Don't Ever Let You Go

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Espero que gostem!

“Ei, pra onde você vai?” Puck perguntou ao avistar Quinn vestida e com a mão prestes a girar a maçaneta da porta do quarto do garoto.

Ela o olhou, espantada, e revirou os olhos. Não queria que ele a visse saindo, pois saberia toda melação que teria de enfrentar. Sempre que o rapaz flagrava a sua loira saindo sorrateiramente depois de uma noite que passaram juntos, ele entrava em um estado emocional bastante emotivo. Sentia-se como se fosse apenas um objeto para ela e isso sempre acabava em uma discursão acalorada dos dois.

“Bom dia, meu bem.” Ela abriu seu melhor sorriso e se aproximou do rapaz, que sentava na cama com cara de sono.

“Você ia sair outra vez sem que eu visse?” Ele fez bico e tocou a cintura de Quinn.

“Nós já conversamos sobre isso, Puck. Não somos namorados, estamos ficando e não temos um compromisso.” Ela repetiu sem paciência.

“Mas eu queria mais...” Ele diz baixinho, puxando a loira para si.

“Porque essa sua obsessão por ter um relacionamento sério?!” Ela alterou a voz e a sua irritação ficou perceptível.

“Por que eu quero te levar até a minha casa e te apresentar aos meus pais; eu quero entrar nas festas de mãos dadas com você e te apresentar como minha namorada; eu quero poder tirar fotos bobas com você; viajar; fazer planos...”

Ele falou em uma explosão no início, mas aos poucos foi abaixando o tom de voz e falando suavemente das coisas que ele desejava compartilhar com ela. Ela, por sua vez, levantou-se da cama e caminhou até a janela, fitando a vista gélida de Nova Iorque. Em silêncio total.

“Porque não me responde?” Ela continuou calada por vários minutos. Talvez tomando uma decisão difícil que precisava de concentração, mas o silêncio deixava Puck inquieto na cama. “Sempre é isso, não é Quinn? Sua resposta é sempre o silêncio. Diga alguma coisa!”

“Isso não é verdade. Minha resposta você conhece muito bem!”

“Ah é? E qual é? Me diz!”

“Eu não quero compromisso com ninguém. Eu não posso Puck.”

“Ah, então desse jeito eu não posso.” Ele se dirigiu até a porta e a abriu, fazendo menção para que a loira saísse.

“Espera, Puck, vamos conversar. Deixa dessa sua teimosia. Eu gosto de ficar com você. Me diz o motivo disso agora... Porque você quer tanto esse maldito compromisso?”

“Porque eu te amo Quinn!”

O silêncio voltou a se fazer presente no local. Puck encarou a loirinha à sua frente, querendo que ela mudasse de opinião, mas o que ela fez foi caminhar lentamente até a porta, o encarando nos olhos e em seguida, partindo para fora do lugar.

[...]

Um mês depois...

“Vamos sair, Juno! Que desânimo é esse?” Santana chacoalhava a loira, enquanto a mesma tentava se livrar da latina.

“Ai, me deixa, Sant! Eu não quero sair, não to afim, tá?”

“Eu não te entendo. Você dá um pé na bunda num boy magia daqueles e depois fica aí amuada, sem querer fazer nada. E isso, porque não ligava pra ele, não é?”

“Você consegue ser mais chata do que eu.” Ela mostrou a língua para a amiga e se levantou. Indo em direção ao banheiro a fim de começar os preparativos para sair.

“E não demora!” Santana gritou.

“Cala a boca!” Quinn resmungou em alto e bom som, para que a latina pudesse ouvir.

Depois de um banho rápido e de se apressar em se arrumar, ela saiu do quarto usando um vestido vermelho de mangas compridas e um decote insano nas costas. Seus longos cabelos dourados, estavam levemente ondulados e a maquiagem marcante de seus olhos, destacava o verde cristalino dos mesmos.

“Pra quem não queria sair, você caprichou, hein, amiga?”

“Dá pra calar a boca?”

“Tá, você tá linda. Vamos tirar um selfie?”

A loira concordou sorridente. Estava começando a se animar. Elas fizeram caras e bocas e tiraram várias fotos de si mesmas. Depois de um tempo, Quinn pegou a chave de seu Chevrolet e as duas partiram para a balada.

