Notas iniciais
Espero que gostem =D Aproveitem *-*


=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-==-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=

— Taka... Taka, acorde, você tem visita... Vamos levante! — disse minha mãe, com a mão em meu ombro;
— Hum... To indo... -
— Estamos te esperando — disse ela saindo do quarto;
— Espera! Quem ta lá embaixo? — perguntei, mas não deu tempo de ela ouvir;
Me levantei, coloquei uma camisa qualquer e sai do quarto, ouvi uma voz feminina vindo da sala, desci as escadas devagar, tentando ver quem era, era Reira, junto de Kai e Aoi, subi correndo e entrei no quarto de novo, por que estavam aqui?! Na hora do Jantar?! corri para o armário e coloquei uma roupa descente, fui para o banheiro, ajeitei o cabelo e enfim desci.
— Ah! Olha ele ai — disse minha mãe;
— Ah! Olá Taka! — disse Aoi;
— Oi! — disse Reira;
— Olá Taka-san! — disse Kai;
— Olá... O que estão fazendo aqui? -
— Vieram atrás de você, mas estava dormindo, então, fui te acordar — disse minha mãe;
— E quando chegaram? -
— Agora a pouco, você nem demorou muito — disse Reira;
— Dorminhoco — brincou Aoi;
— Cala a boca vai — eu disse rindo, bagunçando o cabelo de Aoi, cumprimentando Kai e dando um beijo no rosto de Reira, nem sei o porque fiz isso, acho que deu vontade;
Vi Reira corar depois do beijo em seu rosto, minha mãe sorria e Aoi fazia um bico meio sorrindo, arrumando a bagunça que fiz em seu cabelo, chamei os três até meu quarto, fechei a porta e sentei na cama, Aoi sentou ao meu lado e Reira na cadeira.
— Por que vieram até aqui? — perguntei;
— Contar sobre um lugar bom que eu achei para tocarmos — disse Kai;
— Sério? Onde? -
— Perto daqui — disse Aoi;
— É um lugar grande, já fui várias vezes lá — disse Reira;
— Depois vamos lá para ver o lugar — disse Kai;
— Certo, quando? -
— Semana que vem, no sábado, nos encontramos no bosque e vamos direto pra lá — disse Aoi;
— Okay, estou livre — confirmei;
— Eu também — disse Reira;
— Uruha e Reita já confirmaram, tá tudo certo então! — disse Kai, sorrindo;
Conversamos por um tempo, até que eles decidiram ir embora, estava na porta me despedindo, cumprimentei Aoi e Kai, Reira me deu um abraço de leve e um beijo no rosto, realmente senti meu rosto ficar totalmente vermelho, mas fiquei feliz, mesmo sendo estranho. Eles foram e então entrei em casa, vi meu pai olhando de canto, sério, parecia querer matar cada um, me estressando de novo, até que minha mãe nos chamou para o jantar.
— Então, filho, quem era aquele garoto moreno? Um amigo novo da escola? — perguntou minha mãe;
— O Yutaka? Na verdade não, ele é de outra escola -
— E a garota? — perguntou de novo;
— Ah, a Reira, ela sim é da minha escola, da minha classe, ela que me apresentou o Yutaka -
— Ah entendi, Reira, ela é muito bonita — disse ela, senti meu rosto corar;
— Pra mim é só mais uma pra turma de delinquentes — disse meu pai;
Como é que é? Ela? Delinquente?! Ah não! Não fale mal dela!! Não dela!!!
Levantei o rosto e bati a mão na mesa de leve, mas fazendo barulho, minha mãe olhou para mim, surpresa, me irritei muito dessa vez, ele pode falar de quem ele quiser, menos dos meus amigos, muito menos da Reira, meu irmão fechara os olhos, olhou para meu pai, também irritado, porém ficara quieto, parecia esperar minha reação.
— Ela não é delinquente, muito pelo contrário, ela é inteligente, gentil e divertida, não fale mal dela, e nem dos meus amigos só porque não gosta deles -
— Takanori! — disse minha mãe, séria, não entendi o porque, eu não disse nada de mau, só defendi meus amigos;
Vi meu irmão dar um sorriso de leve, olhando para o prato, ainda quieto.
