Domadores de Dragões

31 Mika Kagayame - 25 anos


Notas iniciais
Em um velho bar fedorento...

Mika encarou o dono do bar com raiva e bebericou a cerveja. O velho limpou o balcão com um pano sujo e se inclinou para Mika.

– O que quer?

– Informações. — Mika sorriu maliciosamente.

– Informações são caras, Mika. Até mesmo para você.

– Preciso de informações sobre Hemillion. — Ela colocou a mão no bolso e pousou duas moedas de prata.

– Hemillion? — O velho observou as moedas. — Acho que nunca ouvi falar.

– Tem certeza? — Ela puxou com o dedão uma moeda de ouro. O velho levantou as sobrancelhas.

– Eu me lembro de ter visto um bruxo. — Disse pegando as moedas. — Ele dizia trabalhar para um Rei... Rei Hemillion. Já ouviu falar.

– Sim. – Mika rangeu os dentes. – Ele disse algo sobre dragões vermelhos ou a destruição de uma vila?

– Não.

Mika bufou e se levantou. Andou vagarosamente pelas ruas da pequena cidade. “Preciso encontrar mais agentes...”. Yue apareceu na sua frente. Ele vestia uma capa marrom escura, que estava totalmente suja, e segurava um livro grosso nas mãos. Ele puxou Mika para dentro de uma pequena hospedaria. Mika o encarou.

– O que aconteceu? – Ela perguntou enquanto ele buscava algo entre seus frascos misteriosos. Suas mãos tremiam de ansiedade, ou era medo? – Yue! – Ele parou. – O que aconteceu?

– M-Mika... – Ele se virou. Segurava um frasco preto nas mãos. Seus olhos estavam totalmente brancos e várias veias negras saltavam em seu rosto pálido.

– Yue! – Mika ajudou o elfo a se sentar em uma poltrona próxima. – Acalme-se. Acalme-se.

– Akay foi levada! Levada! – Ele gritou e fitou o chão com os olhos brancos. Passou a mão pelos cabelos. – Levada! Rei Hemillion! Seqüestrou minha noiva!

– YUE!

Ele piscou. Seus olhos voltaram a ficar azuis e seu rosto ficou normal. Mika abraçou o elfo como se ele fosse um bebê. Cantarolou uma antiga música elfa – a única que conhecia – e observou o elfo fitar o livro que carregava.

– O que é esse livro?

– A última coisa que me sobrou de Akay.

– Ela não morreu. Podemos chegar até lá.

– Ela...

– Yue. Olhe para mim. – Ele encarou a garota com seus olhos azuis. Mika pensou que fosse derreter. Sempre amou o elfo, mas nunca foi a única garota na vida dele. Akay chegou primeiro. Afastou o pensamento. – Vamos atrás dela.

– Faz isso?

– Claro. Vocês são meus amigos. Akay é minha amiga. – Mika sentiu um gosto amargo na boca quando disse. Yue suspirou e guardou o frasco preto dentro de seu baú.

– Partimos ao amanhecer.

– Sim. Vamos descansar. – Ela observou o elfo tirar a capa e se deitar em uma cama pequena que havia sido movida para o canto do minúsculo quarto. Mika se imaginou usando a tiara do elfo na cabeça e usando um belo vestido durante a festa de casamento dos dois. Sorriu. Olhou para o livro que Yue abraçava e o sorriso desapareceu. “Mas primeiro eu tenho algo para cuidar”. Vestiu sua capa preta e saiu da hospedaria. Um homem musculoso e de aparência bruta acompanhou Mika até um beco.

O homem observou Mika tirar a capa e o corpete, sobrando apenas seu corpo nu.

– Eu aceito me justar ao clã de Connor.

O homem se aproximou de Mika e cortou seu braço com uma faca, fazendo o símbolo mais temido do reino, o pássaro de fogo congelado. Após terminar seu trabalho, o homem cobriu o corpo de Mika com a capa.

– Guarde para o nosso mestre. – Disse com uma voz grossa.

Mika se sentiu envergonhada, mas poderosa. “Agora posso ter o que eu mais quero”. Vestiu sua armadura e seguiu o homem.

Notas finais
Um pouco da história: Mika sempre deixou seu amor por Yue de lado, mas nunca conseguia controlar seus sentimentos quando estava ao lado do elfo, quando Akay surgiu na vida dos dois e conquistou o coração de seu amado, Mika entrou em guerra com a garota e prometeu a si mesma que iria casar com o elfo nem que fosse a última coisa.