[...]

“Eu to tão feliz, Puck! Sério. É um sonho pra mim estrelar uma peça e dividir o protagonismo com a minha melhor amiga é mais do que incrível! A Marley e eu estamos muito felizes.”

Rachel gritava para que o namorado pudesse ouvir, por conta da música alta. Ele se esforçava para prestar atenção na morena, mas sua mente vagava em pensamentos sobre certa loirinha que o deixara de coração partido. Ele pensava em engolir seu orgulho e voltar a encontrar Quinn, mas ele não podia, pois ela sempre o decepcionava. Ele queria, mas ele precisava de mais, de sentimento.

“Muito legal, Rach!” Ele falou e se aproximou da morena, dando um beijo em seu pescoço e dizendo: “Vou pegar um drinque pra gente, tá?”

“Sim!” Ela respondeu animada e selou os lábios no que deveria ser um beijo profundo, mas Puck não permitiu. Ela estranhou, mas nada disse.

O jovem rapaz caminhou até o bar e logo quando chegou, pediu duas bebidas para o atendente. Ele se sentou em um dos bancos altos e olhou ao redor, porém, não viu quando Quinn se aproximava com Santana a seu encalço. Ele só se deu conta da presença das duas, quando ouviu a voz melodiosa da loira.

“Um Martine e uma caipirinha.” Ela pediu e sentou-se no banco ao lado de Puck, sem notar sua presença.

Ela ria com Santana, que apontava para um grupo de rapazes, enquanto o garoto virava-se lentamente para fitá-la. Quando ela se voltou para observar o atendente, seus olhos se cruzaram com o do moreno e ela sentiu a já conhecida corrente elétrica, passar por seu corpo, provocando arrepios.

Os dois ficaram em silêncio, olhando-se sem falar uma palavra se quer. Ela queria correr para os braços dele. Ele queria abraçá-la forte e sentir o cheiro do seu cabelo invadir e inebriar o seu corpo. Porém, eles só se olharam. Até que a amiga da loira quebrou o silêncio.

“Oi, Puck, como vai?” Ele a olhou devagar e sorriu de lado, meio torto. “Q, eu vou ao banheiro rapidinho.”

“Espera, eu também vou, Santana!”

“Tô apertada!” Ela disse já cruzando a pista de dança e desaparecendo na multidão. A loira pensou em correr atrás dela, mas não queria pagar mico na frente de Puck.

“Então...” Ele foi o primeiro a se manifestar. “Como está sua vida?”

“Muito bem.”

“Não vai perguntar sobre a minha?”

“Não. Não me interessa na verdade.”

“Uou. Ok, então.” Ele respondeu com a voz cortada, sentindo seu rosto queimar e as paredes de sua garganta se fecharem.

“Aqui está, senhor.” Para sorte e alívio do rapaz, que tudo o que mais queria era sair dali, o barman entregou-lhe as bebidas e ele teve a desculpa necessária para ir.

Ele apenas pegou os dois copos com os líquidos alcoólicos e foi embora. Não disse nada, não se despediu e muito menos olhou para trás. Queria mais que tudo esquecer a mulher. Enquanto ela correu para fora em busca de seu carro, em busca de um refúgio, onde pudesse derramar as lágrimas que prendeu na frente do rapaz. Sua garganta estava sufocada e a água salgada que rolava por seu rosto de porcelana, parecia queimar em sua pele.

Puck voltou para Rachel, mas não conseguiu impedir com quê a morena visse seu rosto vermelho. Ela o acariciou e o abraçou, antes de perguntar o motivo.

“Você está bem? Tá se sentindo mal? Podemos ir pra casa...”

“Eu posso te levar em casa? Não quero mais ficar aqui.” Ele disse com voz manhosa, quase que sem conseguir manter o tom de voz audível. Ela assentiu e os dois saíram em silêncio da boate.

Quinn continuava sozinha em seu carro, sem coragem de dar a partida, chorando como se um pedaço de si tivesse sido arrancado. Ouviu barulho de passos no estacionamento e ergueu a cabeça para ver o que era. Maldita hora. Viu Rachel abraçada à cintura de Puck e o mesmo com um dos braços ao redor da morena. Ela sentiu seu coração sendo arrancado sem piedade e o nó em sua garganta pareceu sufocá-la.