— São todos delinquentes, você deveria se voltar para os estudos, e não para amizades como aquelas — disse ele;
— Ele já se voltou para os estudos, pai, por isso aquelas notas tão boas, ele tem todo o direito de se divertir com um boletim daqueles — disse meu irmão, agora olhando para meu pai, ele sabia que estava certo;
— E os amigos dele são uns amores, não sei qual o seu problema com eles — disse minha mãe, enfim decidiu me apoiar;
— Meu problema? Não é meu problema, é dele, dele e daqueles adolescentes imprestáveis — disse meu pai;
Agora já era, levantei, batendo a mão na mesa, agora me irritei mesmo.
— Imprestáveis? Eles foram os que mais me ajudaram até agora, e são imprestáveis? Eles que me escutaram quando eu me estressava por sua causa e são imprestáveis?! — gritei, bati as mãos na mesa com força, furioso;
Me afastei da mesa, ouvi minha mãe gritar meu nome, mas ignorei, subi, bati a porta e a tranquei, peguei meu celular, coloquei minha guitarra na capa, peguei meu caderno com todas as letras que escrevi e coloquei em um dos bolsos da capa e coloquei ao lado da escrivaninha, me joguei na cama, ainda irritado. Minha mãe tentou abrir a porta mas não conseguiu.
— Takanori, filho abra a porta, vamos! — disse ela, batendo na porta;
— Me deixa, por favor, vou dormir um pouco — respondi;
— Tá legal, amanhã a gente conversa — disse ela, saindo;
Eu não ia abrir de jeito nenhum, levantei, peguei mais algumas coisinhas e coloquei no bolso da capa da guitarra, sentei na cama e esperei. Quando eram 02:30 da manhã, levantei, todos estavam dormindo, menos meu irmão, mas ele se tranca no quarto, coloca os fones de ouvido enormes e fica ouvindo música alta e nem iria me escutar, peguei as chaves de casa e coloquei a guitarra no ombro, sai e tranquei o quarto, não quero ninguém fuçando nas minhas coisas, coloquei a chave do quarto junto com as chaves de casa e desci, fazendo menos barulho possível e sai, tranquei a porta e fui em direção ao bosque, quando cheguei, sentei no banco e coloquei a guitarra com meu pé, encostada em meu joelho, minhas mãos voaram para minha cabeça, apoiadas am minhas pernas, já era o bastante, me irritei demais, ele me irritou demais. Pensei bem em para onde ir se fugisse de casa, não podia ir para um hotel, estava sem dinheiro, não ia voltar para casa de jeito nenhum, e meus pais não iriam saber pra onde fui, o bosque seria um dos últimos lugares que iriam pra me procurar. Já eram 5:40, estava pensando sozinho, quando ouvi alguém chegar.
— Ruki-san? — perguntou Kai, reconheci ele só pela voz, vi sua sombra perto do banco onde sempre sentamos;
— Oi Kai -
— Você tá bem? -
— Não -
— O que tá fazendo aqui a essa hora? -
— Tomando um ar -
— O que aconteceu, pra trazer até a guitarra junto? — ele olhou para a bolsa enorme em meu pé;
— Não importa -
— Pode falar — disse ele, colocando a mão em minhas costas e sentando ao meu lado;
— Tá... Eu fugi de casa -
— O que? Por que? — ele perguntou, surpreso;
— Meu pai de novo — respondi, voltando as mãos para a cabeça;
— O que aconteceu? — ele repetiu;
— Ele me irrita, me perturba, não me deixa em paz nem na janta, sempre pegando no meu pé toda hora, falando mal de vocês, não suporto que falem mal dos meus amigos, ainda mais de você, dos meninos... Da Reira... — expliquei;
Sim, ela também, não suporto quando ele fala mal dos meus amigos, mas da Reira, sinto que vou explodir de raiva, ela não tem nada a ver, a única amiga que eu tenho, a única que não me acha estranho ou algo parecido, chega a ser menor que eu, é realmente estranho como eu me sinto falando dela, não sei explicar.
— Ele mencionou a Reira também? -
— Sim, ainda mais ela, que nem tem o que achar de ruim nela, não sei qual o problema dele... Não aguento mais isso -
Ela nem é da banda, mas é uma amiga tão próxima, e ficou tão próxima em tão pouco tempo, mas mesmo assim ela é uma garota incrível, bem diferente das muitas que eu já sai antes, ela tem algo de diferente que me chama a atenção, só ainda não sei exatamente o que é, mas sei que ela tem algo que muitas outras garota não tem, ela não é gananciosa, egoísta, nem nada disso, ela é diferente, mas de um jeito bom, me sinto á vontade perto dela.
