Notas iniciais
H tempos eu quero fazer esse Crack Crossover -qq

Tédio... Resumindo as últimas décadas vividas em apenas uma palavra. Tédio.

Era um demônio por fora, era um demônio com sua alma humana. Era um demônio que sentia o sabor tanto das almas quanto da comida que lhe era servida. Era um demônio que não sentia nem sede, nem fome, nem sono e ainda assim era um demônio que comia, bebia e dormia.

Ciel Phantomhive se transformara num demônio, mas não agia como tal. Agia como o humano que um dia fora, a única coisa que podia o lembrar de que esses tempos eram um passado distante era o tempo. Sua antiga mansão jazia no esquecimento, porém morava numa espécie de cópia do que um dia fora aquela mansão. Tecnicamente, era a réplica da réplica da original mansão dos Phantomhive. Não havia nenhum empregado, a não ser seu eterno e leal mordomo de negro.

Uma mansão tão imensa apenas para duas “pessoas” que ali viviam, o menino devia admitir, isso tudo era apenas um capricho seu. Se acostumara com esse ambiente extenso.

Teve que se atualizar aos dias atuais. Oque era um pouco difícil devido a constante evolução da tecnologia. Um dia, os tudo que se tinha era uma tela enorme de computador negra com letras verdes, e no outro um netbook de última geração. De onde eles tiravam recursos por todos esses anos?

Simples, Ciel Phantomhive havia morrido, mas a companhia Funtom continuou “viva” por assim dizer. Ele administra a empresa anonimamente por todos esses anos. E como conseguiu fazer isso? Não se recordava, há séculos que havia feito tal façanha e a mantinha viva até os dias de hoje.

Os últimos anos se tornaram uma rotina cansativa. Vídeo-Chamadas para reuniões com representantes de diversas multinacionais no ramo de doces e brinquedos, “aparições” em festas de lançamentos e comemorações, opinar na escolha do conteúdo de comercias... A vida de um “jovem” empresário e dono de uma companhia sempre fora cansativa, mas ao passar dos anos tanto o trabalho quanto o estresse pareciam crescer cada vez mais.

Agora, havia acabado de fazer um pronunciamento sobre a companhia Funtom firmando uma mais nova parceria (o que já não era novidade para ninguém) e anunciando a nova linha de produtos de outra companhia a qual também tinha um acordo comercial, convidando a todos que o assistiam para a grande festa de estreia da animação baseada em tais produtos.

Lendo os comentários do seu vídeo de transmissão, não teve nenhum que lhe chamara a atenção, eram sempre iguais “Com certeza estarei lá” “Mal posso esperar para ir” e coisas assim, até que viu que o intrigara. Não o comentário em si, mas a imagem de perfil que ele ou ela usava...

Um desenho estranho, colorido e ao mesmo tempo... Intrigante.

Não sabia ao certo, mas aquele desenho chamara sua atenção. Oque era aquilo? De onde pertencia? Que personagem era aquele? Por que era a assim? Qual a história por trás dele?

Passaram-se minutos, horas, e ainda pesquisava a origem daquele tal desenho. Uma pesquisa muito bem sucedida para dizer a verdade. Por pura curiosidade, resolveu dar uma chance a esse programa e assistir alguns episódios...

1 episódio.... 2 episódios... 6 episódios... 1° temporada... 2° temporada...

Não havia dormido, na verdade, esquecera disso e lembrou do fato de que isso não era mais necessário para ele. Estava concentrado em assistir o programa, tão concentrado que nem notara o mordomo abrindo a porta de seu quarto com o carrinho cheio de bolos, tortas e um bule de chá. Todos perfeitamente preparados pera seu jovem mestre.

–Bocchan, está na ora de... Oh, pelo visto já estás de pé.... –Mas ele não ouvira, ainda estava com os olhos fixados na tela do computador –Poderia me dizer o motivo pelo qual estás a sorrir?

Estava sorrindo? Nem ao menos percebera. Tal palavra trouxe o ex-conde de volta a realidade. Moveu o mause em uma velocidade absurda, trocando para uma aba qualquer e escondendo a anterior.

–Eu não estava sorrindo Sebastian, de onde tirastes tal ideia absurda? –Falou em um falso, porém muito convincente, tom entediado e sério, escondendo o total nervosismo que sentia por dentro.

–Devo ter me enganado, perdão. O reflexo vindo da tela deve ter distorcido seus lábios um pouco –Fingiu acreditar nas palavras do mestre, apesar de que claramente havia visto um sorriso, achou melhor não contraria-lo... Divertir-se com ele sempre fazia seus dias menos monótonos.

