Dollhouse
6 O Baile - Parte II
Notas iniciais
Minutos se passaram, talvez horas, quando a porta se abriu de novo. Rin se perguntou se era SeeU voltando para a humilhar, mas a voz amiga e familiar que escutou definitivamente não era a dela.
“... Rin... O que aconteceu?!”
Rin correu e enterrou sua cabeça em Luka, começando finalmente a chorar desesperadamente. Ela não estava coerente o suficiente para responder aos apelos e perguntas de Luka, mas parece que a mais velha acabou entendendo o que tinha acontecido.
“Eu vi SeeU saindo daqui mais cedo, tinha pedido pra ela me ajudar a te procurar... Mas nunca imaginei que ela fosse fazer algo assim... Meu Deus Rin, meu Deus.”
Rin continuou chorando até que Luka a afastou e a forçou a olhar nos seus olhos.
“Rin. Rin, me escute. Você vai se apresentar, escutou?”
“C-como? Do jeito que estou...” Rin perguntou em meio as suas lágrimas.
“É por isso que vou te ajudar. Olha, se quisermos fazer isso dar tempo, tenho que ir agora. Confie em mim e espere aqui.” Com essas palavras Luka saiu correndo para dentro do salão.
Rin parou de chorar, ainda tremendo de stress, esperando Luka voltar. Por mais que SeeU a odiasse, Rin ainda achava que isso já era cruel demais. Talvez o que tinha ajudado a motivá-la era o fato de ela ter parecido obcecada com o fato do vestido das duas estar igual. Eliminando Rin da apresentação iria significar mais atenção para ela.
Rin estava ficando mais nervosa com o passar dos minutos, Luka ainda não tinha aparecido. Será que ter esperança de novo só iria desapontá-la, mais uma vez?
Rin observou pela porta e viu que os casais na pista de dança já estavam se dispersando, e a apresentação provavelmente começaria logo. Nervosa, ela começou a andar de um lado pro outro, desesperada pela chegada de Luka.
Depois de alguns agonizantes minutos que mais pareceram horas, Luka finalmente apareceu, mas não pela porta do salão igual Rin esperava. Luka estava bufando em exaustão, e ela tinha aparecido por detrás de Rin, nas suas mãos algo que Rin teve que esfregar os olhos duas vezes para acreditar no que estava vendo. Um vestido.
“Eu... contornei... o salão...” Ela disse enquanto tomava respirações profundas. Depois que pareceu ter recuperado um pouco do fôlego, ela segurou Rin pelo braço e a guiou para longe do salão, nas profundezas do jardim. A Lua fornecia luz o suficiente para que elas conseguissem enxergar bem.
Quando chegaram num lugar mais reservado, Luka sorriu maliciosamente para Rin. “Tire suas roupas. Você vai se apresentar nessa maldita festa, nem que seja a última coisa que eu faça.”
Rin, incrédula, mas começando a se sentir empolgada, começou a tirar o vestido com a ajuda de Luka.
Das coisas que Rin se imaginou passando nessa baile, ficar de roupa íntima no jardim definitivamente não era uma delas. Mas, bem, ganhar um banho de vinho também não.
Ela já estava de corpete, então era simplesmente colocar o vestido. Mas enquanto Luka o ajustava e Rin teve uma chance melhor de vê-lo, ela percebeu algo diferente.
“Mas... Esse vestido não é meu.”
Luka sorriu e olhou para Rin com algo que só poderia ser definido como maldade pura. “Eu sei... É de SeeU.”
Rin olhou para ela chocada, sem reação.
“Você não tem vestidos de festa o suficiente...” Luka explicou, ainda sorrindo. “E esse é um que SeeU esteve guardando para usar por muito tempo, já que é o mais bonito que ela tem. Provavelmente ela quer usar no seu próprio baile de debutante, mas acho que agora ela não vai mais ter essa chance. É hora daquela garota mimada aprender uma lição.”.
Luka acabou de arrumar Rin, e parou para olhar para ela com um olhar aprovador. “Queria que tivesse um espelho aqui para você ver como está. Não esperei que esse estilo ficasse tão bem com você, mas fica... Um anjo vestido nas roupas de um demônio. Uma princesa do mal”.
O vestido realmente passava essa impressão. Ele era de um vermelho profundo, quase da cor do vinho que SeeU tinha derrubado em Rin antes. Ele tinha detalhes negros e dourados, e vinha acompanhado com luvas longas. O fato de que ele deixava os ombros nus contribuía para a aura sensual do vestido.
“Vermelho,” pensou Rin. “É a cor da vingança.”
Ela sorriu e tirou seu colar para fora do vestido, segurando-o para lhe dar coragem enquanto corria com Luka para o baile.
