Don't Forget
24 Fevereiro Infinito
Notas iniciais

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Acordei meio estranho, me sentei na cama, olhei para a janela, cossando os olhos, estava nevando, me lembrei dela, como de costume, não sei porque, mas desde que conheci Reira, toda vez que olho para a neve, me lembro dela.
Sempre achei a neve bonita, pura e suave, adoro quando os floquinhos passam pelo meu rosto, as vezes parando no topo de minha cabeça, me obrigando a sacodi-la e ver os flocos cairem, me divirto com isso.
— Taka, não vai tomar café? — perguntou minha mãe, sentando ao meu lado no sofá;
— Não, obrigada mãe -
Ela sorriu, acho que percebeu, ela me conhece, provavelmente entendeu minha situação, além do mais, não é muito comum eu ficar tão brisadão assim, eu sou um pouco avoado as vezes, mas estou muito utimamente, foi quando me surpreendi.
— Taka... — ela chamou minha atenção;
— Hai? -
— Fale com ela... -
Arregalei um pouco os olhos, meio confuso e surpreso, apesar de entender o que ela disse.
— O-O que? — eu disse, assustado;
— Fale com ela, Taka... Só seus olhos já dizem tudo... Olha isso... — ela pegou meu queixo e puxou um pouco para cima;
— Mas o qu... — tentei comentar mas ela me interrompeu;
— Estão mais brilhantes que os talheres daqui de casa, Taka... Não me lembro de te ver assim antes... Eu te conheço, você está diferente... — ela sorria, como se soubesse exatamente o que eu sentia, e estava certa;
— Mas... -
— Se for ela, diga, não tenha medo, apenas diga á ela -
— Mas como...? -
— Ache uma maneira mais fácil, ora! E não perca seu tempo, vai logo! — ela me puxou do sofá;
Mãe, você me conhece mesmo? Eu sou TÍMIDO! Não sei o que falar!
Ela me empurrava para a porta, acho que já imaginava que queria ver Reira, mas como ela descobriu? Sou tão previsível assim?
— Ah! Está nevando... Taka cadê o seu casaco? — perguntou ela;
— Deve ta secando agora... Tem um no meu armário, pera vo lá pegar — corri para cima;
Abri meu armário feito desesperado, revirei até que achei um casaco preto com uma touca, peguei e desci correndo.
— Achou? — perguntou minha mãe, parada em frente á porta agora fechada;
— Hai — mostrei o casaco em meu braço;
Ela pegou o casaco e o abriu esperando para que eu vestisse, passei meus braços pelas mangas, virei para ela, ela subiu o zíper do casaco, ajeitou a touca, sorriu e me abraçou.
— Taka... — disse ainda me abraçando;
— O que? -
— Hum, nada pode ir — ela me soltou e sorriu;
Abri a porta e sai, ela esperou até que eu saísse do jardim, olhei para trás, minha mãe era uma gracinha, acenou para mim e fez um sinal com os dedos, desejando sorte e fechou a porta, sorri.
A neve continuava a cair, peguei meu celular, disquei o número e liguei, Reira atendeu na hora.
— Olá Taka — ela atendeu;
— Reira... Preciso falar com você... — não pensei em nada melhor que isso;
— Eu... também preciso... falar com você... — me surpreendi;
— Pode ir até o bosque? -
— Claro, quando? -
— Agora se puder -
— Tudo bem, posso sim, estou indo -
— Okay, estou te esperando, bye — desliguei;
Aquele Fevereiro parecia tão longo, achei que já tinha acabado, mas ainda estava grudado em mim, era o último dia daquele mês sem fim, mas mesmo assim nevava, me deixando calmo e nervoso ao mesmo tempo, ainda não sabia o que dizer á ela, mas eu me viro, eu só sei que, tenho minhas esperanças... De que ela também goste de mim tanto quanto eu amo ela... Porque eu a amo... E se ela não gosta de mim? Não vou me suicidar, mas vai ser algo difícil de superar... E eu sei que vai doer... Mas mesmo assim eu tenho esperança... E agora... Á caminho daquele bosque... Eu espero anciosamente por você... Reira-chan...
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