Notas iniciais
Fiquei sem postar ontem. O dia foi mesmo muito corrido, com a missa na Sé de manhã e o jogo e comemorações. Então, eis aqui o novo capítulo.

ELSA

O avião havia pousado sobre uma plataforma abandonada. Estavam a cerca de vinte quilômetros da base que seria invadida, e temiam que o radar os tivesse detectado. Teriam de ser sigilosos e rápidos. Um caminhão os aguardava a três metros da plataforma, e Elsa pensou ler algo como “Frutas Frescas – só com Alvim!” na caçamba. Seu russo estava fraco. Seguiu a sua equipe em silêncio, ficando um pouco para trás com Frost.

– Um dispositivo, é? – ele sussurrou, para que apenas ela escutasse.

– Cale a boca, Frost.

– Quando pretende dizer que...

– Olá! – um adolescente pulou do banco do motorista do veículo, e Frost se calou. – Chegaram cedo – o adolescente continuou. – Quer dizer, eles mal tiveram tempo de fazer um inventário do que tem lá. Muito bom.

– Você os esteve observando? – perguntou Sandy, olhando com curiosidade para os desenhos de fruta no caminhão.

– Por isso me mandaram aqui, não foi, bonita? – ele respondeu, com naturalidade. Sandy corou e revirou os olhos. – Bom, eu consegui tudo o que pediu, Sal. Mas demorou para aquele velho me conceder o gás lacrimogênio.

– Tanto faz, Eugene, desde que tenha conseguido tudo – Sal riu. Eugene assentiu e revirou os olhos. O grupo se acomodou na caçamba do caminhão, enquanto Sal repassava o plano.

– Eles acham que eu sou uma agente deles – ela disse – Então vou entrar primeiro com naturalidade na sala de controle, onde vou acessar o computador principal e copiar os dados. Vou esvaziar a sala, então desligar o sistema de luz fazendo com que eles percam os dados que eu copiei. Noel e Sandy vão ativar as bombas de gás lacrimogênio – com equipamento para não serem afetados, assim como todos nós – e a fumaça. Paco e Elsa vão até o arsenal, onde ele vai ver se a barra está limpa e ela vai usar o seu “dispositivo” para congelar as armas. Então nos encontramos na saída dos fundos, onde haverá um transporte nos aguardando, certo Eugene?

– Sim – ele respondeu do banco da frente.

– Você tem idade para dirigir um caminhão, cara? – Paco perguntou. Ele deu de ombros.

– E Frost – Sal voltou-se para ele – Você vai ficar no caminhão com ele.

Ele rangeu os dentes e assentiu, contrariado. Eugene estacionou e eles desceram. A brisa gélida beijou o rosto de Elsa, mas ela não sentiu-se incomodada, ao contrário do resto da equipe. Tentou ignorar o fato de que Sal a observara, desconfiada, durante todo o percurso. A base militar erguia-se, imponente. Tinha apenas dois andares, mas estendia-se por vários metros.

– Muito bem – Sal voltou-se para Paco e Elsa – Vocês entram ao ouvirem o alarme. E vocês, senhor Schneider e Sandy, sabem o que fazer.

Os dois assentiram simultaneamente. Elsa sentou-se na neve, e esticou os dedos. Paco sentou-se ao seu lado.

– Já fez algo como isso antes? – ele perguntou, olhando Sal e os ilusionistas se afastarem até chegarem ao edifício.

– Não – admitiu Elsa. – E caçar vampiros parece ser uma tarefa bem mais fácil.

– Com certeza é – ele assentiu. Ficaram em silêncio. Passado um tempo, todas as luzes se apagaram. Gritos e fumaça começaram a sair das janelas. Elsa e Paco colocaram as máscaras e começaram a correr até lá. Era estranho correr contra o fluxo de pessoas que fugiam do local. O caminho estava livre, então, desviando-se de vários grupos de pessoas, eles chegaram rapidamente até o arsenal principal. Enquanto Paco forçava a porta, Elsa viu uma jovem se aproximando. Ela brandia uma pistola pequena, mas ameaçadora, e apontava para a cabeça da caçadora. Elsa se desviou e procurou a própria pistola, quando se lembrou que não tinha uma. Mordeu o lábio inferior e empurrou Paco.

– Detenha a moça! – gritou. Tirou as luvas e tocou a porta. Concentrou-se e, no mesmo instante, toda a superfície de metal virou gelo. Ela a forçou, fazendo com que quebrasse. Urrou de dor ao sentir o impacto da bala com a sua panturrilha direita. “Foco”, pensou, lutando para ignorar a dor. Tinha um objetivo. Cambaleou para dentro do arsenal, ignorando o fato de que aqueles mísseis e armamentos eram intimidadores. Tocou o chão de metal, e no mesmo momento gelo sólido começou a se erguer do chão, envolvendo, aos poucos, as armas. Ela tinha que ser mais rápida.

– Tem como eu ajudar? – ela ouviu Paco gritar do lado de fora.

– Não deixando ninguém entrar – ela gritou de volta, imaginando que Conejo tivesse derrotado a jovem. Concentrou-se. Ignorou a dor. Tocou o chão com as duas mãos e as ergueu. Seguindo o seu movimento, o gelo ergueu-se e envolveu a sala inteira. Ela se arrastou para trás, até que a sala tornou-se um enorme bloco de gelo.

– Paco! – ela gritou – Me carregue e corra daqui!

Paco obedeceu, e conforme ele corria e ela erguia as mãos, o corredor era tomado pelo gelo. Exausta, a última coisa que ela viu foi o rosto preocupado de Jack ao ser jogada em um caminhão.

Notas finais
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