Don't Call Me Daddy
11 Mechanix
Notas iniciais

Depois daquele dia, tudo parecia ter continuado normal. Zoro ainda recebia milhares de mensagens do irritante por dia, mesmo que às vezes Sanji agora estivesse sumindo completamente por horas. Zoro apenas deduzia que deveria estar ocupado lambendo a sola dos sapatos da namorada sem graça ou algo do tipo.
Zoro por sua vez, estava muito ocupado na oficina. Quase não estava com tempo para treinar, o que o deixava bastante irritado. Não que o trabalho já não fosse pesado o suficiente, mas Zoro era obcecado em aumentar sua força. Estava a ponto de levar seus pesos para a oficina e se exercitar um pouco enquanto Franky não estava olhando. Porém, a única hora em que não ficava irritado era a hora de comer. Naqueles momentos, focava apenas na comida maravilhosa que trazia de casa, enfiando tudo na boca rapidamente e se arrependendo quando suas marmitas acabavam rápido.
Estava quase no final de seu expediente naquele dia e não poderia estar mais exausto. Só precisava fazer mais um pequeno serviço em um carro e finalmente poderia ir para casa. Franky estava prestes a sair e o deixar sozinho na oficina porque queria sair alguns minutos mais cedo para jantar com sua esposa, mas Zoro não se importava muito, depois daquele carro era só fechar o lugar e ir para casa. O homem de cabelos verdes se enfiou debaixo do carro e começou o trabalho.
Se a rotina de Zoro estava assim, os dias do loiro não poderiam estar melhores. Sua namorada era a mulher mais incrível do mundo e dessa vez era verdade, não apenas algo que ele achava de todas as outras, sem exceções. Sair para jantar com ela em restaurantes de primeira categoria e depois passar horas se amando em motéis maravilhosos sempre alegrava seus dias, isso sem contar que o corpo dela era espetacular, a forma que ela rebolava em seu colo, gemia de forma doce, chamava seu nome... Sanji poderia gozar só de se lembrar das expressões perfeitas de sua amada, seu coração se enchia de alegria todas as vezes que se encontravam, ele nunca estivera tão apaixonado em todos seus poucos anos de vida.
No entanto, por mais que apreciasse sexo, às vezes Sanji se sentia pressionado. Ela escolhia lugares muito estranhos e alguns até fetichistas, dizendo querer experimentar lugares novos a cada dia, afirmando ser uma pessoa bem aventureira. Como o loirinho existia apenas para servir as mulheres, apenas aceitava e fazia os gostos dela com um enorme sorriso bobo e apaixonado nos lábios que estavam inchados de tanto beijá-la.
Naquele dia em específico ele havia alugado uma limusine para irem ao motel. Infelizmente, quando estavam voltando para casa, o veículo quebrou e tiveram que parar em uma oficina velha. Sua amada ficou um tanto irritada com aquilo, acusando-o de ter alugado do lugar mais barato e só restou ao jovem desculpar-se, mesmo que não fosse a mais barata, muito pelo contrário.
O motorista estava resolvendo as coisas com um mecânico esquisitão de cabelo azul penteado em um enorme e estranho topete que acabou chamando a sua atenção junto com uma aparência um tanto peculiar... Mas o que o fez franzir o cenho mesmo foi que o homem parecia estar só de... Sunga? Sanji teve que sair do carro para olhar direito e se arrependeu ao ver o volume do cidadão sendo apertado por uma minúscula sunga azul, era vergonhoso e isso o fez corar e desviar o olhar.
Sua amada saiu do veículo logo em seguida e o loiro a abraçou pela cintura. Ela ainda parecia irritada e discutia com ele, mas Sanji apenas sorria e concordava com tudo que falava, afirmando ser um miserável mão fechada que não queria o bem dela e só pensava nele mesmo. O jovem basicamente se arrastava a seus pés, pedindo desculpas e dizendo que daria o sol e as estrelas para ela se fosse possível, mas ela apenas cruzou os braços em frente aos seios fartos e emburrou, fazendo um biquinho manhoso que era a perdição do loiro... O biquinho, não o decote enorme exibindo os belos seios... Com certeza…
No meio do serviço, Zoro escutou mais clientes dentro do lugar e estranhou o fato de Franky ter continuado ali para atendê-los, já que estava de saída. Não se importou muito, se o chefe quisesse ajuda ele pediria, e apenas continuou o pequeno serviço que fazia no carro.
Assim que saiu de debaixo do veículo, Zoro deu de cara com a demonstração mais patética de emasculação que alguém poderia fazer, em sua opinião. Sanji parecia em transe quando falava com aquela mulher, como se nada mais ao redor importasse e como se fosse seu dever lamber o chão que ela pisava. E Zoro achava que ele babando mulheres aleatórias na rua era o pior, estava bem enganado.
— Cook? — Chamou, esperando que o garoto nem ouvisse nada naquele estado idiota.
