Domesticado

12 O Tempo Está ao Meu Lado


Notas iniciais
E nós chegamos ao último capítulo! Espero que todos gostem!

Caroline congelou, caindo de joelhos e apertando os braços ao redor da barriga. Não, não...– Não, Bonnie, por favor... Bonnie, por favor... Você me conhece, Bon... Eu não trai vocês. Eu fiquei três meses aqui. Eu, Klaus e Kol e... Deus, Bonnie, eu estava com tanto medo... Não, por favor...

– Você está morta, Caroline. Eu enterrei você. — Bonnie respondeu, fria. — Eu vim aqui para salvar alguém que não está.

– Ele está feliz, Bonnie! Jeremy sorri mais aqui do que jamais sorriu lá! — viu sua amiga erguer uma sobrancelha, cética.
– Feliz, sendo namorado de um vampiro. Tenho minhas dúvidas, Caroline.

– Ele ama o Kol! Julgue-o, vá em frente! É só o que você sabe fazer, mas a verdade é que... Somos todos mais felizes aqui do que naquela terra amaldiçoada! Jeremy e Kol são felizes, Kol não é um vampiro assassino, muito pelo contrário! Ele é humano e tem coração e sente... E ele fica vermelho quando Jeremy o beija! — Caroline piscou contra as lágrimas. — E Jeremy... Jeremy é tio, sabe? O que ele nunca vai poder ser naquele mundo, porque Elena está morta! Porque ela é uma vampira!

– Caroline, suas mentiras...

– Não são mentiras! Eu posso provar! Posso te mostrar como somos todos mais felizes aqui! Esse mundo é real, não aquela terra de faz de conta, onde vampiros existem e bruxas... — a provocação fez Bonnie cruzar os braços, estreitar os olhos. — Não aquele mundo com híbridos e lobisomens! Esse mundo é real! Nesse mundo somos felizes!

– Caroline...

– Eu posso provar, Bonnie. Por favor, só me deixe tentar... Por favor, eu sou sua melhor amiga... Por favor, me deixe provar que somos felizes aqui, me deixe provar que isso aqui é a realidade, não aquele mundo amaldiçoado...

Os olhos da morena se suavizaram. Ela rangeu os dentes. — Você não é mais minha melhor amiga, mas prove. Vamos ver quanto tempo vai demorar para suas mentiras ruírem. Afinal, foi isso que você sempre foi. O reflexo desse mundo: Um rostinho bonito, mas nenhum conteúdo.

Caroline sentiu os dedos de Bonnie se fecharem ao redor de seu pulso. Uma bacia foi colocada diante de sua mão e a bruxa abriu um corte em sua palma. A loira gritou com a dor e puxou a mão. Viu sua amiga se ajoelhar no chão e desenhar símbolos com seu sangue, murmurando um encantamento estranho.
Nunca escondera que achava aquilo assustador. Bruxas assustavam-lhe mais do que vampiros.

– O que você está fazendo?

– Parando o tempo. Podemos acessar o passado, se quiser, mas o tempo está congelado. Consegue mentir para mim usando o passado?

– E porque parar o tempo? — Care decidiu ignorar a provocação.

– Você olhou para Jeremy, Caroline? Ele não tem muito tempo. Se morrer, sem estar ligado a mim, então... Acabou. Ele não vai estar em mundo nenhum. Nem nesse, nem no outro.

A loira suspirou, compreendendo. Uma ideia repentina surgiu. — Como viemos parar aqui?

Bonnie deu de ombros. — Não sei ao certo, afinal, achei que estivesse morta. Só sei que os espíritos estavam em frenesi... Havia sangue para todo lado onde Emily morreu... — Caroline fechou os olhos. Fora ali que Klaus mordera-lhe. Onde ela estivera se alimentando de um coelho e ele viera com a jovem ferida...

– Rebekah entrou em desespero. Assim como você, Klaus e Kol também tinham desaparecido. Os espíritos não diziam nada, não me permitiam te procurar... Encontrei seu anel do sol... Stefan o enterrou. — ela balançou a cabeça. — Então, antes de ontem, Tyler apareceu na cidade. Ele estava te procurando. Contei... Contei que estava morta e ele... Tyler chorou com uma criança, Caroline... Ele dormiu no sofá da minha casa e no dia seguinte não acordava. Matt encontrou Rebekah desmaiada que nem ele no meio da rua... E então foi a vez de Jeremy.

Forbes fechou os olhos. Com um pouco de imaginação poderia imaginar o que ocorrera. Podia ver Tyler caindo completamente bêbado e depressivo no sofá de Bonnie e podia ver Matt encontrando uma Rebekah inconsciente... E Jeremy caindo em coma diante de Elena.

– Como... Como sabe que Jeremy tem pouco tempo? — ela sabia a resposta. Bonnie se levantou, limpando as mãos sujas de sangue na calça.

– Tyler morreu ontem de madrugada, Caroline.

~*~

– Está feito. — Bonnie murmurou, olhando ao redor. Caroline lutou com a náusea. Tyler estava morto. — Caroline, já desistiu? — havia raiva nas palavras de sua amiga. A loira balançou a cabeça negando e engoliu as lágrimas. Tinha uma tarefa a cumprir, choraria a morte de Tyler quando estivesse a salvo. Quando seu filho estivesse a salvo.

– O que eu faço?

– Diga o nome. Vamos poder vê-los.

Suspirando Forbes se endireitou e abriu a porta da casa. — Damon e Elena. — murmurou.

As árvores balançaram. O colar ao redor do pescoço de Bonnie levitou no ar, fazendo com que Caroline franzisse as sobrancelhas. A escuridão esmagou-a. Seu coração disparou. Tinha dado tudo errado, fora um truque. Bonnie estava brincando com ela...

Porém então as luzes surgiram. Uma a uma. Luzes douradas e vermelhas. — É noite de Natal... — resmungou a loira para si mesma. A casa de Damon e Elena se iluminou e elas caminharam até a janela. Caroline se esforçou para ouvir o que diziam, mas então percebeu que a parede não era sólida sob seu toque. Eram fantasmas naquele passado, espectros em uma lembrança. — Me sentindo nos Fantasmas de Scrooge... — resmungou para si mesma.

– É melhor ser bom, Salvatore. — resmungou Elena, sorrindo, descansando a cabeça no peito de Damon.
Caroline franziu as sobrancelhas para o casal. Elena, em sua mente, pertencia a Stefan e mais ninguém. Porém, vendo-os juntos daquele jeito, ela sentiu algo mudar. Aquele Damon era o Damon seu amigo, aquele cujo o abuso ela não se lembrava. Lembrava o abuso do vampiro, mas não do humano.

Portanto, sem conhecer o lado negro dele, a loira podia dar o braço a torcer e dizer que eram um casal bonito.

– Você vai amar, Srta. Arrogância. — ele murmurou, beijando a ponta de seu nariz. Se levantou, deixando Elena deitada no sofá. Caroline sorriu quando viu a barriga de grávida sob sua blusa. Quatro meses, talvez.

