Dois Mundos - O término é o início
2 Capítulo 2 - Família Blackwell
Notas iniciais
Katie chegou ao local de embarque de transporte público na esperança de encontrar um, mas nada apareceu, então resolveu chamar um táxi para levá-la em casa o mais breve possível. Pegou seu telefone celular e encontrou o número do taxista que ela já conhecia e em menos de cinco minutos ele apareceu no ponto de ônibus para buscá-la, por sorte ele não ocupou-se em uma corrida. Em pouco tempo chegaram à casa, um casebre pequeno com dois quartos, um banheiro e uma sala que divide com a cozinha que dava espaço para apenas um sofá de três lugares, pouco decorada e com poucas cores, assemelhava-se muito a uma casa mal assombrada.
— Por que ainda não está dormindo K?
— Já é de seu saber que eu ainda não comi nada, mana!
— Mas, o quê?! Como não?! Eu deixei dinheiro em cima da mesa, por que não fez pedido de um lanche ou uma pizza?!
— Bom... er...
— K-a-r-l B-l-a-c-k-w-e-l-l... responda a pergunta... Agora!
— E-eu...
— Diga-me de uma vez!
— Eu joguei com meus amigos da escola e todo o dinheiro foi usado.
— Todo o dinheiro?! Perguntou ela espantada.
— S-sim...
Com expressão furiosa na face Katie explodiu sua raiva:
— Você está de cárcere por uma semana! Como pensa que conseguirá tornar-se como nosso pai, se você não se esforçar com os estudo?! Vive falando de quão grande homem foi Tomas Blackwell e que torná-se melhor que ele um dia! Como pretende isso?! COMO?! Desta maneira encontrará somente a ruína!
Com lágrimas nos olhos Karl disse com voz baixa e trêmula:
— Não importa o que acontecerá, eu... certamente me tornarei melhor que ele. Pode investir nisto!
Correu para o quarto com o rosto sendo coberto pelo antebraço, quando Katie percebeu o que fez tentando reatar em vão:
— N-não K, espere... volte... eu não quis...
Karl bateu com fúria a porta de seu quarto, enquanto Katie dirigiu-se para a cozinha para preparar algo para seu irmão, de treze anos, comer. Enquanto relembrava a conversa que acabou de ter com seu irmão e medindo o quão dura foi. Por fim questionou-se:
— O que deu em mim?
Corta legumes aqui e ali, Katie perdeu-se em meio a seus pensamentos. Que homem interessante, seu rosto com traços bem marcados, nariz largo, olhos levemente puxados e castanho escuros e sobrancelhas baixas e largas. Cabelo cacheado preto, corpo magro, mas com ombros largos. “Como podem se parecer tanto?”, questionou-se sem obter alguma resposta. “O modo de falar, o modo de gesticular, até o sorriso... mas que lindo sorriso!” De todo e qualquer modo, o número de seu celular conseguiria em uma lista telefônica, se não estiver nela, reencontrá-lo seria algo extremamente fácil. Ainda assustada com a semelhança questionou-se uma última vez: “Como pode se parecer tanto com papai?”. Retornou sua atenção para as panelas no fogo, preparando os cozidos que seu irmão tanto gosta. Enquanto a água fervia, foi para sala ligar a televisão de tubo e sintonizou no noticiário local, onde relatava um acontecimento na Thompson Ltda:
— A Thompson divulga mais um de seus projetos bem sucedidos. A empresa de bionanotecnologia avança mais um degrau na medicina, usa protótipo de proteínas para criar o NJR, a abreviação significa Nano Janitors Robots, escala nanométrica equivalente a um metro dividido por um bilhão, criados para agirem dentro da corrente sanguínea, capazes de liberar medicamento e eliminarem células cancerígenas...
— Wow! Isso é incrível! Eu devo conseguir entrar na Thompson, afinal, eu me mudei para isso!
— Os NJR’s são capazes de bloquear a entrada de quaisquer partículas sejam biológicas ou não, e principalmente na eliminação de vírus...
— Assim que eu conseguir entrar lá vou alugar um local melhor, esta casa é muito apertada, mal consigo respirar...
— A Thompson abrirá vagas para o próximo mês, pois o Senhor Thompson já está com novos planos em mente, a proposta é criar energia elétrica a partir de plantas adicionadas a nanotecnologia...
— É a minha chance! K! A janta está pronta!
