Domingo
1 Único
Notas iniciais
Te amo, te amo. ♥
Era para ser um dia rotineiro para o ruivo de grandes olhos verdes: acordar cedo, seguir Panty pela cidade, levar foras consecutivos, apanhar e voltar para casa derrotado e completamente insatisfeito – para logo em seguida aliviar o desejo contido com as próprias mãos, mas isto é um mero detalhe.
Mas ele estava redondamente (e deliciosamente) enganado.
Brief apanhou o calendário antes mesmo de sair da cama, enfatizou o fato de ser domingo e que, internamente, estava cansado das grosserias da loira ninfomaníaca. Apesar do coração – idiota – reclamar muito, resolveu ficar em casa e curtir um pouco de sua solidão, afinal jogos, HQ’s e comida não lhe faltariam.
Enquanto isso, certa braquela de olhos azuis sentiu falta de algo.
- Stocking, onde está o geek boy? – olhou para o relógio. – Já passa da hora do almoço e ele ainda não aparecera.
- E o que isso me importa Panty? – a gótica rolou os olhos, já colocando um pedaço do bolo na boca e tendo arrepios de sentir tão puro açúcar na língua. – Do jeito que ele é, deve ter se metido em problemas.
A morena voltou para seu quarto levando um carrinho cheio de doces, enquanto Panty arqueava uma sobrancelha e mordia os lábios por dentro, não queria admitir – e talvez nunca o fizesse em voz alta -, mas gostava da insistência petulante de Brief. Respirou fundo e foi trocar de roupa, sairia à caça.
Com a saia esvoaçando e a pequena calcinha vermelha por baixo, dirigiu sem rumo definido por Daten City, procurando vestígios de seu fã número um, sem muito sucesso teve que apelar para o cão, literalmente falando. Chuck estava roendo alguma coisa asquerosa no banco detrás por isso nem teve chance de se defender quando as unhas grandes da loira fincaram-se em seu pescoço, puxando-o para cima.
- Ei seu monte de merda, ache o geek boy. – com isso atirou-o veículo afora.
Caso permitam a intromissão, devo ressaltar que Chuck não é um canino normal já que o mesmo desgraçado viera do Paraíso junto com as anjas vadias, então conselho de proteção aos animais: Não há qualquer tipo de maltrato a animais aqui. Obviamente isso não foi dito em nenhum tom irônico e, por favor, baixem estas tochas, garfos e parem de gritar só porque a coisa verde foi atropelada por um caminhão e espalhou sangue roxo pela cidade. Ele sequer tem a mesma cor do icor mortal de um animal comum, pelas vestes Virgens da Santa, calem-se!
Neste meio período Panty achou a casa de Brief (manobra número um de distração, completa). Soltou um assobio de admiração, afinal os Hellsmonkey era infinitamente uma das famílias mais influentes, ricas e curiosamente desconhecidas de Daten City. Ela subiu as escadas e se viu encarada por um velho mordomo em finos trajes que carregava uma bandeja.
- Pois não?
- Aqui é a casa do geek boy?
- Mestre Brief encontra-se no segundo andar, último quarto a esquerda senhorita Panty.
- Eh? Você me conhece? – mas ele já desaparecera.
Bons mordomos conhecem os hábitos de seus mestres, talvez por isso sejam os melhores assassinos em grandes histórias policiais. Então na situação aqui seguinte podemos dizer, sem medo, que a culpa realmente foi do mordomo. Ela seguiu sem problemas até o local e retesou em frente à pesada porta e cor escura, não entendeu o próprio gesto afinal caiu a ficha: o que diabos fazia ali? Mordeu a boca por dentro sentindo os próprios desejos e ambições traírem-na, maldita confiança que resolvera fugir de repente. Contudo não se abateu e não poderia deixar isso acontecer, era Panty a anja vadia, transaram com mais homens do que qualquer mortal jamais conseguiria, sua calcinha virava um revólver para mantar Fantasmas e demônios desgraçados, acima de tudo estava sua invulnerabilidade à gravidez e a doenças sexualmente transmissíveis (ou a qualquer tipo de vírus/bactéria comum né)! Essa menina merece um prêmio!
Entretanto estava com receio de um geek boy.
