Dois Lados
1 Remédio
Notas iniciais
"Devolva pra mim
Meu coração que você levou sem perceber"
Love Sick — TaeTiSeo
Eu quero ser sua cura, Sasuke. Quero ser o remédio para todas as suas inseguranças, para todas as suas dúvidas, para todos os seus medos.
Quero que você ache em mim, tudo aquilo que você sempre sonhou ter em alguém. Quero que sorria pra mim, e melhor, quero ser o motivo desse sorriso, o motivo de você ser feliz.
Eu quero ser a cura para o seu coração triste, quero ser o remédio para o seu coração quebrado em partes por conta das decepções e das perdas que você sofreu na vida. Me deixe cuidar da sua vida, Sasuke, me deixe cuidar de você. Me deixe ser o seu melhor e único remédio.
“— Eu espero você lá. — olhei meu primo uma última vez antes de seguir o caminho que dava para o lago, no final do pequeno bosque que tinha lá.
Apenas me virei, caminhando solitária. Estava em missão com Neji, Naruto e Sakura, para encontrar pistas sobre um caso de desaparecimento em Suna. Como tínhamos uma aliança com o país da Areia, trocávamos favores então era comum isso de ajudar uns aos outros.
Demos uma pequena pausa para recuperar as energias, trocando os suprimentos e os renovando. Passava do meio dia, para os meus cálculos, e como ainda nos restava duas horas para nos encontrarmos com a equipe de Suna, eu estava relativamente tranquila, mas lembrando de sempre estar com a guarda ativa.
Não demorei mais que quinze minutos para achar o lago em que serviria de ponto de encontro para Neji e eu, onde partiríamos para encontrar a outra dupla.
Sentei na beirada do lago, permitindo-me relaxar só um pouco. Abri o pote em que carregamos água, enchendo ele de novo para depois fechar e colocá-lo ao meu lado. Cruzei as pernas no famoso estilo de ‘índio’ e fiquei ouvindo o barulho da água fluindo, e dos pássaros piando.
Fiquei perdida, “fora de área” como dizem, apenas por alguns minutos, que mais pareceram anos.
Só fui realmente retornar à realidade quando ouvi alguns passos mais a dentro da floresta. Levantei de imediato, ativando meu byakugan e vasculhando toda a área.
Estranhei, não tinha visto nada. O que era muito estranho, eu podia jurar ter ouvido alguém. Desativei meu byakugan e assim que o fiz, um tremor passou por meu corpo. Eu sabia quem era. Eu reconheceria aquele chackra em qualquer canto do mundo. Atrás de mim, estava ele…
— Sasuke… — minha voz saiu com um leve pesar, acompanhado de surpresa e até, talvez, mas só talvez, um pouco de medo por causa da presença daquele que me fez tão bem, mas tão mal ao mesmo tempo.
— Sinto a sua alegria ao me ver no timbre de sua voz, Hyuuga. — ele respondeu, como sempre num tom irônico. Isso me fez suspirar baixo, enquanto olhava de esguelha.
Ainda estava de costas, mas a minha vontade era de abraçá-lo e pedir que nunca mais saísse da minha vida. Só que eu não podia continuar com um romance. Não com aquele romance. Mesmo amando-o… Sasuke era o tipo de homem que admiramos e amamos de longe, pois de perto machuca. Como o fogo… Belo, mas perigoso. Belo, mas quente demais para tocar. Assim como Sasuke.
— Você não deveria estar aqui. — disse, tentando parecer convicta daquilo que falava, mesmo se parecesse totalmente o contrário.
— Não me fale o que fazer, Hyuuga.
Dei mais alguns passos pra frente, abaixando-me um pouco para pegar a garrafa com água. E depois de mais alguns suspiros, tive coragem de virar para encará-lo.
E lá estava a imagem que me tirava o ar. Sasuke Uchiha, com seu puro olhar de deboche, seu sorriso de canto e aquela pose típica.
Totalmente irresístivel aos meus olhos. Aos meus olhos cegos.
— Ao contrário. É apenas um comentário. — respondi, tentando parecer calma, mesmo que a presença dele ali me deixasse nervosa demais até para mover meus pés.
— Só quero ouvir seus comentários em minha cama. — falou-me, malicioso. Enrusbeeci, desviando o olhar para a árvore mais próxima.
— Não deveria estar aqui.
— Mas você gosta de dar palpites, hein.
— Essa missão nada tem a ver com você. Não entendo o por que de estar aqui.
— Suas perguntas internas me divertem, morena. Eu sei o que cada fibra do seu corpo deseja. Eu sei o que seus olhos perguntam que a sua boca tende a silenciar. Eu conheço você, Hinata.
E pela primeira vez naquela conversa, ele disse meu nome. O ‘Hinata’ só era pronunciado em forma de gemidos, quando estávamos em mais uma noite regada de luxúria e prazer. Sasuke gemia em meu ouvido, provocando-me enquanto aumentava a velocidade de suas estocadas.
Era torturante. mas ao mesmo tempo tão delicioso. Me enchia de prazer para em seguida, deitar-se comigo abraçado. Se eu fechar os olhos, ainda posso sentir a respiração dele em meu rosto, ritmada.
— Não é o que você pensa. — tentei parecer firme. O que realmente não deu certo, e ele havia percebido isso.
— É sim o que eu penso. E nós dois sabemos disso.
A cada palavra que saía de seus lábios, um passo era dado. Sentia seu chackra se aproximando de mim, e logo suas mãos envolveram o meu corpo.
Minha mente sabia que aquilo era errado. Amar um traidor, beijar um traidor, passar a noite com um traidor. Mas o coração não pensa junto com a mente, e faz questão de lhe fazer amar, beijar e passar a noite com Sasuke Uchiha, esquecendo de todas as represálias que um dia, viriam.
Eu seria considerada uma traidora também. “Compensa ficar como traidora? Você ama a sua vila, certo?”, minha mente teimava em repetir isso, mas o meu coração mostrava outra coisa. “Corra atrás do seu amor. Você o ama, e nada nesse mundo pode impedir isso”.
Antes, eu seguiria meu coração, mas com o passar dos anos eu amadureci, me tornei uma mulher forte. Uma mulher que ouviria sua mente mas também, uma mulher que também sentiria seu coração.
Sasuke sorriu de canto. Seu corpo estava próximo demais do meu. Encaixou o queixo na curvatura do pescoço, aspirando o cheiro do perfume com o cheiro dos meus fios morenos.
Eu sabia que ele estava ciente do meu remorso.
— Não se sinta culpada. — disse, virando a morena para si.
— Eu estou dividida. Você sabe o quanto eu amo a vila, não é?
— Sinceramente? Não sei o por que de tanto amor por… aquilo. — respondeu, desgostoso.
— É a minha casa. E… Pode ser a sua também. — falei, olhando-o com pena.
— A minha casa, é o seu coração.
Suas palavras saíram frias e apáticas, mas eu sabia que eram verdadeiras. E mesmo com todas as circunstâncias que a vida me impõe por amar tanto aquele traidor, selei seus lábios iniciando um beijo calmo, doce, suave. Um beijo que marcava o modo como eu o amava.
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