Domesticado

8 Paraíso às Escuras


Notas iniciais
Agredecendo desde já o maravilhoso comentário da MaDu, que faz com que eu queira postar mais e mais! =D

– Caroline, respire! — Klaus exclamou, agarrando-lhe pelos braços e chacoalhando-lhe. — Deus, Caroline, respire! — ela piscou, seu rosto estava pálido e suado, os olhos azuis arregalados. Ele respirou fundo para que ela o imitasse. Lentamente a respiração da loira foi se acalmando.

– Estou bem... — inspirou fundo. — Estou bem.

– Está bem? — questionou duvidoso, erguendo uma sobrancelha. Ela apenas balançou a cabeça concordando. — Então posso continuar a dirigir ou quer que eu dê meia volta? Sabe que não temos que ir, não é?

– Não. — ela podia estar branca como um cadáver, mas sua voz era firme. — Não posso fugir dele.

– É claro que pode. Eu fugi do meu pai por mil anos, você pode evitar o seu por nove meses.

– Não. — sua voz assumiu um tom irritado. — Tem que ser agora. Pode voltar a dirigir.

– Certo... — ainda havia dúvida na voz dele. Engatou a marcha e lentamente puxou o carro do acostamento para a pista. — Pode escolher a música, se quiser. — ofereceu, ainda preocupado com o recente ataque histérico dela.

– Estou bem, mas você não tem Katy Perry, nem Lady Gaga.

– E você fala como se eu conhecesse essa gente. — brincou. Abriu as janelas, deixando que a brisa entrasse no carro. — Não precisa ficar com medo de seu pai, Caroline.

– Não estou com medo dele. — a voz dela assumiu um tom infantil, quase ofendido. — Só estou nervosa.

– Mas também não precisa ficar nervosa. A reação dele não pode ser muito pior do que a da sua mãe. — provocou. Ela corou e revirou os olhos, dando-lhe um empurrão amigável. Apoiou a cabeça no banco e fechou os olhos.

– Já pensou no casamento? — questionou. Klaus franziu as sobrancelhas. Entre se acostumar como humano e se acostumar em ser pai, havia se esquecido de que também era noivo.
– Não. — admitiu. — Você já deve ter planejado tudo, imagino.

– Não. — ela riu, corando. — Eu esqueci completamente... Mas achei as alianças. Estão na minha bolsa.
– Você acha que deveríamos adiantar o casamento? — a pergunta caiu da boca de Klaus, antes que ele se desse conta do que havia falado. Corou furiosamente e limpou a garganta, esperando que Caroline não respondesse.

– Não... Está bom assim. Final do ano. — a loira franziu as sobrancelhas, sentindo algo desconfortável em suas palavras. — À menos que você...
– Não. — apressou-se em negar. — Está bom assim.

O carro caiu em um silêncio desconfortável. Caroline observando a paisagem mudar e Niklaus dirigindo, repassando os diálogos em sua cabeça e tentando entender porque as palavras vinham fugindo de seu controle.

O sol das quatro horas estava agonizando quando ela se aprumou em seu banco. — Estamos chegando. — resmungou para si mesma, sem nem mesmo olhar o GPS. Fizera aquele caminho tantas vezes... Reconheceria em qualquer lugar a casa de seu pai.

Cinza chuva, com trepadeiras subindo por suas paredes e um telhado também cinzento branco. Uma porta de MDF branca e janelas quadradas. Completamente térrea. Suspirou e desceu do carro, assim que estacionaram. Klaus ergueu as sobrancelhas para seu rosto, uma sugestão nos cantos de seus lábios. "Podemos voltar..."

– Vamos lá. — murmurou agarrando-o pela mão e puxando-o para a porta. Apertou a campainha. Niklaus entrelaçou os dedos nos dela, devolvendo-lhe um apertão gentil, "estou aqui", sem desviar os olhos da porta.

Bill era um homem alto, com louros cabelos ralos e miúdos olhos azuis. Ostentava um grande sorriso, que fazia rugas surgirem ao redor de seus olhos e que se alargou ainda mais quando viu a filha diante de sua soleira.

– Care, amor... — sussurrou, abraçando-a com força, beijando o topo de sua cabeça. — Senti tanto sua falta... — soltou-lhe, passando um braço ao redor de seus ombros. Estendeu uma mão para Klaus.

– Niklaus Mikaelson, eu suponho. Um prazer conhecer o noivo de minha filhinha. — a voz dele era gentil, divertida até. Porém Klaus encontrou-se forçando um sorriso e apertando a mão de seu futuro sogro com hesitação. Trocou um olhar com Caroline.
Como Bill não o conhecia? Estavam noivos, seriam pais, e Bill não o conhecia?!

– O prazer é meu.

O homem empurrou-lhe para dentro da casa, deixando a bagagem no carro e passou um braço ao redor dos ombros do futuro genro. Estava, portanto, com ambos os jovens sobre seus braços musculosos. — Steve e eu achamos que o quarto de hóspedes seria perfeito.

