Lukas já está vestido para a escola. E ninguém imagina que por debaixo deste uniforme está uma calcinha bem apertada. Bem apertada mesmo.

Eu o chamo para irmos até a cozinha e ele vem andando bem vagarosamente.

Deve estar bem desconfortável, ele mal consegue caminhar sem fazer carinha de dor.

Mas sinceramente? Nem ligo, ele merece.

— Vai, vamos logo, não quero me atrasar pra escola. — provoco ele, batendo palmas para agilizá-lo.

— Por favor, Emily, tá muito apertado.

— Ótimo, a intenção é essa mesmo: espremer tudo aí embaixo. Agora faça meu café da manhã!

— Sim, senhora, o que você quer? — ele responde meio cabisbaixo.

— Ovos mexidos pra combinar com essa sua punição.

Ele fica sem graça com meu pedido. Deve estar constrangido em ver a própria irmã tirando sarro da situação dele.

— S-sim, senhora. Mas depois disso eu posso me trocar, por favor?

— Claro que não. — odeio quando ele faz pergunta idiota.

— Por favor, Emi, juro que já aprendi minha lição.

— E eu juro que se você me pedir isso mais uma vez, eu farei ovos mexidos com os seus ovos.

Ele faz uma expressão de assustado e apenas aceita a punição, pois aceitar será o caminho menos doloroso pra ele.

Sento na cadeira e fico de braços cruzados assistindo ele preparar nosso café da manhã.

Estou adorando essa cena.

Ele faz meu prato com muito capricho. Está entendendo como deve tratar sua dona.

E assim que a gente termina de comer tudo, ele lava a louça que sujamos e saímos para a escola.

Será uma caminhada rápida. Nós moramos há apenas três quarteirões do local em que estudamos.

Bom, seria uma caminhada rápida se o Lukas conseguisse caminhar mais rápido enquanto está com as bolas espremidas.

Ao virar a esquina da rua da nossa casa, vejo a minha melhor amiga, Luna, descendo a rua. Me encontro com ela e nós três começamos a caminhar juntos em direção ao portão da escola.

— Por que você está andando tão devagar, Lukas? — pergunta Luna, claramente incomodada pela lerdeza dele.

— Não é da sua conta. — meu irmão sendo babaca como sempre.

Eu dou um tapa na cabeça dele por ter sido grosso com minha amiga.

— Fala direito com ela, senão o próximo tapa será em outro lugar. — falo num tom ameaçador.

Ele protege a virilha e Luna ri, imaginando eu acertando o tapa no "lugar" ao qual eu me referia.

— Desculpa. — ele fala comigo num tom amedrontado.

— Não é pra mim que você deve se desculpar.

— Desculpa Luna.

— Nossa, essa ameaça surtiu efeito, hein? — ela ri novamente da expressão de assustado e arrependido de Lukas. — Relaxa, tá tudo bem.

A sorte dele é que a Luna é uma garota tranquila. A maioria das garotas que conheço não iria aceitar desrespeito de moleque folgado.

Continuamos nossa caminhada... No ritmo do meu irmão.

Mas ao passarmos pelo portão da escola, Lukas começa a diminuir ainda mais o passo.

Olho para trás e vejo que ele está parado, passando mal.

De repente, ele cai no chão. Eu e Luna entramos em choque e corremos até ele.

— Lukas? Lukas? — falo enquanto balanço ele e dou leves tapinhas em seu rosto.

Então, ele começa a abrir os olhos, meio zonzo.

— O que aconteceu? — ele responde confuso.

— Parece que você apagou por uns dois segundos. Tá tudo bem? — Luna pergunta.

Lukas sente dificuldade para falar, aparentemente sentindo muito desconforto e até mesmo um pouco de falta de ar.

Ainda estou incrédula em ver que isso está acontecendo só por causa da calcinha apertada que obriguei ele a vestir.

— Vamos levá-lo para a enfermaria. — Luna diz, aflita em vê-lo daquele jeito.

Nesse momento, eu acharia melhor que ele só fosse até o banheiro tirar a calcinha, mas fiquei sem reação quando Luna disse para levarmos ele para a enfermaria. Fiquei sem saber como recusar o pedido dela.

Portanto, eu apenas concordo com minha amiga e ajudamos o Lukas a se levantar.

Eu e Luna vamos caminhando lentamente, segurando ele pelos braços para que ele não caia de novo. As pessoas ao redor apenas observam preocupadas.