— E tem ideia de pra onde vai agora? -
— Não -
— Quer ficar na minha casa, é mais seguro que ficar a manhã toda aqui no meio do bosque, e nesse frio, pior ainda -
Era Janeiro, inverno no Japão, estava mesmo frio, o tempo estava úmido, não chovia, nem nevava, mas ventava. Não sei como não percebi o frio usando só uma jaqueta e uma calça jeans.
— Valeu -
— Tudo bem — disse ele, sorrindo de leve;
Andamos até sua casa, era pequena, mas era boa, ele perguntara se eu tinha fome, eu disse que não, apesar de ter parado de comer no meio do jantar, minha raiva me fizera perder a fome, subimos até seu quarto, ele arrumara uma cama a mais em seu quarto.
— Aqui está bom? — perguntou Kai;
— Tá sim, Arigato — respondi;
Ele sentou em sua cama e eu na outra.
— Sabe, a Reira é mesmo uma garota legal — disse ele;
— Como você conheceu ela? -
— Conheci ela no bosque mesmo, a uns três anos, ela veio para o Japão, você sabe que ela morava fora, certo? — disse ele;
— Sim, ela me contou -
— Ela veio para ver o pai, a conheci no bosque, e então viramos amigos -
— E vocês foram só amigos? -
— Sim, eu queria mesmo ser amigo dela, nada mais que isso, e ela o mesmo -
— Entendi -
— Ela estuda na sua escola não é? — perguntou ele;
— Sim — respondi;
— Ela me disse, me contou sobre você -
— Sério? — fiquei surpreso;
— Sim, ela gosta muito de você, fala muito de você -
Fiquei nervoso de repente.
— E o que ela disse de mim? -
— Que você era legal, depois que era divertido, depois que você era fofo... Ela gosta mesmo de você -
Olhei para baixo, meus olhos arregalados.
— Você gosta dela não gosta? — ele perguntou;
Olhei para ele, franzindo a testa, mas ele não mudara a expressão, parecia ter quase certeza da resposta.
— Ruki-san... Se eu fosse você ou... Se Reira gostasse de mim como ela gosta de você... Eu não deixaria ela ir... É difícil achar alguém como ela — disse ele;
Fiquei mais nervoso ainda, meu celular vibrou, era meu irmão.
— Melhor você atender — disse ele;
— O que foi? — atendi;
— Onde você tá?! — perguntou meu irmão;
— Na casa do Kai — respondi;
— Tá fazendo o que ai? -
— Dando um tempo de casa, não aguento mais o velho -
— Tá... Precisa de algo? — ele me entende melhor que meus pais;
— Não, valeu -
— Tá, vou dizer pra eles dois que você tá bem -
— Tá, mas não diga onde estou, não quero que venham atrás de mim! Mais tarde eu falo com você — desliguei;
Kai e eu conversamos a manhã toda, nem consegui dormir, Kai ficou acordado o tempo todo, perguntei se ele não ia dormir, mas disse que não, ele dormiu quase a tarde toda, por isso não estava com sono.
— Dormiu bem baixinho? — disse Aoi, parando na porta do quarto de Kai;
— Ah, pronto, chegou! — brinquei;
— Fica quieto e levanta dai baixinho! — disse Aoi, me puxando para fora da cama;
Levantei e tomamos café, fiquei uns dois dias na casa de Kai, ele não se incomodou em me hospedar, até perguntei mas ele disse que gostou da minha companhia, isso é muito bom, aproveitei para conhecê-lo melhor. Mais tarde minha mãe veio me buscar, queria ter ficado mais tempo, a mãe de Kai era mais gentil que meu pai!
— Onde você foi filho? — perguntou minha mãe, me abraçando;
— Tomar um ar — respondi;
— Durante dois dias?! — disse ela;
— Pergunte ao meu pai o motivo -
— Obrigado Yutaka, por deixar ele passar um tempinho em sua casa — disse ela;
— Tudo bem, ele é sempre bem-vindo lá em casa — disse Kai;
Chegamos em casa, meu pai saiu da cozinha, já com expressão séria, foi para o quarto, sem dizer uma palavra.
— Ignore ele filho, ele tá estressado — disse minha mãe;
— Ele também me deixa estressado várias vezes -
O ignorei de primeira, os dias passaram e logo cheguei á escola, logo na entrada vi Uruha, fui em direção á sala, ainda estava estressado, quando entrei na sala, minha alegria surgiu, Reira estava na sala, parecia desenhar algo, me sentei atrás dela, mal me viu e já sorriu para mim, ma fazendo sorrir junto.
