia perdido o meu último vestígio de família e agora 2) Eu estava sozinho e 3) Eu não havia para onde ir.
A diretora havia me dito que de acordo com o testamento de Celiny, eu tinha todo o seu dinheiro e deveria passar a morar com um dos meus primos cretinos. Coisa que eu não ia fazer porque 1) eu não quero e 2) eles me odeiam.
Eu agora não tinha família. Certo.
Horas depois, Derek acabou adormecendo ao meu lado, passara o tempo todo desde que eu recebi a notícia tentando me animar de qualquer forma. Me levantei com cuidado para não acordá-lo e liguei para um ‘’amigo’’ meu. Ele me ofereceu drogas, disse que aquilo iria me deixar mais calmo.
Desde então eu fumo de 3 a 4 baseados por dia. Espero não ir aumentando com o tempo, mas isso me faz sentir melhor.
Eu acho.
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