Don't
1 Capítulo Único
Notas iniciais
A garotinha saltitava, feliz, pelo jardim. Estava aproveitando o pouco tempo que tinha antes do pôr do sol. Passando por uma árvore, ela ouviu um som e virou a cabeça para olhar.
Encolhido embaixo da árvore, havia um animal bem pequeno, peludo e manchado. Com curtos miados, ele chamava. A garotinha não sabia o que ou quem, mas ele chamava. Ela se aproximou. O pequenino se assemelhava aos animais de estimação do vizinho.
Mesmo com o filhote tremendo — de frio, ou talvez de medo- a menina se abaixou e pôs a mão em suas costas, magras e ossudas, e ele miou novamente. Sem tomar muito cuidado, ela o colocou entre as mãos: era muito leve.
Andando devagar, a garotinha entrou em casa. Sua mãe estava na cozinha, com a geladeira aberta.
—Oi mamãe.
—Olá filha.
Alguns segundos depois, a mulher se virou e viu o que a criança carregava, arregalando os olhos.
— O que é isso? — ela perguntou, obviamente referindo-se ao pequeno filhote peludo.
—Eu encontrei no quintal. Veja como é bonitinho.
—Menina, esse bicho é da mata! Não pode trazer essas coisas pra cá! — mesmo dizendo essas palavras, ela se compadecia pela pequena criatura.
—Mas mãe, ele é tão fofinho! Eu posso cuidar dele! Eu quero ficar com ele! — a garota falou o que queria.
— Menina! Bicho de casa é gato, cachorro... isso é bicho da floresta!
—Mas por que eu não posso ficar com ele?
—Vamos cuidar dele só essa noite! Amanhã eu te mostro.
E assim foi feito. Escolheram uma boa caixa para ele dormir. No dia seguinte, depois do almoço, a mulher pegou o filhote e chamou a menina.
—Vamos filha, vou te mostrar uma coisa.
Elas saíram, deixaram ele no quintal e voltaram para dentro.
—Mamãe, por que fizemos isso?
—Espere mais um pouco.
Alguns minutos depois, pela janela, ela viu. Um outro animal, parecido com o filhote, porém muito maior. Ela se aproximou e começou a lamber o pequenino.
—Está vendo, filha? Se você ficasse com ele, a mãe nunca mais veria seu bebê.
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