– Me dê! — a morena exclamou, sorrindo e se endireitando, vendo uma pequena caixa dourada nas mãos de Damon. Ele sorriu e ergueu o pacote.

– Sério? Nem mesmo um por favor?

– Ah, Salvatore, pare de ser chato! — ela subiu no sofá e agarrou o presente das mãos dele, caindo em seus braços. O homem sorriu, passando os braços ao redor de sua cintura e beijando-lhe.
– Você não precisava se jogar em cima de mim, Elena. Eu já sei que sou irresistível... — ronronou. Ela sorriu e passou os braços ao redor de seu pescoço, o presente esquecido sobre o sofá.

– E egocêntrico, não esqueça. — murmurou, fechando os olhos. Damon sorriu e suspirou.
– Vamos lá, presentes primeiro, sexo depois. Eu já abri o seu, quero que abra o meu...

– Zíper? — ela completou, fazendo ele piscar desconcertado por um rápido momento. Um sorriso.
– Depois, amor. Presentes agora.

Com um muxoxo ela se jogou sentada e rasgou o papel dourado. Seus olhos de corça se arregalaram e encheram-se de lágrimas.

– Não, você... Ah meu Deus, Damon... — ele sorriu, sentando-se ao seu lado e sendo estrangulado por um abraço.
– Gostou?

– Se eu gostei..? Eu... Eu amei! — as lágrimas escorreram por seu rosto, enquanto erguia o par de sapatinhos rosados. — São tão lindos...

– Eu... Agora que já sabemos o sexo, eu achei melhor te dar isso antes que anunciássemos. Certeza que Stefan ou Barbie iriam passar na minha frente. — murmurou. Elena soltou uma risada úmida, antes de se aconchegar nos braços dele.

– São lindos... — garantiu. O Salvatore sorriu, apertando os braços ao seu redor.

Caroline lançou um olhar apreensivo para Bonnie, tentando ver se a memória estava comovendo-a tanto quanto devia. Precisava comovê-la, se quisesse ser salva.

– Você sentiu isso? — Elena perguntou repentinamente. Damon franziu as sobrancelhas.
– O que?

– Isso... — ela agarrou a mão dele e pressionou-a contra a barriga. Seu rosto estava pálido.
– Lena, amor, eu não... O que foi isso?! – ele exclamou, arrancando a mão e se afastando.

Elena riu. — Isso foi sua filha, Damon. — murmurou, afagando a barriga de leve. Ele estava pálido.

– O... O que? Foi um chute? — questionou, se inclinando para pressionar o rosto contra a barriga dela. A morena revirou os olhos.
– Vamos lá filha, dê um chute para o papai... Presente de Natal..

Lena riu. — Ela não consegue te ouvir, seu bocó.

–Sushsush!! — ele ergueu um dedo, mandando que se calasse. — Não estrague meu momento!

Caroline riu baixinho. Percebeu que os olhos dele se fecharam quando sentiu um chute contra sua bochecha. Ele suspirou, pressionando um beijo na barriga. — Eu te amo tanto, bebê.

– Vamos mudar de lembrança, todo esse açúcar está me deixando enjoada. Esses dois já são ruins o suficiente no mundo real. — reclamou Bonnie, os braços cruzados, olhando para outra direção.

A loira suspirou. — Certo... Klaus. — murmurou. Não sabia o que esperar de Niklaus.

O mundo rodopiou mais uma vez e então uma explosão de cores lhe atingiu. Piscou para se acostumar e percebeu que estavam em uma festa, haviam luzes e luzes coloridas.

– Um aniversário? — resmungou, olhando ao redor. Haviam balões e Rebekah e Stefan estavam encolhidos em um canto, aos beijos. Damon e Elena não estavam a vista.

– Okay, pessoal! — um Kol muito bêbado puxou uma cadeira e subiu em cima. Jeremy parecia estar pronto para morrer de vergonha. Ele estava mandando baixinho que Kol descesse. — PESSOAL! — Kol subiu em uma mesa, derrubando um par de copos não chão. Jeremy agarrou-o pelo braço, impedindo que tombasse.

– Pessoal, estamos aqui hoje... — sua voz estava engrolada. Os amigos riram. — Para parabenizar meu irmão mais velho, Nik. Nik, cadê você?! — gritou, olhando ao redor. Klaus ergueu uma no meio das pessoas. Kol não viu e começou a gritar pelo irmão.

– Klausy!!! Klausy, cadê vocêêê?! — Jeremy agarrou-o pelas pernas, com um muxoxo e o jogou sobre o ombro como um saco de batatas.
– Deus, Kol, cala a boca!

– Meu homem é um homem das cavernas! — gritou Kol, rindo. — Jer! Aqui não, tem pessoas aqui! — riu. Jeremy ficou ainda mais vermelho e o colocou de pé no chão, passando uma mão pelo rosto. — Quieto, Kol!

A atenção de Caroline foi desviada para Rebekah, que tinha tomado o lugar de Kol e subira na mesa. Ao contrário de Jeremy, Stefan não parecia tão constrangido. Ele tinha um sorriso nos lábios e uma mão na base das costas dela, para mantê-la no lugar.

– Discurso! — gritou uma jovem Caroline, entre as pessoas. Rebekah sorriu.
– Nik! Eu sei que eu prometi não te envergonhar essa noite, mas... Bom, eu menti. — Klaus ficou vermelho e puxou a gola de sua malha.

– Deus, ela vai acabar com minha reputação. — resmungou. A Jovem-Caroline deu-lhe um cutucão nas costelas.
– Shssh...! — ordenou.

Rebekah limpou a garganta. — Desde pequeno meu irmão é uma mula de teimoso. — anunciou. — Ele tem uma cabeça tão dura que uma pedra não racharia e, acreditem, eu tentei. — ela arrancou uma risada do pessoal. — Mas foi sua teimosia que nos trouxe até aqui. Ele construiu seu império... Não muito legalizado, mas construiu, ainda jovem. E ele cuidou de mim e de Kol e até do Elijah... Cadê o Elijah? — questionou, olhando ao redor.

Seu irmão mais velho estava sentado à mesa, o rosto vermelho. Ele balançou a cabeça em negação, antes de se virar para Katherine e fingir que não era com ele.
Rebekah deu de ombros. — Enfim. Ele cuidou de todos nós e... Especialmente de mim, já que eu sempre tive a capacidade de me meter em confusão. Uma das confusões em que me meti nos trouxe aqui. Onde Nik encontrou Caroline e novamente, só conseguiu conquistá-la por causa de sua teimosia.

Caroline sorriu, vendo a Jovem-Caroline beijar Klaus e apoiar a testa na dele. — E bota teimosia nisso, hein... — murmurou. Ele sorriu.
– Eu faria tudo de novo.

– Ele conseguiu conquistá-la e também foi nessa cidade que encontrou amizade e paz. E feliz vinte e sete anos, Nik. — ela desceu da mesa e correu para abraçá-lo. Klaus sorriu, afundando o rosto nos cabelos louros de sua irmã caçula.
– Você prometeu não me constranger, Bekah.

