Dois Lados
42 Capítulo 41
– Não será assim tão fácil, bruxinha. – riu ele.
– Eu. Não. Sou. Uma. Bruxa! – gritou ela lançando uma enorme luz laranja contra ele e Charlotte. De alguma forma ela consegui acertar os braços de Luka, fazendo-o largar Charlotte no chão.
Corri para pegá-la e a arrastei para longe.
A gigante luz tinha três grandes ramificações, que seguravam os braços e o pescoço de Luka com força.
– Lute com honra, seu covarde. – bradou Emma. E então, ela o soltou no chão.
O homem se levantou com dificuldade e armou suas mãos com facas que guardava atrás da calça.
– Lute com honra, sua covarde. – disse ele girando as facas com agilidade. Ele estava aparentemente fraco para se transformar em qualquer animal.
– Com prazer. – falou Emma. Ela abaixou os braços e começou a conjurar uma faca maior que as que Luka possuía. Uma luz forte e branca envolveu a faca, assim como tudo o que ela conjurava.
Ela o lançou um olhar sarcástico.
– Você vai ficar aí esperando?
Os olhos dele brilharam e ele partiu pra cima de Emma, desferindo golpes rápidos e hábeis.
Eles lutavam com sabedoria e agilidade. Não poderia ficar ali só assistindo.
Charlie já estava se levantando, dei a ela minha espada.
– Charlie, fique com ela. Você precisa mais que eu. Eu vou tentar salvar Michael e Walt.
– Não, Vic. O que eu faria com ela? Você sabe lutar e eu não. – disse ela assustada.
Eu não ouvi. Me virei e corri para longe da briga. Me abaixei em cada armário que encontrava.
Misha continuava parado ao lado do corpo de Walt assistindo às lutas.
Meu ódio subiu à cabeça, eu queria esmagar aquele cara de todas as formas possíveis. Mas me conti e continuei a andar e me abaixar. Andar e abaixar.
De repente, eu estava do lado do armário que um dos homens havia sido jogado e quebrado todo o armário.
Eu não tinha como me abaixar. Tinha que ser rápida. Misha não poderia me ver.
Corri o mais rápido que pude, mas sem querer, pisei em um estilhaço que estava no chão, isso chamou a atenção de Misha. Ele se virou rapidamente e suas mãos viraram patas de algum animal com garras que não pude identificar.
– Para onde pensa que está indo, mudak? – perguntou ele com um sorriso doentio no rosto.
Sem pensar duas vezes, me agachei e peguei um pedaço de madeira quebrada que estava ao meu lado e tentei me proteger, mas ele foi rápido demais. Suas garras arranharam meu braço, me fazendo gritar de dor.
Eu me virei para que o estrago seguinte não fosse maior, agora eu estava atrás dele, Misha se virou o mais rápido possível, e então consegui atingir seu rosto com a madeira. O golpe foi tão forte que a madeira se partiu no meio, tornando-se agora, inútil.
De repente, ouvi um grito e então um barulho de algo sendo cortado.
Yerik estava no chão ensanguentado e Josh havia o cortado no meio.
Misha virou-se ainda com a mão no rosto e gritou.
– LUKA, MATE TODOS ELES!
Josh também estava cheio de machucados, sua camisa e seu rosto estava respingado de sangue, provavelmente de Yerik. Por mais que isso fosse o certo, eu não conseguia acreditar que Josh havia feito isso.
Eu pude ver a frustração e o cansaço no olhar dele. Mas foi rápido demais. Ele balançou a cabeça positivamente para mim, e se virou para a luta de Emma e Luka que ainda não havia acabado e nem ao menos tinha parado.
– Você não merece viver, vadiazinha! Eu vou te matar! – gritou Misha se transformando em um leão, provavelmente, maior que o normal. Eu consegui correr rápido.
– Josh! – gritei desesperada.
Ele e Emma estavam lutando fortemente com Luka que era mais esperto que Yerik fora.
P.O.V – Emma
Eu ouvi o barulho do machado no chão e o grito de Misha, mas não podia parar, estava ficando fraca e pelo visto, Luka também estava. Mas ele era esperto demais. Quase não conseguia atingir ele.
Um barulho forte de coisas quebrando iniciou-se atrás de mim, seguido por um rugido ensurdecedor de leão. Seguido do grito de Vic.
– Josh, vá. – falei rápido. Se eu tentasse falar mais alguma coisa, provavelmente seria morta.
– O que é... – falou Josh quando se virou para onde Victoria estava gritando. – Eu vou matar aquele idiota! Você consegue sozinha? – perguntou ele.
– Sim. – falei baixinho. E então ele correu.
Luka apesar de cansado, desferia golpes muito bem treinados e rápidos. Eu já estava exausta e machucada demais para me defender, as facas começaram a me atingir cada vez mais. Mas eu não desisti. Se desistisse, seria ainda pior.
Charlotte se levantou e segurou a espada que tinha em mãos com firmeza. Ela andou devagar por trás de Luka que estava muito concentrado na nossa luta.
Charlotte deu um golpe rápido por trás de Luka o atingindo nas duas pernas, fazendo ele cair.
Estava acabado, ele iria morrer, iria acabar com aquilo. Levantei a minha faca, cheguei perto dele.
– Boa luta. Mudak. – falei.
Assim que tomei todas as forças para atingir Luka, ele ergueu a sua mão ensanguentada que segurava uma das facas e jogou contra minha barriga. E na hora Charlotte enfiou a espada no peito de Luka.
P.O.V — Victoria
Eu corri o mais rápido que pude, mas o lugar não era muito grande. Eu apenas rezei que Josh tivesse me escutado. Eu estava indefesa.
Eu chego perto de uma grade que levava a uma porta parecida com a da entrada, mas não conseguia abrir.
