Don't Forget
20 Abraço
Notas iniciais

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Corri para a casa, pulei a cerca sem me preocupar em abrir o portão, logo vi Reira na janela de seu quarto, que ficava acima da porta, com as mãos no rosto, estava chorando, pudi ouvi-la, sua voz ecoava em minha cabeça, pareciam facas atingindo meu coração, pensei em chamá-la, mas ela me viu, parecia irritada e triste, quando me viu limpou o rosto com a manga da blusa, olhou para mim novamente, sorriu de leve, ainda com expressão chorosa, colocou a mão no vidro, fez um sinal de que estava tudo bem, não acreditei, mas ela insistiu que eu fosse embora, neguei, estava preocupado demais, era óbvio que não estava nada bem, não ia suportar vê-la chorar assim e não fazer nada a respeito! Eu amo ela e o que eu menos quero agora é vê-la assim!
Ela desfez o sorriso, juntou as mãos, pedindo, ela sussurrou dizendo que me explicava depois, uma lágrima escorreu de seu rosto, fiquei paralizado.
— Onegai... Taka... — ela sussurrou da janela, de mãos ainda unidas, deu um sorriso leve;
Eu não queria deixá-la lá, mas ela insistia tanto que eu não fizesse nada, não entendi o motivo, tive que aceitar, mesmo contra a minha vontade, mas eu sabia das consequências se eu descobrisse o que acontecera e acabasse piorando as coisas.
Acenei com a cabeça, estava preocupado, sai pelo portão, dessa vez o abrindo para sair, olhei novamente para Reira, ela ainda esperava me fitava, ela colocou novamente a mão no vidro, a fechando lentamente, ela ainda sorria um pouco, porém o sorriso foi desaparecendo cada vez que me distanciava.
Quando cheguei em casa, todos já dormiam, as luzes apagadas, peguei meu celular e corri para meu quarto, mas com cuidado para que ninguém me ouvisse, entrei em meu quarto e tranquei a porta, com o celular em mãos, disquei o número decorado em minha mente, mas só chamava, começei a ficar preocupado, disquei o mesmo número várias e várias vezes mas ninguém atendia, quando finalmente atendeu.
— Mochi? -
— Reira... -
Ela ficou em silêncio, me preocupando ainda mais.
— Reira! — repiti;
— ... T-Taka... -
— O que aconteceu? -
Ela continuou em silêncio.
— Reira, por favor responda -
— Desculpe Taka... Desculpe te preocupar... -
— Não importa, você tá bem? -
— To sim -
— Quer que eu vá até ai? -
— N-Não precisa Taka... Eu to bem — ela repitiu;
— Tem certeza? — insisti;
— Tenho, não se preocupe... Amanhã a gente conversa no bosque, Okay? -
— Tá... -
— Bye -
— Bye... -
Ela desligou, continuei preocupado, quase não consegui dormir.
Logo de manhã, no café minha mãe perguntou onde fui, não queria contar sobre os shows, só meu irmão sabia, eu disse que estava em uma festinha qualquer com uns amigos da escola e nem reparei na hora, ela entendeu, meu pai não disse nada para a minha felicidade.
— E ai como foi o show? — perguntou meu irmão, longe da cozinha de de minha mãe;
— Foi incrível, bem melhor que o de antes, tocamos duas músicas a mais -
— Legal, quero ouvir hein! -
— Pega lá no meu computador, tem salvo lá, mas não fussa no resto! -
— Tá! — ele correu para meu quarto;
— Espera! Promete que não vai fussar no resto! — o que foi? Eu não gosto que mexam nas minhas tralhas, muito menos nas que estão no meu computador!
E antes que você pergunte, não, eu não tenho pornô lá dentro... Tá só alguns mas mesmo assim! Hu!
— Tá eu prometo! -
— Ótimo — eu disse e ele continuou subindo;
Sai e fui em direção ao bosque.
Passos longos e rápidos, as mãos nos bolsos do casaco marrom, ancioso e preocupado, estava com pressa, com pressa de ver a minha linda Reira, que precisava tanto de mim agora, a minha querida Reira que na noite passada chorava, irritada, triste, e mais um monte de sentimentos misturados naquele rosto choroso, as imagens me deixavam agoniado, me obrigando a apressar mais o passo.
Quase correndo, como se minha vida dependesse disso, quando cheguei até a entrada do bosque, mais ao fundo, vi um banco, rodeado por grama atrás, o caminho que seguia aos arredores do bosque á frente, a cerejeira e um lustre, e no banco, sentada, lá estava ela, um casaco bege, uma touca branca na cabeça, o cachecol que dei a ela a um tempo, esfregava as mãos, sem luvas, podia ver seu rosto rosado, olhando em volta.
Assim que me viu, levantou, andou alguns passos e parou, continuei andando em sua direção, quase correndo, ela ficou parada, quando cheguei mais perto, ela correu.
Não tive tempo de pensar, apenas abri meus braços e ela me abraçou, as mãos em volta da minha cintura me abraçando com força e o rosto escondido em meu peito, senti algumas lágrimas manchando minha camisa, seguido de sua respiração, meus braços a rodearam, consegui encostar um pouco meu rosto no topo de sua cabeça, que não ficou muito longe, me senti diferente, estava bem com aquele abraço, porém estava preocupado, muito preocupado.
Me afastei um pouco, ela continuou me abraçando, quando chamei sua atenção.
— Reira... -
ela afastou um pouco o rosto para me olhar.
— Você tá bem? -
— Hai -
— O que aconteceu? -
Ela me soltou, secou o rosto e sentou no banco, me puxando para sentar junto.
— Meu pai estava bêbado, foi aquela vadia... Aquela vadia que só quer o dinheiro dele... Agora que eu entendi -
— O que ela te fez? — me assustei;
— Nada, ela não me fez nada... -
Ela hesitou um pouco, parecia assustada.
— Mas meu pai com certeza tava bêbado -
— E com certeza ele te fez algo, o que aconteceu? -
— Quando eu entrei, ele começou a falar coisas sem sentido, a única parte que entendi foi a de que eu sai sem a permissão dele... Eu disse que não precisava de permissão nenhuma... -
Ela hesitou novamente, agora mais irritada.
— E aquela vadia falou coisas idiotas... E então meu pai... Jogou... A garrafa na parede... Na parede bem ao meu lado... Enquanto gritava comigo... Fiquei sem ação... Só subi correndo e tranquei a porta... Ele tentou abrir mais desistiu... -
Ela parou de falar, ficou em silêncio, não consegui dizer nada, que tipo de cara faz isso? E ainda com a própria filha?! Esse cara tem problemas psicológicos?!
— Ele te machucou? -
— Não... -
Me aliviei, se encontrasse um mísero arranhão nela juro que matava aquele velho debi mental!
Abraçei Reira novamente, ela ficou surpresa mas logo retribuiu.
— Se assustou não foi? Por que não me deixou entrar? — perguntei, acariciando suas costas;
— Eu não quero criar problemas para os outros, muito menos pra você e pra banda... -
— Não importa, o importante é que ele não te machuque por causa daquela maluca -
Ela acentiu, tentei conversar mais com Reira, mas a história só piorava.
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