– Eu cruzei os dedos. — brincou. Ela o abraçou pela cintura. — Você merece toda a felicidade do mundo, Nik... Eu te amo.

Klaus fechou os olhos, beijando o topo de sua cabeça. — Eu também te amo, Bekah.

Caroline suspirou, sentindo seus olhos se encherem de lágrimas. Piscou e decidiu mudar de memória antes de Bonnie conseguisse recuperar a compostura.

– Matt. — sussurrou, ainda assistindo Klaus agarrar a Jovem-Caroline e girá-la no ar. O mundo escureceu ao redor do casal, até que a escuridão foi total. Um zumbido surgiu e a loira franziu as sobrancelhas. Olhou ao redor e viu uma janela surgir.

Sorriu, vendo o sol nascer e então percebeu que estava em um quarto de hotel. Bonnie, ao seu lado, engasgou com a respiração. Caroline olhou ao redor, procurando o que arrancara tal reação e viu a cama.

Uma Jovem-Bonnie estava adormecida, abraçando o travesseiro. Matt não estava na cama, mas na sacada, olhando a vista. Caroline sorriu, era tão típico. Enquanto os outros eram barulho e melação, Matt era paz.

Ele estava apoiado contra a divisão da sacada, brincando com o celular. A loira percebeu que a paisagem que amanhecia, era Vegas. Las Vegas que era vampira, que adormecia quando o sol nascia.

Matt suspirou e discou um número, pressionando o celular contra a orelha. O telefone chamou, mas nunca foi atendido. Caiu na Caixa de Mensagens. Ele suspirou. — Oi mãe, sou eu... O Matt. Eu... Sei que faz um tempo que a gente não se vê, ou se fala. Eu nem sei se esse ainda é seu número, mas... Eu me casei. — soltou um suspiro, tornando os olhos para a Jovem-Bonnie adormecida, invés da paisagem.

– Eu me casei ontem de noite e... Ela é perfeita. Foi engraçado, nós estávamos bêbados e estamos em Vegas, então... Você sabe. Mas eu... Eu a amo, mãe. Ela é incrível e eu já sei disso há muito tempo. Mas agora é diferente, sabe? Eu sei todos seus tiques nervosos. Eu sei que ela sorri quando está chateada, eu sei que ela rói as unhas quando está triste. Eu sei que ela é uma bêbada alegre e que é alérgica a nozes... Eu sei que ela não chora em filmes de menininha, mas que ela chora em Matrix. Eu sei que ela detesta modinhas e eu... Amo tudo isso. — Matt sorriu. — Eu conheço a Bonnie há vinte e dois anos, mas acho que só agora eu me dei conta de como ela foi feita para mim.

Ele analisou a aliança. — Não me arrependo. Não mãe, eu também não vou me arrepender no futuro. Eu só... Vicky ficaria feliz. E acho que você também... Bom, era isso. Melhor eu desligar... — Donavan se endireitou e caminhou para o quarto. — Eu te amo, mãe. E se você chegar a ver essa mensagem, saiba que eu te perdoo. Você pode não ter sido a melhor mãe do mundo, mas foi minha mãe. E eu sou o que sou por sua causa. Então, estando feliz assim... Obrigado, mãe.

Ele desligou o celular e fechou os olhos, respirando fundo. Sentou-se na cama e entrelaçou os dedos nos de Bonnie, acariciando a aliança. — Você provavelmente vai me matar quando eu acordar, mas eu não me arrependo Bonnie.

Caroline sorriu, olhando ao redor. Bonnie ostentava um olhar chocado, perdido. Seus olhos castanhos estavam cheios de lágrimas.
– Stefan. — murmurou a loira.

Enquanto Matt desaparecia na penumbra, Care tentou imaginar se estava ou não conseguindo comover a amiga.

Stefan apareceu e ele estava sentado em uma sala. Era decorada em tons de creme e imediatamente Caroline percebeu que era um consultório.

– Dr. Salvatore? — chamou uma secretária gordinha, espiando por entre a porta entreaberta. — O Nicholas está aqui.

– Pode deixar que entre, Lilly.

A porta se abriu e um menino magrelo, muito branco e ossudo, entrou. Ele sorriu discretamente e se sentou no divã.

– Oi Nick.

– Oi, Stefan. — ele passou as mãos pelo jeans.

– Nervoso?

– Um pouco... Última sessão, né? Eu... O que vou fazer sem você, Stefan?

– Viver é sempre uma boa opção, Nick. — Stefan sorriu, se inclinando como se estivesse contando um segredo. Caroline percebeu que o garoto não podia ter mais do que seis anos. O que ele fazia no consultório de psicólogo era uma boa pergunta.

– Minha irmã melhorou. — o garoto falou repentinamente. Salvatore sorriu.
– Sério? Me conte.

– Nós fomos nos hospital ontem. Ela está comendo agora, está toda sorridente. Levamos o CD dos Beatles para ela... Ela chorou. — ele revirou os olhos. — Então ficamos assistindo Todo Mundo Odeio o Chris.

Stefan sorriu. — Que bom, Nick.

– Ela também está bem legal sem cabelo. — ele comentou, abraçando os joelhos. — Eu falei que ela está parecendo o Vin Diesel e ela jogou um travesseiro em mim!

– E seu pai, Nick?

– O papai está bem. — ele deu de ombros. — Ele parece chateado de ver a Megan no hospital, mas está tudo bem. Ela vai sair logo, falou. Assim que terminar a quimio.

– Isso é incrível, Nick.

– É... Você e a tia Rebekah vão casar? — ele questionou do nada, franzindo as sobrancelhas. Stefan riu baixinho.
– Ela falou isso?

– Não... — Nicholas deu de ombros. — Ela me ajudou a fazer um cartão para a Megan. — contou como se fosse um segredo.

Stefan balançou a cabeça concordando. — Eu vou casar com ela, Nick. Só não agora.

O garoto sorriu. — Que bom. Ela é minha professora favorita. Você vai me chamar para a festa, né?

– Claro. Você quer pegar o buquê? — provocou o Salvatore. O garoto fez uma careta.
– Credo, não! Quem pega o buquê tem que casar e meninas são nojentas. Não, eu quero o bolo! — o menino sorriu, arrancando uma risada do homem.

– Ok. Vou chamar você e a Megan.

– Não a Megan, não!

– Porque não?

– Ela não vai querer ir sem cabelo e daí eu não vou poder ir!
– Compramos uma peruca para ela, que tal?

– É... talvez com uma peruca ela vá. — ele riu, se jogando deitado no divã. — O George parou de me encher. — murmurou.

– Ah é?

– É. A tia Rebekah foi conversar com ele e ele veio me pedir desculpas. Agora nós somos meio que amigos.

– Meio que amigos?

– Uhu... Ele almoça com a gente agora.

– Que bom, Nick. Isso é ótimo. Eu te disse que vocês podiam ser ótimos amigos.

