Don't Be Gone Too Long
1 Capítulo único
Notas iniciais
I dug a single seed into the ground
I hope it grows, grows
— Por favor, não deixe-me sozinha! — Implorei, olhando para as costas do homem que havia conquistado o meu coração em tão poucos segundos. — Por favor, se me deixar, eles irão me pegar. Serei forçada a casar com um homem que não amo e serei infeliz para sempre!
Minhas súplicas pareciam atingir o homem negro a minha frente. Suas costas ficaram rígidas a medida das coisas que eu falava, suas mãos se fechando em punhos. O sol batia em nós, reto no horizonte e descendo. Era fim da tarde, em poucos minutos nosso tempo estaria perdido para sempre.
— Você é uma princesa, Afrodite. — O homem finalmente me respondeu, a voz seca e dura. Seus ombros fortes pareciam cansados, como se ele estivesse lutando contra algo este tempo inteiro. — O que queres que eu faça? Por ti faria qualquer coisa todavia não tenho nada para oferecer-te. Sou um simples ferreiro, minha dama. A vida comigo seria um erro para alguém tão bela e delicada como você.
Suas palavras doeram mais do que milhões de facadas. Como ele poderia pensar assim? Será que é tão difícil entender que minha única felicidade se encontra onde ele estiver?
— Oh, Hefesto, entenda de uma vez por todas, longe de ti não encontrarei o amor que tanto procuro! Minha vida sem você seria viver sem ver o sol. — Pronunciou, tentando fazer-lhe entender. — Mas se não me queres contigo, acho que devo me contentar com a vida forçada que meu pai tanto quer para mim, uma vida que de longe será a pior das vidas, pois lamentarei todos os dias não ter conseguido o seu amor...
Minhas preces foram ouvidas quando o homem largou o machado com força no chão e voltou seus braços em minha direção, cercando-me sobre a sua proteção. Tão bom, tão certo... Por que ele não conseguia simplesmente perceber isto?
— Nunca digas que eu não lhe amo, minha princesa. — Os olhos dourados dele, como ouro derretido, brilhavam fitando os meus bicolores. Seus lábios proferindo as palavras como se beijasse a essência de cada palavra. — “Duvides que as estrelas sejam fogo, duvides que o sol se mova, duvides que a verdade seja mentira, mas não duvides jamais de que te amo.” — Citou o ferreiro, as mãos calejadas percorrendo as costas da princesa cobertas por aquele vestido fino.
— Não percebes? — Afrodite segurou o rosto de seu amado entre as suas mãos. — Eu lhe amo mais a cada segundo. Cada momento que passo na sua presença alivia e alimenta a dor que irei sentir em sua partida. Sua vida é mais valiosa que a minha, mas a minha vida sem vossa presença não faz sentido algum para mim. Fique comigo ou me leve junto, pois o meu amor não permitirá que nada nos falte, meu amor. Por favor, leve-me daqui, deste lugar de tristezas, permita que seja sua companheira, sua aliada, sua amante, sua confidente, sua mulher...
Talvez suas palavras convenceram o ferreiro, ou talvez ele já estivesse convencido apenas tentando fazer o melhor para ela, pois no instante seguinte seus lábios desceram de encontro com os da princesa, beijando-lhes com amor e afeto. Carinho transbordando pelo meio dos dois, o amor finalmente concreto.
In a year or two if you're around
You'll see a rose, rose
Princesa Afrodite de Creta andava sem destino certo. Seu palácio a havia cansado fazia muito e ela não tinha muitos lugares para ir.
Sua mãe havia falecido não fazia muito e seu pai, Rei Urano, estava cada vez mais distante da jovem donzela. Seus irmãos, Cronos e Oceanos, dois que nunca se importaram muito com a sua irmã mais nova, haviam viajado para as batalhas no fronte nordeste, e Afrodite se encontrava sozinha no castelo.
O vegetação verde e os mares azuis da Grécia acalmavam o pequeno coração da princesa, mas um medo assustava-lhe os sonhos.
Será que nunca iria amar? Pura e verdadeiramente? Seus irmãos não pareciam muito propensos à isto, como nem seus pais foram, mas a jovem dama não conseguia deixar de sonhar.
Ela desejava um amor pelo qual morreria.
