Dois mais Dois
2 Adaptando
Notas iniciais
O marrom que cobria o teto da casa, estava tão vibrante, que sentia vestígios da paixão que usou para pintar aquele quadro, a porta de vidro da varanda, nem ela sabia que no âmago lembrava do jeito que o vidro fora colocado torto, a varanda com o balanço do lado esquerdo, onde Hayley a empurrou com força demais, quebrando o braço, ficou uma semana sem sair de casa porque sentia vergonha de estar quebrada.
As cores que usou naquele quadro tinha uma intensidade tão brilhante, o pintou pouco depois de ficar doente e ter Katherine pra cuidar dela, nunca sentiu falta de casa como naquele dia. Jo ficou tão assustada com ela de cama que quase derrubou o chá quente nela. Ela não tinha feito por mal, ela estava preocupada. E no fundo Caroline também.
Ela mal cabia em si, sempre sonhou com o dia em que seus pais à aceitasse de volta, foi tanto tempo longe que nem imaginava que eles conheciam o trabalho com a arte dela.
Liz deixou que ela terminasse de admirar a própria obra de arte, quando mandou William comprar aquele quadro, sabia que sua menina sentia falta de casa, até tentou ligar para ela, mas não era mais o mesmo número, foi graças a insistência de William em adquirir o quadro que ela conseguiu o número da agente, mas nunca tinha coragem de ligar, foi então que Jonathan seu pai, quase a abrigou ir até New York procurar a neta casa por casa.
– Hey! — Caroline chamou a mãe. — Tem muito tempo que está aí?
– Não! — respondeu bruscamente. — Hayley o viu numa dessas revistas que ela adora, e eu o quis, mandei seu pai pagar o preço que estivessem oferecendo!
Caroline virou para o quadro que a mãe estava apontando, sim, ela lembrava da insistência do comprador pelo quadro, mas não teve interesse por saber o nome do comprador, foi na mesma época em que Johanna entrou na escola, com tanta coisa acontecendo Caroline não ligou e deixou Katherine vender o quadro.
– Eu não o queria vender, mas o comprador atormentava tanto a minha agente que ela quase me enlouqueceu também. — ficou de frente para a mãe. — Foi na mesma época dos primeiros dias de aula da Jo... estava ficando louca então deixei por conta da minha agente.
Liz sorriu, sua filha não queria vender o quadro com a casa de infância. Mas agradeceu o fato da Jo estar indo pra escola para afrouxar a decisão de vendê-lo.
– Caroline eu sinto muito, eu deveria ter apoiado suas decisões! — Liz tentou mais uma vez tirar aquela sensação de culpa das costas.
– Está tudo bem mãe, já passou... vamos deixar o passado no passado. – ela sorriu gentil.
Pronto. Não tinham mais assunto, era assustador, mãe e filha se olhavam como completas estranhas. Já que estava em terreno tão desconhecido, Jo era familiar, pensou em ir acordá-la.
– Se for verdade o que estou ouvindo pela cidade, acho que teremos um velório da recém-chegada. — Hayley gritou entrando na casa. O menino em seu encalço correu para as escadas.
– Faça menos barulho Hay! — Liz a repreendeu olhando-a mortalmente. — A Jo ainda está dormindo...
– Então a vadia da Caroline mudou de nome? — Hayley ironizou.
– Não Hayley, meu nome ainda é Caroline Forbes. — Caroline saiu de trás da mãe. — Pare de gritar a Jo está dormindo...
– Jo? Quem é Jo? — perguntou se jogando no sofá feito uma adolescente.
Liz e Caroline revirou os olhos no mesmo instante, e lá estava o que Hayley odiava, a irmã mais velha sempre foi a favorita, mesmo que gostasse de ser a ovelha negra, mas aquela adoração já estava cansando-a. Longe até era fácil de suportar todos infelizes porque a princesa da família tinha deixado seu castelo. Já com ela ali, as coisas seriam insuportáveis.
– Vão ficar aí brincando de quem quer dizer o que? Ou me dizer quem é Jo? — insistiu novamente.
Como se Jo adivinhasse que estava falando nela, desceu as escadas com a inseparável minhoca verde, coçando os olhos azuis, cheios de lágrimas.
– Mãe... Porque tem um menino lá no quarto, dizendo que aquele quarto é dele? — choramingou. — Eu quero ir pra casa!
– Jo deixa a vovó te dá um lanche. — Liz a pegou no colo e levou para a cozinha, sem protesto da Jo de ficar no colo dela.