Ao finalizar a matéria que estava assistindo foi tomar banho enquanto Karl servia-se. O banheiro era apertado com espaço suficiente para uma pia, um vaso sanitário e um chuveiro, um box ditava os limites de onde poderia se tomar banho, onde mal cabia-se duas pessoas adultas. Lavou seus lindo e longos cabelos negros, após seus banho passou um hidratante corporal amêndoas Paixão e colocara seu baby-doll azul claro com alguns detalhes em preto e vermelho, voltou para a sala para jantar com seu cabelo enrolado na toalha. Naquela final de noite fria, apenas o eco de seus pensamentos podiam ser escutados... A sensação de desafio no ar, as preocupações motivaram-na ainda mais. Para esta mulher guerreira, nada iria pará-la até conseguir alcançar seu objetivo.
Toda sua força de vontade era resultado do espelhamento de sua mãe, aprendeu tudo que sabia com ela, o que mais desejava era ser como ela foi...
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Tomas Blackwell,
Um historiador autêntico e graduado na Universidade Federal do Acre (UFAC), decidiu se mudar do estado para seguir sua carreira profissional em Santa Catarina, pois ouvia falar muito bem do museu arqueológico localizado no Parque Cyro Gevaerd — contendo mais de cinco mil peças, entre elas, fósseis com milhares de anos da civilização antiga da região (sítio arqueológico de Laranjeiras), com destaque nas ossadas de duas índias grávidas e seus fetos perfeitamente perceptíveis. São raros exemplos, com apenas quatro pelo mundo. Tomou essa iniciativa, pois desde novo seu objetivo era viajar pelo mundo em busca de descobrir as "coisas" que um dia, ali viveram.
Chegou animado pronto para trabalhar quando percebeu que não seria fácil como havia imaginado. O mercado extremamente saturado e não conseguia se situar; corria de canto a canto, mas não conseguia, se sustentava apenas com os "bicos" que conseguia ali e aqui. Alguns meses se passaram e por curiosidade pegou um jornal com data de duas semanas atrás e leu um trecho importante que dizia:
"Precisa-se de pessoa qualificada em história e que tenha disponibilidade para viagens. Favor entrar em contato pelo endereço eletrônico descrito abaixo".
Mal soube que um pequeno informativo mudaria pra sempre seu curso de vida. Apressou-se para enviar o e-mail ao seu devido correspondente, tal foi sua surpresa em perceber que a pessoa a possuir aquele contato era uma mulher; Joana Blank, seu nome.
Um dia se passou e recebeu a resposta pelo seu correio online. Afirmativo! Foi aceito, porém, deveria se mudar para Minas Gerais o quanto antes, pois a senhora Blank já tinha inicado seu trabalho. No mesmo dia Tomas ajeitou suas coisas e pegou o primeiro voo para Minas. Cheio de esperanças e dúvidas, partiu rumo ao desconhecido.
~*~*~*~*~*~
Chegando a Pampulha, às quatro da tarde, no aeroporto Carlos Drummond de Andrade, dirigiu-se em direção a esteira para buscar sua bagagem, pegou e deixou ela passar pela Alfândega, após os procedimentos serem realizados, caminhou em direção a saída onde avistou um senhor, aparentemente com quarenta e cinco anos de idade usando um quepe preto, camisa social branca com um blazer de cor semelhante, uma gravata borboleta de cor preta, uma calça social com tonalidade escura e por fim um sapato social de mesma cor. Ele segurava uma placa com o nome Tomas Blackwell (Acre), bem ao lado de um Meserati Quattroporte negro. Se aproximou do motorista e apontando para o nome disse:
— Bom meão. Este é como chamam-me.
— Bom meão senhor, eu estava a te aguardar. Como foi sua viajem?
— Foi boa, apenas pouco cansativa. Extremo obrigado.
— Darei o comando ao carro senhor, por favor aguarde, sim? Meseratti! O-Y-D-4!
Voltando sua atenção a Tomas proferiu:
— Por favor entre no carro, sim?
— Extremo obrigado, senhor...?
— Fui nomeado como Nicolas Slame.
— Nicolas... Extremo obrigado senhor Nicolas.
Entrou no carro e esperou que o motorista fechasse a porta do carro, mas ao invés disso escutou Nicolas exclamar: Meseratti! C-Y-D-4! E misteriosamente a porta fechou-se. "Mais maluquice", pensou Tomas. Nicolas dirigiu-se a porta do motorista e mais uma vez disse: Meseratti! O-Y-D-1! Sentou-se e proferiu novamente: Meseratti! C-Y-D-1! E já posicionado apertou o botão de partida.