– É... Eu acho que ele só me batia porque era triste. — Stefan se encolheu. Nicholas não fazia ideia de quão próximo ele estava da verdade. George era seu paciente também. Ele tinha problemas sérios em casa, com seus pais brigando dia e noite. Stefan tinha vontade de estrangular o casal por colocar o menino na terapia, invés de internarem-se num hospício.

– Porque você acha isso, Nick?

– Sei lá... Ele parece a Megan às vezes, sabe? Ele fica paradão, não quer falar com ninguém... Mas agora a Megan está legal de novo e o George é bem legal... — ele deu de ombros. — Meu pai quer que eu chame ele para lanchar em casa.

– E você quer chamar?

– Pode ser, sei lá. Você quer lanchar em casa, Stefan? Você pode levar a tia Rebekah! — o menino parecia muito animado. Stefan sorriu, Nicholas era extremamente carinhoso. De longe seu paciente favorito.

– Claro Nick, eu só tenho que ver minha agenda direitinho.

– Muitos lanches, é?

– É, muitos lanches. — ele riu. — Você quer falar de mais alguma coisa, Nick?

– Não... Ela vai ficar bem, né?

– A Megan?

– É

– Só a Megan pode responder isso, Nick. Se ela vai ficar boa ou não... Depende dela e dos médicos.

– E se ela não ficar bem? E se der tudo errado de novo?

– Então ela vai estar bem em outro lugar, Nick. De todas as formas, ela vai estar bem. — Stefan suspirou.
Essa era a pior parte, não poder garantir que a irmã mais velha dele melhoraria. Salvatore não podia garantir que ela venceria essa batalha, então também não podia encher Nicholas de falsas esperanças.

– Certo... Eu preciso de você, Stefan. — o garoto correu e o abraçou pela cintura, afundando o rosto em sua barriga. — Eu preciso de você... — choramingou. Stefan balançou a cabeça, correndo os dedos por seu cabelo fino.

– Não precisa, Nick. Você é muito forte, muito inteligente. Você não precisa de mim. E mesmo assim, você sabe onde eu moro. Passe lá para um lanche.

– Eu preciso olhar minha agenda. — o garoto zombou, a voz abafada. O Salvatore riu.

– Muitos lanches?

– Muitos lanches... — ele suspirou, se afastando e agarrando a mochila da escola, jogada perto da porta. — Tchau Stefan, eu vou sentir saudade.

Stefan acenou. — Eu vou sentir saudade, Nick.

A porta se fechou atrás de seu paciente favorito e ele suspirou. A melhor sensação de ser psicólogo, era dar alta. Era vê-los se levantar, passar pela porta de cabeça erguida, prontos para encarar o mundo. Por sua causa, porque você ajudou.

– Eu vou sentir saudade... — suspirou.

Caroline engasgou um simples: — Rebekah. — antes de afundar o rosto entre as mãos, lutando para recuperar o fôlego perdido.

A escuridão se abriu em um dia ensolarado.

– Peguei você! — gritou Kol, agarrando Rebekah pela cintura e jogando-a nos ombros. Ele bateu em sua bunda. — Eu peguei uma professorinha! — cantarolou. Soltou um gritinho quando levou um pisão. — Hey! — olhou para baixo para ver um moleque de uns sete anos, gordinho, com as mãos nos quadris e uma expressão furiosa.

– Solta ela!

Rebekah soltou uma gargalhada. — Michael...

– Solta ela! — ordenou o menino. Kol soltou um muxoxo, começando a reclamar algo sobre os pirralhos de hoje em dia serem muito mimados, mas colocou a irmã caçula no chão.

– Pronto soltei! — exclamou, erguendo as mãos em rendição. Michael fuzilou-o com os olhos, antes de virar-se para Rebekah.
– Você está bem, meu amor?

– Meu amor? Que porra é essa de "meu amor" agora? — questionou Kol, erguendo as sobrancelhas. Rebekah rangeu os dentes.
– Kol, olha a boca! — e então com um sorriso. — Eu estou ótima, Mike. Graças à você, claro.

– Esse bruto te machucou? — ele apontou Kol, que abriu a boca indignado, mas foi interrompido pela irmã.
– Não, ele não me machucou. Mas, Mike, peça desculpas por ter chamado-o de "bruto".

– Mas meu amor...

– Mas que diabo... Ai! — Kol soltou um grito quando Rebekah pisou em seu pé.

– Eu disse para maneirar no palavreado, Kol! — ela rosnou. — Mike? — ergueu as sobrancelhas, cruzando os braços.

– Desculpe. — o garoto resmungou, bufando. Kol mostrou a língua para ele, antes de sair correndo de outro pisão da irmã. Ele deu de encontrão com Stefan e explodiu em uma gargalhada.

– Que isso, cara? — riu. Caroline achou engraçado que esse Kol, o Jovem-Kol, se desse bem com Stefan. O Kol-ex-vampiro com certeza tinha uma picuinha com ele.

Stefan estava apinhado de crianças. Uma menininha estava sentada em seu ombro, ele carregava um garoto de uns três anos e duas crianças tinham se agarrado uma à cada perna dele. — Oi, Kol. Você se importa de...

– Nem vem! — Kol interrompeu. — Eu não suporto esses monstrinhos.

Rebekah surgiu atrás dele, de mãos dadas com Michael. — Ignore meu irmão insuportável. Aqui, me dê. — ela abriu os braços para pegar o garoto de colo, que tinha adormecido. Soltou uma risadinha. — Eles gostaram de você.

– É... Acho que é um dom com crianças ou algo assim... — Stefan fez uma careta.

Rebekah riu.

– Você pode me dizer o que ele é seu, meu amor? — questionou Mike, os braços cruzados.
– Ah, Mike... Esse é Stefan meu... Meu... Meu amigo. -

– Seu amigo? — o garoto voltou-se para Stefan. — Amigo?

– É. Amigo. — O Salvatore se segurou para não soltar uma risada. — E você é?

– Amor eterno de Rebekah. — Mike declarou, orgulhoso. Stefan concordou, mordendo os lábios para não rir. Uma gargalhada surgiu.
– Você?! Esse pirralhinho é seu amor eterno, Bekah?! — gargalhou Kol, apontando para Mike e se dobrando de rir. Rebekah rangeu os dentes.

– Se você não fechar a boca, Kol, a próxima coisa a sair dela serão seus dentes! — avisou. Ele riu ainda mais alto. Mike rosnou.
– Hey! O que tem de tão engraçado?!

– Nada, nada... — Kol saiu correndo e o garoto correu atrás dele, o rosto corado de irritação. Stefan soltou uma gargalhada.
– Seu irmão não tem jeito. — murmurou. Rebekah riu.

– Por isso que eu insisti em trazê-lo. Ele vai deixar as crianças exaustas. — explicou-se. Sorriu e se inclinou para beijá-lo. Stefan riu, apoiando a testa na dela.

