Dois Lados

3 Capítulo 2


Eu não conseguia parar de olhar. Todos aqueles momentos da minha vida com ela passaram na minha frente.

Mary não era minha “melhor amiga”, mas nos conhecíamos desde... Bom, desde que nasci! Morávamos juntas em New Jersey. Eu, ela e seu irmão, Walt, costumávamos brincar na fazenda dos pais delas no Texas, todo verão íamos para lá, e no inverno, passávamos o Natal na minha casa. Até fazermos 11 anos e ela se mudar para Garwood, aí tudo mudou. Atualmente, não nos falamos... Falávamos muito.

Eu olhei para trás, Walt não conseguiu conter as lágrimas, vendo a imagem da irmã morta. Ele olhou para mim com seus olhos brilhantes e me abraçou. Até que o Detetive Williams nos interrompeu.

– Com lincença, — ele tossiu. – você é o irmão da vítima?

– Sim. – disse Walt frio.

– Bem, — ele não esperou que eu me retirasse e começou. – sua irmã não morreu por acaso. Ela foi assassinada. – Walt olhou para o Detetive que tentava achar uma forma delicada de dizer o que tinha acontecido. – Ela foi empurrada do terceiro andar da escola. – ele apontou para a janela aberta. – Ela poderia ter caído no chão e apenas ter quebrado alguns ossos, mas aquela lixeira atrapalhou seu caminho. Ela estava aberta e Mary bateu o pescoço na parte de metal, o que a fez quebrar o pescoço, causando a morte. – ele olhou para os olhos de Walt que pareciam indignados e abaixou a cabeça. – Eu sinto muito. – e saiu.

– Walt... – eu coloquei a mão em seu ombro.

– Não. Tá tudo bem. – ele tirou minha mão e entrou na escola.



Kate dirigia devagar e concentrada no caminho, Walt estava na frente do lado de Kate, com sua testa encostada no vidro do carro, observando o caminho das gotas de chuva que escorriam do lado de fora. Eu, no banco de trás observava os dois.

– Vá mais rápido, Kate! – bati no ombro dela. Não suportava mais aquela tensão.

– Calma! Não quero bater o meu carro!

A minha casa ficava há alguns metros, mas aquela rua parecia infinita. Olhei para baixo e lá estavam os nossos sapatos sujos de lama, em cima da bolsa de Walt, que Kate fez questão que nós tirássemos para não sujar o carro.

– Pode parar aqui mesmo. – falou Walt sem expressão.

– Não, vamos para a minha casa. – eu disse.

– Não, eu tenho que ir pra casa.

– Walt, seus pais estão viajando. Você não pode ficar sozinho!

– Eu tenho que ligar pra eles e dizer que minha irmã está morta. – ele terminou de calçar os sapatos, puxou sua bolsa, e saiu do carro que acabara de parar.

Kate olhou para mim. Não tinha acreditado que ele tinha falado assim. Eu saltei do carro já com as botas postas e fui atrás dele.

Walt andava freneticamente pelo asfalto molhado. Seus fios de cabelos estavam envolvidos pelas poucas gotas de chuva que ainda caíam. Eu corri até ele e o parei.

– Walt. Por favor... – eu levantei a cabeça dele. – Vamos para a minha casa.

Não precisei dizer mais nada, entramos no carro e seguimos os poucos segundos que ainda restavam para chegar na minha casa.



Eu procurava a minha chave na bolsa, quando Kate puxou uma carta que estava no correio da minha casa.

– O que é isso? – perguntei, enquanto abria a porta.

Ela me entregou para que eu pudesse abrir. Entramos em casa e coloquei minha bolsa na poltrona ao lado da porta. O envelope era azul claro, parecia como uma correspondência comum. Eu tirei o lacre e abri.

Dentro tinha um papel em branco, sem assinatura, nem nada. Mas, havia outra coisa no envelope. Era uma foto. Eu tirei do envelope...

– Ah! – eu gritei e soltei a foto no chão. Walt e Kate correram para mim e apanharam a foto do chão.

Era a foto de Mary. Mary Anderson. Parecia ter sido tirada escondida, Mary estava encostada em uma janela e havia uma mão em seu pescoço. Eu não pude evitar. Chorei. De medo.

Peguei o papel que continuava em minhas mãos, e o abri novamente. Agora tinha algo escrito em vermelho.

“ME AJUDE! ME TIRE DAQUI! ABRA A PORTA!

- MARY ANDERSON”

Notas finais
Agora só vou postar um capítulo a cada 5 dias!
Próximo capítulo: 22/05/13 :)