– Será ótimo. — garantiu Klaus, quando a porta branca foi empurrada, revelando um quarto grande e iluminado. Básico. Um armário de carvalho vazio, uma pequena cama de casal e cortinas amarelas claras. Paredes brancas. Insonso sem personalidade. O perfeito quarto de hóspedes.

Caroline se encolheu, franzindo as sobrancelhas para a decepção que sentiu no fundo de seu estômago. O que esperara? Um quarto cor-de-rosa, montado especialmente para ela, com seus antigos bichinhos de pelúcia e a familiar sensação de estar em casa? Já tinha vinte e quatro anos, não seis.

– Está perfeito, pai. — murmurou, deixando a bolsa sobre a cama e sorrindo. Pés de galinhas tomaram seu rosto quando sorriu em resposta.
– Que bom, Care. Steve está tão animado que vocês estão aqui. Não calou a boca desde que conversamos ao telefone, você e eu. — abriu as cortinas, deixando que a luz pálida de fim de tarde entrasse no cômodo. — Lara também está bastante animada.

– Lara... Ah, eu aposto. — Klaus franziu as sobrancelhas quando ouviu a voz de Caroline. Calma, contida, mecânica.
– Sim, ela só fala disso. Eles saíram agora pouco para comprar o jantar, acharam que vocês iam chegar mais tarde.

– Não precisavam comprar nada, eu podia cozinhar...
– Ou nós podíamos sair para comer. — sugeriu Niklaus, interrompendo-lhe antes que criasse mais um compromisso desnecessário.

– Eu falei isso, mas Steve insistiu. — Bill deu de ombros. Houve um silêncio desconfortável. — ... Melhor eu buscar suas malas no carro.

– Pode deixar, eu pego. — Klaus adiantou-se, mas Caroline agarrou-lhe pela mão.
– Ele está se oferecendo, Nik... Olhe para seu rosto, louquinho por um pouco de ar fresco. — calculista, gelada. Seu noivo ergueu as sobrancelhas.

– Sim, eu pego. — Bill acenou antes de deixar o quarto. Klaus esperou que os passos dele se afastassem antes de virar-se para Caroline e deixar seu sorriso educado cair.
– Então, Caroline? — questionou aos sussurros. — O que há entre você e seu pai?

– Nada. — ela respondeu, também aos sussurros.

– E quem são Steve e Lara?

– Steve é o marido dele e Lara é sua filha e, portanto, filha postiça do meu pai.

– Você nunca os mencionou.

– Eu esqueci! — ela ergueu as mãos. — Eu esqueci, ok? Lara era quieta e se eu a vi três vezes durante toda minha vida, foi muito. Steve era outro: Eu nunca o encontrava, meu pai mal falava dele nas poucas vezes que estávamos juntos, já que minha mãe o proibiu... Algo sobre me influenciar... Bom, só sei que é alto e pai da pirralha.

– Pirralha? É uma criança?

– Ela tinha dez anos da última vez que a vi... Não sei. — bufou, ouvindo os passos no corredor e voltando a vestir o sorriso obsceno.

– Trouxe a bagagem! — avisou Bill, entrando sem esperar por permissão. — E Steve e Lara já chegaram. Venham cumprimentá-los. — era uma ordem. Klaus rangeu os dentes.

Steve parecia um boneco Ken. Bonito demais para um homem de quase 50 anos, com a pele bronzeada e cabelos louro-escuros, olhos de um verde marítimo. Lara, a garota que Caroline dissera ser uma pirralha, não tinha nada de pirralha.

Com cabelos caramelo e um sorriso gigantesco, ela ostentava um corpo magro de dezessete anos.

Forbes parou ao seu lado, olhando os pés, parecendo constrangida. Abriu um sorriso tímido, movendo-se inconscientemente para mais perto de Nik. — Oi, Steve... Oi, Lara...

Steve revirou os olhos e puxou-a para um abraço. — Faz cinco anos que eu não te vejo e você me diz isso? — resmungou, apertando-a com força. — É muito bom te ver, Caroline. — soltou-a e virou-se para Klaus. — E é um prazer te conhecer, Niklaus. — completou, estendendo a mão. Seu aperto era firme, mas gentil.

– Igualmente.

Lara deu um abraço em Caroline, sem murmurar mais nada do que um "Oi, Caroline" e depois apertou a mão de Nik. Ficaram em silêncio.
– Então, quem está com fome? — Forbes soltou um suspiro de alívio por alguém quebrar aquele silêncio pesado e imediatamente exclamou:

– Eu estou!

Bill sorriu. — Bom, temos duas opções... Podemos sair para jantar ou comer... — revirou as sacolas de compra. — ... Lasanha congelada. — ergueu as sobrancelhas, deixando claro qual opção era a única que podia ser escolhida.

