Dois Lados
31 Capítulo 30
– Sua mãe? – perguntei nervosa. – Ela é... a Guardiã?
– Ah, mas por que a surpresa? – falou Tessa, sem tirar seu sorriso que começara a ficar doentio, do rosto.
– Mas... como? – perguntou Emma.
– Em 1953, três mulheres foram levadas pelos feiticeiros, como... Cobaias de sobreviventes. Eles as levaram para o Outro Lado, ainda vivas. As levaram por todos os lugares escondidos e mundos além do nosso alcance. Até que o corpo delas não aguentaram mais. E então eles morreram, deixando uma espécie de “mortas-vivas”. Os feiticeiros até hoje não explicaram o motivo de terem feito isso. Talvez pra ver até quando os humanos aguentavam... Então elas foram mandadas para a Cidade Subterrânea para proteger as fontes de Poder. E bem... Uma delas era a minha mãe. – explicou ela.
– Fontes de Poder... – murmurou Emma pra si mesma. – A Varinha, a Pedra e...
– A Cripta. – completou Michael.
– Então quer dizer que a Pedra e a Cripta, são fontes de poder? – indaguei confusa.
Ele assentiu com a cabeça.
– Mas, não deveriam estar guardadas, como a Varinha? Digo, a Varinha está com a mãe de Tessa, mas a Cripta e a Pedra, estão... por aí.
– Sim, aconteceram algumas coisas desde quando eles voltaram à caça aos Descendentes... – disse Michael olhando para baixo como se lembrasse de algo. – Mas não vem ao caso agora. Temos que ir. – ele mudou de expressão rapidamente. – Muito obrigado, Tessa!
– Não tem de quê, querido! – respondeu ela.
Emma e Walt se despediram rapidamente de todos, e antes de irem Michael os entregou duas pedrinhas verdes, e explicou que servia para voltar para o hotel.
– Vocês poderão voltar para o lugar que estavam antes, com isto, e só pode ser utilizada três vezes. É só segurá-la firmemente e dizer “Revertere Ad Pag”. Agora vão! – disse Michael.
Emma pegou um papel que estava no bolso do seu casaco, provavelmente um esboço de um mapa que ela mesma havia desenhado, para achar a Guardiã. E então, ela e Walt seguiram caminho.
– Vamos, cara, você dirige hoje! – falou Michael jogando a chave do carro para Josh.
– Eu? Mas você é quem sabe para onde estamos indo!
– Não, na verdade eu não sei, vamos seguir o mapa! Eu leio e você dirige. – respondeu com ironia.
Josh respirou fundo, deu uma olhada pra mim, se despediu de Tessa e seguiu para o carro.
– Obrigado mais uma vez, Tessa! – disse Michael seguindo atrás de Josh.
– Obrigada, Tessa. E sinto muito... hm, pela sua mãe. Sei que faz tempo, mas, sei que deve fazer falta. – lembrei da minha mãe que estava em Garwood internada, sem nem saber onde eu estava. Queria poder ligá-la, pelo menos para ouvir sua voz.
– Ah, não se preocupe, eu me acostumei, acredite. – disse ela sorrindo. Ela me abraçou. – Tenha muito cuidado, nunca se sabe quando você vai ser surpreendida pela Senhora Morte, não é?
Nesse momento me afastei dela, assustada. Não pelas palavras, mas o tom com que ela falou, me fez estremecer, como se ela soubesse de algo e não estivesse nos contando.
– Hm, é... Claro. – dei um sorriso falso.
– Boa sorte! – ela gargalhou.
E segui para o carro.
– Está tudo bem? – perguntou Josh quando entrei no carro. – Está pálida.
– Não, não... Eu estou bem. – respondi friamente.
Seguimos na estrada do Alabama por uns minutos e entramos na cidade grande em pouco tempo. Haviam edifícios altos, prédios de fachada antiga, praças e lojas por cada rua que passávamos.
– Tem certeza que é por aqui? – perguntou Josh observando um grande prédio luminoso.
– Ainda falta muito, jovem! – respondeu Michael. – Temos que seguir para... Maysville, Kentucky.
– O que?!
– Eu disse, falta muito. – Michael riu.