Aquilo assustou Caroline, já que imaginava que Jo não suportasse a avó, mas sorriu ao saber que sua menina estava cedendo, aquela ainda não era à sua Jo. Mas estava quase lá.
– Então, a Jo é essa manhosa! — Hayley riu. — Tem a quem puxar a manha, né Caroline?!
– Aí Hayley eu senti sua falta também... — Caroline se jogou em cima dela no sofá. — Como está o vovô?
– Aquele velho ainda não bateu as botas, nem sei porque! — dessa vez Hayley revirou os olhos. — Está com um pé dentro e o outro na beirada da cova. Mas você se virou bem você hein? New York? Artista?
– Depois que o Enzo me largou com a Jo ainda bebê, aprendi a me virar! — se levantou do colo da irmã mais nova. — Eu soube que casou e tem dois filhos? O que aconteceu com a política de "eu odeio crianças"?
O sorriso da irmã mais nova foi de orelha a orelha, contatou que tinha algo que a favorita não tinha. Pelo menos iria se tripudiaria em cima dela.
– Eu me casei com o Tyler Lockwood! — debochou. — Nós nos amamos e temos dois meninos e moramos na nossa antiga casa... eu acho que sua filha acabou de ter seu primeiro encontro com o meu Jared.
– Você se deu bem, casada, com filhos, dona de casa. Que bom Hayley... — ficou feliz pela irmã ter tudo o que ela achava importante.
Pelo que conhecia da irmã, ela não tinha feito aquilo à toa, alguma coisa a impulsionou, e pelos infernos não queria saber de jeito nenhum o porquê naquilo, que provavelmente machucaria muita gente.
– Quando vai ver o velho babão? Ele disse que só vai começar a fazer o tratamento quando a neta dele estiver em casa! — Hayley riu desacreditando nas próprias palavras.
– Acho que ainda hoje e eu e a Jo vamos lá na fazenda! — Caroline disse, vendo Jo voltar da cozinha mais calma, até rindo das palhaçadas da avó.
Segurando a minhoca verde, sorriu para Caroline, então os olhos azuis curiosos dela caiu sobre Hayley e o menino que descia as escadas. Jared era como uma cobra, quieto e vingativo, passa despercebido por todos. Jo se agarrou aos braços da avó quando o menino sorriu.
– Você é uma aberração! — ele gritou para Jo. — Uma bastarda.
– Hayley! — Liz a encarava.
– Jared ela é sua prima não faça isso! — ela falou tão despreocupada que nem parecia estar repreendendo o menino.
O menino saiu correndo batendo a porta da casa, Caroline foi até a mãe e pego Jo no colo. Já era difícil fazer a menina se adaptar, agora seria quase impossível. Com os olhos cheios de água Johanna não chorou, apenas abraçou o pescoço de Caroline e não quis mais levantar a cabeça.
– Essa é dramática igual a mãe! — Hayley zombou revirando os olhos ao ver a menina fazendo manha.
– Vamos arrumar algumas coisas para ir visitar o vovô! — avisou a Liz, ignorando a irmã.
– Claro... – não esperou mais, subiu as escadas.
Fechou a porta do quarto, colocou Jo na cama e foi até a mala ainda nem mexida, não queria mexer, não ainda, sabia que ficaria uma semana, mas já estava sentindo falta da pintura, de extravasar, desde que chegou no dia anterior um turbilhão de sentimentos estava amontoado dentro dela, visitaria o avô e se ficasse muito sobrecarregada, voltaria para New York. Não demoraria a voltar, afinal sua família ainda gostava dela e aparentemente de Jo também.
Uma hora foi o prazo dela se arrumar e arrumar sua menina, Hayley ainda continuava por ali dizendo que daria carona para a irmã, Liz não quis ir afirmando veemente que aquele momento era para ser dela e do avô.
O caminho para a fazenda estava mais longo do que ela lembrava, as casas da cidade deram lugar a vegetação local, seus dedos caçavam querendo pelo menos um bloco de papel, depois que arte corria em seu sangue era difícil ignorar e aquilo não deixava, voltaria ali para fazer um esboço.
Jo brincava no banco de trás sozinha, ela se acostumou a se divertir sozinha, tinha sua mãe, os tios mais eles não eram crianças, na escola também era solitária, as crianças não gostavam de se aproximar dela, porque ela era como a mãe, quando estava envolvida em alguma atividade artística voava para o mundo da lua e isso era quase sempre quando tocava no grande piano da sala da senhora Goldman.