E, distraída com seus pensamentos, Afrodite acabou descendo a parte trabalhadora do castelo, o subsolo.
— Vossa Alteza, perdoe-me interromper vossos pensamentos, mas não sei se é adequado para a alteza ficar em um lugar tão sujo como este. — Um jovem homem lhe informou. Ele era alto e forte, tinha a pele negra como graus de café e olhos dourados como o sol nascente. Suas roupas eram simples e suas mãos estavam sujas, tal qual seu rosto.
— Não encontro o que procuro no andar acima, talvez consiga encontrar aqui. — A moça falou, observando enquanto criados e servos passavam com os seus afazeres.
— Nada que não encontras lá, encontraras aqui, Alteza, se me permite dizer. — O homem lhe informou. — Aqui embaixo só há pessoas fazendo seus afazeres e trabalho. Nada que uma princesa precise preocupar-se.
— Uma princesa não pode preocupar-se com os seus criados? — Retrucou Afrodite, observando o jovem que mantinha a cabeça baixa para falar com ela. — Mesmo sendo criados ainda são seus súditos, correto?
— Se é o que Vossa Alteza achas então estas correto. — O jovem concordou, desviando os olhos para o martelo em sua mão.
Afrodite o analisou, um tanto intrigada com o jovem. Afinal, por que ele parecia tão desconfortável em falar com ela?
— E o que o senhor achas? — Perguntou a princesa.
O rapaz pareceu ter levado um susto, recuando nervoso. Ele olhou para os lados, como se esperasse que algum guarda aparecesse para levá-lo.
— Não... Bem, não entendo o que queres dizer, Alteza.
— O que o senhor achas sobre o que comentei? Sobre criados serem meus súditos. — Afrodite explicou, divertida.
O homem ficou mais um tempo em silêncio, parecendo nervoso. Afrodite não poderia negar que não gostou de ficar ali, apenas olhando-o.
— Creio que não estas na minha função julgar isto, Alteza. — Ele falou, lentamente, no final. — Preciso voltar para o meu trabalho, ainda sugiro que não passes muito tempo aqui, não encontraras nada que não encontrou lá em cima.
Afrodite assistiu o rapaz sumir entre os túneis de pedra, observando suas costas largas e suas passadas enormes. Observou quando um fino e único raio de sol entrou por uma fresta na parede e bateu contra a linda pele do rapaz.
— Ah, mas eu já encontrei. — Sussurrou a princesa para si mesma, rindo levemente.
On this train to Paris going nowhere
Trouble is behind me
Don't be gone too long (too long)
Cause you won't be there to love me when you're gone
Eles estavam quase montando no cavalo quando o som de uma tropa marchando chegou aos seus ouvidos.
— É tarde... — Hefesto lamentou, no mesmo instante. Afrodite apenas entendeu o que ele queria dizer algum tempo depois, entrando em desespero.
Ela o empurrou em direção ao cavalo, as lágrimas balhando sua face.
— Vá! — Ela chorou. — Eu lhe ordeno que suma! Maldita fui eu, que pensei ter tempo para irmos quando a única coisa que fiz foi condená-lo a morte! Vamos, ande! Suba nesse cavalo e galope para longe daqui e para longe de mim! Por favor, vá!
Hefesto era uma parede, sem se mexer sobre a brisa quente de fim de tarde de verão. Ele sorriu docemente para Afrodite, segurando seus cachos castanhos chocolate e brincando com eles por seus dedos.
— Apenas me fez não ser covarde, minha dama — ele falou baixo, olhando no fundo dos olhos verdes azulados de Afrodite, carinho escapando por cada brecha. — Eu ia fugir do meu amor para me manter vivo, mal percebendo que se lhe deixasse minha vida sem ti não seria nada. Prefiro mil vezes morrer a deixar-te novamente.
— Não! — Afrodite gritou, o desespero chegando ao extremo no coração da jovem. — Não podes pronunciar tais palavras pois se as pronuncia as torna verdadeiras. Caso morras por minha causa, ou por causa de qualquer outras coisa, não demorarei para segui-lo em seu caminho pois não há vida sem você. Mas, se fugir agora, quem sabe um dia não conseguiras voltar para buscar-me...