– Deveríamos sair para jantar. É a primeira vez de Caroline aqui em... Anos! E acabamos de conhecer Klaus. Vamos sair para comemorar. — Lara sugeriu. Seu pai postiço concordou. — Certo, certo. Restaurante, portanto.
– A menos que Caroline e Niklaus queiram algo diferente, não Bill? — Steve resmungou, cético.

Klaus apressou-se a negar. — Não, não... Está ótimo. — viu Bill ranger os dentes.
– Ele disse que está ótimo, então está. — concluiu, revirando os olhos.

Steve bufou, balançou a cabeça concordando e deixou o assunto morrer.
– Então Caroline, seu pai disse que trabalha com eventos? — Lara puxou assunto, sorrindo.

– Casamentos, na realidade.

– Ah, que divertido... — Niklaus revirou os olhos para a simpatia forçada da garota. — Eu...

– Lara vai cursar Direito em Yale, Care. — interrompeu Bill, orgulhoso. O sorriso forçado de Caroline surgiu.
– Yale...? Uau! — disse para Lara.

A garota corou. — É... Bom, você foi para Lawrence, o que é incrível...
– É... Mas você só passou porque era líder de torcida, não Care? — brincou Bill, apertando o ombro da filha. — Eu lembro que você adorava ir naqueles jogos. Sabia que Lara vai ser a oradora de sua turma?

– Bom, Caroline organizou a formatura, não é amor? — Klaus respondeu, rangendo os dentes. Sua noiva concordou, constrangida.
– Sim... É uma pena que coisas assim não juntem pontos no currículo, não é filhota? Senão você teria passado para Yale, garanto.

– Eu nunca quis Yale, pai. — murmurou Caroline.

– Verdade... Você queria fazer o que mesmo? Ser...
Caroline ficou vermelha. Steve tentou interromper. — Não importa, Bill. Aposto como você queria ser palhaço... — fez uma piadinha que coagulou no ar pesado.

– Não, eu queria ser Arquiteto e fui exatamente isso. — Forbes revirou os olhos. — Se eu não estou enganado, Care queria ser cantora.

– Bailarina. — corrigiu Caroline, saindo do aperto do pai e indo para mais perto de Klaus. — Foi por isso que eu fiz sete anos de balé, pai.

– Mas você não era muito boa, filhota. — riu. — Era uma gordinha linda.

Caroline rangeu os dentes. — Aposto como eu era.
– Não deveríamos indo tomar banho para o jantar? — cortou Lara, ansiosa para acabar com aquela troca de concordou. — Sim, deveríamos!

O casal foi enxotado para o quarto, com instruções para que se aprontassem para o jantar. Assim que entraram no cômodo, Niklaus segurou-a pelo braço.
– Mas que diabo, Caroline... O que há com ele? — questionou, franzindo o cenho.

– Nada... Estamos bem... — ela bufou.

– Ah, por favor! Você e seu pai... Ele é um babaca! Como pode ter ficado de luto por aquele homem?!

– Eu... — Caroline caiu sentada na cama, cruzando as pernas. — Eu tinha me esquecido de como ele é... Sabe, no meio de vampiros e caçadores, mortos e vivos suicidas, eu tinha me esquecido do pai que ele foi.

– O pai que ele foi?

– É... O tipo de homem que deixa uma menina sozinha aos cinco anos de idade e nunca volta. — Ela fechou os olhos e balançou a cabeça. — Não quero falar sobre isso...

– Caroline. — ele segurou-lhe pelo braço. — Você sabe que vai ter que encará-lo uma hora ou outra, não sabe? Vo... — suas palavras foram interrompidas pelo barulho de passos no corredor. Soltou-a.
– Eu deveria tomar banho, trocar de roupa.

– Certo, vá lá... — não ergueu os olhos, fingiu que não o viu. Klaus balançou a cabeça e andou até o banheiro, agarrando as roupas na mala antes de entrar.

Sentiu a água quente queimar seus músculos, insistindo em relaxá-lo do estresse acumulado naquele dia. Não conseguia imaginar se aguentaria aquilo o resto do final de semana. Apoiou a testa no vidro gelado, respirando fundo e deixando que o shampoo escorrer de seus cabelos.
– ... Isso, Caroline? — ouviu uma voz dizer.

– Seis anos... — era a voz de Bill e Klaus prontamente fechou o chuveiro, enrolando-se em uma toalha e se esforçando para ouvir melhor.
– Seis anos pai e você mesmo assim não sentiu minha falta! Aposto que demoraria mais dez para perceber... — a voz de Caroline desvaneceu-se.
Niklaus parou de se enxugar e colou a orelha na porta.

– Não seja ridícula... — as palavras se tornaram confusas. — ... Agora vai se casar e eu nem o conheço! Como acha que... Me sinto? — Bill acusou. Niklaus rangeu os dentes.
Caroline não precisa ouvir acusações de um pai ausente. Não precisava sentir-se culpada pelas decisões de seu eu humano ou pelas irresponsabilidades de Bill.