Todas as palavras que o rapaz disse passaram pela cabeça da loira, como se estivessem ecoando e um quarto vazio. Sua mente a ponto de explodir, o coração na mão e a vontade de dizer tudo o que não disse para ele. Ela se deixou levar pelo impulso e abriu a porta de seu carro, fazendo sua presença notável. Rachel já estava no carro, porém, Puck ainda fazia a volta para adentrar o veículo. Ele olhou por cima do ombro para ver quem causara o barulho no recinto.

O que viu naquele momento, foi algo totalmente inédito para o rapaz. Uma figura pálida, abraçada ao próprio corpo, com a maquiagem toda borada e uma cara de profunda tristeza. Quinn estava ali, como um livro aberto, exposta da única maneira que ele nunca a vira: emocionalmente. Ele sentiu vontade de correr até ela, abraçá-la, mas não moveu um só músculo. Seu corpo todo reprimia fortemente esse instinto. Porém, ele não conseguia continuar o caminho para longe dali.

A loirinha continuou abraçada ao corpo e aos poucos se aproximou de onde ele estava. Ela tentou secar as lágrimas em seu rosto, mas era inútil. Elas desciam livre e descontroladamente. Então, ela tentou iniciar o que gostaria de dizer, mas não havia força suficiente em sua voz. Ele fez menção de ir embora, enquanto tentava não encará-la.

“Por favor, espera.” Ela conseguiu expressar algumas palavras quase que em um sussurro.

Ele nada disse, apenas comprimiu seus lábios em uma linha reta e fitou o chão, tentando não cair no choro. Rachel encostou a cabeça no carro e não tentou chamar o namorado, pois sabia que ele precisava esclarecer de vez aquela história toda.

“Bom, você pode ver? Eu tenho certeza que você nunca me viu assim. Olha bem pra mim, Puck. Eu estou um lixo. Eu estou totalmente desmontada na sua frente. Está satisfeito? Você queria que eu sentisse? Queria que eu dissesse o que eu sinto? Pois bem! Vamos lá.”

“Quinn, você não precisa me dizer nada!”

“Mas eu quero!” Ela aumentou o tom de voz, mas não chegou a ser um grito, pois estava muito rouca, devido ao choro. “Desde o maldito dia em que eu fui embora da sua vida, tenho percebido a droga do erro que cometi, mas sabe de uma coisa? Eu não consegui! Eu não consegui olhar para você naquele quarto e te dizer que eu também te amo. Não consegui porque me colocaria em uma posição desfavorável. E nada é pior para mim do que isso, Puck!”

Ela parou um pouco para respirar. Ele agora não segurava as lágrimas silenciosas e permanecia encarando o chão.

“O que aconteceu na última vez que eu fiz isso? Que eu me abri? Você não sabe. Eu fui despedaçada, Puck, mas não do jeito que estou agora. Porque a dor que eu senti te vendo com outra pessoa, foi a pior que eu senti na minha vida.” Ela agora falava agitando os braços. Estava nervosa, tremendo. “Olha pra mim! Eu tentei ser forte, não me apaixonar por você, como eu fazia com todos os outros, mas adivinha só? Não deu certo! E agora o quê? Eu não tenho você, não tenho o seu amor, nem o seu carinho... não tenho mais nada!”

“Tudo que eu sempre te pedi foi pra ser minha inteiramente! Eu sabia o que você sentia, eu só queria que você admitisse, que você aceitasse.” Ele disse com o tom de voz afetado, mas com a firmeza de quem sabia o que estava dizendo.

“Então! Eu quero, eu estou aqui, vamos voltar! Eu te amo também! Eu preciso de você, Puck.”

O impulso de correr até ela triplicou de tamanho, mas ele não podia fazê-lo. Rachel estava no carro e por mais que amasse Quinn, ele não poderia fazer isso com a morena.

“Me desculpe, Quinn, mas agora eu não posso mais.”

A loira sentiu seu ar faltar ao ouvir as palavras de Puck. Era desolador para ela comprovar que nunca mais o teria em seus braços. Ele enfim conseguiu dar a volta e entrar no carro, saindo apressadamente dali. Quinn Fabray tentava juntar os cacos do que sobrou de seu coração e ir embora, mas suas pernas não atendiam ao seu comando. Foi então, que ouviu mais passos no estacionamento e a figura preocupada de Santana surgir, vindo de encontro a ela para abraçá-la e tirá-la dali.