– Eu te amo, meu amor eterno. — zombou. Rebekah riu.

– É, eu te amo, amigo-só-amigo.

Caroline riu baixinho quando todas as crianças fizeram um coro de "eca" ao vê-los se beijando.

– Bonnie. — resmungou, baixinho. Esperou que a paisagem se alterasse drasticamente. Sorriu quando viu uma noiva entrar em uma sala. Esperou ver o rosto de Bennett sob o véu, mas viu Elena. Lembrou-se, então que Bonnie se casara em Vegas.

– Essa é sua felicidade? — questionou para si mesma. Bonnie não lhe respondeu.

Elena afastou o véu do rosto e sorriu para as duas melhores amigas. — Que tal? — rodopiou.

– Você está linda. — garantiu uma Jovem-Bonnie. Caroline percebeu que os lábios de Bonnie se moviam, seguindo as frases de sua outra versão.

– Você está gostosa. — contradisse a Jovem-Caroline.

Elena riu. — Estou tão nervosa. — apertou uma mão contra a barriga. — Ela chutou o dia todo. — resmungou.

– Ah, ela sabe que vai ter diversão hoje a noite. — provocou a Jovem-Caroline. Elena ficou vermelha e a Jovem-Bonnie deu-lhe um cutucão.
– Claro que não, Caroline, que ideia! Ela só está sentindo seu nervoso, só isso. — resmungou.

A Jovem-Caroline revirou os olhos. — Puritana... — murmurou, levando outro cutucão.

Uma batida na porta. — Pode entrar! — gritou Elena, sorrindo e arrumando o véu. Jeremy entrou, ficando vermelho quando viu Bonnie e olhando sua irmã mais velha.

– Você está maravilhosa, Lena. — falou, sorrindo largamente. — Está na deixa de vocês meninas. — avisou.

– Certo...

– Espera! — Elena abraçou-as com força. — Eu amo vocês. — murmurou. A Jovem-Bonnie e a Jovem-Caroline sorriram.

– Eu amo você, Elena. — murmuraram. Caroline sorriu, vendo que Bonnie também respondera baixinho.

– Jeremy. — Caroline sussurrou, sabendo que se ele não conseguisse comover Bonnie, nada conseguiria.
Escureceu novamente.

– Jer... — a voz de Kol fez com que Caroline congelasse. Ela viu Bonnie enrijecer. Kol surgiu, de pijamas, na sala. — Jer, chega, vou te levar para o seu quarto. — murmurou, andando até o sofá.

Jeremy tinha um copo de whisky nas mãos, os olhos vermelhos de chorar. — Me deixe sozinho, Kol.

– Não, Jer... Vamos lá, Gilbert, pare de ser criança.

– Eu estou bem, vá embora.

– Não, você está bêbado e depressivo. Fale comigo. — pediu o Mikaelson. Jeremy deu de ombros.

– Você não quer ouvir, acredite.

– É claro que eu quero. — Kol murmurou. — Você é meu melhor amigo. Qualquer coisa que tenha te deixado nesse estado deplorável é do meu interesse.

– Obrigado pelo deplorável, agora eu me sinto muito melhor. — resmungou Jer, sarcástico. Kol bufou e se sentou ao seu lado no sofá.
– Fale comigo. — pediu.

– Ela... Ela disse que me amava, sabe?

– Ela... A garota que quebrou seu coração?

– É... Bonnie.

– Umm... Então, ela disse que te amava. Qual o grande problema? Eu sei a história. Ela te disse isso, você entrou em pânico, não respondeu e partiu o coração dela. No dia seguinte você foi se desculpar e ela tinha fugido para deus-sabe-onde com seu melhor amigo, Mutt.

– Matt. — corrigiu Jeremy revirando os olhos. — Você não sabe toda a história.

– Ah é?

– Não... Você não sabe que Vicky, a primeira garota para quem eu disse "eu te amo", morreu de overdose. Você não sabe que Anna, a segunda garota para quem eu disse "eu te amo", morreu num incêndio...

– Ui... Drama. — Kol revirou os olhos. — Jeremy, por favor. Você está tentando se justificar por ter quebrado o coração da tal Bonnie? Por não ter dito "eu te amo" para ela?

– Eu acho que estou amaldiçoado.

– Ah é? Duas ex's suas morreram, portanto você deve estar amaldiçoado. Porque eu não pensei nisso antes?

– Ela fez bem de fugir. Matt é um bom partido.

– Por favor, você nem sabe se eles estão juntos. — Jeremy lançou-lhe um olhar cético. Kol suspirou. — Okay, eles devem estar juntos. Agora. Porque você deixou ela ir embora.

– Nossa, porque eu nunca pensei que você seria um bom ombro amigo? Ah, é: Porque você não é. — Jeremy bufou. Kol revirou os olhos.
– E você é um bêbado chato, seu babaca.

– Vá dormir então.

– Não. Você é mala, mas é meu melhor amigo.

– Se por "melhor" você quer dizer "único"...

– É, isso também. — Kol deu-lhe um tapinha amigável na coxa. — Olha, Jer. Você é um bom partido, ok? Meio pegajoso, mas um bom partido. E se essa tal de Bonnie estiver com seu amigo Mutt, bom para ela, melhor para mim. Ok?

– Matt... O que? — Jeremy franziu as sobrancelhas. — Que porra você disse?

– Isso. — Kol agarrou-o pela gola da camiseta e o beijou. — Um bom partido: Beija bem, é bonito, inteligente e, a melhor parte, à prova de mulheres. — ronronou. Jeremy riu sob seus lábios.

– Você está largando as garrafas de álcool pela casa para isso? Me embebedar e então me beijar?

– Não. Isso é totalmente sua culpa. — Kol sorriu, puxando-o para mais perto.

Jer sorriu, retribuindo o beijo. — Eu queria poder dizer "te amo" para você, mas não quero que morra.

– Vamos devagar, Jer. — Kol murmurou, sorrindo. — Primeiro você me beija sóbrio e então eu posso pensar no seu caso.

Jeremy riu e o empurrou no sofá. — Ah é? Vá sonhando, nunca vou te beijar sóbrio.

– Então vou passar a deixar o armário de bebidas destrancado.

Caroline riu e a memória se desfez. Ela olhou ao redor, percebendo que se encontravam novamente na casa vazia de Bonnie.
– Care. — chamou. Caroline se virou para ela e foi abraçada com força.

– Eu... Desculpe ter duvidado de você... — Bonnie murmurou contra seu cabelo, as lágrimas escorrendo por seu rosto. Caroline sorriu, sentindo o alívio correr. Estava tudo bem, iam ficar bem.

– Tudo bem. — sussurrou. — Então isso significa que não vai destruir tudo? — se afastou. As lágrimas continuaram a correr pelo rosto da morena. As mãos dela tremiam.

– Eu te amo, Caroline. Eu amo, mesmo... Mas é ele. É a vida do Jer e... — Foi como levar um tapa. Era novamente a segunda melhor. A segunda para Bonnie, depois de Jeremy. Depois seu amor épico por Jeremy Gilbert.

