Domadores de Dragões
23 Yue Ryuu - 190 anos Imortal
Notas iniciais
Olho para minha namorada. Ela usa roupas festivas tradicionais de meu reino e minha tiara. Ela ajeita mais uma vez a manga do sobre tudo e depois o cabelo.
– Você está linda. – Sorrio. Ela olha para mim séria.
– Linda? – Ela puxou o sobre tudo para frente e respirou fundo. – Eu me sinto esmagada em... Entre duas pedras de tecido!
– Duas o quê? – Eu rio. – Você está bem.
– O-obrigada. – Ela fica ligeiramente vermelha. “Como eu amo essa humana...”.
Nos aproximamos dos portões do meu antigo castelo. Estou nervoso. “É isso Yue. O castelo que você evitou durante a sua vida inteira. Chagou a hora de anunciar ao mundo algo que até mesmo Akay tem medo de dizer em voz alta”. A carruagem balança na estrada da floresta.
– Estamos perto.
Akay aperta a minha mão e enquanto observa a paisagem. Toda a floresta é verde e marrom, do jeito que deve ser. Então a música chega aos meus ouvidos. “Nunca mudam as músicas?”. Ela sorri para mim e se ajeita, pronta para descer. A porta se abre. Desço primeiro e depois a ajudo a descer.
– Chegamos. – Olhou para os convidados que chegam. – Bem vinda ao meu antigo lar.
– É tão grande! – Ela observa o castelo com os olhos brilhando. – Onde era o seu quarto?
– Ali. – Aponto para a torre do sul, a maior de todas. – Era bem quente lá dentro, mas nunca liguei muito.
– Como sempre.
Subimos as escadas de braços dados. Algumas pessoas param para nos observar o olham com curiosidade para Akay, que parece estar distraída demais com o castelo para perceber. “A pessoa mais curiosa que conheço”. Entramos no salão de festas. Um homem que está na porta anuncia os nomes. Nos aproximamos dele e falamos nossos nomes.
– Yue Ryuu e Akay Ichiro. – Ele pronuncia. Todos param de conversar e olham para nós. Akay aperta minha mão.
– Calma. – Digo gentilmente.
– Estou calma é que seus pais estão me encarando.
– É a tiara.
– Devo tirá-la?
– Não. Fique com ela custe o que custar. – Descemos as escadas.
– Certo.
Ninguém mais presta atenção em nós. Atravessamos o salão e vamos à direção do bufê. Pego duas taças de vinho e dou uma para Akay. Ela olha para mim e depois para o vinho. Alguns segundos depois e experimenta um gole. Ela faz uma careta e o coloca na mesa novamente.
– É horrível!
– Sim. Mas é ótimo para esquecer. – Bebo o conteúdo com um gole.
– Como consegue beber? – Ela me observa beber o resto de seu vinho e torce o nariz. – Você esqueceu sua língua em casa?
– Não. – Coloco a taça na mesa. – Apenas esqueça que é horrível.
– É impossível! Meu paladar vai sempre me lembrar.
Caio na risada, chamando a atenção de alguns elfos que estão por perto. Então, percebo que não olham para mim e sim para alguém atrás de mim. Viro-me e dou de cara com minha irmã. Akay se coloca ao meu lado. Minha irmã avalia Akay dos pés a cabeça e encara a tiara em sua cabeça durante um tempo.
– Yue! – Ela me abraça e beija minha bochecha. – Estive esperando esse tempo todo pela a sua volta!
– Irmã.
– Vejo que trouxe uma amiga. – Ela olha para Akay com fogo nos olhos.
– Esta é Akay. Nos conhecemos há alguns anos.
– Prazer. – Akay abaixa a cabeça e olha para mim com expectativa.
– Akay? – Minha irmã avalia Akay milímetro por milímetro. “Ela está mais chata do que eu me lembrava”. – Nunca ouvi falar. Não entendo como você pode andar ao lado desta menina qualquer.
