Notas iniciais
Este é o último capítulo da história.

Recebi uma ligação do promotor. Ele revelou sem rodeios que Christian matara um guarda, e durante a transferência para uma prisão de segurança máxima ele desaparecera. Também disse que teve ajuda de um Fletchinder, como indicava no diário que encontraram em sua cela, e que ele teria domesticado-o com moscas. O promotor, Kyle, disse que sabia sobre minha investigação. Eu olhei para meu mural de cortiça naquele momento, e o arranquei da parede. Se não encontrasse Chris, nunca acharia Jenkins. Questionei minha motivação naquele momento, e, arfante, voltei ao telefone.

— Eu sei onde achá-lo. — menti. Precisava ganhar tempo.

— Ótimo. Me diga e eu vou mobilizar uma tropa para prender ele.

— Não é tão simples. Vou até o escritório do Looker hoje, esteja lá. — e desliguei, torcendo para que não fosse processado por desacato, ou por obstrução de justiça. Mas Kyle não parecia ser um homem rancoroso. Tinha olhos serenos e sempre um meio sorriso estampado. Me surpreendia que ele e Looker fossem amigos.

Naquela tarde, após o almoço, fui até o departamento de polícia, como prometi. Looker estava sentado em sua mesa, parado, e sua boca formou uma linha fina ao me ver. Ele meneou a cabeça, abalado. Bati no vidro, e Kyle abriu a porta sorrindo. Seu cabelo estava mais curto hoje, ponderei puxar a conversa a partir da pergunta sobre ele ter cortado-o. É o melhor que eu tenho.

Pegou meu ombro, e me derrubou perto da escrivaninha. Tinha uma pokébola na mão.

— Vocês dois são os únicos que sabem da fuga de Christian. Não foi divulgado, e eu cuidei de todos os outros guardas que souberam disso. — disse.

— Kyle..?

— Pode me chamar de Jenkins, eu deixo. — falou. — Tangela, Bind! — Sua pokébola se abriu num brilho incandescente, e fui amarrado no chão com os tentáculos do pokémon. Looker também foi amarrado, embora que com menos intensidade.

— Ele quer o fóssil do Aurorus. — disse Looker a mim. — E achou um demente pra ajudá-lo a roubar.

— Cale-se. — gritou para Looker. Parecia tão lunático quanto Chris, olhando de onde eu via. — Onde ele está? — Tentei organizar meus pensamentos, lembrar onde o Christian disse que gostaria de ir. Nossas conversas fugiram de minha mente, e tudo o que eu me lembrava era relacionado à Jenkins ou as minhas histórias. Eu visitei-o sete vezes, e não conseguia me lembrar de seis das visitas.

— Não sei. — disse, pegando a pokébola de Growlithe no bolso sem que Jenkins percebesse. Apertei o botão para deixá-la maior, e a lancei com toda a força que tinha para a frente. Growlithe se materializou latindo, ao lado do Tangela e diante de Jenkins, que ergueu o queixo e deu um chute nas costelas do pokémon. Tentei gritar algo, mas as vinhas do pokémon inimigo prenderam minha garganta com tamanha força que eu mal conseguia respirar. Minhas costas bateram contra a escrivaninha enquanto eu me debatia, tentando me livrar das vinhas, e Growlithe se levantava de novo, esperando um comando.

Jenkins tentou acertar outro chute, mas Growlithe desviou e deu uma cabeçada na perna dele.

Ember! — gritei, num só fôlego, quando a chance me foi dada. A sala ficou quente por alguns segundos, quando Growlithe liberou do fundo da garganta uma rajada de brasas que deixou as roupas de Jenkins em chamas. Passei as costas dos dedos para dentro das vinhas, e usei toda a minha força para tirá-las de meu pescoço, ficando de pé enquanto Tangela dividia sua atenção entre eu e o fogo nas roupas de seu treinador. Looker estava solto, pensei, e lancei um olhar suplicante a ele.

Seus olhos estavam arregalados diante do fogo que começava a se aproximar da escrivaninha a medida em que Jenkins tentava arrancar as roupas. Me soltei das vinhas com êxito.

— Derrube o Tangela com Bite! — Growlithe saltou, com toda a força que tinha nas patas traseiras, e suas presas cravaram no corpo do Tangela. As vinhas vieram imediatamente e seguraram o corpo de meu parceiro por toda a sua extensão. Jenkins se livrou da jaqueta em chamas, e jogou sobre a escrivaninha. — Fire Fang! — gritei para Growlithe, puxando a cadeira de Looker e o ajudando a se levantar. Estava com medo do fogo, realizei. Meu pokémon venceu o embate corpo a corpo com o Tangela, que ficou fora de combate, e se junto a Looker e eu enquanto arrastavamos nossas costas contra o vidro para sair de perto do fogo que cobria todo o centro do escritório. Jenkins arfava enquanto retornou seu pokémon.

— Vocês não vão… — parou para tomar fôlego. — fugir! — o calor na sala estava insuportável. Jenkins se lançou contra Looker, e o pegou pela cintura enquanto o derrubava. Lutaram um contra o outro, rolando no chão, enquanto eu tentei abrir a porta trancada, em vão. Coloquei o braço na testa, e limpei o suor que encharcava meus olhos e os fazia arder. Foi nesse momento que eu prestei atenção em Growlithe. Ele rosnava para o fogo, mas não parecia assustado. Estava com o corpo ereto, na medida do possível para um pokémon. Olhou para mim, e latiu. Foi então que percebi, e dei um passo para trás.

Growlithe pulou na escrivaninha, e seu corpo se misturou com o fogo. As chamas se reuniram dentro dele, e o brilho que ele fazia ficou mais forte. Sua silhueta incandescente cresceu, e Jenkins parou a luta corporal para ver. Growlithe evoluiu num Arcanine enorme, e o fogo sumiu a medida em que ele concentrava a energia dele para ganhar força e evoluir.

Jenkins ficou de pé, e correu para a porta, mas Arcanine o alcançou com um passo, e o deixou inconsciente ao jogá-lo na parede com sua pata. Os policiais que estavam no prédio se reuniam do lado de fora da porta, e um deles conseguiu arrombá-la no exato momento em que eu coloquei Looker de pé.

Deixei o investigador explicar a história, e que prendessem Jenkins, enquanto tirei Arcanine do prédio dentro da pokébola e o liberei já do lado de fora, montando em seu dorso e segredando a localização para onde deveríamos ir. Corremos pelas ruas de Ambrette, desviando dos carros e por vezes até saltando por eles, já que o tamanho de meu pokémon era quase da altura de um ônibus.

Por fim, chegamos à praia, e corremos por toda a extensão da areia. Por fim, encontramos. O corpo de um homem pálido e de cabelos negros, jogado contra as ondas. Me aproximei, boquiaberto, e com medo da fera que podia tê-lo deixado assim. Arrastei-o para a areia, e percebi que sua garganta estava roxa no formato de uma vinha. Jenkins estivera ali antes de tentar nos matar. A única questão que restava, era como Jenkins se passou por mulher para enganá-lo. Mas esta resposta eu nunca terei, agora que Jenkins está preso por tentativa de homicídio, e depois das provas que eu apresentar, homicídio doloso. Ele nunca me dirá.

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Notas finais
Jenkins foi preso, mas a morte de Christian deve assombrar Rob pelo resto de sua vida. Como se sentiram ao ler o final? Deixem comentários!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!