– Bonnie, não... — sussurrou, sentindo a dor se alastrar por seu peito. Sentiu, pela primeira vez naquele dia, o gosto da traição. — Não...

– Care, eu sinto muito... Mas é o Jeremy. Ele... Eu não posso... Eu sinto muito...

– Não. Não, não, não! — Caroline gritou, apoiando as costas contra a parede, pressionando as mãos no estômago. — Você tem noção do que está fazendo?! Ele não te ama, Bonnie! É ele e Kol! Sempre vai ser! Você não viu como... Deus, Bonnie, como você é hipócrita.

– Caroline, ten...

– Cala a boca! Você está me matando agora, sabe? Disse que me enterrou, mas a verdade é que minha assassina é você! E do meu filho e do meu mundo e de tudo que eu amo! De todos que eu amo! De todos que você ama! Como sequer vai conviver com a culpa? Como pretende viver com a culpa? Porque você vai carregar essa culpa pelo resto da sua vida!

– Caroline...

– Não! Quer saber, faça o que quiser! É isso que quer? Ser uma assassina?! Vai ser a pior de todos nós e nunca, nunca vai viver sem essa culpa! — Caroline estava histérica, completamente descontrolada. — Então faça! Olhe nos meus olhos e mate sua melhor amiga, aquela cuja morte você chorou!

Bonnie balançou a cabeça. — Care, eu sinto muito, eu sinto muito...

O rosto da loira se suavizou, se tornou apático. — Você tem que matá-lo primeiro, certo? Morrer nesse mundo, ligado a você, para que surja naquele... Algo assim, certo?

A morena balançou a cabeça, concordando. Caroline sorriu. — Então vamos ao hospital. Quero ver você matá-lo. Quer ver cada pingo de luz deixar seus olhos Bonnie. — O vento voltou a soar, o relógio tornou a tocar. O tempo voltara a passar.

Caroline seguiu Bonnie para o hospital, parecia que cada passo de Bonnie tinha o comprimento de metros, porque chegaram no hospital em menos de dez minutos. Elas entraram e passaram despercebidas pela sala de espera. Care viu o rosto de Elena, ainda marcado pelas lágrimas. Elijah não estava à vista. Stefan tinha adormecido com a cabeça no ombro de Katherine.

Entraram no quarto de Jeremy.

– Hey, Care... Achou a bruxa? — questionou o Mikaelson, exausto. Ele segurava uma das mãos de Jeremy. Era claro que não conseguia ver Bonnie no quarto, apenas Caroline.

– Não. — mentiu Forbes.

– Ah... — Kol suspirou. — Jeremy está piorando. A febre está subindo... Ele vai morrer, Care.

– Kol... — Caroline balançou a cabeça e passou um braço ao redor dos ombros dele. — Eu sinto muito, Kol.

– Não, tudo bem. — o Mikaelson estava calmo. — Ele e Bekah vão morrer, mas eu também vou, então... — ele deu de ombros. Ela franziu as sobrancelhas.
– O que?

– É... Horas contadas. Estou na corda bamba com eles. Não achou que eu estar me transformando em vampiro e atacando bruxas por ai fosse uma coisinha à toa, achou? — sorriu. — Não... Eu vou morrer também. Está tudo bem.

– Kol, não está tudo bem. — Ele vai se jogar de uma ponte. - Nik precisa de você... Eu preciso. Não está tudo bem.

– Vocês também vão morrer, Care. — ele suspirou. — Vieram comigo nisso, logo logo algo vai dar errado para vocês também. — sorriu. — Estamos todos mortos, Caroline.

Bonnie suspirou e andou até Jeremy, passando os dedos de fantasma pelo rosto dele. Caroline acompanhou seus movimentos. Seu coração disparou.
– Você o ama, Kol? — questionou, referindo-se a Jer.
– Amo. — Kol sorriu, apertando a mão de Jeremy entre a sua. — Eu, Kol Mikaelson, o vampiro louco, apaixonado por um humano frágil. — balançou a cabeça em incredulidade.

Bonnie puxou o fio do IV com força. Ela puxou os fios que mantinham a contagem cardíaca e o monitor soltou um apito. Kol se levantou de um pulo.

– O que está acontecendo?! O que está acontecendo?!– o bipe agudo, invadiu o quarto. Nenhum batimento. Kol estava atordoado. — ENFERMEIRA! ALGUÉM! JEREMY! — o desespero tingia suas palavras. Ele agarrou o pulso de Jeremy, tentando manter contagem.

Caroline sentiu os soluços partirem-na no meio. Kol estava frenético, as mãos trêmulas procurando por qualquer pulsação. Ele abriu a boca de Jer, forçando um pouco de ar em seu pulmão e começou uma massagem cardíaca mal-feita. Dois enfermeiros entraram no quarto.

Uma enfermeira, loura, agarrou Kol pelo quadril. — Não, Jeremy! Jeremy! Jer!– Kol tinha enfiado as unhas no pulso, tentando se cortar. Afinal, sangue de vampiro curava, não? Sim, Jer ficaria bem!

– Kol! Kol, olhe para mim! — a enfermeira puxou-o para longe de Jeremy.

Caroline viu, por entre as lágrimas, Bonnie se inclinar e abrir um corte na palma da mão de Jeremy. Ela sujou o colar de Elena com isso. — Não! Bonnie, para! Para! — gritou a loira, caindo de joelhos. Kol estava atordoado, soluçando. Ele tinha sido agarrado pela enfermeira loura e ela o mantinha longe de Jeremy. O segundo enfermeiro tentava entender o que estava acontecendo, como o paciente podia estar morto se seus sinais vitais estavam todos funcionando. Mal, porém funcionando.

– BONNIE, PARA! PARA!

Jeremy! Me larga, Ruby! Jer! Jer, por favor! Não! — as lágrimas escorriam pelo rosto de Kol e ele se livrou do aperto de Ruby. Caiu ao lado de Jeremy e afundou o rosto em seu peito. — Jeremy não! Não! Por favor, não! Não me deixa aqui, por favor... Por favor...

Caroline viu Bonnie retirar o pequeno punhal e posicioná-lo sobre o peito de Jeremy.

– BONNIE! POR FAVOR!

A jovem vacilou.

E então Bonnie viu o rosto de Jeremy. Aquele menino que ela conhecera desde pequena. Aquele que interpretara Peter Pan numa peça de escola. — Jer... — ela o amara então e ela o amava agora. E por isso, só por isso, ela não podia e não conseguia. — Jer, eu sinto muito... — murmurou.

– BONNIE! NÃO, NÃO, NÃO! POR FAVOR, PARA! PARA!

– Jer, eu queria te salvar, eu juro que eu queria... Mas eu não consigo. — ela largou o punhal, caindo de joelhos. — Eu sinto muito, Jer... Mas eu não consigo te matar. Não você... Não você...