Hefesto afegou o rosto de sua amada. Os dois sabiam que ele jamais conseguiria voltar uma vez fora do reino. Era uma escolha simples, perder Afrodite ou a vida. E Hefesto sabia com o que conseguiria lidar.
— Mil vezes morrerei hoje à passar um dia sem seus doces olhos sobre os meus. — Hefesto sorriu, meigamente. Um sorriso triste e conformado. — Mil vezes ser beijado pela morte do que lhe ver sumindo a distância.
— Não vês que sumirei de qualquer jeito? — Afrodite implorou, chorando novamente. — Se ficares, te levarão daqui para a morte e eu não estarei mais na sua vida! Nem vida terás mais, meu amado.
— Antes a morte doce do que a vida longe de ti, meu amor — Hefesto pronunciou.
— Ah, que adianta eu apaixonar-me por alguém tão mortal... — Chorou a princesa. — Que adianta eu ter terras, coroas, joias... Se não tenho o suficiente para livrar-te deste trágico fim...
— Afrodite, tenha fé, meu amor — Hefesto pronunciou cada palavra devagar, demorando no nome dela, como um último saboreio da refeição antes do fim do jantar. — Amá-la foi a única coisa certa na minha vida.
— Deixar que lhe levem será a única coisa errada em nosso amor. — Afrodite lamentou. — Por favor, não me deixe!
Antes que Hefesto, ou até mesmo Afrodite, pudessem falar uma única palavra a mais as tropas chegaram.
Golden leaves are dancing on the ground
It's getting cold, cold
— Por que não paras com isso, Alteza? — Questionou Hefesto, quando Afrodite levou-o para um canto isolado do jardim a fim de ficar perto dele.
— Não paro com o quê, meu senhor? — Devolveu Afrodite. Sorrindo para as rosas de seu magnifico Jardim Secreto. Um local que apenas ela e sua mãe conheciam.
Afrodite havia perseguido Hefesto durante semanas, observando-o trabalhar com o metal e vendo-o cumprir outros afazeres. A princesa se encontrava cada momento mais apaixonada pelo homem mais improvável. E Hefesto não se encontrava muito atrás. Cada palavra da princesa, cada risada ou pergunta importuna e inapropriada o fazia amar mais a mulher dos cachos escuros.
Mas diferente da sonhadora Afrodite, Hefesto sabia que aquilo não levaria para lugar algum. Afinal, ela era uma princesa e ele apenas um ferreiro.
Todos os dias ele se convencia de que aquele era o último dia que a veria. Todas as noites dormia se prometendo que jamais conversaria com ela novamente. Mas no dia seguinte, quando ela aparecia na porta de sua sala de trabalho, os olhos brilhantes e o sorriso delicado, pedindo-lhe para entrar, ele não conseguia negar.
— De ficar vendo-me, Alteza. — Hefesto explicou, sentando-se no banco que Afrodite indicara.
— Perguntas por quê eu não paro — Afrodite riu. —, mas sabes que se não abrir a porta jamais forçarei minha entrada.
Hefesto pensou nisso durante alguns segundos, enquanto observava Afrodite colhendo algumas rosas e trazendo para ele, sorrindo como uma criança que ganha doces.
— Qual é o seu proposito, Alteza? — Ele não conteve-se em perguntar.
— Meu proposito? — Afrodite riu. — Pensei que já estaria óbvio. — Ela sentou-se no colo dele, ato que fez Hefesto quase pular para longe, afastando-se dela. Mas tê-la perto dele fazia seu coração disparar, seu estômago borbulhar e sua mente derreter. — Eu — ela se aproximou ainda mais dele, sua cabeça a centímetros da dele. — estou — seus narizes se encostaram, as respirações de ambos se misturando. — total e completamente — ela desceu seus lábios para perto do dele, sem encostá-los por pouco. — Apaixonada por você.
E com isso, ela o beijou.
Hefesto pensou em afastá-la, em gritar que ela era uma princesa e ele apenas um ferreiro, mas não conseguiu.
Suas mãos seguraram as costas da mulher enquanto sua boca travava aquela batalha gostosa com a da princesa. As mãos dela foram para a sua nuca, entrelaçando-se com seus cabelos curtos. Um puxando o outro para mais perto de si, embora já não houvesse espaço algum entre eles.