— Para onde iremos senhor Nicolas?
— Vamos pegar a Avenida Presidente Antônio Carlos. O senhor está hospedado no Promenade BH Platinun no Centro da cidade, está aproximadamente dezoito minutos de distância daqui. O senhor estará em boas mãos, não preocupe-se com nada, a senhorita Joana já cuidou de tudo, apresente-se na recepção para o check-in sim?
— Senhorita?...
— Algum problema senhor?
— Não. Está tudo bem, pensei que a senhora Bla... Não; senhorita Blank fosse casada.
— Pois então, não é. A senhorita diz não haver tempo para romances e sempre demite seus colaboradores por estarem interessados nela, ela defende a ideia que a paixão atrapalha no desenvolvimento da pesquisa. Ao todo, já demitiu sete senhores.
— Compreendo... O-k, vamos então.
Seguiram o caminho em direção ao hotel em silêncio e Tomas atento aos detalhes daquele ambiente que o fez lembrar de um de seus debates na escola onde argumentara sobre a história de Minhas Gerais:
— ... o desbravamento da região tive início por bandeirantes paulistas que buscavam ouro e pedras preciosas no território da Capitania do Espírito Santo.
— Em qual século? — Perguntou a professora.
— No século dezesseis.
— Muito bem senhor Blackwell, continue.
— Em mil seiscentos e noventa e três, as primeiras descobertas importantes de ouro na serra de Sabarabuçu, nos ribeirões do Carmo e do Tripuí provocaram um grande deslocamento migratório à região.
— Pode me dizer quando foi fundado o arraial de Nossa Senhora do Ribeirão do Carmo?
— Bom... er... creio que foi em mil seiscentos e noventa e seis, na qual, em mil setecentos e onze, se tornou a primeira vila de Minas Gerais, núcleo original do atual município de Mariana, se não me engano...
— Excelente senhor Blackwell, fez uma ótima apresentação. Agora classe, iremos para o próximo grupo.
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Tomas sentiu o carro diminuir a velocidade e a voz do motorista soou:
— Chegamos. Meseratti! O-Y-D-4! Senhor... não se preocupe com suas malas, vou deixá-las na recepção, o bellboy levará em seu quarto sim?
— Extremo obrigado senhor.
— Todo seu. Rebateu Nicolas com sorriso largo no rosto.
“Necessito fazer o check-in”, pensou Tomas dirigindo-se ao saguão da recepção escutando alguns comandos que o Nicolas continuava dando ao carro. Liberou um gargalhada leve e falou a si mesmo:
— Insano...
Ao adentrar naquele local observou que era bem iluminado e aparentava ser aconchegante, a direita e a esquerda poltronas sofá Vintage vermelha e no centro o balcão da recepção com um bela moça com seu cabelos pretos amarrados em um coque, um lenço branco no pescoço, um colete preto e uma calça social preta, ao aproximar-se disse:
— Bom meão, tenho uma reserva. Tomas Blackwell.
— Bom meão senhor. Uhum... Okay, vamos preencher a ficha. É a primeira vez que se hospeda conosco?
— Sim, é a primeira vez.
— Tudo bem, precisarei de seus dados pessoais, preencha aqui e aqui, assine nesta linha tracejada abaixo e sem rubricar, por favor.
— Está bem.
Ao terminar de fazer o check-in pegou a chave da suíte para banhar-se e por roupas limpas, quando se deparou com um dilema:” Devo subir as escadarias ou usar o elevador? Hum... melhor eu exercitar meu corpo, eu estive por um longo período em repouso... Melhor subir pelas escadas”. Chegando ao seu quarto ficou espantado com tamanho luxo, completamente espaçoso com cama de casal, ótima vista – um pequeno lago com uma ponte que a dividia ao meio-, uma televisão de setenta e duas polegadas – tela slim embutida na parede -, um armário com alguns livros. Duas toalha de banho e de rosto com dois sabonetes e shampoos foram deixados em cima da cama. Logo deixou sua carteira de bolso em cima do criado mudo e rapidamente foi ao banheiro. Ao acabar de usar o banheiro, Tomas percebeu que suas malas ainda não haviam chegado, mas por sorte após cinco minutos escutou batidas de leve na porta — elas chegaram. Foi apressadamente recebê-las.