– Estou com fome. – falei.
– Ah, tem certeza? – perguntou Michael virando-se para mim.
– Cara! – interrompeu Josh. – Vamos parar para comer alguma coisa.
Ele estacionou o carro em uma lanchonete no final da rua. Michael foi o primeiro a descer, ele parecia está muito obcecado com o fato de que estávamos indo para a Cidade Subterrânea. Ele entrou na lanchonete sentando-se rapidamente em uma mesa próxima à porta.
Encostei no carro e suspirei. Não aguentava mais o fato de que qualquer pessoa poderia estar por trás de tudo, qualquer pessoa poderia está me esperando para me matar. Estava cansada de fugir. E agora, o que Tessa havia me dito, tem me atormentado o caminho todo.
– Ok, pode me contar, o que está havendo? – perguntou Josh colocando as mão encostadas no carro, ficando de frente para mim.
– O que? Que estou morrendo de fome? Eu já disse. – tentei sorrir.
– Não, você passou o caminho todo calada, o que nunca acontece, você está sempre perguntando e querendo entender as coisas... Digo, aquilo que Michael falou sobre a Cripta e a Pedra estarem desprotegidas, me incomodou, mas bem, esperei que você tirasse respostas dele. – ele beijou minha testa. – Mas não precisa se preocupar, a última coisa que eu quero é pressionar você, está bem?
Assenti com a cabeça. Queria contar tudo, sobre Tessa, meus medos, Mary... Mas não podia descarregar tudo nele de uma vez por todas, tinha medo de deixá-lo mais preocupado.
– Estou bem, não se preocupe. Só tenho medo do que pode vir... – olhei nos olhos dele. Azuis tão profundos. Acho que a ultima vez que havia o olhado assim, foi quando nos vimos pela primeira vez, depois de ele ter caído em cima de mim. Alguns momentos ainda viviam na minha cabeça, talvez para não me fazer cair na insanidade completa.
Eu o beijei profundamente. Eu o amava. Eu precisava dele.
– Obrigada. – falei.
Quando Josh se afastou, pude ver Michael acenando impacientemente para entrarmos.
– É melhor nós irmos. Ele pode ficar louco se não chegarmos ainda hoje. – disse Josh rindo.
Pedimos cheese burguers para todos, uma porção grande de batata frita e um copo de refrigerante para cada um.
Comemos em silêncio, até que meu celular tocou – havia semanas que não ouvia aquele toque, a última vez que o ouvi, foi para saber sobre minha mãe.
Peguei ele dentro da mochila e quando olhei, minhas mãos tremeram. Mary.
– Quem é? – perguntou Josh comendo uma batata.
– É... Mary... – minha voz falhava.
– O que? É impossível! – ele pegou meu telefone, que ainda tocava, e atendeu.
– Vic? Vic você está aí?
– Não é a Mary. – sussurrou Josh pondo a mão no microfone. E me entregando o telefone.
– Victoria?! Eu preciso ser rápida. Estou sem telefone, e este foi o único que consegui. Você precisa voltar à Garwood. Ainda estou com sua irmã e sua mãe, contei tudo a ela. Eles... – um chiado. — ... destruindo tudo... Eles virão para pegar... mãe! Eu não... conta de tudo... Em poucos dias, eles... – e então a ligação caiu.
Era minha tia Margaret. Meu desespero só aumentava.
– O que aconteceu? – perguntou Michael preocupado.
– Ela... Eu não sei, não entendi quase nada. Era minha tia. – tentei responder.
– Sua tia? Por que ela estava com o celular de Mary? – indagou Josh.
– Eu não sei... Ela disse que “eles” estavam destruindo tudo, que eu devia voltar a Garwood... – apoiei os cotovelos na mesa e pus o rosto entre as mãos.
– Vic, você não deve se preocupar com isso agora. Nós vamos... – começou Josh.
– Não! Minha mãe está lá, doente, no hospital e minha irmã, só tem seis anos, minha tia está sozinha para cuidar delas... Não posso perder mais ninguém.
– Vic, calma, vamos conseguir fazer isso e você vai voltar a tempo, ok? — disse Josh segurando minhas mãos. — Eu prometo.
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