Para sua surpresa, Sanji ouviu e imediatamente tirou os olhos dos peitos da amada e virou-se em direção a voz, sorrindo de forma boba ao ver que realmente era quem pensava e estranhando o marimo ali... Sem camisa... Suado e... Todo sujo de graxa... Por um segundo seus olhos pousaram no peitoral largo do outro, até se dar conta do que fazia e levantar o olhar para ver a cara de idiota do velhote ao se aproximar dele.
— Agora vai dar uma de perseguidor, é, marimo? — Sanji disse de forma a irritá-lo com a provocação idiota, mas o sorriso era verdadeiro e demonstrava toda sua surpresa. Pensando bem, ele nem sabia o que Zoro fazia da vida, realmente não sabia nada sobre ele.
— Eu trabalho aqui, você que está me perseguindo. — Ele disse sem perceber que sua expressão se suavizou um pouco ao ver o sorriso largo do idiota. Sanji sempre parecia tão genuinamente feliz ao vê-lo ultimamente que deixava Zoro confuso. Não que fosse exatamente ruim, ele só não estava acostumado àquilo.
— Como eu ia saber que você trabalha aqui? Não sabia nem que você trabalhava! Seu idiota. — Sanji quis muito mostrar a língua como um moleque birrento que achava que sempre estava certo.
Bom, pelo estado do moreno, era certo que realmente trabalhava ali, não pôde deixar de pensar que era uma oficina de exibicionistas ao seus olhos descerem do rosto de Zoro e pararem no peitoral musculoso outra vez, completamente suado e cheio de graxa, o loiro apenas levantou o olhar ao se dar conta da coisa absurda que fazia. Sério mesmo que ele estava secando o corpo de um homem? Tudo bem que eram peitos enormes e ele poderia facilmente confundir com femininos... Ou era isso que tentava se convencer, já que de longe lembravam seios que tanto amava. A voz grossa o tirou de seu transe absurdo e o fez sorrir sem jeito.
— Então… Uma limusine. Nada exagerado. — O mais velho disse com sarcasmo, sabendo que provavelmente aquele garoto imbecil rasparia toda sua conta bancária por uma mulher, se ela pedisse. Seu olhar encontrou o relógio na parede e percebeu que já era bem tarde. — Estava saindo ou já voltando?
Se Zoro tivesse um pouco mais de noção, talvez ficasse desconfortável com o fato de estar completamente imundo e sem camisa enquanto Sanji parecia ter saído diretamente na capa de alguma revista, impecável num terno azul marinho e sem nenhum fio de cabelo fora do lugar. Mas, como o ogro que era, Zoro não poderia se importar menos com aquilo. Aparentemente, o moleque se importava bastante já que Zoro notou seu olhar desviando até seu peitoral sujo mais de uma vez, da mesma forma que fizera com os seios fartos daquela mulher.
— Está com inveja, é? — Sanji provocou e deu uma cotovelada leve no abdômen muito bem definido do maior, sentindo os músculos quentes e duros tocarem sua pele sensível e com isso suas bochechas ficaram levemente coradas. Que merda estava acontecendo? Era só o marimo sem camisa, não era grande coisa... Enquanto tentava se convencer disso, seus olhos desceram novamente e assim que notou Sanji desviou o olhar vendo sua amada um pouco atrás dele, com os braços cruzados e uma expressão ainda mais irritada que antes. — Estamos voltando...
O loirinho respondeu bem baixo antes de se afastar durante um segundo, por ter notado o olhar mortal de sua amada. Ele andou até sua futura esposa e segurou em sua bela e delicada mão, puxando-a com amor e carinho até Zoro.
— Essa é a futura mãe dos meus filhos. — Sanji disse com o maior e mais lindo sorriso no rosto, apresentando-a para Zoro. — E esse é o marimo, meu amor.
Sua namorada deu um sorriso insinuante para Zoro, sorriso este que Sanji não viu e do jeito que era, mesmo que tivesse visto, não teria levado para o mau sentido. Ela estendeu a mão, como se esperasse que o mecânico fizesse o mesmo que o loiro: Se ajoelhasse pateticamente e beijasse sua mão, arrastando-se como um cão sem valor.
O comportamento daquela mulher era tão insinuante que Zoro estava estupefato demais até para corrigir o moleque quando ele o apresentou como marimo. Pela cara daquela mulher, duvidava muito que ela partilhasse dos mesmos interesses que Sanji ou que tivesse a mínima vontade de ter um filho com ele. Se antes ele estava irritado com o garoto por ser tão idiota, agora estava com um pouco de pena.
— Ela não é a mulher mais perfeita que você já viu? — Sanji disse de forma boba e estonteante. Para qualquer um que olhasse a cena era a mais óbvia, menos para o pobre jovem iludido.