As duas se desligaram por alguns segundos da terra, era daquilo que precisavam, paz. New York era tudo de bom, mas não era um lugar de paz e tranquilidade.
A casa da fazenda apareceu e Caroline se encabulou, tudo tinha mudado, a cor não era mais aquela desbotada, a grama estava podada e o jardim bem cuidado, as roseiras amarelas perto da cerca cintilantes, até o ar ficara mais puro.
Quando Hayley finalmente parou o carro ela desceu sem nem mesmo ajudar Caroline, ela sumiu pelo lado da casa, então Caroline se virou sozinha com a Jo e seus brinquedos. Bem, cuidou da filha sozinha por cinco anos, mas sem entender se sentia desapontada pela irmã.
Andaram juntas admirando o local, sabia que Jo estava louca para se divertir, com a imensidão daquele lugar, foi então que elas viram um menino.
O cabelo negros dele chegava até a nuca, seus olhos tinha uma expressão vazia, eram verdes tão claros quanto as águas, os lábios curvados em um sorriso sarcástico. Nas suas mãos vinha carregando um graveto que fazia um barulho irritante quando tocava nas pedras. Ele chegou próximo a elas.
– Vocês querem algo? — o corpo dele estava virado para elas mais os olhos olhavam o horizonte.
– Vim visitar meu avô, ele está? — o menino se encolheu, parecia aterrorizado.
– Hayley ele está no estábulo! — o menino se afastou tanto que tropeçou nos próprios pés caindo de bunda no chão.
– Oh perdão... — Caroline correu para ajudá-lo a levantar, então percebeu que o menino não tinha o dom da visão. — Você se enganou, eu não sou a Hayley, sou a irmã mais velha dela.
– Caroline?! — a expressão facial dele era tão surpresa quando a dela, ele sabia seu nome. — Desculpe-me pelos modos, sou Henri... mas se você é você porque está no carro da Hayley e o filho dela está com você?
– Não meu anjo, Hayley só me trouxe, Jared não veio, sou apenas eu e minha filha, Johanna! — ela o ajudou a espanar a poeira da roupa dele.
– O vovô Jonathan nunca nos disse que a neta dele tinha uma filha! — mais uma vez Caroline se viu surpresa, o menino estava tão acostumado com o nome dela que nem parecia uma estranha. — Vamos entrar, aposto que ele vai cair duro ao ver que você voltou.
O menino sentiu um puxão na camisa velha que usava, Caroline ainda estava encabulada com a simpatia dele.
– Você esqueceu seu cajado Henri... — Jo pegou do chão e balançou na frente dele. — Pegue aqui!
– Você pode colocar em minhas mãos, eu não enxergo! — ele disse com simplicidade, ela pegou a mão dele junto da sua e colocou o cajado nelas. — Obrigado, Johanna!
Ele começou a se movimentar para o mesmo lado que Hayley foi, mas ao chegar no final da casa abriu uma porteira de madeiras, ela se surpreendeu o dobro, o estábulo, era totalmente diferente do que ela lembrava.
De longe avistou a cabeça branca do avô, tudo estava tão mudado, inclusive seu avô. Henri começou a correr e ela temeu que ele caísse e se machucasse, ele já tinha um lugar especial no seu coração, ele era um bom menino.
– Vovô! — gritou. — A sua neta chegou, a sua neta Caroline chegou!
A sua gritaria fez alguns dos empregados o olharem e depois olharam para a neta que Jonathan morria de amor. Ela se sentiu nua ali, parecia que todos sabiam de seu segredo mais obscuro.
O velho de cabelos brancos sorriu ao olhar para a neta, não correu como Henri, mas apressou o passo com a ajuda da bengala. Sua neta finalmente tinha chegado, tão linda como quando partira. Os olhos azuis dela eram idênticos ao de sua amada, sua neta a lembrava tanto, ao ver a neta com uma garotinha segura em suas mãos não resistiu. Ele já era bisavô, sorriu.
– Caroline! — a voz arrastada dele demonstrava tanta alegria e cansaço.
A puxou para um abraço bem apertado, sentia tanta falta de estar com ela. Ela era doce e delicada, mas muito orgulhosa. Desconfiava de que ela nunca mais voltou porque o orgulho falara mais alto. Liz tinha que se redimir.
– E quem é essa princesa? — ele sorriu ainda mais largo quando viu a bisneta. — Ela é tão linda quanto você quando mais nova.