E assim foi o primeiro beijo da princesa com o ferreiro.
Safe in time we'll be forever young
Never old, old
— Não podes fazer isto! — Gritou Afrodite, enquanto os homens de seu pai lhe seguravam forte. — Eu o amo! Se o matar estará me matando!
Seu pai não falou nada, deixando que os guardas levassem um Hefesto preso para longe. Os dois, Afrodite e Hefesto, lutavam para se soltarem, embora eram sempre vencidos. Haviam pelo menos cinco guardas em cima de cada um deles, e, por mais forte que Hefesto fosse um deles sempre o segurava antes de chegar em Afrodite.
— Eu te amo! — Ele gritou para Afrodite, enquanto os guardas lhe arrastavam em direção aos cavalos. — E sempre vou te amar, por favor, me perdoe por demorar tanto para perceber!
Afrodite chorava, enquanto tentava se soltar dos seus guardas. Pisando em seus pés ou dando-lhes cabeçadas.
— Por favor, não me deixe sozinha! — Gritou, o desespero por perder seu amor dando-lhe forças para se soltar de seus guardas e correr na direção de Hefesto. — Eu te amo tanto! — Mas antes que conseguisse chegar, seu pai lhe segurou com força, jogando-a em cima de um cavalo.
— Você irá me obedecer, ouviu? — Xingou Urano, apontando o dedo para a filha rebelde.
— Nunca! — Afrodite berrou, batendo contra a mão do pai e fazendo-o abaixar o dedo. — Eu amo Hefesto!
Enquanto Afrodite discutia com o pai, os guardas levavam Hefesto para longe, amarrado aos cavalos e sendo arrastado.
— Eu sinto muito! Nunca deixarei-te sozinha! — Afrodite ouviu o moreno gritar uma última vez antes de sua voz sumir no limbo da noite fria de verão.
Bring it back to me, bring it back to me
Is it really over?
Bring it back to me, bring it back to me
Is it over?
A princesa foi presa numa torre ao passo que o ferreiro foi presso em uma cela. Os dois esperando pela morte.
A dele, vestida de preto no dia seguinte. Armada com uma foice. Dura, fria e rápida.
A dela, dentro de um pote de veneno. Enganando qualquer um como se fosse um copo d’água. Doce, quente e lenta.
Nenhum dos dois contava com a ajuda de um antigo amigo de Hefesto, alguém que tinha poder suficiente para liberá-lo de sua prisão. Alguém que descobrirá o que aconteceu e estava mais que pronto para ajudar.
Poseidon era rei de um reino vizinho, Atlântida. Amigo antigo de Hefesto, na época que os dois eram humildes fabricantes de armas. Poseidon tentou a sorte indo para Atlântida, onde conheceu a princesa de lá, Athena. Ao contrário de Afrodfite, Athena não tinha pais mais e era a última sucessora do trono, fazendo com que o romance entre ela e Poseidon não fosse desaprovado por ninguém. Athena e Poseidon regiam aquele lugar de maneira justa e organizada, unidos. E quando Poseidon pediu para liderar um exercito afim de salvar Hefesto, Athena não pensou duas vezes em lhe ajudar. Ela, inclusive, fez o plano.
Então, naquela caótica noite de verão. Poseidon entrou infiltrado de guarda no palácio enquanto Athena aguardava com as tropas do lado de fora, atrás da montanha de Creta, onde o castelo havia sido construído. Se tudo desse certo, as tropas não seriam usadas em nada, mas Athena não iria arriscar perder seu marido ali.
— Poseidon? — Chamou a rainha de Atlântida antes do seu marido entrar infiltrado.
— Sim, Athena? — Respondeu o moreno de olhos verdes.
A rainha desmontou de seu cavalo, parando ao lado do moreno e abraçando-o. Ela não queria de jeito algum perdê-lo.
— Volte para mim! — Implorou a rainha das feições de leoa, beijando os lábios de Poseidon apaixonadamente.
— Nem todo um exército me manteria afastada de você, minha rainha.
— Então volte logo, meu rei.
E com isso, Poseidon entrou pronto para ajudar mais um casal improvável.
Don't be gone too long (too long)
Cause you won't be there to love me when you're gone
— Poseidon? — Hefesto quase gritou quando viu o rosto do guarda que abria sua cela, reconhecendo seu velho amigo.
