Dollhouse

1 A Mansão


Notas iniciais
O desenvolvimento do romance nessa história será lento e realista, e novos casais serão formados e desfeitos ao longo do enredo.Esse capítulo é meio parado, mas novos eventos surgirão nos próximos (que também serão significadamente maiores que esse primeiro). Boa leitura, espero que goste! ^^

Agora que Rin finalmente estava parada na porta da mansão Kagamine, ela simplesmente não conseguia se convencer a entrar.

Aquela não era a sua casa. Nunca fora e nunca seria. Uma vez, Rin escutou alguém dizer que o verdadeiro lar de uma pessoa é onde estão aqueles que as amam. E a única pessoa que Rin amou, e que a amou de volta, estava enterrada e esquecida pelo mundo, apodrecendo debaixo da terra.

“Será,” Refletiu Rin silenciosamente, encarando o chão sob seus pés “esse o lugar que pertenço agora? Será meu lar também debaixo da terra, junto de minha mãe?”.

Lágrimas embaçaram seus olhos, e Rin nem se deu ao esforço de enxugá-las. Memórias de sua mãe em seu leito de morte ressurgiram, fazendo-a agonizar ainda mais e lembrando-a do verdadeiro motivo pelo qual estava ali, na frente do belo império Kagamine, que para tantos poderia parecer belo e glorioso – mas que para Rin era nada mais do que o símbolo concreto de seu sofrimento.

Afinal, foi o dono dessa incrível mansão que causou a morte de sua mãe, mesmo que indiretamente. Leon Kagamine, um homem conhecido na sociedade da época como um bem-sucedido empreendedor, foi o responsável por iludir e seduzir uma jovem servente de dezesseis anos, que mais tarde viria dar a luz a uma criança bastarda – para grande desgosto da senhora Ann Kagamine, que carregava um bebê de seu esposo Leon ela mesma.

E depois de ter abandonado e jogado a mãe de Rin na rua, quando ela era apenas uma jovem órfã grávida e sem nenhuma educação escolar, cujo único sustento provinha do seu modesto emprego na casa dos Kagamine, Lady Ann se assegurou de manter Rin e sua mãe longe das vistas da sociedade. Mesmo que bastardos não fosse algo muito incomum na época, Lady Kagamine era orgulhosa demais para deixar sua imagem de matriarca de uma família perfeita se romper. E famílias perfeitas tinham pais perfeitos, que não traiam a amada esposa e saíam espalhando bastardos pelo mundo.

E mesmo assim, quatorze anos depois, quando a mãe de Rin morreu em seus plenos 30 anos de idade e deixou sua única filha sozinha no mundo, Rin recebeu uma carta de ninguém mais ninguém menos de que do próprio senhor Kagamine. Seu pai, que não tivera a oportunidade de conhecer pessoalmente antes, dizia ter ouvido da morte da mãe de Rin e pedia para encontrá-la pessoalmente.

Rin ficou revoltada, mas concordou em encontrá-lo. Ela planejou tantas coisas pra dizer a ele... Na maioria, coisas feias e cheias de ódio. Porém, ao colocar os olhos nele pela primeira vez, as palavras pareceram sumir de sua mente e ela ficou apática, em silêncio, sem saber como agir ou o que dizer. Sentiu-se mais criança do que já era, completamente intimidada perante aquele homem severo que parecia irradiar poder.

Leon Kagamine, um senhor de postura rígida e olhos sem emoção, a cumprimentou de forma quase impessoal, como se estivesse num encontro de negócios, não falando com sua filha pela primeira vez em quatorze anos. Ele disse sentir muito pela morte da mãe de Rin e perguntou se a menina tinha algum parente que pudesse depender e morar agora.

Ainda sem palavras, Rin balançou a cabeça. E então, o inacreditável aconteceu: Leon convidou Rin para morar em sua casa. Em sua mansão. Em sua mansão, com sua mulher e seus filhos.

Ele disse que Rin poderia ficar lá até ter maior idade ou quando desejasse ir embora. Que aquela poderia ser sua nova casa, que ele bancaria seus estudos, roupas e alimentação.

Ele disse que a assumiria como filha legítima. Que ela poderia usar o sobrenome Kagamine.

Rin de início abominou a ideia de Leon, e recusou a proposta com todas as suas forças. Mesmo sem conseguir se expressar da forma que desejava com seu pai, seu orgulho e ódio nunca a deixariam aceitar tal convite. Viver escondida de sua verdadeira identidade, presa numa casa com as pessoas que tanto infernizaram sua vida? Essa ideia parecia completamente inaceitável.

Até que alguns meses se passaram e Rin finalmente se deu conta da situação que estava. Ela era uma jovem de quatorze anos, sem muita educação ou qualificações para conseguir um emprego. Não tinha dinheiro, não tinha mais como bancar sua pequena casa. Não sabia costurar como a mãe, para tentar assumir seu emprego e continuar se sustentando.

Quando perdeu a casa e a fome começou a assombrá-la, Rin finalmente percebeu que mágoa e orgulho não enchem a barriga de uma pessoa. As opções de “trabalho” que teria de adotar se quisesse continuar a sobreviver eram por demais degradantes, e recorrer à prostituição era algo que ela nunca iria aceitar.

Então Rin engoliu seu orgulho e trancou seu ressentimento bem fundo no coração, entrando em contato com Leon e aceitando seu convite.

E foi assim que Rin se encontrou, em pleno domingo a tarde, parada na porta da mansão dos Kagamine, com seu coração na garganta e uma mala pequena nas mãos.

Ela sabia que no momento que passasse por aquela porta, seu mundo mudaria para sempre. Ela passaria a ter de viver pelas regras daquela casa, a ter de conviver com irmãos que nunca nem conhecera.

Mesmo sem querer admitir, o que fez Rin ir para aquela casa também foi a esperança de uma vida nova, de se livrar da solidão e da miséria que viveu durante tanto tempo, mesmo quando sua mãe ainda estava viva. No fundo de seu coração, ela esperava que, de alguma forma, conseguisse encontrar um lugar em uma família. Na sua família.

Ela respirou fundo e, com mãos trêmulas, girou a maçaneta.

Um novo mundo a esperava de trás daquela porta.

Notas finais
Haha será que alguém já consegue imaginar o drama que vem por aí? Me digam suas primeira impressões! Comentários são sempre bem vindos. ^^