– Obrigada... — Johanna agradeceu.
– Quero um abraço de você também, princesa!
Jo soltou-se de Caroline e o abraçou, tão apertado e carinhosa, aquela era a Jo que Caroline conhecia.
– Então princesa qual é o seu nome? — ele segurou as pequenas mãos dela passando-lhe confiança. — Não precisa ficar envergonhada aqui todos somos uma família...
– Meu nome é Johanna, mas a tia Katherine e a mamãe me chamam de Jo... — a menina estava confortável ali com ele, Caroline sentia isso. — Se quiser também pode me chamar...
– Muito bem, Jo... Ele a puxou pela mão. — Qual é a sua comida favorita?
A menina olhou para a mãe, Jo sabia que aquela resposta deixaria a mãe um pouco irritada, mas pelo sorrido que Caroline lhe deu tranquilizando-a ela sorriu de volta.
– Torta de chocolate... — o velho a puxava para trás da casa.
Ele perguntava várias coisas para a menina que se exibia para responder às perguntas, claro que Caroline os seguia para dentro da casa.
– Gil prepare a melhor torta de chocolate que você já preparou em toda sua vida... — a empregada lhe olhava inquisitiva. — Não me olhe com essa cara, minha neta e minha bisneta estão aqui!
Um largo sorriso se formou nos lábios da velha grisalha. Olhou para Caroline com admiração, e um certo carinho para Jo. Caroline nunca se sentiu tão querida como agora. Nem mesmo quando bateu na porta da casa de seus pais no dia anterior.
Henri entrou pela porta com uma panela cheia de leite, com medo de que ele caísse e se machucasse, Caroline o ajudou a colocar a panela sobre a mesa, e lançou um olhar matador em direção ao avô.
– Ele faz porque quer! — o avô se defendeu. — Henri diga a Caroline que você não está carregando isso porque te mandaram.
– Meu pai me deixou trazer. Eu gosto de ser útil — o menino sorriu. — Eu fui chamar ele para conhecer sua neta, e queria voltar logo... para trazer isso para a Johanna...
Ele tirou uma rosa amarela do bolso toda amassada, e procurou pela garota, a menina estendeu a mão para ele a achar, quando ele achou levou as mãos até os cabelos dela e com uma agilidade extraordinária colocou a flor na orelha dela.
– Você tem cabelos muito bonito! — ele a soltou. — Obrigado por não tirar sarro de mim, você é a primeira.
Os olhos de Caroline se encheram de água, criara bem sua garota, porque lá estava ela agora recebendo um elogio desses, de um garoto simples que foi privado de ter uma vida normal.
– Obrigado Henri... — ela tocou a flor com cuidado a ajeitando. — Vem vou te mostrar alguns dos meus brinquedos.
Jo o puxou pela mão fazendo o caminho de volta para o carro de Hayley, onde ela tinha deixado seus brinquedos.
– Esse menino sabe bem escolher uma bela dama, tão novo e já esperto. — Jonathan sorriu com o gesto de Henri.
– Ah vovô a Jo é muito esperta pra cair nesses encantos... — ambos riram. — Eu senti tanta saudade, eu sinto muito ter ido embora sem me despedir.
Não aguentou, abraçou de novo o avô para matar a saudade. Nem acreditava que ele tinha mudado tanto. Mesmo que tinha ficado tanto tempo longe do único lugar que um dia chamou de lar.
– Que isso querida, olhe só pra você... Tão bela quanto sua avó... Eu estou orgulhoso de você, você tem um casamento e tem a Jo, não está feliz? — suas mãos enrugadas seguraram as finas de Caroline.
Ela chorou como um bebê, estava feliz por ter Jo ao seu lado pra passar por tudo, mas sua vida não era tão feliz tanto quanto os tablóides anunciavam.
– Oh meu anjo! — o avô voltou a abraçá-la e afagar os cachos dos cabelos loiros. — O que lhe aflige? Diga-me?
– Eu... eu... estou feliz pela Jo, eu a amo muito... mas... — como expressar para o avô que não se sentia amada?
– Você não se sente amada? — ele decifrou os tormentos da neta. — Seu marido não a ama?
– Vovô ele me largou com a Jo ainda bebê... — pela primeira vez em anos desabou.
Ali nos braços do avô, sentiu segura e em casa. Ele esperou que a choradeira passasse, e que ela se acalmasse. A determinação que ela tinha escorreu pelo ralo, Gil apenas observava a menina que Jonathan tanto tinha apresso se desfazer em lágrimas.
