Dois Lados

10 Capítulo 9


- Está pronta? – Josh me olhava de um jeito misterioso, mas encantador. Ele vestia uma calça preta e uma blusa não muito casual. A festa era mais para um baile do que uma festa comum, então íamos um pouco mais formais. – Ah! Falta uma coisa.

Eu continuava com um sorriso besta no rosto, que me fazia parecer idiota. Então, ele tirou um colar todo entrelaçado do bolso.

- Uh... Desculpe a informalidade, eu deveria ter trazido em uma caixinha e... – ele tirava os nós do colar e franzia a testa. Parecia concentrado.

- Não... Está tudo bem. – eu ri, e peguei o colar.

- Como você fez isso? – eu havia tirado todos os nós daquele... Lindo colar.

- Meu Deus! É lindo! Você deve ter gastado muito dinheiro nisso, eu não posso aceitar!

- É, é lindo, mesmo. Combina com você! – ele penetrou seus olhos na minha alma. Ele era profundo, misterioso e lindo. E seu sorriso era convidativo para qualquer um, mas só eu, somente eu, tinha o passaporte para Josh Sheppard. Eu sorri. – Não que você não seja linda, você é, mas... Ah, você entendeu! — eu só conseguia dar gargalhadas, ele era um pouco atrapalhado, o que o tornava mais fofo.

Ele me virou e devagar colocou o colar no meu pescoço, a lemniscata prateada brilhava na luz da noite.

Nós descemos do deck e entramos no carro estilo anos 60 dele. Era vermelho e parecia novo, apesar de antiquado. Ele abriu a porta para mim. E nós fomos para a Welcome Party!

Sim, eu aceitei ir com ele. Sim, eu vou! Mesmo não estando muito no clima, o Josh me convenceu que me faria esquecer todos os problemas. Vou tentar fazer isso acontecer.

- Victoria! – foi a primeira voz que ouvi ao entrar no ginásio, a de Kate. Ela se levantou do colo de um jogador de futebol que ela estava gostando – e acho que já tinha conseguido – e veio em direção a mim.

- Oi. – eu tentei sorrir.

- Você quer? – ela tinha um copo de... Vodka, na mão.

- Vodka? – eu sussurei.

- Ah, só quis animar um pouquinho a festa! – ela deu uma gargalhada. – Mas, tenho que ficar de olho, qualquer um que ficar bêbado, eu que me ferro! – ela parou por alguns segundos e viu que o Josh estava do meu lado. Ela passou o olhar nele e acenou de uma maneira meio oferecedora.

- Hm... Kate, esse é o Josh, eu o conheci... Um dia desses. Ele é novo. E... Josh, esta é Kate, minha melhor amiga. – eu sorri e os fiz apertar as mãos.

- Vou trazer uma bebida pra vocês! – Antes que eu pudesse negar, ela nos puxou até a mesa de comidas e foi até a sala do treinador, que deveria estar fechada.

Kate saiu de lá com duas garrafas de vodka cheias e as escondeu debaixo da mesa, antes pegando dois copos para Josh e eu. Ela jogou os copos em nossas mãos e voltou para o jogadorzinho dela.

Eu e Josh fomos nos sentar em uma das mesas do salão.

- Está tudo bem? – ele havia percebido que não estava tudo bem comigo.

- Hmm... – eu não sabia se podia contar... Mas, de alguma forma, eu me sentia confortável com ele. – É que, tem tantas coisas acontecendo... A Mary, meu pai, e agora minha mãe. – ele ouviu tudo com atenção.

- Quer saber? – ele me levantou e me segurou junto ao seu corpo, enxugou as minhas lágrimas com os polegares e segurou fortemente em minhas mãos. – Viemos para esta festa para nos divertir, esquecer dos problemas, deixar nossas vidas se decidirem sozinhas. Não podemos viver presos à um pequeno detalhe, quando temos o mundo todo para explorar. – ele ficou tão próximo a mim que pude sentir sua respiração na minha boca.

E então, A Thousand Years começou a tocar. E no ritmo da música, ele me levava para o salão. Nós dançamos e rimos, aquela música parecia não acabar. E eu não queria que acabasse. Pela primeira vez naquele ano me senti livre, selvagem, feliz. E decidi viver.

E quando a música parou... Ele encostou sua testa na minha, nossas respirações eram pesadas e intensas, e aos poucos ele foi se aproximando de mim, e nos beijamos.

Talvez, eu pudesse recomeçar dali.

Eu fui ao banheiro que ficava bem ao lado do refeitório, que estava escuro e vazio. Mas, antes que eu pudesse entrar, eu ouvi um gemido vindo do refeitório.

- Olá? – eu andei ao lado das paredes para achar um interruptor, mas não achei.

- Victoria? – era o Walt. Ele estava sentado na última mesa do refeitório, onde os “excluídos” costumavam sentar.

- O que você está fazendo aqui? – ele estava chorando muito, não conseguia parar, tentava se conter, mas as lágrimas caíam demais. – Walt. – eu sentei ao seu lado e o abracei.

- Ela deveria está aqui! Nesta festa! Você não sabe o quanto ela falou sobre essa festa nas férias de verão! Ela até comprou um vestido novo com a mamãe. – ele apertou a cabeça no meu ombro. – Eu sinto a falta dela.

- Eu também. – eu apertei os olhos para que as lágrimas pudessem cair e me fazerem sentir melhor. Quando os abri, lá estava ela. Mary. Olhando para Walt.

- Diga a ele que eu o amo, que eu também sinto falta dele, mas que estou bem. – e eu o fiz.

Mary chorava tentando tocar o rosto de Walt, mas ele não a sentia. Quão ruim deve ser estar morto? Tentar falar, tocar, sentir as pessoas, mas ninguém te vê. Ninguém te escuta. Você está sozinho. Em um novo mundo, onde você não conhece ninguém.

- Walt, não chore. – eu enxuguei o rosto dele com um lencinho. – Se você sofrer, ela também sofre. E você não quer a ver sofrendo, quer?

E balançou a cabeça negativamente, e me abraçou de novo.

- Obrigado. Não sei o que eu seria sem você. Não sei como você consegue ser tão forte. Eu te admiro bastante. – ele sorriu para mim. Mal sabe ele o que eu sinto, mas fiquei feliz pelo que ele disse. E retribuí o sorriso.

Notas finais
Obrigada a todos que estão lendo, vocês não sabem quanto eu me sinto bem escrevendo, me sinto em um refúgio de tudo! Espero que vocês continuem lendo :D
PS: mandem reviews u.u kk'