- Maldito! – vociferou já estendendo a mão para agarrar a maçaneta, porém a porta já estava aberta e só o que ela conseguiu foi tropeçar para frente.
- Pa-pa-pa-pa-panty? – disse o amortecedor da queda, digo Brief.
A situação não era lá das mais hentais (uma pena) ou esquisitas, ela apenas amparou-se no rapaz e ficaram com os rostos próximos.
- Geek boy, cale a boca e não se mova.
Ele acatou a ordem como um cãozinho e ela viu-se perdida nos olhos verdes dele, jamais tinha notado que o garoto da pele era tão... Bonito. Ele tinha aquele cheiro de suor masculino embebido em testosterona, seus lábios estavam brilhantes e perigosamente perto do seus – o hálito mentolado era o tipo que gostava, não tão doce e picante na dose certa. O ruivo observou-a e mergulhou naquele azul celeste das íris dela, o coração acelerou e as mãos suaram frio, até que ele notou algo que jamais pensou imaginar em sua vida.
Sua Panty estava corada. Não! Não sua, ainda.
- Brief... – ela sussurrou já embebida num desejo irrefreável.
Aquilo já era sacanagem.
Tomado por um impulso que nem fazia ideia, ele a agarrou pela cintura e selou os lábios num beijo. Ele estava ciente que poderia morrer por isso, ela estava ciente que poderia mata-lo, mas nenhum dos dois recuou ou quis parar. Respondendo ao chamado da luxúria Panty entreabriu os lábios, mesmo que jamais gostasse do ato realmente, era um gesto extremamente íntimo mesmo para ela que era tão depravada. Aquele gesto expressava mais coisas do que devia, cutucava mais sentimentos e demônios do que gostaria. Ela embrenhou os dedos nos cachos rebeldes dele, queria mais daquele sabor e nem notou que andavam para dentro do recinto dele.
Só deu por si caindo no colchão, ele por cima e o perfume dele impregnado em todas as brechas. Já não pensavam, nem conversavam ou coisa afim, agiam por instinto conjunto de dois seres completamente apaixonados, mas que só um dos lados confirmava a história. Brief retirou a blusa dela, já vira um milhão de vezes o movimento em filmes pornôs, mas aquilo era de verdade e ele tremia. Só não esperava que a loira arrepiasse tanto nesse contato, mordeu o lábio inferior.
- Panty. – ele murmurou beijando o pescoço e ombros dela. – Como você é perfeita.
Ela corou e sentiu o rosto completamente quente com isso, não segurou o gemido quando sentiu os dentes no lóbulo de sua orelha e a mão sacana dele já nos seus seios. Aqui não cabe a mim narrar algo já tão repetitivo para ela, apenas ressaltar um detalhe que incomodou Panty como uma urticária maldita no fundo da alma, já tinha transado milhares com espécimes diferentes, mas aquilo era diferente. Havia carinho nas mãos daquele moleque, melado até, mas era tão quente e tão confortável. A forma como ele agarrava suas coxas e puxava-a para ele, encaixava-se perfeitamente nos seus flancos como nenhum outro fizera antes.
Aquilo era fazer amor?
Caiu em si depois do orgasmo, quando a exaustão a fez deitar-se ao lado do nerd, arfando pesado e sentindo o sono chegar de mansinho. Girou o corpo e ficou a encará-lo, ele fez o mesmo. Sua tez brilhava de suor e respirava fundo, completamente nu e tão lindo. Meneou a cabeça com violência, queria livrar-se daquilo o mais rápido possível e sair correndo antes que seu coração pulasse pela boca. Só que a vontade de ficar deitada era mais forte, e sentir tudo dele impregnado em sua pele. Franziu o cenho e rosnou.
- Geek boy.
- Sim Pan-Panty?
- Quero um bom café da manhã quando acordar, sem muito açúcar.
- Vo-você vai dormir aqui?
- É... – ela engoliu seco e virou para o outro lado. – Cale a boca, se atrapalhar meu sono, lhe mato.
Mesmo que não quisesse, dormiu com um sorrisinho vitorioso no rosto. Brief acomodou-se e teve certeza: amava aquela vadia e ao modo dela, ranzinza, também o amava.
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