Misha em sua forma felina, chegava devagar. Seu olhar era de fome. Fome de vingança.
Assim que ele se preparou para pular, Josh surgiu do lado dele e cortou a pata direita dianteira. Fazendo o leão gemer e se destransformar e virar Misha novamente.
– Muito bem, garoto, você acaba de ferrar seu amiguinho. – riu ele com a mão esquerda segurando o braço direito com força. Ele fazia força para não gritar.
– Josh... – tentei falar.
Aquele era o corpo de Michael, ou seja, tudo o que acontecesse a ele, aconteceria a Michael.
De repente, os olhos de Misha/Michael se reviraram e ficaram inteiramente azul escuro e denso. O armário ao lado começou a mexer e a porta se abria aos poucos.
– O que está acontecendo? – olhei para Josh, que foi ficar ao meu lado.
– Você está bem? – perguntou ele com um olhar preocupado.
– Sim. Josh, olhe. – apontei para o armário.
Dali saia um homem branco, ruivo, bem vestido e de barba a fazer, deveria ter uns trinta e poucos anos. Ele desceu do armário rindo sarcástico.
– Eu avisei, mudak. – ele olhou para perto da porta de entrada do salão e avistou o corpo de Luka e Yerik. – Seus monstros sem alma... – sua voz falhou. – Isso não vai ficar...
Antes que ele pudesse terminar de falar, Charlotte encostou a espada cheia de sangue nas costas de Misha, que devagar foi se virando.
– Não. Não vai ficar assim. – disse ela. Suas mãos tremiam, mas sua voz era convicta.
– Charlie, calma. Precisamos interrogar ele. – falei.
– Interrogar? – recuou Josh. – Esse cara quase matou Michael e... Eu nem quero imaginar o que ele poderia ter feito com você, Vic.
– Josh, eu sei que ele é um cara cruel e eu quero matá-lo tanto quanto vocês, mas precisamos ter mais informações sobre a Pedra. – falei tentando manter a calma. Não suportava ter que olhar para a cara daquele homem.
Josh estremeceu ao lembrar.
Ele segurou Misha com força e o amarrou em uma cadeira com as cordas que pareciam ter sido usadas por ele para manter Walt preso.
Walt estava do outro lado do salão deitado no chão. Fui até lá correndo e chequei o pulso dele. Estava vivo. Foi um dos poucos alívios que tive desde que saí de Garwood.
Eu tremi ao tocar no rosto dele. Ele era meu melhor amigo, não o via há dias, ele estava surrado, abatido, desmaiado e haviam algumas marcas de tortura em seu corpo. Encontrá-lo desacordado foi uma das piores sensações. Eu não podia perder mais ninguém.
As lágrimas corriam pelo meu rosto, enquanto eu tentava tirá-lo do saco em que estava.
– Vic. – chamou Charlie. – Vic, deixe comigo. Eu terei cuidado.
– Não, Charlie... – eu enxuguei umas lágrimas. – Está tudo bem, eu... Eu posso fazer isso. Vá atrás da Emma.
– Não. Olha pra mim. – disse ela segurando meu braço que estava freneticamente tentando desamarrar Walt. – Victoria, nós passamos por tudo isso, você passou por muito mais, eu sei que eu não estava aqui desde o começo, mas eu vi sua coragem e a coragem de seus amigos. Você se desprotegeu para me proteger. Você confiou em mim com aquela espada, mesmo eu não sabendo lutar. E eu consegui. Nós sobrevivemos, Vic. Está tudo bem. Você está abalada demais. Vá ajudar Emma, ela está muito ferida e eu faço isso.
Eu abracei assim que ela terminou de falar, chorando o máximo que pude, pois era a única coisa que eu podia fazer para me aliviar um pouco mais. E assim o fiz.
Levantei e fui até a porta onde Emma estava caída no chão.
– Emma! – gritei.
Havia sangue por toda parte, não sabia se tudo aquilo em cima dela era dela ou de Luka, mas não fazia diferença, ela estava muito machucada, havia cortes profundos por todos os lados, além de uma faca bem no meio da barriga dela.
– Emma... Emma, por favor, você está acordada? – falei colocando ela no meu colo. – Emma!
– Victoria... – sussurrou ela.
– Ok, muito bem, fique comigo, Emma. Você não tem o direito de morrer, Emma Carter! – tentei me acalmar.
– Eu não sei se posso... Eu não posso me curar, Vic. – falou ela, fraca.
– Então me diga o que fazer! Emma, por favor, deve existir um jeito!
– Me coloque numa mesa. – disse ela lentamente.
– Hum... Ok. Josh, me ajude, temos que colocá-la numa mesa.
Josh terminou de amarrar as cordas a Misha e correu para me ajudar.
– Ah não... – falou ele olhando para Emma em meu colo.
– Josh, não há tempo de ficar chocado, coloque ela em uma mesa! – gritei.
Ele com dificuldade tentou levantá-la e eu fui na frente esvaziar a última mesa que havia ainda inteira. Em seguida, Josh a colocou deitada lá.
– São tantas coisas, meu Deus, Emma... O que...
– Não são os cortes... – ela tossiu. Ela estava ficando pálida. – É a faca. Tirem.
– O que?! – falou Josh e eu ao mesmo tempo.
Emma revirou os olhos e não repetiu.
– Ok, temos que tirar isso... Mas como? – falei. – Não se tira faca assim, Emma!
– Tire! – falou ela tentando ser mais veemente.
– Ele acordou! – gritou Charlotte do outro lado do salão, ajudando Walt a se levantar.
Ele estava realmente vivo. Mas agora tínhamos que nos focar em Emma e Michael, eles estavam prestes a morrer.
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