— Aqui estão suas malas senhor Blackwell.
— Extremo obrigado. Pode deixar elas ali no canto, enquanto pego minha carteira, por favor.
— Está bem senhor.
— Tome sua gorjeta.
— Extremo obrigado e um ótimo meão para o senhor.
— Te desejo o mesmo.
Fechando a porta de seu quarto Tomas pegou sua mala e retirou de dentro dela um samba-canção e seu laptop. Sentado na cama ligou seu aparelho e abriu um arquivo chamado “Loop – A verdadeira máquina natural”, um de seus projetos pessoais na qual estava trabalhando havia algum tempo, e continuou com a edição:
“... por mais bizarro que se pareça e por mais confuso de fato, Lavoisier estava, a todo tempo com a verdade nas mãos, por mais que custe a acreditar sua ideologia cada dia mais ganha espaço em minha mente. Os processos de multiplicações e a manutenção de espécies são incrivelmente descritas com um círculo, ele por sua vez não tem um determinado começo ou um determinado fim, apenas quando iremos desenhar que o início se manifesta, no momento em que a ponta do grafite encosta no papel, e seu fim se tornará o momento em que o lápis retorna ao seu ponto inicial, porém em um círculo já esboçado é extremamente difícil saber onde o papel foi tocado pela primeira vez. Esta analogia pode ser aplicada dentro do ciclo de reprodução de um sapo:
Adulto-->Macho+Fêmea-->Óvulos-->Ovofecundado-->Embrião-->Girino-->Metamorfose-->Metamorfose completa-->Adulto
Este ciclo se repetirá por vários e vários anos, até que por algum motivo isto mude. Um dos loop’s mais intrigantes foi a pergunta: ’Qual surgiu primeiro, o ovo ou a galinha?’, este questionamento foi resolvido com a resposta de que o ovo abriu passagem para a galinha que hoje conhecemos, alguns cientistas defendem a ideia de que a galinha surgiu primeiro, pois de acordo com eles, apenas as galinhas produzem a proteína que constituí a casca do ovo. Praticamente tudo que existe segue essa lei de transformação, como nosso universo el...”
*Toc-Toc-*
O som de alguém batendo na porta interrompeu Tomas, que se surpreendeu com o fato, pois não estava por esperar visitas.
— Sinta-se à vontade para adentrar.
— Perdoe-me pelo inconveniente senhor, mas seu almoço está disponível.
— Extremo obrigado, logo descerei.
— Estamos a sua espera.
Abriu sua mala e escolheu sua roupa social. Se perfumou e penteou os cabelos e logo estava pronto. Pegou o elevador para descer ao salão, este por sua vez, grande, bem arejado, bem espaçoso e no centro havia uma pequena mesa redonda com alguém sentado aguardando. Um homem que aparentava cinquenta anos, bem vestido, cabelos bem arrumados, com as pernas cruzadas. Ao aproximar de Tomas, o senhor de cabelos acinzentados convidou para sentar, mostrando-o a cadeira:
— Por favor...
— Bom meão. Extremo obrigado.
— Bom... Eu fico feliz em saber que o senhor está hospedado aqui conosco. Sinta-se em casa, pois é uma grande satisfação.
— Bem... er... Está convicto que sou a pessoa certa?
— Seu nome é Tomas Blackwell?
— Com toda certeza.
— Então não há erro. Você é o grande homem capaz de trabalhar com a senhorita Blank, eu devo conhecer bem de perto e pessoalmente, sem interrupções. Uma pessoa como ela é rara. Eu tenho uma grande admiração por ela, somos amigos há um bom tempo e sempre a ajudo quando me solicitado for.
— Não me diga que eu estou hospedado por cortesia...
— Exato. Este é um dos favores que cumpro. Mas por agora encerraremos os assuntos, você deve estar faminto e ainda não se alimentou. Por favor, coma. Esta é a especialidade da casa, nossa pizza Louis XIII...
— O quê?! Esta pizza é extremamente cara!
— Apenas coma... Cortesia da casa, para um homem tão prodigioso... Após a pizza, te aguarda nossa sobremesa Frozen Haute Chocolate.
— O senhor deve ter pedido a sanidade, assim acabará falindo seu estabelecimento!
— Apenas desfrute.
