Notas iniciais
Pra você, Jonathan.

“Meu amor...

É totalmente inexplicável o que sinto por você. Sua presença é tudo que eu preciso. Mais que o mundo, o Universo, o tempo e muito mais.

Você é mais que meu namorado. É meu melhor amigo.

A melhor coisa que já me aconteceu.”

Li e reli o bilhete incontáveis vezes. Parecia melhor que o esboço, mas mesmo assim não conseguia me satisfazer.

Não parecia bom o suficiente.

É seu namorado, vai gostar de qualquer coisa que você dê pra ele. Isso que muitas pessoas falam.

Mas é muito mais que isso.

- Amor, briguei com minha mãe. – Ele disse no telefone.

— Sério? – Perguntei, espantada. Esse papel geralmente era meu.

— Uhum. Me tira daqui? – Pude imaginar um leve sorriso se abrindo em seus lábios.

— Desculpa, Napoleão. O cavalo branco está sem gasolina. – Respondi, fazendo-o rir.

— Chegamos, moça. – O taxista anunciou, parando o carro.

— A-Amor... – Solucei no telefone Não conseguia parar de chorar.

— Querida? Que aconteceu? – Seu tom de voz era alarmante.

— E-Eu não aguento m-mais. – Respondi, colocando o rosto apoiado no joelho.

— O que aconteceu?

— E-Eu sou uma i-inútil. – Gaguejei. – Não faço n-nada que preste e ainda por cima eu... Eu... Sou uma vagabunda.

— O QUE?! – Ele gritou. – QUEM DISSE ISSO?

— E-Ela. – Respondi, secando as lágrimas. – Q-Quem mais diria?

— Amor, eu... – Ele respirou fundo. – Eu não aguento ver isso acontecer e não fazer nada. Arruma suas coisas e vai pro aeroporto. Vou te tirar daí. Você não é nada disso. É maravilhosa. OK?

E aqui estou eu. Entrando no aeroporto.

Dei uma volta pelo lugar e sentei em um banco de espera. Liguei o celular e disquei o número de meu namorado.

- Alô? – Ouvi sua voz, fazendo meu coração aquecer.

— Oi. – Murmurei.

— Oi gatinha. – Ele respondeu.

— Onde está? – Perguntei, sentindo uma ansiedade enorme.

— Chegando meu amor. – Ele respondeu. – Fica no portão de desembarque nacional? Já, já chego.

— Já estou. – Respondi. – Psiu...

— Oi?

— Eu te amo. – Murmurei. – E obrigada.

— Eu também te amo, querida. Obrigada pelo que?

— Por fazer tudo isso. – Sorri.

— EU quem agradeço. – Ele respondeu. – Amor, tenho que desligar, já vamos pousar.

Desliguei e esperei.

Dois, cinco, dez, vinte, quarenta, uma hora... E nada dele aparecer.

Fiquei tentada em ligar, mas não o fiz.

Uma hora e dez minutos depois começo a ver pessoas saindo do portão.

Levantei da cadeira e cheguei mais perto, olhando atentamente para as pessoas que passavam por ali.

Mais dez minutos depois e eu finalmente o vejo.

Não era como as fotos. Não era como as imagens da webcan e nem dos vídeos.

Não era nada parecido como namorado que eu conheci na internet.

Não mesmo.

Era mil vezes melhor.

Estendi a placa escrita “Energia Solar é de graça” e observei meu namorado passar os olhos pelas placas. Até, finalmente, ver a minha.

Dei alguns passos para trás e saí da multidão, sabia que ele estava vindo atrás de mim.

Assim que parei de andar, ele me alcançou.

Larguei as malas no chão e ele fez o mesmo.

Primeiro olhei para o garoto sem acreditar.

— Você está mesmo aqui? – Perguntei, sorrindo e tocando sua bochecha com a ponta dos dedos.

— Não. É um clone. – Ele sorriu, passando as mãos em minha cintura e me puxando para um beijo.

Um beijo desesperado e cheio de ansiedade e amor.

O beijo que esperamos tantos anos para provar finalmente.

Depois de alguns minutos, nos separamos e eu olhei fundo em seus olhos.

— E para onde vamos agora, Napoleão? – Perguntei, sorrindo.

— Não sei... Mas me promete?

— O que?

— Que vai comigo?

— Prometo. Vou até o fim do Universo com você.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!