Dont Forget Me

1 No one understands


Notas iniciais
Primeiro capitulo postado! Espero que gostem :)

Pov. Filipa On

Acordei com o mesmo som do costume. O meu despertador. Sim, mais um dia estava prestes a começar. Mais um dia em que eu iria enfrentar todo o mundo dizendo que estava tudo bem quando na verdade não está. Não sei como ainda tem pessoas que me ficam perguntando se eu estou bem quando a maneira como eu me sinto é evidente. Sei que já passaram quase dois anos desde a morte dela mas para mim é como se

fossem meros dias. Decidi acabar com os meus pensamentos, me levantar e preparar para ir para a escola. Fico pensando no porquê de ainda me levantar de manhã. É. Fico pensando e pensando mas nunca consigo achar uma resposta evidente. Desci até à sala de jantar e lá estavam eles. Os meus “irmãos”. Sei que eles não me são nada. Sei nós não passamos de uns meros órfãos sem pais, sem família, sem ninguém que nos deia amor de verdade. Mas também sei que quando estou triste é com eles que posso contar. É com eles que posso desabafar. Chorar. No fundo eles acompanham-me na mesma dor que eu. No fundo somos o suporte uns dos outros.
-Bom dia Filipa- disseram Ritinha, Pedro e João.
-Bom dia- disse eu dando um beijo na testa da minha pequena e acenando para Pedro e João.
Um silêncio estranho invadia aquela sala. Percebi o porquê de eles não quererem falar. Mas eu estou bem. Pelo menos tento estar.
-Malta, eu estou bem. Eu sei que vocês sabem que amanhã faz dois anos que minha mãe morreu- uma lagrima de saudade caiu pelo meu rosto- mas podem continuar agindo normalmente?
-Claro que sim. Desculpa- disse Pedro olhando para mim. Às vezes penso que ele é a pessoa que melhor me compreende naquela casa. Talvez seja porque somos da mesma idade. Não sei.
-Bem, eu vou indo para a escola. Até logo!- sai de casa em direção à escola.
À medida que caminhava, meus pés se enterravam na neve branca que cobria todas as ruas. Lembro-me de como eu adorava a neve. Eu costumava brincar com minha mãe, quando era criança, fazendo bonecos e anjinhos. Tudo isso me fazia feliz. Mas agora. Agora que ela já não está mais aqui para mim, a neve perdeu o encanto. E todas as brincadeiras foram esquecidas. Quando dei por mim, minhas lágrimas já escorriam pela minha cara. Lágrimas, essas que parecem nunca ter fim. Continuei meu caminho, sozinha. Sozinha. É assim que eu me tenho sentido nestes últimos anos. Quando dei por mim já estava em frente ao portão da escola. Decidi entrar e como sempre senti os olhares todos postos em mim. A rapariga que perdeu a mãe. A coitadinha. Já me habituei à maneira como as pessoas me vêm. Andei até dentro da escola e dirigi-me até à sala onde ia ter aulas de manhã. À medida que andava nos corredores olhava para as paredes que, hoje, parecem mais cinzentas do que o costume. Ouvi uma voz familiar chamar o meu nome. Sim, era Catarina. A única pessoa em quem eu posso confiar nesta escola é ela.
-Filipa, estava a ver que não te encontrava- disse ela com a sua respiração ofegante.
-Vieste a correr?- era obvio que sim, mas eu gosto de lhe fazer perguntas à quais já sei a resposta.
-Claro que não, apenas andei num passo mais acelerado.- disse Catarina rindo.
-Ahah, bom dia. Bem eu estava a caminho da sala, queres vir?- meu sorriso desapareceu num instante. Nestes últimos tempos não o consigo segurar ele durante muito tempo.
-Claro, vamos!- comecei andando e Catarina apenas me seguiu.
E assim fomos as duas até à sala. Assim que lá chegamos sentamo-nos numa mesa conversando.
-Já viu. Está a nevar lá fora.- disse Catarina tentando meter conversa e animar o ambiente. Apenas abanei meus ombros e permaneci calada.
-Filipa, tu tens de continuar a tua vida. Eu sei que custa. Mas tem de ser. Tu tens de pensar no futuro. Tens de sorrir. Tens de socializar com as pessoas. Descobrir coisas novas. Novos amigos. Tens de sair desse “teu” mundo isolado e enfrentar o mundo cá fora.- Catarina me falou olhando bem séria. Porém eu lhe respondi e com uma voz bem fria e com lágrimas nos olhos.
-Tu não entendes. Ninguém entende. Como queres que eu pense no futuro se tudo o que eu quero é viver no passado. Como queres que eu sorria se tudo o que me apetece é trancar-me num quarto bem escuro e chorar. Como queres que eu descubra coisas novas, novas pessoas, se de cada vez que eu o faço acabo sempre por me magoar. Magoar de verdade. Eu não consigo sair deste meu mundo. Quer dizer. Conseguir consigo, mas de cada vez que o faço acabo sempre por me magoar. Por isso acaba sempre sendo mais fácil para mim viver assim.- as lágrimas já corriam pela minha cara. Catarina apenas me abraçou e permanecemos assim, caladas e abraçadas. Um silêncio estranho pairava naquela sala. Mas rapidamente foi interrompido pelo toque da campainha.
Notas finais
Gostaram? Opniões!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.