— Sendo assim, apenas resta-me agradecê-lo. Extremo obrigado! Mas antes de comer, diga-me seu nome.
— Platão Roussel, porém não é a mim que deve agradecimentos, faço isso para mostrar a Joana o quanto ela significa para mim.
— Pois bem Platão, irei saboreá-la agora.
Enquanto Tomas se alimentava, Platão sorriu alegremente por ajudar sua amiga, se sentiu satisfeito por conseguir apoiar ela de alguma forma. Ambos se esbarraram em sua chegada a Minas Gerais, se conheceram e conversaram muito, acabaram por descobrir que entre eles um sentimento de pai e filha surgia pouco a pouco e a cada dia se tornava ainda mais forte, pois sempre se mantive em momentos de crise da jovem mulher, sempre fazendo tudo que lhe cabia.
— Que maravilhosa refeição, a sobremesa ainda melhor, são dignas de seus preços, Platão!
— Fico feliz que tenha gostado. Agora irei me retirar, com sua licença...
— Sinta-se livre.
Levantando-se devagar, Platão disse a Thomas:
— Ah... Só mais uma observação, Joana virá vê-lo pessoalmente amanhã. Esteja preparado, pois irão almoçar juntos.
— Ela virá... né...?
Disse andando com as costas viradas para Tomas:
— Não há necessidade de nervosismos, apenas aproveite esta oportunidade que poucos têm. Por hoje é só; bom meão.
— Bom meão.
Aproveitou seu alimento tão especial quanto esse local, com pessoas interessantes e exóticas. O dia parecia atrasado para algum compromisso, pois sua rapidez em ultrapassar as horas estava perceptível, o sol se pôs e logo a noite chegou para abraçar Belo Horizonte e saudar com um animado bom fim...
~*~*~*~*~*~
— Bom... ao menos minha barba não está muito grande, mas vou ter de cortar assim mesmo... — Disse Tomas se analisando em frente ao espelho, após voltar a suíte. “Eu não consigo me lembrar onde deixei o aparador... vamos ver... será que deixei dentro da bolsa? Vou checar. Neste bolso não está, nem aqui dentro, nem nos bolsos laterais. Provavelmente não está aqui, o jeito é fazer do antigo modo. Comprei um aparador para perdê-lo, sou um estúpido!”
Dirigira-se em direção a estante, abriu um pequena gaveta e tomou em mãos um objeto:
— Aqui está! Meu precioso salva vidas, mais conhecido como canivete! Modelo especialmente escolhido por mim, quinze funções com a base em vermelho e com um dragão centralizado desenhado em prata e alguns detalhes em ouro. Simplesmente incrível!
Voltou posicionado em frente ao espelho com o olhar fixo, encorajando-se a seguir em frente. Abriu a lâmina lentamente deixando à mostra o fio de corte impecável e levantou ela lentamente ao rosto. Ao sentir seu toque frio, que causou a ele um leve arrepio subir a espinha que o fez engolir a seco, levou sua mão esquerda ao rosto fazendo uma pressão, a fim de deixar a pele mais esticada para facilitar o corte dos pelos, começou com movimentos pressionados de leve por cima, puxando com o aço para baixo na lateral esquerda de seu rosto, sentiu um pequeno tranco e parara a pressão e logo em seguida recomeçou. Fez isto enquanto se podia ver barba em sua face. No entanto esta não demorou em desaparecer, obtive uma habilidade incrível com o canivete ao decorrer dos anos.
— Feito! Mal posso esperar por amanhã, me baseando no que os rumores dizem... ela realmente deve ser uma bela mulher. Então devo estar apresentável o máximo possível, vai que... não, não... melhor eu não dar o passo maior que a perna, é só trabalho não posso confundir as coisas! Tenho que me cuidar em relação a isso ou serei dispensado.
Terminou sua limpeza facial e foi rapidamente para a cama, a expectativa ao dia seguinte dava nele frio na barriga, tirando completamente sua fome. Sua mente se manteve a mil por hora, pensamentos aleatórios, mas nestes, ela tinha a maior presença...
— Como será ela? Alta? Baixa? Qual a cor dos cabelos... olhos? Será uma pessoa bruta? Nossa... espero que não... melhor ela não ser... Vou tentar dormir logo para amanhã chegar mais rapido. Não aguento esperar.
E assim a noite foi se arrastando, até Tomas desmaiar de cansaço e dormir.
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