E naquele momento, eu também estava preocupada com a situação.

Na enfermaria, encontramos Olivia, a enfermeira da escola, que nos atende de forma muito atenciosa.

— Ele desmaiou por alguns segundos. Está passando mal. — diz Luna enquanto Olivia imediatamente o ajuda a se sentar numa cadeira.

— Lukas? Está tudo bem? Me diga o que você está sentindo.

Até então ele ainda estava meio tonto por causa do desmaio, não estava entendendo onde estava.

Mas parece que agora finalmente está caindo a ficha para ele sobre que está acontecendo. Então ele retoma a lucidez e responde a enfermeira.

— O-oi, não é nada, eu estou bem. — diz Lukas, claramente ainda sentindo desconforto.

— Você não parece muito bem, me conta o que aconteceu. — insiste a enfermeira.

— Eu só tropecei, que saco, me deixa em paz, estou atrasado para a aula. — ele responde enquanto tenta levantar da cadeira, visivelmente com dor.

— Desculpe, mas você vai ficar aqui até melhorar ou seus pais virem te buscar. Não se preocupe com a aula, fique aqui que eu vou medir sua febre.

— Eu vou embora, você não manda em mim. — ele empurra a Olivia e sai andando.

Porém, eu paro na frente da porta com os braços cruzados, impedindo ele de ir embora.

— Mas eu mando! — falo com tom de autoridade.

— Emily, por favor, eu só preciso ir ao banheiro tirar isso, está muito apertado. — ele fala baixinho para Luna e Olivia não ouvirem.

— Não se preocupe, eu vou deixar você tirar a calcinha, suas bolas já sofreram demais por hoje. — cochicho no ouvido dele.

— Obrigado. — ele responde e tenta passar por mim, mas eu o seguro pelo braço.

— Ei, calma aí, aonde você pensa que você vai?

— Ué, você deixou eu sair para remover aquilo.

— Eu disse que você pode tirar a calcinha, não disse que você pode sair daqui. — esse menino é um iludido mesmo.

— Emi, você tá maluca? Eu não vou tirar a roupa aqui.

— Maluco é você que acha que pode tratá-las desse jeito sem sofrer qualquer tipo de consequência. — quantas vezes esse idiota terá que ser punido para aprender a tratar bem as mulheres?

— O que está acontecendo? — a enfermeira questiona enquanto assiste eu e Lukas cochichando na porta.

— Você irá contar para elas ou eu conto? — pergunto para Lukas.

— Eu já disse, eu só tropecei. — ninguém acredita nessa desculpa fajuta dele.

— Nenhum de vocês três vai embora sem me explicar o que está acontecendo.

— Mas eu tô tão perdida quanto você. — responde Luna indignada.

— Ok, não iremos contar nada para elas. — eu falo no ouvido de Lukas.

— Muito, muito obrigado.

— Iremos mostrar! — eu digo ao abaixar de maneira abrupta as calças dele.

E antes dele conseguir se abaixar para levantar as calças, eu seguro os braços dele para trás, imobilizando-o.

Luna e Olivia apenas olham boquiabertas aquela cena.

— Por que você está vestindo... uma calcinha? — Olivia pergunta confusa.

— E... tão pequena? — Luna complementa, ainda mais confusa.

— Ai, ai, Emi, me solta, me solta.

— Emily, solta ele. — Olivia manda e eu obedeço.

Assim que eu solto os braços dele, ele levanta imediatamente as calças com o rosto vermelho de vergonha.

— Agora estou entendendo porque você desmaiou, olha o quão apertado está esse negócio aí. — Olivia diz incrédula.

— Por que você tá de calcinha? — Luna questiona enquanto ri timidamente.

Lukas ficou sem saber o que responder. Ele não sabe o que era pior, dizer que vestiu uma calcinha apertada porque quis ou porque a irmãzinha dele o obrigou a vestir uma.

— Posso ir no banheiro tirar isso?

À essa altura, o rosto dele já estava mais vermelho que um tomate.

— Pelo amor de Deus, vai logo tirar isso aí antes que você fique estéril. — diz Olivia e ele vai imediatamente para o banheiro para encerrar com a punição mais humilhante e desesperadora da vida dele... Até agora.

Notas finais
Já tenho algumas ideias pros próximos capítulos, mas aceito sugestões também. Muito obrigada para quem leu até aqui. Comentem se curtiram.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.