Sentia pena, ela parecia tão forte e determinada, que nem imaginava que carregava tanta dor em seu coração. Ninguém merecia ser abandonado de forma tão brutal, como ela havia contado.
– Você ficará bem aqui, meu amor... aqui todos te amam, nunca mais precisará se submeter a isso... — o avô a consolou. — Não querendo ir rápido demais, mas eu sei que não vai ficar por muito tempo, quero te oferecer uma coisa...
Ela limpou as últimas lágrimas o encarando sorriu amarelo.
– O que é? — sussurrou com pouca fé.
– No jantar conversaremos sobre isso... agora me conte sobre as pinturas que estão fazendo tanto sucesso?
– Ah vovô você sempre soube que eu amava artes antes, só a...
– Sua avó. — ele completou
– Quando larguei tudo por aqui, o medo me consumia... mas foi desse medo que nasceu a minha vontade de ser... — um brilho surgiu nos olhos dela de paixão. — Jo veio para mim e eu decidi que queria pintar, e todas as galerias de arte de New York se envolveram com essa minha fase.
– Kol sempre me mostra algo relacionado com o seu nome naquele jornal estranho que ele tem paixão por ler... — o velho debochou. — E seu nome está sempre lá na página six.
– O meu New York Times não é estranho velho! — o menino de dezesseis anos o entrou na sala com um balde de frutas nos braços.
Quando os olhos escuros a olharam com curiosidade, ela se sentia totalmente desconcertada, parecia que todos ali estava familiarizado com ela, menos ela com todos.
– Prazer sou o Kol... — ele estendeu as mãos calejadas para ela. – Nossa uau, você é muito gata!
– Caroline... Mas acho que você já deve estar familiarizado com meu nome ou do Times ou do meu avô aqui. — eles riram.
– A senhora é bem mais bonita que nas fotos... meu irmão vai ficar de boca aberta quando lhe ver! — o menino jogou balde de frutas sobre a mesa. — Gil disse para eu comprar o chocolate extra já que temos convidados especiais... ela mandou avisar também que está na hora de o senhor descansar... ela pediu desculpas senhora Caroline, mas o tio Jonathan realmente precisa ir pra cama!
– Sim eu ajudo ele a ir... — ela se prontificou em ajudar. Kol a olhou espantado. — Vamos eu te levo lá e vou ver como está a Jo.
– Ela não é a Hayley, Kol... — Caroline não entendia o que o avô queria dizer com aquilo. Ele bateu nos ombros no menino. — Melhor irmos Caroline.
Kol ficou na cozinha sem reação, olhando ela fazer o avô se apoiar nela para ir para o quarto, nunca vira a outra neta ser tão atenciosa com o velho. Não era segredo que ele era quem mantinha a neta Hayley com boa condição, e se William aceitasse ele também ajudaria a única filha Liz. Aquela que estava o ajudando nunca tivera o dinheiro dele para subir na vida e ser alguém.
Correu pelos campos, pegou o cavalo de um dos capatazes da fazenda e foi atrás do irmão, ele tinha que saber que, a neta que Jonathan idolatrava não era como Hayley. Ela não era à cobra que alguns achavam que era.
– Klaus! — o chamou. — Klaus!
– Para que toda essa gritaria? — Klaus parou de concertar a cerca e olhou mal-humorado para o irmão.
– Ela está aqui! A neta do Jonathan... você precisa conhecê-la! — afirmou ofegante. — A Caroline!
– E daí? Henri já me contou. — Klaus voltou a puxar os arames farpados para concertar a cerca.
– Klaus é sério você precisa conhecê-la! — ele disse com veemência.
– Será que dá pra você ir ajudar a Gil que é o seu trabalho e pare de me irritar? — Klaus já não aguentava aquela ladainha.
– Você está com medo dela ser como a outra, não é?! — Kol subiu de volta no cavalo. — Vou deixar que você mesmo descubra!
Ele saiu galopando pelo campo, de volta para a casa grande. Klaus o observou ir, desde que Henri fez um alvoroço para com a chegada da neta primogênita de Jonathan ele estava tentando se manter afastado, esperando o avô ver como aquela mulher era. Jonathan não era bobo, aquela artista era tão esnobe quanto a outra neta, se vivia em New York tanto tempo sem ver o avô, porque voltar agora? Só porque o velho tinha uma doença terminal? Queria toda a herança pra si própria? Nem que tivesse que brigar, ou matar deixaria que vendesse aquela fazenda.