Vestiu-se rapidamente e abriu a porta de supetão. Caroline estava lívida, seu lábio inferior tremia e os olhos azuis estavam cheios de lágrimas, os punhos cerrados. Seu pai, por sua vez, tinha aquele sorrisinho arrogante, rosto e pescoço vermelhos...
– Caroline, vá para o banho. — ordenou Klaus, apontando a porta aberta. Ela franziu as sobrancelhas. — Agora. — completou, rosnou.

Assim que a figura pálida dela desapareceu e a porta fechou-se, Klaus virou-se para o homem. — Não vou usar de subterfúgios com você, Bill.

– Você deveria abaixar esse tom, moleque.

– E você deveria se esforçar para ser decente. Mas nem sempre temos o que queremos, não? — Klaus bufou. — Caroline, com quem você estava gritando a poucos minutos, não tem que ouvir seus desaforos. Vou falar só uma vez e não me peça para repetir. Estamos aqui porque ela quis. Apenas porque ela insiste em fazer-se de boa filha para um pai ausente. Se dependesse de mim, nunca teria que olhá-lo na cara.

A boca de Bill abriu-se e seu rosto atingiu um tom púrpura de cólera. — Escute aqui...

– Não! — Klaus ergueu o indicador, colocando-o diante do rosto do futuro sogro. — Escute aqui você! Não terá outra chance com Caroline. É melhor tratá-la como merece de agora em diante, porque no momento em que eu tiver de assistir você erguer essa sua maldita arrogância para ela, tentar bancar o pai engraçadinho e colocá-la para baixo... No momento que eu vir isso, nós vamos embora. E engana-se se acha que Caroline vai oferecer resistência. Afinal, um pai ela nunca teve.

– Teve sim!
– Ah teve? E onde você estava em todos os momentos da vida dela?! Porque eu só vi a Liz... Onde você estava... — quando ela morreu?– quando ela precisava de seu apoio? Sua ausência te define, Bill. Caroline é linda, cheia de luz e muito inteligente... Ela não precisa de pessoas como você na vida dela. Se faça de útil ou não se faça de nada. — apontou a porta. — Agora saia.

– Como você ousa?! Essa casa é minha! — Bill estava furioso. Niklaus sentiu raiva correr por suas veias, raiva a qual ele não sentira desde que era vampiro.

– SAIA. — juntou seu rosto ao do homem e sibilou. Viu a face do outro ficar pálida e, mesmo que fosse mais alto, ele engolir em seco.
– Caroline é minha filha. Você vai se arrepender ao se colocar entre nós.

– E você ainda não se arrependeu de não ter sido pai? Pois deveria. Qualquer um gostaria de ter uma filha como ela. É uma pena que tenha tido um pai como você.

E então a porta se fechou com um estrondo, Klaus empurrando-o para fora do quarto e trancando-o. Sentiu vergonha encher sua boca, afinal aquela não era sua casa... Talvez houvesse errado... NÃO. Não errara. Caroline e ele estavam juntos naquela aventura tresloucada e ele não deixaria que um pai ausente como Bill, como Mikael um dia fora, se colocasse entre eles. Machucasse-a.

Esperou que ela terminasse de tomar banho e refez as malas, tomando sua decisão.
– Klaus... Que está fazendo?

– Vamos embora.

– O que? — ela não parecia ofendida, só surpresa. Aquilo quebrou o coração dele. Forbes estava tão acostumada que ninguém se levantasse por ela...

– Vamos embora. Nem mais um minuto na companhia dele. Você... Não tem que aguentar isso. Eu sei que quer encará-lo, que quer encarar seus fantasmas, mas... Talvez ele não seja um fantasma, só um homem imbecil. — ouviu uma risadinha e virou-se, chocado. Esperara que ela se tornasse defensiva... Já ouvira sobre como ela machucara Damon, no outro mundo, quando ele tentara ferir seu pai. E lembrava-se dela cuspindo-lhe para que não mencionasse o nome de seu pai, então falecido. Pelo visto Caroline vampira esquecera-se realmente dos atos de seu pai humano.

– Klaus... — ela segurou-o pela mão, afastando-o enquanto ele fechava a mala. Ele endireitou-se, olhando-a nos olhos. Viu um sorriso surgir em seu rosto corado pelo banho quente. — Obrigada.

~*~

– Aqui. — Jeremy caiu sentado no sofá, deixando sua cabeça descansar no colo de Kol, empurrando suas mãos para longe e estendendo-lhe uma garrafa d'água e um frasco de aspirina. Ligou seu controle do Xbox.