A mulher não parecia nem um pouco constrangida pela cachoeira de elogios do loiro, nem muito interessada. Parecia mais ansiosa pela resposta que Zoro daria e para vê-lo concordar com aquele disparate. Mas ele discordava, e muito. E sua discordância nem era pelo fato de ser gay. Zoro tinha absoluta certeza de que mesmo que sentisse atração por mulheres definitivamente continuaria achando aquela em específico terrível.
— Não é minha praia, mas tem gosto pra tudo. — O mecânico deu de ombros e foi a única coisa que ousou responder. Sabia que expressar exatamente o quanto discordava com aquela afirmação lhe renderia um belo chute na canela. Mesmo que não tivesse falado nada de mais, a namorada do loiro pareceu ofendidíssima com aquilo e Sanji tentou acalmá-la, sem muito sucesso.
Ao invés de ouvir a discussão do casal que irrompeu depois de sua resposta, Zoro passou a observar Franky que conversava animadamente com o motorista, que não parecia nada animado, sobre os detalhes do conserto. Aparentemente o pobre homem havia passado por um buraco com a limusine sem notar e aquilo provavelmente seria descontado do seu salário.
— Desculpe, senhor, mas a limusine não poderá sair hoje. — Ele veio dizer a Sanji com uma cara de enterro. — Peço perdão pelo constrangimento.
O motorista parecia muito aborrecido e Zoro podia entender bem, se tivesse que gastar tanto do seu pouco salário com aquilo também teria a mesma reação. Mas, Sanji o interrompeu dizendo que pagaria por tudo e Zoro arqueou a sobrancelha em surpresa. Não havia muitas pessoas generosas o suficiente para isso, mas aquele garoto parecia apenas que ajudaria simplesmente cada um que precisasse.
Aquilo fez o mais velho sorrir um pouco, até seus olhos encontrarem a megera à sua frente que não parecia nada feliz com aquilo, como se achasse que o dinheiro de Sanji servia apenas para comprar porcarias inúteis para ela. Zoro odiava aquela mulher.
Ouvindo sua futura esposa reclamar em sua orelha, apenas concordando com tudo de ruim que ela afirmava sobre sua pessoa, e depois de ser tão atacado, Sanji apenas pediu dois táxis pelo aplicativo, um que deixaria sua amada em casa e outro que o levaria embora. Quando o dela chegou um pouco antes, ele a levou gentilmente até o automóvel e ela, após olhar para a direção que Zoro, Franky e o motorista estavam, agarrou o pescoço do loiro e praticamente devorou seus lábios, forçando a língua na boca do modelo, como se estivesse mostrando que ele a pertencia. Sanji se deixou levar pelo momento, agarrando a cintura fina e a puxando contra seu corpo, devorando-a da mesma forma, só que mais gentil e apaixonado.
Zoro tinha assistido aquele beijo por alguns segundos, mas logo desviou o olhar. Ele descobriu que desgostava completamente de ver aquilo. Não entendia direito o motivo, mas claramente era porque aquela mulher era péssima e Sanji não deveria tratá-la tão bem. Ver que bastava ela assobiar e aquele pateta iria correndo como um cachorrinho obediente era nauseante.
Quando se separaram do beijo, Sanji sorriu como um anjo para ela, que apenas entrou no carro e mandou que partisse de uma vez. O loirinho ficou acenando para o carro até sumir de sua vista e em seguida o seu próprio chegou. Antes de entrar se virou na direção do marimo e gritou para chamar sua atenção.
— Te vejo depois, marimo! — Com um aceno e um sorriso enormemente fofo, Sanji entrou no carro e começou a puxar conversa furada com o motorista, como sempre muito sociável. O beijo acabou deixando-o excitado e não via a hora de chegar em casa e pensar nos belos peitos que havia visto no dia...
O humor de Zoro não ficou ruim por muito tempo por causa daquela cena grotesca, porque bastou aquele pirralho sorrir novamente para ele enquanto se despedia que o mais velho deixou a cara feia de lado. Ele parecia tão inocente quando sorria daquele jeito e Zoro achava que era injusto que ultimamente estivesse fazendo tanto aquilo.
— Então aquele é o esposinha? — Franky disse enquanto Zoro ainda observava o carro ir embora, quase não escutando o que seu chefe dizia.
— É... — Ele disse sem perceber direito o que estava confirmando. — Não! Quer dizer...
— Deu para perceber. — O chefe riu com gosto da situação do homem de cabelos verdes. Zoro estava até um pouco corado, o que fez com que se sentisse um maldito adolescente. — É raro ver alguém tão cheio de grana por aqui, mas foi ótimo descolar esse conserto… Fecha tudo pra mim?
Zoro fez que sim com a cabeça e o chefe saiu bastante satisfeito, sem deixar de dar uma piscadinha para Zoro antes, que revirou os olhos irritado com o rosto ainda um pouco avermelhado.
Se as piadinhas de Franky já eram completamente absurdas e sem sentido antes agora com certeza ele sofreria muito mais.
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