–Deixe-me servi-lo...

–Não! Quero dizer... Tenho alguns relatórios pendentes para terminar, corte apenas um pedaço qualquer e deixe-o ai, irei comer depois –Cortou a frase do homem atrás de si, ainda virado de costas para ele e com os olhos na tela do computador.

–Bocchan, devo lhe dizer que isso não é devidamente apropriado...

–É uma ordem, Sebastian –O interrompeu novamente, enquanto digitava palavras aleatórias, fingindo concluir o relatório inexistente.

–Yes, milord... Se me permite perguntar, sobre o que é este tal relatório? Se bem me recordo, terminaste o última ainda semana passada.

–Verdade, mas ao que parece me enviaram esse de última hora. Fazer uma comparação do percentual de vendas ano passado com o deste ano, e ainda uma previsão para ano que vem, contando com o possível lucro rendido pelos produtos dessa animação.

–Deverias estar acostumado com isso, Bocchan.

–Apenas com o campo de doces e brinquedos, mas é importante colocar os derivados caso o desenho faça sucesso. Material escolar, roupas, calçados, e até mesmo eventos...

–Seus parceiros sabem disso, e ainda sim o mandaram fazer isso

–Era dever de um estagiário, mas o incompetente errou nos cálculos... –Bufou irritado, esperando que o mordomo acreditasse.

Ao invés de mais algum comentário vindo do mais velho, o que recebera foi um pedaço de torta de limão com uma xícara de Earl Gray que ainda soltando vapor.

–Obrigado, agora já pode retirar-se.

–Como queira –Sebastian fez uma pequena reverencia e em seguida saindo do quarto de seu contratante, levando o carrinho consigo.

“Essa foi por muito pouco...”

Fez uma pausa para poder se deliciar com a doce torta de limão, apesar de não sentir fome ainda apreciava o gosto da comida, e por mais curioso que estivesse de como seria a parte dois de tal episódio, não iria negar uma das sobremesas-café-da-manhã feita por seu mordomo.

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Passaram-se alguns meses depois do ocorrido, Ciel havia feito uma conta em um fórum há algum tempo e já se tornara um usuário bastante ativo. Enquanto escrevia um elogio envolto de críticas e conselhos sobre uma tal de “fanfic” que acabara de ler, ouviu exatamente três batidas em sua porta.

Mudara o cursor para uma página estrategicamente aberta e abrira um documento aleatório do World. Levantou-se e abriu a porta, vendo Sebastian parado em sua frente com um enorme embrulho em mãos.

–Acabou de chegar, Bocchan. Endereçado para ti, e com ordens restritas para que apenas você possa abrir.

“Chegou, finalmente chegou!”

Com dificuldade, disfarçou seu entusiasmo interno, mantendo o rosto sério como sempre.

–Sei muito bem sobre o que se trata esse pacote, deixe-o comigo e vá embora –Praticamente arrancou a enorme caixa das mãos do maior, fechando a porta sem dar uma chance de resposta (ou pergunta) para o moreno.

Respirou fundo, posicionou o embrulho em cima de sua cama e jogou-se na mesma, abraçando fortemente o travesseiro numa espécie de “ataque de fã”.

Procurou algum objeto cortante que pudesse servir como faca, e por sorte encontrara uma tesoura convenientemente em cima no criado-mudo. Rasgou a parte de cima da caixa de papelão como se fosse de papel, tirando de dentro seis peluches... Uma peluche para cada personagem. Mesmo não tendo ninguém o observando, olhou para os lados apreensivo e abraçou cada uma daquelas peluches, uma de cada vez, com os olhos fechados enquanto imaginava que ao invés de um brinquedo, estava abraçando realmente tal personagens.

Ainda não sabia onde iria esconde-las, mas pensaria nisso mais tarde.

Ninguém poderia saber, ou melhor, ninguém DEVERIA saber disso.... Nem ao menos Sebastian.

Este seria seu segredo, seu “Guilty Pleasure”

Não entendia do porquê ter entrando nessa tal, er... Como é que chamavam isso mesmo? Ah, sim, “Fandom”, mas só sabia que pertencia a ele e já era tarde demais para voltar atrás.

Jamais deveriam ao menos suspeitar que ele, Ciel Phantomhive, gostava de assistir ao desenho “My Little Pony: Friendship Is Magic” e que era aquilo que chamavam de “Brony”.

Notas finais
Comentem se tiver algum erro já que eu não tive tempo de revisarO segundo capítulo pode demorar pra sair, avisando logo...Críticas construtivas e conselhos são sempre bem-vindos.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.