Kol respirou fundo para relaxar com a proximidade do outro. Jeremy estava se tornando mais e mais despudorado. Dia após dia ele deixava se importar com a amnésia recente e esforçava-se para tornar o relacionamento deles exatamente como era antes. Mikaelson não sabia reagir a isso. Não sabia lidar com a proximidade de Jeremy, suas piadas internas — as quais ele não entendia — e, o mais desconcertante, o quanto Gilbert conhecia-lhe.

Isso, somado a dor de cabeça que o seguia durante todos os dias desde que seu nariz sangrara na semana anterior, vinha deixando-o louco.

Proporcionalmente a falta de pudor, a preocupação de Jeremy crescia. Ele agora não tirava os olhos do outro, como se esperasse que desmaiasse ou começasse a sangrar a qualquer momento.

– Pare de me olhar assim. — reclamou Kol, sem abrir os olhos, sabendo exatamente que as sobrancelhas do mais jovem estavam franzidas e seus olhos cor de chocolate tinham aquele tom preocupado e carinhoso, que deixavam-no irritado.

– Pare de ser egocêntrico, não estou nem olhando para você, cara. — resmungou Jer, sem muita convicção. — Vou te levar ao médico.

– Não vai não. Não vou a médico nenhum. — Kol bufou. — Estou perfeitamente bem. Continuo a ser tão perfeito quanto antes.
– E tão mala também... Kol, você está me preocupando. Nunca teve uma enxaqueca na vida e, repentinamente, perde a memória e tem enxaquecas diárias.

– Você é o responsável pela dor de cabeça. Se fosse menos irritante...

– Cale a boca. — Jeremy deu-lhe um tapa na coxa, resmungando baixinho para si mesmo. — Se você não for ao médico sozinho, eu vou te drogar e te arrastar. — avisou.

– Boa sorte tentando. — Kol bocejou e deixou as mãos, que estavam sobre os olhos, caírem. Uma enrolou-se no cabelo castanho e liso de Jer. — Eu sou à prova de drogas.

– Certo, certo... Você se acha um James Bond... Mas na verdade não é nem um agente 007, Kol.

– Calado, 86. — brincou Mikaelson. — É claro que eu sou James Bond.

– Está mais para Vaga Bond.

Kol riu da piada e deixou os dedos correrem distraidamente pelo cabelo de Jeremy. Aquilo era calmante e desviava sua atenção da dor atrás de seus olhos. — Nós deveríamos fazer uma maratona de filmes de Agente Secreto. — resmungou para si mesmo. A mesma sensação de familiaridade.

– Estávamos planejando fazer isso assim que você voltasse de viagem. — era claro o alívio na voz de Jeremy. Talvez Kol estivesse se lembrando de algo...

– Não me lembro disso. — Mikaelson decidiu-se por esmagar suas esperanças logo. Não precisava que Gilbert começasse a se empolgar. — Mas deveríamos fazer de qualquer forma... Eu assisti os filmes de 007 e 86...

– É claro que assistiu. — Jeremy bufou. Para ele aquilo era um fato banal. Para Kol, representava os poucos filmes que assistira tão logo fora acordado de seu confim quando vampiro. — Assim que você for ao médico! Depois que fizer isso pode escolher o filme que quiser.

– Eu não vou. — Kol bufou. — Agora fique quieto, estou tentando dormir.

Jeremy resmungou algo para si mesmo sobre Kol adormecer sentado, mas não tornou a falar. Não demorou para que a respiração de Mikaelson se tornasse profunda e calma. Tranquila.

~*~

Caroline apontou um bar, sorrindo. — O que acha? — sugeriu. Klaus franziu as sobrancelhas, puxando o carro para o bar de estrada. Já voltavam para Mistic Falls, o sol sumira completamente e talvez o relógio batesse oito ou nove da noite.

– Você sabe que não pode beber. — avisou, abrindo a porta do carro. Ela riu e passou um braço ao redor de sua cintura.
– Mas posso me divertir e te embriagar.

– E então quem vai dirigir? — entraram no bar. Escuro, com o cheiro adocicado de álcool no ar. Caroline sorriu.
– Eu vou, Mikaelson. Esqueceu que eu tenho carteira? — revirou os olhos e puxou uma cadeira junto ao balcão.

Ele a imitou e pediu um suco ao atendente que veio pegar seus pedidos. Caroline deu-lhe um beliscão e pediu uma dose de tequila.
– Tequila? Está realmente tentando me embriagar?

– É claro que estou. Não teve essa oportunidade quando era humano, aposto, e quando se tornou vampiro ficou bem impossível, não? — revirou os olhos. — Além do mais, eu sou uma ótima companhia em bares.

– Porque isso não me surpreende?

– Ah sim. Elena sempre perdeu para mim. — Caroline riu. — E Bonnie não bebia... Tanto quanto nós. — suspirou e abriu um sorriso quando as bebidas chegaram. Empurrou o pequeno copo para Mikaelson, seus olhos azuis brilhando.

