Notas iniciais
A vida não termina no dia em que acaba, mas começa...
Após tanto caminhar, normal seria parar para descansar. Era sentou-se em uma calçada em frente à uma loja de eletrodomésticos, a vida passara para ela gradualmente. Esperou por algo que a tirasse de onde estava, pois a preguiça consumia seu corpo.
O telefone tocou... O telefone estava tocando... O telefone continuou tocando... O telefone não parou de tocar... Este era o sinal para sair de lá? O som a deixou nervosa, por que ninguém atendia o maldito telefone público? Já não agüentará mais, levantou-se indo em direção ao telefone e o atendeu. _ Arôo — disse era em um tom nada amigável. Ruídos eram as únicas coisas a serem ouvidas naquele momento, ruídos e nada mais que isso, espera e novamente disse arôo. Uma voz tenebrosa pôde ser ouvida do outro lado da linha — sete dias — foi à única coisa que ouviu. Olhou para as vitrines da loja em frente ao telefone, mas a única coisa que apareceu era uma imagem distorcida, guinchada seguida de chiados.
1º Dia. Sempre seguindo em frente Era andava por andar naquele dia. A cada esquina olhava algo novo, sua sede do saber e do ajudar aumentava. Parou em frente a um mendigo, que a sua frente havia colocado um chapéu, no qual as pessoas que passavam colocavam moedinhas de ouro de tolo, Era foi em sua direção. _ Ajude-me senhorita, há tempos que não me alimento descentemente — dizia o mendigo com um olhar triste. _ Todos temos nossos dias difíceis senhor — respondeu Era enquanto agachava-se — Desde que nascemos temos a chance de ter sempre um novo recomeço, não devemos achar que a vida termina quando ainda nem começou — pegando o chapéu que estava no chão, estendeu ao senhor, curvou a cabeça cerimonialmente e sorriu — Obrigada — saiu correndo. O senhor nada pôde fazer, pois era aleijado, na verdade ele fez algo sim, pois-se a chorar.
2º Dia. Após ter gostado o dinheiro que havia \'encontrado\' no chão no dia anterior, em bolinhas de gude Era seguiu em frente. Passando em frente a um orfanato viu muitas crianças, já que não via serventia em suas bolinhas de gude, Era chamou um dos pequeninos. _ Tu e teus amigos não gostariam de deliciosas balas de bombons? _ Era ergueu o saquinho cheio em direção as crianças — Só não devem mastigá-las, pois é mais gostoso engolir di-re-to — sorriu gentilmente. _ Obrigado moça — disse o garotinho mais próximo a ela enquanto pegava a sacola em seguida correu ao encontro de seus amigos oferecendo-lhes. Vocês já devem imaginar o que aconteceu.
3º Dia. Já era noite, como não tinha nada a fazer, dormiu.
4º Dia. Saltitando pela floresta, enquanto cantava \'Quem tem medo de lobo mau\' encontrou uma trilha que se dividia em duas. Uma com os dizeres \'caminho mais curto\' e a outra \'caminho mais curto ainda\'. Mas do que adiantaria, pois não sabia aonde ir. Nem um, nem outro, seguiu floresta adentro.
5º Dia. Encontrou uma lebre histérica com um relógio dizendo que estava atrasada, atrasada, atrasada. A seguiu até que a lebre entrou em uma árvore, mas Era não repetiu o ato. Passado alguns segundos, uma serpente saiu de tal arvore, satisfeita.
6º Dia. Já quase saindo da floresta viu uma casa de palha, uma de madeira e outra de concreto. Notou naquele instante sua nova paixão: \'Construção Civil\'. Chegando perto da casa de palha, perguntou-se: _ Será que tu és resistente? Deu um soprão e a casa caiu, decepcionou-se. Chegando perto da csa de madeira, perguntou-se: _ E tu, será que és resistente? Deu um soprão, mas a casa não caiu. Gostou do que viu, chegou mais perto — Parabéns, heim — deu um empurrão e a casa desabou, decepcionou-se. Foi ao encontro da casa de concreto e perguntou-se: _ Será que ao menos tu resiste a algo? — disse quase que decepcionada. Soprou e soprou, nada aconteceu. Empurrou e empurrou nada de um centímetro a mover-se do lugar. _ Parabéns a quem te construiu — e foi embora. Passaram algum momento, quem sabe se foram horas, minutos ou segundos e Era voltou ao local com um barril de explosivos, colocou-os dentro da casa. Após alguns segundos saindo da casa, uma explosão pôde ser ouvida. Uma sensação de satisfação consumiu o seu ser, fazendo-a prosseguir em frente. A noite, sete anões chegavam e deparando-se com as casas ao chão, lamentaram-se por suas casas destruídas.
7º Dia. Parecia que havia andado em círculos, será que de nada adiantara seguir o sol, pois voltou ao mesmo local do inicio do capitulo. Sentou-se novamente em frente a loja de eletrodomésticos pensando se seria melhor seguir em direção ao vento. Neste momento o telefone tocou.
O telefone tocou... O telefone estava tocando... O telefone continuou tocando... O telefone não parou de tocar... Sentiu um Deja vu, quase que com um ataque nos nervos foi atender ao telefone, só que dessa vez nenhuma voz saiu... Olhou em direção a loja de eletros, a televisão começou a exibir uma seqüência de imagens, passada várias cenas a última estava lhe chamando a atenção, uma menina andando, parecendo que sairia da tela, pois andava em sua direção, do que de fato aconteceu. Do outro lado da linha ouviu — sete dias — a menina agora em sua frente deu um grito e Era nada fez, e a menina gritou novamente e Era nada fez outro grito seguido de outro e mais outros. Arrogantemente Era perguntou-lhe: _ Você gosta de filmes de terror? A menina saiu correndo televisor adentro, e era continuou andando em busca do significado de sua existência.
Continua...
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