— Olá — eu disse, dando um beijo em seu rosto, ela pareceu surpresa;
— Oi — disse ela, ainda parecia surpresa;
— O que tá fazendo? — perguntei, olhando seu desenho;
— Ei! Não olhe! — disse rindo, afastando meu ombro;
— Ah! Deixa eu ver vai! — insisti;
— Não! Só quando eu acabar! -
— Tá então quando acabar me avise! -
— Pode deixar -
Ela parou, ficou pensativa.
— Nee, Taka... -
— Hai? -
— Você fugiu mesmo de casa? — Kai deve ter dito, ela parecia preocupada;
— Sim... Kai te disse não disse? -
— Sim, me deixou preocupada, mas agora que está bem — ela sorriu;
— Se preocupando comigo? -
— Para! Você é meu amigo, claro que vou me preocupar! -
— De qualquer jeito, obrigada — dei um abracinho e um beijo em seu rosto, e ela corou;
As aulas passavam, cabulei umas aulas, e fui em outras, no intervalo, Reira me chamou até sua carteira antes de eu sair.
— Taka! — gritou Reira;
— O que? — eu disse, indo até ela;
— Terminei — disse ela, me entregando um caderno;
Vi o desenho, era lindo, era de um gato, ela provavelmente gostava de gatos, virei a página, tinham vários desenhos, de várias coisas, desenhos muito bons, chegavam a ser melhores do que os meus. Quando terminei, entreguei o caderno a Reira, ela o guardou na bolsa e começamos a conversar, me lembrei do que Kai me disse, comecei a ficar nervoso.
— Nee, você trouxe seu caderno de letras? — perguntou ela;
— Sim, porque? — perguntei;
— É que você deixou na sala ontem, vi na sua mesa e peguei pra ver o que era, é uma de suas letras certo? Aqui — disse ela, me entregando uma folha;
Era uma das minhas letras.
— Arigato! — fiquei surpreso;
— Eu li, espero que não fique bravo... Eu sei que eu não devia mas... Realmente é uma letra muito boa -
— Serio? Você leu mesmo? -
— Sim, desculpe, espero que não se importe -
— Não, tudo bem... Só não costumo mostrar minhas letras pra ninguém -
— Ah, me desculpe, não devia ter sido tão curiosa, desculpe mesmo! — ela ficou preocupada;
Sua expressão me dava vontade de rir, realmente não me importo de alguém ler, mas logo ela? Isso é estranho... Ela estava pálida e parecia cansada.
— Você tá bem? — perguntei abaixando ao lado dela;
— Sim, to sim — ela respondeu;
— Não parece nem um pouco bem -
— É só uma tontura de leve, logo eu melhoro -
— Quer que eu te leve na enfermaria? — ofereci;
— Não precisa, Arigato -
— Então tá... Te vejo depois -
Me levantei, apoiando a mão na mesa, e fui para a sala de geografia, Reira, Uruha e Aoi não participavam dessa aula, então ficamos apenas eu e Reita. No final da aula, fiquei esperando que Reira saísse de sua sala, mas ela não aparecia, quando quase todos os alunos saíram, entrei na sala, Reira não estava lá.
— Ei, a Reira é dessa sala certo? — perguntei para uma dupla de garotas que saia da sala;
— Sim — disse uma delas;
— Onde ela está? -
— Ela não estava bem e foi para a enfermaria — disse a outra;
Corri para a enfermaria, entrei feito um desesperado, encontrei Reira sozinha, sentada em um sofá, com um copo d'água na mão.
— Ei, o que houve? — perguntei, sentando ao seu lado;
— É, eu piorei — disse ela;
— O que você tem? -
— Nem sei ainda -
Chamaram por ela, ela entrou em uma das salas, quando saiu parecia mais tranquila.
— Ainda tá aqui? — disse Reira, surpresa;
— Sim, não ia te deixar aqui sozinha -
— Ah... Arigato... -
— O que você tem? — perguntei de novo;
— Só uma tontura, nada de grave — respondeu ela;
— Ah que bom -
A acompanhei até sua casa.
— Não precisava vir até aqui — disse Reira;
— Claro que precisava, mas de qualquer jeito você chegou bem -
— Sim — ela deu um sorriso de leve;
— Qualquer coisa me ligue, Okay? -
— Pode deixar — ela disse, sorrindo;
Me despedi dela, fui para minha casa, estava sozinho, minha mãe deixou um bilhete na mesa dizendo que foi com meu irmão até o mercado, subi para o quarto e dormi um pouco.
=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-==-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=-=

Notas finais
Vejo vocês no próximo capítulo!