– Vira, vira, vira! — brincou, batendo na mesa. Klaus riu e revirou os olhos, virando a dose e engolindo-a em um só gole. O líquido queimou sua garganta, fazendo com que engasgasse. Após mil anos bebendo, ele se resumira a um humano virgem de álcool. Sorriu, era a primeira vez que bebia como humano, não pretendia dar para trás agora.

Fez um gesto para que o garçom não deixasse seu copo esvaziar. A voz rouca de Johnny Cash estava invadindo o bar, um clichê naquela penumbra toda. Uma mesa de bilhar era barulhenta ao canto. Virou mais uma dose diante de uma risonha Caroline, que narrava o porquê de ter se tornado uma líder de torcida. Embora seu pai zombasse do fato, ela se tornara uma animadora por culpa dele.

– Ele me levou para um jogo de futebol... — contou, mordendo a ponta do canudo e mexendo o suco de abacaxi preguiçosamente. — Ficou cinco minutos, comprou algodão doce e pipoca e disse que tinha que sair, mas que minha mãe viria me buscar. Nunca fui tímida. Fiquei.

Ele bebeu mais uma vez. -... Não voltou. Minha mãe não veio. Ele tinha ido embora de casa para sempre naquela tarde e deixara um recado no celular dela para que viesse me pegar. Mas ela nunca viu aquilo. O jogo acabou e eu comecei a chorar... — seus olhos vagaram para o garçom que enchia pela quarta vez o copo de Klaus. — As líderes de torcida vieram falar comigo. Elas me acalmaram e foram legais, me levaram para o vestiário para que eu não tivesse que ficar sozinha. Depois que me acalmaram, uma delas que viera de carro me deixou em casa. Foi a coisa mais legal que alguém fez para mim. Então eu decidi que seria animadora. — suspirou.

Niklaus balançou a cabeça, sem saber com o que concordava. O som estava muito alto e "Love me somebody... Somebody love me!" estava fazendo com que a bebida não queimasse mais. Segurou-a pela mão e a puxou para o meio do bar, girando-a numa pirueta. Caroline riu. — Você está bêbado, Mikaelson. É uma florzinha para bebida... Eu aguentaria muito mais. — provocou, quase caindo quando ele insistiu em girá-la mais uma vez.

– Não... Aguentaria. — resmungou, tonto. Forbes riu e revirou os olhos, empurrando-o sentado na cadeira.

– Eu... — Klaus estendeu uma mão para o copo que tornara estar cheio. — Tinha vinte e nove... Fazia oito anos que minha mãe nos tornara vampiros... Que ela morrera... — soltou um soluço e virou a dose. — E que Mikael, aquele... Merda... Tinha começado a nos caçar. Finn era um imbecil... Sempre reclamando e andando com aquela... Meretriz. — balançou o copo vazio. — Uhuuu! Alguém ai?! Meu copo está vaziooo! — cantarolou.

Caroline gargalhou. — Certo... E então? — incentivou. Klaus ergueu um dedo para que esperasse e bebeu novamente.

– Tínhamos fugido de Mistic Falls e estávamos na Transilvânia... — soltou um soluço. — E aquelas adoráveis... Loiras vieram para cima de mim. Eu entrei em pânico... Era duas vampiras, Kol, aquele lunático, tinha transformado-lhes assim que chegáramos. Estivera dormindo com as duas... Elijah vinha distribuindo sermões, assim como Finn e... Bekah... Bekah devia estar apaixonada por alguém, sei lá, não lembro. — piscou profusamente e começou a rir.
– E eu entrei em pânico porque nunca tinha beijado ninguém e ainda estava de luto por... Tatia... Mas elas me agarraram e, eu era um cavalheiro: Era errado bater em mulher... E me beijaram. Meu primeiro beijo e... não lembro com qual das duas foi! — riu, afundando o rosto entre as mãos.

Forbes revirou os olhos, abrindo a carteira e jogando as notas sobre o balcão. — Você já passou do limite, Mikaelson. Quando não sabemos mais do que estamos rindo é porquê... — suas palavras morreram sob os lábios dele. Klaus apoiou uma mão no rosto dela e puxou-lhe para mais perto, seus lábios esmagando os dela e seu hálito de álcool misturando-se ao de Caroline.

– Não estou bêbado. — resmungou, embora fosse uma grandiosa mentira. Beijou-lhe novamente e sorriu quando ela retribuiu o beijo dessa vez, passando os braços ao redor do pescoço dele.

– É melhor que você não se lembre disso amanhã, Klaus. — resmungou Caroline, empurrando-o contra o balcão e enrolando seus dedos no cabelo dele, puxando-o para si ansiosamente.

– Você é meu primeiro beijo humano. — Nik sussurrou em resposta. — Espero me lembrar disso.

