Notas iniciais
Alegria, tristeza e comoção são sentimentos humanos...
Mas será que são mesmo só de 'humanos'?
A caminhada para muitas pessoas pode ser árdua e cansativa, um grande fardo a ser carregado, mas para alguém sem escolhas era uma \'opção\'. Guiando-se pela maior estrela que estava no céu naquela noite, o sol, Era continuou a sua jornada. Chegando as margens de um rio, viu um pequeno coelho ferido, o senso de justiça e amor ao próximo brotou em seu peito. Ajudar tal criatura era algo a fazer, algo que pudera dar sentido a sua \'existência\'. Alguns minutos passaram-se, uma fogueira ainda acesa iluminava o clarão da noite, uma máquina estava jantando, ainda lembro o choro do pequeno animal pedindo ajuda, enquanto algo terminava de tirar sua vida. _Enfim, aqui também não há lugar para mim — disse Era, levantando-se e limpando o sangue de suas mãos. Era só vagava, literalmente uma \'andarilha\'. Seu olhar triste fazia brotar o sentimento de compaixão de mortos que cruzavam o seu caminho. Ela não é uma criatura viva como qualquer ser humano, as emoções não vinham ao seu \'coração\'... Em seu caminho encontrou um menino cego. Ele estava perdido e procurando a sua mãe, Era prontificou-se a ajudá-lo, \'dançou\' em sua direção aproximando-se do menino. _O que tens pequena criança? — perguntou Era, verdadeiramente interessada. O menino ganhou vida em seu olhar e a esperança aqueceu sua alma. _Es..Estou procurando minha mãe — disse soluçando, com lágrimas em seus olhos que ameaçavam desabar. _Eu lhe ajudo — sorriu Era docemente — Como ela é? O menino suspirou, nascera cego e não pôde ter a chance de conhecer, ver, admirar o rosto de sua genitora. _Não sei suas caracterizas físicas, pois nunca tive a chance de vê-la. Se podes perceber, não enxergo desde que nasci, nunca pude ver o mundo a fora, só quero reencontrar logo minha mãe. _Não chores pequenino, diga-me qualquer coisa que me ajude a encontrá-la — disse verdadeiramente. _Não sei ao certo, mas ela é muito linda, alta e iluminada — sorriu — disso eu sei, porque sinto em meu coração. Era olhou para os lados, segurou a mão do menino e juntos caminharam em busca da mãe da mãe fujona, do pequeno menino. Horas seguintes Era ficou confiante, soltou a mão do garoto e pediu-lhe para esperá-la. _Alta e iluminada, alta e iluminada — repetiu várias vezes para si mesma. Passando alguns segundos, voltou saltitando e com um sorriso no rosto trazendo boas novas para o menino. Começou a chover naquela vila, uma chuva quase que torrencial, Era deu instruções ao garotinho sobre onde encontraria sua mãe, pois não podia acompanhá-lo. Se molhar seu corpo, enferrujaria. O garoto seguiu as instruções, andou o tanto de passos que Era indicou, apesar de ser cego sentiu uma claridade a sua frente, só podia ser sua doce mãe iluminada, como um anjo celestial. Estendeu suas mãos para frente, já podia sentir sua mãe perto, tocou em algo... Um poste com fios despelados. O sereno chegou, a chuva já havia cessado. Era passou pelo lugar onde indicara ao menino, sentindo o cheiro de carne queimada. _Por fim, não vai mais sofrer — disse, seguindo em frente com o seguinte pensamento: _Será que esta é minha missão? Dar felicidade as pessoas? Um corpo sem vida, sem sentimento, sem coração. Será que aprenderá que a vida é algo importante a todos? Enquanto segue a maior estrela do Céu, Era procura por quem ajudar. Encontrarás o motivo de sua verdadeira jornada?
Continua...
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