Caroline afundou o rosto entre as mãos, se negando a ver o irmãozinho de Elena Gilbert morrer diante de seus olhos. Kol tinha parado de falar, tinha parado de respirar talvez. Ele estava inclinado sobre Jer, talvez morto para o mundo.

Bonnie balançou a cabeça, levantando-se. Ela suspirou e arrancou o colar de Elena. Estivera usando-o para canalizar a energia.

– Bon? — Care ergueu os olhos. — Bon, o que você...

– Eu sou a âncora, Care. Se eu morrer nesse mundo, aquele se foi, entende? Eu... Eu ia me matar lá, para esse aqui acabar. Para salvar Jeremy, mas... Eu não posso matá-lo. Eu não posso... — as mãos dela começaram a desaparecer. — Seja feliz, certo? E faça ele feliz. — apontou Jeremy. — Eu... Eu sinto muito, Caroline.

E então sua figura explodiu em chamas.

~*~

O que se seguiu foi uma loucura, um borrão. Kol se apoiando pesadamente contra a parede. Os médicos entrando na sala, os monitores tornando a apitar histericamente. Um grito feminino e sangue, Kol inconsciente... Nik... Caroline se lembrava vagamente de ouvir a voz de Elijah gritar por Stefan. Um grito sobre Rebekah ter acordado... Ela se lembrava de ter sido carregada para fora do quarto de Jeremy, onde ele parecia estar acordando. E então a escuridão.

– Acordou para um mundo brilhante demais.
– Sushsh... Volte a dormir, está tudo bem. — e a escuridão novamente. Quando abriu os olhos novamente, encontrou um Niklaus adormecido junto a sua cama de hospital. Olheiras escuras sob seus olhos verdes, pesados com a preocupação.

Ela suspirou e adormeceu novamente. Não estava pronta para lidar com o mundo real. Não estava preparada para lidar com a dor.

~*~

– Eu sinto muito por sua perda. — Caroline murmurou, lançando um sorriso gentil para Amy Fell.
Amy balançou a cabeça, um meio sorriso em seus lábios pálidos. Os olhos castanhos, vermelhos de chorar. — Você é Caroline Forbes, né?

– Sim...

– Ele falava um monte sobre você. — ela suspirou, fechando os olhos por um breve momento. — Tyler te amava, Caroline, de verdade.

– Eu o amava também, Amy. Ele sempre será meu primeiro amor. — a loira balançou a cabeça, sentindo seus olhos se encherem de lágrimas. Acenou para a lápide e sua coragem fraquejou.

Tyler Lockwood.
Aqueles que amamos nunca morrem, apenas partem antes de nós.

– Que gênio veio com essa inscrição? — Caroline murmurou para si mesma. Amy franziu as sobrancelhas, mas não disse nada. Ajoelhou-se, colocou um único girassol sobre o túmulo recém coberto. A terra ainda revolta. Care suspirou e assistiu a jovem ir embora, exausta demais para confortá-la.

Amy Fell fora a namorada de Tyler Lockwood pelos últimos cinco anos, desde que ele partira de Mistic Falls.

– Hey, você está bem? — questionou Elena, caminhando até sua melhor amiga. Caroline concordou e se ajoelhou diante da lápide.
– Fizeram uma inscrição horrível. — comentou, girando os caules das flores entre as mãos. Sua melhor amiga sorriu e se ajoelhou ao seu lado.

– O que você escreveria?

– Eu escreveria... — Caroline soltou uma tulipa pálida e deixou que a flor se acomodasse em seu travesseiro de terra revirada. — Tyler Lockwood, rebelde sem causa. Tyler Lockwood, paixão à flor da pele. Tyler... Primeiro amor. — sua garganta se apertou. — Eu escreveria Tyler, melhor amigo. Tyler Lockwood, líder das causas perdidas e dos amores sem salvação.

Elena sorriu. — Tyler Lockwood, o melhor Gaston de teatro escolar.
Caroline soltou um riso choroso. — Tyler Lockwood... Eternidade é pouco tempo para ver seu sorriso. Tyler... O mundo vai sentir sua falta... — piscou as lágrimas e colocou o resto de suas tulipas na terra. — ... Eu vou.

Levantou-se, passou as mãos pela calça preta e soltou um sorriso. Elena entrelaçou os dedos nos seus. — Vamos voltar para casa, Care. — murmurou, puxando-a para os outros.

Bonnie estava parada junto ao carro, um braço ao redor da cintura de Matt. Eles já haviam se despedido.
– Prontas para voltar para a estrada? — questionou Matt, abrindo a porta do motorista. Pronto para dirigir de volta para Mistic Falls.

Caroline sorriu e balançou a cabeça concordando, entrando no carro. Ela apoiou a testa na janela e assistiu a paisagem mudar. Tyler Lockwood ficando para trás, o desfecho daquela tragédia. Sentiu um arrepio correr quando passaram pela Ponte Wickery.

Matthew parou o carro diante de sua casa. Niklaus estava parado diante da porta, as mãos nos bolsos. O sol já se punha e a penumbra cobria parte de seu rosto.
– A gente se vê amanhã, Care. — murmurou Bonnie, sorrindo.

Caroline acenou e desceu do carro, caminhando até Klaus. Ele passou um braço ao redor de sua cintura. — Então?

– Eles fizeram uma inscrição horrível. — comentou. Baixou os olhos. — Eu achei que... Que iria doer menos...

– Como assim?

– Sendo você, não ele, o amor da minha vida. Eu achei que doeria menos vê-los partir, já que não era o escolhido.

– Mas...

– Doeu, Nik. — ela suspirou. — Eu... Eu encontrei a namorada dele. Amy.

– E...

– E eu lembrei de Stefan e Kol. Eu me lembrei do desespero nos olhos de Kol, quando Jeremy quase morreu... E eu lembrei de Bonnie. — ela suspirou. — Eu lembrei dela e do amor incondicional que tinha por Jer... Ela desistiu de tudo, Nik. Eu vi.

Niklaus não sabia o que responder. Caroline narrara, ainda meio incoerente, seu passeio pelas lembranças alheias. Ela narrara a loucura de Bonnie e sua desistência de última hora. Klaus nunca se identificou tanto com uma pessoa. Ele conhecera o amor destrutivo, conhecera a paixão ardente... Queimando por seu corpo em um delírio palpável.

Portanto, Klaus perdoara. Ele perdoara Bonnie no segundo que Caroline contara-lhe que a bruxa estivera disposta a matar, mas desistira também por amor.

– Caroline, amor...

– Eu queria que não doesse tanto. — a loira balançou a cabeça, afundando o rosto no peito dele e o abraçando com força. — Eu queria que a dor não fosse tão familiar.

– Eu sei, Care, eu sei... — ele apertou os braços ao seu redor e beijou o topo de sua cabeça. — Mas vamos ficar bem.

– Não. — ela balançou a cabeça e ficou na ponta dos pés para beijá-lo. — Nós estamos bem, Nik... Posso soar egoísta, mas... Mesmo com toda essa dor, eu nunca me senti tão feliz.