— E olha onde estamos — riu o senhor de Atlântida. — Vamos logo antes que Athena me mate por demorar. Indique para que lado fica o quarto de sua princesa, meu senhor.
E os dois juntos correram em direção ao quarto de Afrodite.
Show me nothing left behind me
All the wonder written on your face
Was there inside me
Afrodite estava parada na varanda. Um pote de veneno em suas mãos enquanto ela refletia sobre se deveria tomá-lo agora ou depois da morte de seu amado. Ela deveria confiar que algum tipo de forte invisível agiria em favor de seu amor? Ou deveria ir antes de seu amado?
Com esses pensamentos na cabeça, Afrodite mal notou quando sua torre foi invadida, apenas sentindo as mãos calejadas e grandes de Hefesto em seu ombro.
— Diga-me que não é um sonho! — Implorou ela, abraçando-se ao peito do homem com força. — Diga-me que realmente estas aqui!
— Sim, eu estou — A voz grave e grossa dele falou, um segundo antes de tomar seus lábios para si. Afrodite mal conseguia controlar suas lágrimas enquanto devolvia o beijo.
Eles estavam há poucos segundos de sair dali, quando Urano adentrou no quarto. Poseidon fez menção de atacar, mas foi impedido por Hefesto, que retirou sua espada da bainha.
— Eu amo sua filha e por causa disso não desejo machucá-lo, Vossa Majestade — ele proferiu. — Mas se insiste em recusar o meu amor com sua filha e em não deixar-nos passar, creio que teremos que utilizar a força para livrar o nosso caminho.
— Antes uma filha morta do que uma filha amando um criado! — Urano urrou, desferindo um golpe com a espada na direção de Hefesto.
A luta não durou muito, com Afrodite nos braços de Poseidon que a impedia de meter-se no meio daquilo.
Hefesto era mais forte e mais rápido do que Urano, mas o mesmo tinha anos de experiencia, o que dificultada as coisas. Hefesto cortou uma mão de Urano enquanto o mesmo o fazia sangrar em todas as partes do corpo. Porém quando Hefesto estava prestes a desferir o último golpe, ele parou, chutando Urano para longe.
— Eu amo demais a sua filha para deixá-la sem pai. — Hefesto falou, cuspindo em cima de Urano. — Mas se tentar nos impedir ou nos seguir, não terei essa misericórdia novamente.
Então virou-se para pegar Afrodite quando viu a expressão apavorada em sua face não teve tempo o suficiente de se virar e Urano lhe atingiu na face com a parte lateral de sua espada.
— Assim vamos ver se esse metido aprende alguns modos... — Riu-se, enquanto andava na direção de Poseidon que já levantava a espada, quando Afrodite se meteu no meio.
— Por favor meu pai — ela pediu, os olhos verdes azulados cheios de lágrimas. — Eu já aprendi minha lição, por favor, não provoque guerra contra Atlântida. Deixe o rei Poseidon ir e se poupe de lutar contra a rainha. Eu paro de me rebelar, eu paro de lutar. Apenas deixe-o levar o corpo de Hefesto. Irei me casar com quem o senhor quiser, eu prometo!
Urano, percebendo somente naquele momento que se encontrava na presença do rei de Atlântida, assentiu com a proposta da filha, dirigindo uma última palavra fria para Poseidon.
— Suma do meu reino, leve este corpo morto contigo e nunca mais volte. Caso contrário eu não só o matarei como tomarei Atlântida para mim.
Poseidon não parecia nem um pouco disposto a sair, mas Afrodite lhe lançou um olhar urgente, fazendo com que o moreno saísse do quarto, levando o corpo, ainda vivo, de Hefesto consigo.
— Ah meu pai — Afrodite chorou, fazendo Urano sentar-se em sua cama. — Me perdoe por tudo isso...
— Espero que tenha aprendido a sua lição, Afrodite. — Urano xingou, enquanto usava um dos lençóis da princesa para estancar o sangue que saia pelo lugar onde antes foi sua mão.
— Sim, senhor. — Afrodite assentiu, levantando-se e virando de costas para seu pai. — Posso trazer-lhe alguma água, pai?