~*~

– Isso é para o seu bem, Rebekah. — murmurou Mikael. Ele afastou uma madeixa loura dos olhos azuis dela. Olhos da cor do céu ao entardecer. A garota se encolheu sob seu toque, sentindo nojo dos dedos ásperos dele em sua pele, da mão calejada em seu rosto.
– Pai... — sua voz era um sussurro. Nunca conseguiria erguer a voz para ele, aquele homem que assombrava seus dias... Seu provedor e sua ruína. A ruína da família com seu temperamento, a ruína de Nik.

– Eu sinto muito, Bekah. — Mikael nunca pedira desculpas para ninguém. Mas ela era sua menininha, a flor da família. Seu coração estava apertado com a culpa. Viu os olhos dela se encherem de lágrimas, o pânico que estava sempre ali crescendo. Respirou fundo e enfiou a adaga na barriga dela, fundo.
As lágrimas escorreram pela bochecha dela, suas pernas desistiram de sustentá-la.
– Não! — a voz de Niklaus fez com que Mikael se virasse, deixando o corpo de sua filha cair no chão de terra batida.

A última coisa que Rebekah viu foi seu pai matar seu irmão.

– Bekah! Bekah!

Abriu os olhos, arfando, lágrimas molhando seu rosto e suas mãos torcendo as cobertas. Stefan estava sentado, as mãos em seus ombros, mantendo-a deitada. Seus olhos estavam arregalados.
– Rebekah... ? — A loira piscou com as lágrimas. Fora só um pesadelo, só um pesadelo...

– Ah, Stefan... — sua voz estava tremendo. Ele abraçou-a, os dedos correndo por seu cabelo. Escondeu o rosto no arco do pescoço dele, segurando sua camiseta com força, os soluços ameaçando parti-la ao meio.
– Sushh... Você está bem, eu estou aqui... — seu namorado sussurrou, beijando o topo de sua cabeça. Ela concordou com um aceno, sentia-se segura perto dele.
– Estou bem. — afastou-se, limpando as lágrimas. — Foi apenas um pesadelo.

Stefan fitou-a preocupada, sem largá-la. — Venha... — murmurou, levantando-se, puxando-a pela mão. Passou um braço ao redor de seus ombros, apertando-a contra o peito.
Rebekah sentou-se no banco da cozinha, observando enquanto seu namorado aquecia o chocolate, e sorriu tranquilamente. Ele empurrou uma xícara em suas mãos trêmulas e sentou-se ao seu lado.

– Me conte o pesadelo.

Ela mordeu o lábio inferior. Fora um sonho que nunca tivera, mas fora tão real... Lembrava-se do rosto de seu pai com perfeição, como se tivesse sido há poucos minutos. O grito de Nik ainda soava em seus ouvidos.

– Eu... Eu estava em uma casa... Era antiga, eu não me lembro bem... — lembrava-se. Era uma casa meio medieval, ela podia lembrar até onde as tochas estavam... O cheiro.
– E... Meu pa... Mikael. — parara de chamá-lo de "pai" há tantos anos que nem se lembrava mais de como era a sensação em sua boca. Porque voltara logo agora? — Mikael estava lá... Ele tinha as mãos no meu rosto... — Ele fez isso tantas vezes, tantas...– e parecia triste. Eu estava com medo... Disse que era para o meu bem e pediu desculpas e então... — Seus dedos correram por meus ombros...– me matou.

Os olhos de Stefan estavam escuros, as sobrancelhas franzidas. Rebekah nunca falava muito de Mikael, apenas dissera que ele era um marido abusivo, um pai temperamental e que sempre tivera medo dele.

– Ele alguma vez tocou em você, Bekah? – Nik dissera-lhe que Mikael nunca entendera limites, que tivera de separá-lo mais de uma vez tanto de Rebekah, quanto de Finn.
O lábio inferior dela tremeu. — Stefan...

– Não precisa responder. — ele beijou a palma de sua mão. — Ele está morto, Bekah. Não pode mais te machucar. Nem você, nem Nik... Ninguém. — sorriu torto, tristonho. Ela concordou, apoiando sua testa na dele.
– Eu te amo, Stefan Salvatore. — murmurou, não esperando uma resposta e o beijando. Ele retribuiu o beijo, enfiando os dedos em seu cabelo louro e puxando-a sentada em seu colo.

Os braços dele era um dos lugares mais seguros que conhecia. Apaixonara-se por ele em Londres, a cidade cinzenta, e ele se apaixonara por ela em Mistic Falls, a cidade dos sem salvação. Bom, se aquilo não era a salvação, não sabia o que era.
Sentou-se em seu colo, passando os braços ao redor de seu pescoço e afogando todo seus medos nos lábios dele. Lábios gentis, lentos e carinhosos sobre os seus. Ele passou o polegar por sua bochecha, correndo os dedos por onde as lágrimas tinham estado. — Eu amo você. — respondeu, sua respiração acariciando-a. — Eu amo você.