As duas abriram as portas, correndo, e Rin não perdeu tempo, empurrando quem quer que estivesse em seu caminho enquanto corria para o centro do salão.
Mas, ao chegar perto, ela percebeu que Lily e SeeU já estavam se apresentando, e o pior, já quase acabando.
“Eu sabia que isso ia acontecer” Ela pensou, desesperada. “Porque pensei que poderia ter uma chance?”
Ela olhou para baixo e viu seu colar de clave de sol. O colar que sua mãe lhe dera, com muito trabalho e sacrifício.
“Não,” Rin murmurou. “Tudo isso não pôde ter sido por nada.”
Ela iria mostrar para SeeU, Lily e para os aristocratas ali do que era capaz.
Foi esse pensamento que a deu coragem para subir no palco depois que Lily e SeeU acabaram de se apresentar.
Todos tinham acabado de aplaudi-las, e ambas extremamente orgulhosas tinham expressões no rosto como se tivessem acabado de ser coroadas rainhas da Inglaterra. Mas o que elas certamente não esperavam foi quando Rin subiu no palco logo depois de que elas saíram.
O público de aristocratas que estava assistindo pareceu pensar que isso era parte da apresentação, e olharam para Rin curiosos. Ela não esperou para vê-los cochichando entre si e julgando-a, ou se divertindo com o aparecimento da “bastarda”, prontos para fazer críticas.
Ela sorriu confidentemente para a plateia.
“Boa noite. Eu sou Rin Kagamine e vou apresentar Greensleaves.” Ela se virou e pegou um dos violinos que estavam no palco, onde a orquestra tinha se apresentado mais cedo. Era uma sorte que havia tantos violinistas em orquestras.
Ela respirou fundo e rezou para que tudo desse certo.
(N/A: Se quer ver a performance em que a de Rin foi inspirada, procure 'Greensleaves violino solo' no YouTube e clique no primeiro resultado, o nome do vídeo é 'Greensleaves for solo violin'.)
Quando as primeiras notas soaram, ela lentamente se desconectou do mundo, perdida no sentimento maravilhoso que era ter um violino nas mãos novamente. De escutar suas notas agudas e harmônicas, de passar seus dedos nas cordas e sentir a madeira polida repousando suavemente contra seu pescoço.
Já que aprendera a tocar praticamente sozinha, Rin tinha um jeito único de tocar, e ela percebeu que algumas pessoas estavam confusas com a parte que ela tocou o violino com os dedos para fazer soar as primeiras notas de Greensleaves. Mas era inegável o efeito produzido, extremamente delicado e suave.
Greensleaves, a música clássica dos reis ingleses, que cantavam sobre seu amor profundo e não correspondido. A música que fizera Rin se apaixonar pelo violino, que a fizera entender o impacto que a música pode ter na vida das pessoas.
Ela sorriu e finalmente começou a tocar com o arco, o som produzido forte e potente, diferente das notas suaves que tocara antes.
Rin sabia que deveria ter mantido os olhos abertos para ver a reação do público, e principalmente de SeeU. Mas ela já estava perdida na própria música, perdida no seu mundo de inspiração e felicidade.
Ela tocou e dançou, igual como costumava fazer quando tocava sozinha nos campos, e sua mãe ria e dizia como ela era boa. Tempos felizes, em que Rin era pobre e vivia coberta de sujeira, mas ainda era mais feliz do que agora que tinha todo o luxo do mundo.
Ela tocou com saudade e paixão, a nostalgia a deixando tonta de inspiração.
Quando escutou as últimas notas da música soarem, Rin sentiu uma pontada de tristeza, mas também se sentiu completamente em paz.
Ela abriu os olhos e viu a audiência a encarando de volta, em silêncio. Rin de repente sentiu uma pontada de nervosismo. Será que ela tinha feito algo errado e não percebera? Será que eles não tinham gostado da apresentação?
Mas então alguém começou a bater palmas lentamente, e logo um coro de palmas soou pelo salão.
Rin viu Lily e SeeU paradas há alguns metros de si. Lily estava de boca aberta e aparentemente ainda sem reação, e SeeU parecia uma curiosa mistura de pálida de choque e vermelha de raiva.
Rin sorriu. Sua missão estava cumprida.
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Kaito sorriu da plateia. Ele se levantou e começou a bater palmas lentamente quando a performance da menina Kagamine terminou.
Quando os Kagamine contrataram sua orquestra para tocar em mais um de seus vários bailes, ele não tinha esperado que nada de novo ou empolgante fosse acontecer. Mas depois de ver a surpreendente apresentação da mais nova membro da família, ele definitivamente não pensava mais assim.
Tão nova, mas já conseguia tocar daquele jeito... Ela definitivamente tinha muito potencial.
Será que os Kagamine iriam querer um professor de violino?
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