— Sim, não faz mais do que a sua obrigação.
Afrodite andou até o criado-mudo, onde havia uma taça de ouro e uma jarra cheia de água. Ela encheu a taça com a água, depositando depois o líquido do potinho que continha o veneno que ela tomaria.
— Certamente, pai. — Ela observou o veneno caindo para dentro da taça e se misturando com a água. — Certamente eu aprendi.
Don't be gone too long (too long)
Tell me who's gonna love me when you're gone
Hefesto acordou alguns minutos depois, deitado no acampamento de Athena. A rainha dos cabelos dourados colocava um pano molhado em sua face, enquanto Poseidon ajudava-a com a travessa.
— Ah, olha quem acordou... — Poseidon comentou, sorrindo.
— É uma honra conhecê-lo, senhor Hefesto.
Hefesto não se prendeu muito nos olhos cinzentos e carinhosos de Athena, procurando em volta pelos olhos bicolores que ele tanto queria ver.
— Onde ela...? Onde Afrodite...? — Ele tentou falar, mas sua voz não lhe ajudava. Athena baixou o olhar, fitando suas mãos enquanto Poseidon encarava Hefesto com uma espécie de dor na voz.
— Ela... Bem, assim que você caiu, Afrodite me impediu de começar uma guerra com Urano. Ela nos mandou embora mas estamos nos preparando para voltar e...
Poseidon foi impedido de continuar falando por uma figura envolta de panos escuros que adentrará na tenda. Ela era pequena e fina, o rosto e os cabelos tapados pela capa que ia até o chão.
— Ah, meu amor! — A figura se jogou em cima de Hefesto. — Eu pensei que estivesse... — Hefesto usou uma mão tremendo para retirar o capuz do rosto da figura, revelando uma Afrodite com lágrimas nos olhos.
Ele suspirou, observando o rosto da princesa suavizar-se com o tempo. Os dois se encaravam fixamente até Afrodite levantar o olhar para Athena e Poseidon.
— Vossas Majestades — ela abaixou a cabeça levemente, com uma referencia sem se mexer. — Sugiro que levantemos o acampamento. Em breve meus irmãos devem estar por chegar aqui e seria melhor se nós partirmos sem mais essa luta.
— Seus irmãos estão vindo por que, Afrodite? — Perguntou Hefesto, em dúvida.
— Pois eu matei o rei de Creta.
Don't be gone too long (too long)
Tell me who's gonna love me when you're gone
When you're, when you're gone
When you're gone
— Hefesto, mão do rei e lorde de Atlântida, aceita Afrodite como sua mulher? Para amá-la e respeitá-la durante toda a sua vida? — Perguntou Athena, com um grande sorriso no rosto. Ela e Poseidon estavam regendo o casamento mais improvável do universo, contando com o deles, e não havia nada que a deixasse mais feliz do que isso.
— Com toda a certeza da minha vida. — Hefesto respondeu, sorrindo para a mulher vestindo dourado na sua frente. Afrodite usava um vestido sem mangas, que descia em camadas até seus pés. Leve e lindo. Um presente de Athena.
— E você, Afrodite, princesa de Creta e princesa honorária em Atlântida, aceita Hefesto como seu esposo? Para amá-lo e respeitá-lo durante toda a sua vida? — Foi a vez de Poseidon de perguntar. Sorrindo para Hefesto enquanto a multidão que se reunia nas portas do castelo real observava.
— A palavra mais linda que poderia dizer nesse momento — Afrodite recitou, fazendo um pequeno suspense. — Sim.
— Então, nós os declaremos marido e mulher. — Athena recitou, arrumando a coroa no topo dos cachos dourados que insistia em cair.
— Pode beijar a sua mulher, amigo. — Poseidon completou, rindo.
E enquanto a multidão aplaudia, Afrodite e Hefesto selavam o primeiro de seus muitos beijos como um casal. E ninguém, em nenhuma parte do mundo, poderia separá-los agora. Pois eles fizeram o impossível.
Eles juntaram a princesa e o ferreiros. A realeza e o plebeu. O amor e as construções. Pois, mesmo que muitos possam dizer que um amor, quando verdadeiro, destruí tudo que vê pela frente, mas para o nosso casal, o amor verdadeiro construí coisas maravilhosas.
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