Notas iniciais
“Meu amor...
É totalmente inexplicável o que sinto por você. Sua presença é tudo que eu preciso. Mais que o mundo, o Universo, o tempo e muito mais.
Você é mais que meu namorado. É meu melhor amigo.
A melhor coisa que já me aconteceu.”
Li e reli o bilhete incontáveis vezes. Parecia melhor que o esboço, mas mesmo assim não conseguia me satisfazer.
Não parecia bom o suficiente.
É seu namorado, vai gostar de qualquer coisa que você dê pra ele. Isso que muitas pessoas falam.
Mas é muito mais que isso.
- Amor, briguei com minha mãe. – Ele disse no telefone.
— Sério? – Perguntei, espantada. Esse papel geralmente era meu.
— Uhum. Me tira daqui? – Pude imaginar um leve sorriso se abrindo em seus lábios.
— Desculpa, Napoleão. O cavalo branco está sem gasolina. – Respondi, fazendo-o rir.
— Chegamos, moça. – O taxista anunciou, parando o carro.
— A-Amor... – Solucei no telefone Não conseguia parar de chorar.
— Querida? Que aconteceu? – Seu tom de voz era alarmante.
— E-Eu não aguento m-mais. – Respondi, colocando o rosto apoiado no joelho.
— O que aconteceu?
— E-Eu sou uma i-inútil. – Gaguejei. – Não faço n-nada que preste e ainda por cima eu... Eu... Sou uma vagabunda.
— O QUE?! – Ele gritou. – QUEM DISSE ISSO?
— E-Ela. – Respondi, secando as lágrimas. – Q-Quem mais diria?
— Amor, eu... – Ele respirou fundo. – Eu não aguento ver isso acontecer e não fazer nada. Arruma suas coisas e vai pro aeroporto. Vou te tirar daí. Você não é nada disso. É maravilhosa. OK?
E aqui estou eu. Entrando no aeroporto.
Dei uma volta pelo lugar e sentei em um banco de espera. Liguei o celular e disquei o número de meu namorado.
- Alô? – Ouvi sua voz, fazendo meu coração aquecer.
— Oi. – Murmurei.
— Oi gatinha. – Ele respondeu.
— Onde está? – Perguntei, sentindo uma ansiedade enorme.
— Chegando meu amor. – Ele respondeu. – Fica no portão de desembarque nacional? Já, já chego.
— Já estou. – Respondi. – Psiu...
— Oi?
— Eu te amo. – Murmurei. – E obrigada.
— Eu também te amo, querida. Obrigada pelo que?
— Por fazer tudo isso. – Sorri.
— EU quem agradeço. – Ele respondeu. – Amor, tenho que desligar, já vamos pousar.
Desliguei e esperei.
Dois, cinco, dez, vinte, quarenta, uma hora... E nada dele aparecer.
Fiquei tentada em ligar, mas não o fiz.
Uma hora e dez minutos depois começo a ver pessoas saindo do portão.
Levantei da cadeira e cheguei mais perto, olhando atentamente para as pessoas que passavam por ali.
Mais dez minutos depois e eu finalmente o vejo.
Não era como as fotos. Não era como as imagens da webcan e nem dos vídeos.
Não era nada parecido como namorado que eu conheci na internet.
Não mesmo.
Era mil vezes melhor.
Estendi a placa escrita “Energia Solar é de graça” e observei meu namorado passar os olhos pelas placas. Até, finalmente, ver a minha.
Dei alguns passos para trás e saí da multidão, sabia que ele estava vindo atrás de mim.
Assim que parei de andar, ele me alcançou.
Larguei as malas no chão e ele fez o mesmo.
Primeiro olhei para o garoto sem acreditar.
— Você está mesmo aqui? – Perguntei, sorrindo e tocando sua bochecha com a ponta dos dedos.
— Não. É um clone. – Ele sorriu, passando as mãos em minha cintura e me puxando para um beijo.
Um beijo desesperado e cheio de ansiedade e amor.
O beijo que esperamos tantos anos para provar finalmente.
Depois de alguns minutos, nos separamos e eu olhei fundo em seus olhos.
— E para onde vamos agora, Napoleão? – Perguntei, sorrindo.
— Não sei... Mas me promete?
— O que?
— Que vai comigo?
— Prometo. Vou até o fim do Universo com você.
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