– Eu faço o que eu quiser com minha vida. – Cruzo os braços.
– Você poderia desencanar de ficar com uma mortal e ficar com algo como você e bem mais madura. – Ela cruza os braços e levanta os peitos.
– Sério? – Avalio ela. – Você não tem mais nada melhor para fazer? Vai flertar com outro elfo por aí.
– Ah! – Ela vira as costas e joga o cabelo na minha cara e na cara de Akay, que está vermelha.
– Hey. – Sorrio. – Você está bem?
– Sim...
A noite passa devagar. Muitos casais dançam. Chamo Akay para dançar e ela aceita relutante. Vamos até o centro do salão. Abraço sua cintura e aproximo seu corpo do meu. Dançamos no ritmo da música e espero que ela proteste, dizendo que não sabe dançar. Mas ela fica calada. Quando pergunto o que houve, ela apenas balança a cabeça e não diz nada. No fim da dança, quando os homens beijam a mão da dama, beijo sua bochecha, bem próximo dos lábios. Ela fica vermelha e sorri. “Essa é a minha Akay”.
Os reis chamam a atenção de todos e me chama para ir para frente junto com toda a família. Percebo, então, uma fila de garotas elfas jovens próximas ao meu pai. “Então é isso o que ele queria comigo, como eu previ”.
– Estamos aqui reunidos junto ao meu filho mais velho, Yue. Para a celebração da primavera! – O público bate palmas. Observo cada um de meus irmãos. Taiyo está de braços dados com Heiwa, a mais nova das irmãs. “Então ele vai se casar... Que coincidência”. – Agora. Yue, a mais de 100 anos atrás você se recusou a casar sua irmã, Momoi. Então, hoje eu e sua mãe trazemos novas pretendentes.
Observo a fila de garotas. “São tão jovens... Devem ser mais novas que a Akay!”. Olho para Momoi. Ela está observando a fila de garota com fogo nos olhos. Reviro os olhos e encontro Akay me encarando.
– Desculpe-me pai, mas... – Estico a mão para Akay. Ela a pega e fica ao meu lado. – Acho que ainda não o apresentei para Akay, a Domadora de Dragões.
Ela faz uma reverência. Todos prendem a respiração com o; “Domadora de Dragões”.
– Prazer Akay. – Ele diz rangendo os dentes. – Agora, escolha uma noiva.
– Eu já escolhi pai. – Dou um sorriso e abraço a cintura de Akay, trazendo ela para mais perto de mim. – Akay é minha noiva faz alguns meses.
Todos prendem a respiração e olham para o meu pai. Ele está vermelho de raiva.
– O que disse?!
– Essa mortal? – Momoi grita. – Como pode casar uma mortal?
– Correção, Senhorita Momoi. – Diz Akay. – Domadores de Dragões são imortais.
– E estão todos convidados para a nossa celebração de união. – Sorrio e pego a mão de Akay.
– Está nos enganando! Se recusar a casar um elfo!
– Se realmente estivesse enganando vocês, faria algo assim?
Inclino Akay para trás e a beijo. Escuto várias pessoas prendendo a respiração de surpresa. Akay passa a mão pelo meu cabelo. Abro os olhos e nos afastamos. Meu pai está vermelho igual ao um tomate, Minha mãe está branca e Momoi, paralisada.
– Eu amo Akay! E pretendo me casar com ela no inicio do verão!
– Um absurdo!
– Que desonra para a nossa família!
– Eu sou Yue Ryuu. Não faço parte de sua família.
Dou a mão para Akay. Gorny aparece do teto aberto do salão e pousa no meio do salão. Akay sorri radiante e o abraça. Ela diz algo na língua dos dragões e sobe nele, eu atrás dela. Gorny levanta voou. Não olho para trás assim como fiz da ultima vez. Apenas escuto os gritos de Momoi.
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