Stefan lembrava-se de sua paixão por Elena, ele nunca a esqueceria. Porém Elena amara um homem que já não existia mais. Apaixonara-se pelo Stefan que chegara em Mistic Falls: Tentando fugir de um passado que nunca o abandonaria, envergonhado por seu irmão mais velho e ainda guardando grande parte de sua inocência. Então os Mikaelson tinham aparecido e Elena se envolvera com Damon... Fora uma queda rápida para o fundo do poço.

Stefan se viciara, ele bebera, maltratara todos que tinham amado-lhe... Provara o gosto do pecado e gostara, porque já lhe era tão familiar. As mesmas trevas que tinham dragado Damon, agora chamavam-no. Rebekah pedia perdão por ter vindo a Mistic Falls com sua família amaldiçoada... E Stefan não sabia perdoar. Elena o puxara das trevas, Damon ao seu lado, Caroline sorrindo...

Bekah se desvencilhara do poder que Nik tinha sobre ela e Niklaus, uma vez sozinho, começou sua jornada pela rendição. Stefan perdera sua inocência, mas Rebekah não se importava. Ele fora seu grande amor e ela sabia que podia tê-lo de volta. Tentara e tentara mais um pouco quando a rejeitou... Ele vira a menina vulnerável que ela era, a mulher quebrada que tinha se tornado. Nik tornou-se, pela segunda vez, seu melhor amigo... Talvez seu único melhor amigo agora que era parte das trevas. E fora fácil se apaixonar por Rebekah depois disso.

Ele a amava, pois ela conhecera o Stefan inocente, o Stefan viciado e o Stefan quebrado. E amara todos eles. Como podia não amá-la?

Separaram-se, as lágrimas ainda nos olhos dela. — Acha que sou uma má pessoa por me sentir tão grata por ele estar morto? Sou uma má pessoa por ter desejado isso tantas vezes? — Salvatore balançou a cabeça negando, o polegar ainda na bochecha dela, tentando limpar qualquer rastro de que estivera chorando. Odiava vê-la chorar, Rebekah era uma lutadora. Ela só queria ser normal, envelhecer ao lado do homem que amava e morrer como qualquer civil ordinário. Não queria que a reputação de sua família a precedesse, que os atos de seu pai fossem uma sombra constante em sua vida, que sua mãe desequilibrada (eu te amei, mãe, eu te amei tanto... mas não amo mais) influenciasse tanto suas ações...

– Anjos não podem ser maus, Bekah. — ele murmurou, fazendo-a sorrir. Ela beijou-o mais uma vez, inclinando-se sobre ele, as costas de seu namorado encontrando a bancada da cozinha.
– Você me acha um anjo? — resmungou sobre seus lábios, fitando seus olhos de avelã... Compreensão e amor, ternura pura. Não entendia como Stefan ousava dizer que não era inocente. Ele nunca se olhara num espelho, nunca compreendera quanta bondade tinha dentro do peito.

– Você é um anjo, Rebekah. — beijou seu pescoço, sorrindo quando a ouviu resmungar o nome dele baixinho, para si mesma. — O anjo mais teimoso e confuso que eu conheço, mas ainda um anjo.

~*~

Kol suspirou, rolando pela cama e empurrando o braço de Jeremy para longe de sua cintura. Era irritante a mania que Gilbert tinha de abraçar. Todas as noites iam dormir um de cada lado da cama e todas as manhãs acordavam abraçados. Kol estava começando a achar que Jeremy fazia de propósito.

Levantou-se e caminhou para sala, agachando-se diante do armário e pegou a agenda. Procurou até achar o número do médico que Jeremy vinha ameaçando ligar para. Suspirou, tentando entender o porquê de estar fazendo aquilo e marcou um horário no dia seguinte, segunda-feira.

~*~

Caroline abriu os olhos para a claridade de seu quarto, ouvindo o telefone tocar. Sorriu para o teto branco e olhou ao redor. Aquele quarto já se tornara seu, parte de seu lar... Um lugar no qual sentia-se segura para acordar.

Riu baixinho quando percebeu que Niklaus adormecera na cama com ela, completamente vestido, usando, estranhamente, um dos casacos dela. Seu cabelo estava bagunçado, ele cheirava a álcool e roncava alto, babava até. Os pés estavam no travesseiro e a cabeça onde deveriam ficar os pés.

A loira riu, empurrando-o ligeiramente com a ponta dos dedos, lembrando-se do pânico que sentira naquela primeira manhã que acordara ao seu lado.

O telefone tocou mais uma vez, irritante.

Suspirou e levantou-se, pegando o parelhinho e percebendo que tinha mais do que dez chamadas não atendidas. Dessas, nenhuma era de seu pai. Bufou e atendeu.

– Caroline...?

Seu coração disparou e sentiu o ar fugir, o chão nadou e agarrou a cômoda com força. — Caroline, você está me ouvindo?! — a voz chagava urgente, nervosa.

Criou coragem para responder:

– Tyler?

Notas finais
Espero que estejam gostando e não se esqueçam de comentar!