[...]

Três meses depois...

“Santana, por que diabos você está me levando pra cá?” Quinn resmungou enquanto a latina a arrastava pelas ruas de Nova Iorque.

“Pronto! Chegamos.” Disse quando chegaram à ponte do Brooklyn, em Manhattan.

“Tá, agora me conta por que me trouxe aqui.”

“Por que finalmente vocês dois vão parar de ser cabeça dura e se acertar!”

“Vocês dois?”

“Quinn?” Ela ouviu a voz que ainda a fazia ter arrepios soar atrás de si e tentou ir embora, porém, Santana bloqueou a passagem. “Posso ter alguns minutos da sua atenção?”

“Achei que já tivéssemos resolvido tudo naquele dia.”

“Sim, mas eu quero te mostrar uma coisa. Vire-se para mim.”

Quando a moça o fez, deu de cara com o moreno, segurando vários balões em tons de vermelhos, com letras em branco, passando alguma mensagem que ela não conseguiu ler. Ele começou. Soltou o primeiro balão e disse:

“A primeira vez que eu vi seu rosto, eu pensei que o sol nascia em seus olhos...”

Isso era o que estava escrito no primeiro balão, dito as palavras, Puck o soltou no céu. Aproximando-se um passo de Quinn e segurando outro balão:

“E a lua e as estrelas foram os presentes que você deu para aos céus escuros e vazios.”

Ele soltou o outro balão e a loira já mordia os lábios prendendo o choro. Santana continuava ao seu lado, com um sorriso bobo nos lábios. Enquanto ele se aproximou mais um pouco:

“A primeira vez que eu beijei sua boca, eu senti a Terragirar em minha mão. Como o coração trêmulo de um pássaro capturado. Isso deve ficar sob meu comando, meu amor.”

As primeiras lágrimas desceram forçadamente pelo rosto pálido da jovem. Ela se esforçava para controlá-lo, mas a emoção de ouvir a voz de seu amado, finalmente, declarando tudo o que ela gostaria de escutar desde que se separaram, era algo indescritível.

“A primeira vez que eu fiz amor com você, eu senti seu coração tão perto do meu.”

Agora ele estava bem próximo da mulher. Alguns centímetros os separavam. Ele segurava mais um balão e suas lágrimas começaram a atrapalhá-lo em seu discurso. Foi então que Quinn segurou sua mão e disse:

“E eu espero que a nossa alegria venha encher a Terra e durar até o fim dos tempos, meu amor!” E soltou o balão, envolvendo seus braços entorno do pescoço de Puck, selando seus lábios em seguida.

O gosto das lágrimas se misturando era apenas um detalhe daquele momento mágico. O rapaz envolveu os braços na cintura de Quinn, tirando-a do chão. As pessoas que passavam e pararam para ver a declaração, agora aplaudiam o jovem casal. Estes que pareciam ter um pote de ouro em seus olhares, tamanho o brilho que eles possuíam.

Puck colocou a loira no chão, ajoelhou-se e ela se assustou com a atitude. Ele sorriu. Estava nervoso, suas mãos suavam. Por fim, ele disse:

“Quinn, você quer casar comigo?” Disse em um só fôlego e em seguida emendou: “Não precisa ser hoje, ou amanhã, ou daqui a um mês, só diga que quer ser minha pra sempre. Que nunca mais vamos ficar longe um do outro, que...”

“Puck! Puck escuta, meu amor!” Ela disse rindo do nervosismo do rapaz. “Eu aceito!”

“O quê?”

“Sim! Eu quero casar com você! Sim, sim, sim! Mil vezes sim!” Ela dizia emocionada enquanto ele a abraçava novamente tirando-a do chão.

Sua felicidade não poderia estar mais completa do que agora. Ela entendeu que quando se estar com a pessoa certa, não se deve ter medo, ou receio. Ela tinha achado o amor de sua vida e quase o perdeu por puro medo. Agora, se dependesse da loira, ele nunca mais ficaria longe de sua vida. Nunca mais.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!