Dona da minha cabeça
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Era o meio de uma tarde de quarta feira. Eu estava entediado, atirando cartas de baralho do outro lado da sala, quando Rita, minha secretária desde o começo do negócio, feia e leal, anunciou que um cliente me aguardava. Seria o primeiro da semana. Os negócios não iam bem há algum tempo, desde que as traições eram facilmente descobertas e provadas por causa das redes sociais, pouca gente se preocupava em contratar um detetive para dar ponto final num relacionamento ruim.
Quando ela entrou, deixei meu queixo cair por um segundo. Era alta, corpo escultural, cabelos dourados cascateavam em ondas perfeitas pelas costas. Ao tirar os óculos escuros, pude observar olhos verdes em formato amendoado, perfeitamente maquiados. A pele rosada deixava transparecer um feio hematoma bem no meio do rosto, que estava bem escuro, já que podia ser notado mesmo embaixo da maquiagem cuidadosamente aplicada. Pedi que se sentasse na cadeira em frente à minha, o que ela fez sem tirar os olhos de mim.
— Sou Fernanda Siqueira — ela se apresentou com uma voz rouca e sexy. Havia alguma coisa naquela mulher que não fosse completamente atraente? — preciso de sua ajuda, detetive.
Ela me contou que era casada com um homem muito rico, mais velho, bastante possessivo, controlador e violento, entao ela precisava provar suas falcatruas para poder deixá-lo sem perder os filhos. Eu mal ouvia os detalhes, hipnotizado pela boca pintada de vermelho, que emoldurava dentes brancos e perfeitos. Mal notei quando ela perguntou se eu aceitaria o trabalho e quanto eu cobraria por ele. Fiquei tentado a dizer que não cobraria nada, que só ficar ouvindo aquela voz e olhando aquele rosto já seria recompensa o suficiente, mas tive certeza de que isso não seria visto com bons olhos. Descrevi o que poderíamos fazer, combinamos valores e agendamos o próximo encontro, quando eu instalaria escutas e câmeras na casa e no escritório, quando o marido estivesse ausente. Quando ela saiu, senti o cheiro dela impregnado no ar por algum tempo. Era um cheiro doce e envolvente, que fez minha imaginação voar.
No final da semana, instalamos cameras, escutas e rastreadores enquanto o marido viajava “a negócios”. Depois do trabalho ela me convidou para um café. Nem acreditei quando aquela deusa sentou no banco do meu uno e sugeriu que eu escolhesse um lugar simples, onde ninguém que a conhecesse pudesse nos ver. Escolhi uma lanchonete no centro, simples, mas limpa e que servia um pão de queijo muito bom.
Ela me contou sua história. Disse que se apaixonou pelo pai da amiga quando tinha dezoito anos, e que mantiveram o relacionamento em segredo por um tempo, até que ela engravidou. Ele se separou da esposa e se casou com ela, que à época tinha vinte anos e acreditava estar vivendo seu próprio conto de fadas. Logo depois que os bebês nasceram, ele assumiu a postura agressiva e controladora, e a agrediu pela primeira vez na frente de uma prima porque elas riam alto demais. A partir dali, era constantemente humilhada e agredida, mas agora sentia medo pelos gêmeos de seis anos que começavam a se tornar alvo das ameaças do pai. Ao terminar a história, ela chorava discretamente, e sem pensar, a puxei para um beijo. Nunca vou entender por que fiz aquilo, queria aninhá-la e protegê-la, mas acabei estragando tudo. Ela me olhou assutada e fugiu da lanchonete, sem me dar chance de alcançá-la. Fui para casa desolado, sem saber se a veria de novo.
Passava da meia-noite de segunda, quando a campainha tocou insistentemente. Levantei preguiçoso e abri a porta irritado. Senti um rápido choque me atravessar quando vi, parada à minha porta, uma Fernanda bem diferente da que conheci. Não tinha nenhuma maquiagem no rosto, os cabelos estavam puxados para trás num rabo de cavalo e ela usava uma simples camiseta branca e uma calça jeans, e tinha tênis nos pés. Sem dizer uma palavra, ela se atirou nos meus braços, me beijando de maneira ardente. Correspondi o beijo e me deixei levar por aquela deusa que inacreditavelmente estava nos meus braços e deixava claro que me desejava. Ela desceu as mãos até a barra da minha camiseta e a arrancou violentamente. Fiz o mesmo com a dela, seguindo para o cós da calça. Ela tinha a pele tão clara e delicada, que não pude evitar de tocá-la levemente com a ponta dos meus dedos, como se fosse uma escultura. Seu seios tinham o tamanho médio e mamilos rosados, que beijei devotamente, descendo até o limite de sua calcinha numa trilha de beijos. Deitamos no tapete do meu apartamento bagunçado, e ela ficou por cima de mim, arranhando meu torax, enquanto mordia de leve as minhas coxas, e logo depois arrancou a minha boxer e me abocanhou com uma voracidade que não me lembro de já ter visto antes. Gemi de prazer e tive que me controlar para a noite não acabar naquele momento. Puxei a cabeça dela para mim e a beijei profundamente na boca, descendo lentamente pelo pescoço, seios, barriga, até alcançar o ponto onde retribui a gentileza. Ela estremeceu e eu me senti muito bem por perceber que tinha esse poder sobre ela. Logo ela gemia alto e me pedia que consumasse. Fiquei por cima dela e a penetrei lentamente, desejando saborear cada segundo daquele momento. Aquela noite foi a mais inacreditável da minha vida. Ela não era só linda e charmosa. Era uma leoa na cama (ou no tapete)e quando terminamos eu estava exausto e absolutamente apaixonado. As cenas seguintes aconteceram como um borrão. A porta do meu apartamento foi arrebentada por um homem grande, que pelo olhar lançado a ela, só poderia ser o marido. Ele a agarrou pelo pescoço, e não tive outra escolha, a não ser pegar minha arma, ainda jogada sobre a minha calça e atirar na cabeça do safado. Ela ainda gritava quando liguei para a polícia contando tudo. Na delegacia, contei a história toda, e acabei descobrindo que ela também estava sendo investigada pelo marido, e que ele nunca havia sido violento, mas que precisava provar as infidelidades constantes dela, ou teria que deixar os filhos e o patrimônio com ela no divórcio.
O dia já amanhecia quando consegui o habeas corpus e fui falar a sós com ela, que me recebeu de maneira fria.
— Você não deveria estar aqui
— Eu não devia fazer muitas coisas que acabo fazendo. — eu nem piscava — Agora me responda. Eu devia ter matado o seu marido?
Ela sorriu maldosa, lançando um olhar diabólico e assustador.
— Na minha opinião, devia sim. Era tudo o que eu precisava que você fizesse. Eu sabia que ele me seguiria e que você me defenderia, eu só precisei colocar os dois na mesma sala. Saí livre da situação sem sujar as mãos.
Eu estava satisfeito por ela ter dito isso, já que a casa estava tomada de escutas.
— E nem fique muito feliz, as escutas foram todas retiradas essa noite. Você devia saber rapaz, nem toda mulher bonita é burra.
Ela sorriu mais uma vez, antes de pedir que me retirasse e refazer a cara de viúva recente que a família esperava ver.
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