Ele sorriu e beijou-lhe. — Sim, estamos bem.

EPÍLOGO

– Você está pronta? — questionou Stefan, batendo à porta.
– Pode entrar. — Caroline chamou sorrindo. O Salvatore sorriu. — Você está linda. — murmurou, ficando vermelho.

A loira deu uma volta com o vestido branco. — Você acha?

– Com certeza. — Stefan estendeu um braço para ela, sorrindo. — Pronta?

– Sim.

Caroline e Klaus haviam decidido por casar no jardim da antiga mansão Mikaelson, numa cerimônia privada e íntima. Nik demorara mais do que um dia para convencê-la de que um casamento com 50 convidados era tão bom quanto um casamento com 250.

O sol estava brilhando e Caroline sorriu quando viu, no final da nave, Rebekah, Bonnie e Elena. Suas madrinhas. Cada uma com seu respectivo par: Jeremy , Matt e Damon. Stefan fazia às vezes de pai da noiva.

Care convidara Bill para seu casamento, mas não se sentia confortável em ser guiada ao altar nos braços dele. Pretendia tornar oficial sua vida nesse mundo, sendo levada pelo homem que guiara-lhe pelo começo de sua vida como vampira. Aquela vida vampiresca cheia de drama, mas que também permitira-lhe crescer e se tornar uma pessoa profunda.

– Onde está o Henrik? — questionou, arfando e olhando ao redor. Procurou pelo filho.
– Kol está com ele, relaxe.

– Agora eu me sinto segura. — zombou. — Quem foi que deixou meu filho nos braços daquele lunático?

– Jeremy. Ele está tentando libertar um lado "fofo" no Kol ou algo assim. Você sabe, já que ele está tentando convecê-lo a tornar o relacionamento mais sério.

– Usando meu bebê como cobaia? É, não vai rolar. Você vai segurar o Henry, viu? Henrik não vai ser uma vítima das encrencas de Jeremy. Não é culpa do meu bebê se Kol tem medo de compromisso.

– Sim, senhora. — murmurou Stefan sorrindo e apertando o braço ao redor do dela.

Caroline sorriu quando chegaram no começo da nave, um tapete branco se estendendo pelo gramado. Ela sorriu para Niklaus, seus olhos se enchendo de lágrimas. Se um ano atrás alguém dissesse que estaria casada com um Mikaelson, ela o chamaria de louco.

– Não me deixe tropeçar. — murmurou para Stefan, usando-o como apoio. Ele riu.
– Nunca. — e guiou-lhe pela nave. Caroline havia escolhido uma música, mas ela nem mesmo sabia se a música estava ou não tocando. Seu coração batia rápido demais.

Sorriu, aproximando-se mais e mais de Nik. Percebeu que ele estava corado, os olhos verdes arregalados, como se tentasse absorver o máximo de informação possível.
Stefan soltou seu braço e pousou sua mão na de Klaus.

– Eu te amo. — murmurou, beijando a testa dela. Caroline fechou os olhos e concordou, soltando a mão de Nik e abraçando um de seus melhores amigos.

– Eu te amo, Stefan. — respondeu, afastando-se e tornando a entrelaçar os dedos nos de Nik. Viu Stefan caminhar até seu lugar ao lado de Kol e Liz. Tomou o pequeno Henrik nos braços. Um bebê rechonchudo, com os olhos azuis dela e os cabelos louro-sujos de Nik.
Ela mal ouviu enquanto o Juiz de Paz fazia seu discurso bem ensaiado.
Klaus apertou sua mão.

– Caroline, seus votos. — instruiu o homem entre eles. Ela respirou fundo. Tinha planejado aquilo, mas parecia que suas palavras tinham todas se embaralhado. Assumindo novos significados e fazendo com que hesitasse. Nik sorriu e ela suspirou, concordando.

– Nik, eu vi o melhor de você e eu vi o pior. — ouviu Damon soltar uma risadinha. — Eu vi o Niklaus que me assustou e o que permitiu que eu me aproximasse. Eu vi o Nik vulnerável e aquele com que ninguém deveria mexer. E eu escolho ambos. — apertou a mão dele entre a sua. — Eu escolho o Nik que me conhece melhor do que ninguém, por mais incrível que pareça. Eu escolho o homem que ama meu lado neurótico e eu escolho o homem que eu odeio durante o dia, mas também aquele de quem eu sinto falta no instante em que vou dormir.

Klaus riu baixinho. Ela sorriu e piscou com as lágrimas. — Eu escolho aquele em que eu penso no momento em que acordo. O que faz o pior café da manhã do mundo e que ama aniversários. Aquele que me salvou de mim mesma e aquele que eu salvei. Eu te escolho, Nik, de hoje para sempre.

Tomou uma das alianças que o Juiz segurava e colocou no dedo anelar dele, beijando sua mão antes de se endireitar e piscar com as lágrimas. Ele sorriu, entrelaçando seus dedos e dando um passo em sua direção, estreitando o espaço entre eles.

– Niklaus, seus votos.

Nik limpou a garganta, ficando vermelho. — Claramente, meus votos não são tão bem escritos quanto os seus, Care... — murmurou baixinho para que ela ouvisse. Caroline riu e revirou os olhos. Ele respirou fundo.

– Caroline, desde o momento que eu te conheci, você me cegou. Me cegou com sua luz, com sua paixão pela vida e sua constante teimosia. — sorriu, fazendo com que ela retribuísse. Lembrava-se bem da declaração piegas que ele fizera no outro mundo. Essa, por outro lado, tinha um novo significado.

– Sua luz colocou tudo em perspectiva e você me ensinou mais do que todos meus anos de vida, juntos, conseguiram. Eu aprendi a arte da paciência com você, amor. Aprendi a amar aniversários, porque é um marco de que passou mais um ano ao meu lado. Você me ensinou que o amor não é tolo, que perdão só existe com amadurecimento. — franziu o nariz, deixando claro que o perdão a que se referia era o que ela dedicara a ele. — Você me ensinou a aceitar a todos e a mim mesmo. E eu ao seu lado, eu aprendi a sorrir. A sorrir das pequenas alegrias, a sorrir das tristezas e sorrir até das irrelevâncias. Você fez da minha vida, uma aventura. E essa aventura eu pretendo viver ao seu lado. Eu te escolho, Caroline, de hoje para sempre.

Tomou uma aliança e colocou no dedo dela, beijando sua mão. — Eu te amo. — murmurou.

– Você pode beijar a noiva. — declarou o Juiz. Caroline riu quando ele entrelaçou os dedos nos seus, puxando-a pela mão e apoiando a mão livre em sua nuca. — Eu te amo hoje e para sempre. — murmurou, beijando-a.

FIM.

Notas finais
E eles viveram felizes para sempre! Espero que todos tenham gostado e, para quem quiser acompanhar o que mais eu escrevo, me acompanhem no Fanfiction Net (o meu perfil tem o link), pois com Domesticado eu termino também minha estadia aqui pelo fanfiction.br.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!