Já a odiava, pelo fato de todos a idolatrar, até seu próprio filho já gostava dela, mas não podia culpá-lo. O velho enchia a cabeça do menino com histórias sobre ela, uma vez ficou ouvindo atrás da porta o que o velho contava e se arrependeu por ter se pegado admirando-a também.
Não queria encarar aquela mulher, esperava que ela se fosse logo, por não gostar do campo como a Hayley Forbes, essa ele nem suportava ficar perto. Ainda bem que as visitas dela duravam apenas horas e essas horas eram torturantes. Ela sempre vinha pedir dinheiro.
Klaus suspirou no fundo, esperava que a loira metida que se envolvia em vários escândalos amorosos do jornal de Kol, não magoasse todos aqueles que a amavam, porque Klaus jurou ali naquela cerca que se ela fizesse mal a algum deles, a mataria.
O serviço pesado de puxar a cerca havia terminado e o sol já queimava, ele decidiu que era hora de voltar para o estábulo e guardar o cavalo. Levar Henri para tomar banho para almoçar, e no almoço encarar contragosto a loira metida.
Cavalgou de volta aos estábulos, todos o cumprimentou, com um aceno, tudo ali o admiravam também, pela sua coragem, sabedoria, solidariedade e humildade. Também o conhecia como o cara que você não quer pisar no calo.
– Jeremy! — Klaus chamou o capataz, ainda com o cavalo preso nas mãos. — Onde está Henri?
– Ele foi naquela direção com a garota! — o homem apontou para os estábulos.
– Vou ver o que ele está fazendo! — Klaus puxou o cavalo em rédeas curtas.
Entrou no estábulo e não ouviu nada diferente, naquele horário os cavalos estavam comendo, colocou o Furioso, que era seu cavalo na guarita que ele pertencia, arrumou o feno e apurou os ouvidos para ouvir qualquer barulho que o seu menino fizesse.
– Aí... — ele correu para os fundos de onde a voz vinha baixa. — Isso era mais fácil a sete anos.
– Que diabos pensa que está fazendo? — Klaus gritou com ela. — Você ao menos sabe montar em um cavalo?
– Ora, se não soubesse não estaria montando um! — a voz irritada dela o deixou confuso.
Ele viu ela tentar três vezes e fracassar em todas elas, ela era uma tola, que estava tentando se exibir. Quando ela desistiu de tentar, e foi para o lado dela e a pegou pela cintura e a colocou em cima do cavalo.
– Assim está melhor? — ele sorriu sarcástico.
– Eu não pedi sua ajuda! — ela se ofendeu.
– Como a senhorita veio parar aqui... que eu saiba aqui é propriedade privada. — ele resmungou.
Ela sorriu, pela primeira vez no dia não se sentiu exposta. Ele não a conhecia. Puxou as rédeas forte demais e o cavalo relincho levantando as patas, por relance viu Henri perto e gritou:
– Cuidado Henri! — Klaus gritou junto com ela.
Ela caiu no chão para conseguir parar a égua, Henri também foi ao chão e Jo que estava mais atrás correu para socorrer o amigo. Caroline se levantou do chão e correu para ir até Henri.
– Você está bem, Henri? — a preocupação dela foi a mil. Olhou todas as partes do corpo do menino. — Tem certeza que está bem?
– Calma Caroline foi só um susto! — o menino levantou com a ajuda dela. — Jo você está bem?
– Henri foi você que foi atingido eu estava ainda lá atrás dando comida pra o animal... — a menina o abraçou. — Ainda bem que você está bem!
Klaus viu quando tudo aconteceu, mas estava atônito demais para se mover, seu menino estava no chão e quem estava ajudando ele era a loira esnobe neta do Jonathan.
– Tira as mãos do meu filho! — o bom senso o encontrou. E a raiva que pronunciou as palavras. — Se afaste!
Jo se afastou e puxou a mãe pra perto de si, Caroline estava estática, nenhum músculo se moveu.
Ele nem a reconhecerá, ela era tão bonita, a foto no jornal não vazia jus ao que ela realmente era. Mas se obrigou a pensar nela como uma esnobe. Ele pegou o menino e saiu com ele nos braços.
– Fique longe do meu filho! — ele gritou de longe.
O corpo dela resolveu agir, pegou Jo e saiu dali também, ele a estava tão raivoso talvez não sabia quem ela realmente era.
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