Dois Lados

32 Capítulo 31


Notas iniciais
Muito obrigada à todos que estão lendo, e aos que comentam! É muito importante e legal receber comentários de vocês! Mesmo que não seja por Review! Espero que gostem desse capítulo!

Depois de comermos, voltamos para o carro, Josh e Michael passaram a maior parte do tempo em silêncio, o que me permitiu cair no sono.

Eu estava em uma cidade antiga. Algo como casas dos anos 40. Talvez, um subúrbio de Nova York. Era uma única rua enorme, e no final havia um portão de ferro gigante, talvez uns seis metros. A névoa fria cobria boa parte do portão e do caminho, de forma que não conseguia ver para onde ia.

Andei devagar alguns passos à frente, e percebi que uma porta estava aberta. Uma garota estava na porta, aflita. Ela aparentava ter a minha idade, seus cabelos estavam presos num rabo de cavalo, suas roupas eram como caçadoras do tempo antigo, e havia uma adaga em sua mão.

A garota olhava de um lado para o outro, desesperada, como se procurasse por alguém. Depois de um tempo, entrou na casa.

De repente me vi, em uma outra cidade. As casas eram mais variadas. Todas estilo Idade Média ao século XIX, umas baixas, outras como mansões.

Havia homens e mulheres andando de um lado para o outro, a maioria vestido como a garota da casa, outros como se ainda estivessem no tempo antigo. Nunca estivera tão confusa.

– Posso ajudá-la? – uma voz de uma garota atrás de mim, me fez estremecer. Quando me virei, a névoa se dissipou e deu lugar à imagem dela. Rosalind. A garota com quem sonhei, a que provavelmente esteve com o garoto que aparecia em meus sonhos com Mary.

– Ro... Rosalind? – gaguejei.

– Como você sabe meu nome? – ela perguntou séria num tom de desconfiança.

– Você esteve... Ah, não, esquece... – tentei achar algo para perguntá-la, antes que fosse arrancada mais uma vez do meu sonho.

– De que século você é? – ela me olhou de cima a baixo como se analisasse minhas roupas. – Estranho...

– Eu... Eu não morri... Digo, isso não é verdade... É? – ela continuou me olhando como se eu fosse um extraterrestre.

– Vou mandá-la para o Juíz. Você ultrapassou. – disse ela recompondo-se.

– O que? Ultrapassei? O que quer dizer? Eu não sei o que estou fazendo aqui, eu só...

– Ou o Juíz, ou você irá parar em um hospital para loucos, certamente. – disse ela fixando os olhos em mim.

– Não! Eu só... – eram nesses momentos que eu queria que eu simplesmente desaparecesse dali, que eu acordasse.

– Vou perguntar pela última vez. De onde você me conhece? – perguntou ela mais séria.

– De um sonho. Eu te vi com... não lembro o nome dele... Mas você era um pouco diferente... Digo, estava feliz com um garoto, da nossa idade. Em um estábulo, ele tinha...

– Stephen. – os olhos dela pareceram perdidos no tempo, lágrimas começaram a encher seus olhos, parecia estar tendo uma lembrança dolorosa.

– Stephen? É o nome dele? – perguntei cautelosamente.

– Sim. – disse ela. Ela parou por uns minutos e de repente arrancou uma espada de algum lugar que eu não vi, e a colocou contra meu pescoço. – Agora eu entendi...

– O que? – falei com medo.

– Você não está aqui, não é? Você é a Descendente... Victoria Miller.

– Sim, como você sabe disso?

– Todos falam sobre você e sobre a Charlotte, aqui. – disse ela pressionando um pouco mais a espada contra meu pescoço. – Mas, isso vai acabar, enquanto eu te tenho aqui... – Rosalind levantou a espada e quando a abaixou subitamente para me atingir, eu acordei.

– Ah! – gritei. Ainda tendo flashes do sonho, fui me recuperando, e percebi que ainda estava no carro. Já era noite, estávamos fora do Alabama.

– Está tudo bem? – perguntou Michael.

– Pesadelos de sempre? – perguntou Josh.

– Sim... – respirei fundo e me sentei.

– Sorte que já acordou. Acabamos de entrar em Kentucky! – falou Michael.

P.O.V – Walt

Andamos por um bom tempo pela estrada próxima da pensão. Mas quando olhei para trás percebi que estávamos mais longe do que eu pensei, não via mais nada além de estepe.

– Finalmente, chegamos. – disse Emma. A primeira frase que ela havia dito o caminho inteiro. Ou a segunda, porque a primeira havia sido “espero que você sirva mesmo.”. Ainda não entendi o que havia acontecido que ela estava tão brava comigo. Depois do que houve na floresta, tudo estava perfeito, mas de repente, ela ficou sem falar comigo, talvez seja porque eu havia dito à Victoria que a amava.

– Chegamos? – olhei ao redor e não havia nada.

– Sim. – ela apontou para baixo. Nos abaixamos e ela passou a mão pela vegetação seca. – Aqui. É o seguinte, você tem que puxar essa alavanca três vezes, enquanto eu cito esses três versos a cada puxada, ok? – ela me mostrou um papel com versos em latim.

– Entendido. – peguei a pequena alavanca enferrujada e puxei da primeira vez. Emma citou o primeiro verso, não entendi nada.

Ela sinalizou novamente, e então puxei a segunda vez. E assim seguimos até o terceiro verso.

No começo não houve nada, mas de repente um tremor nos fez cair no chão, e logo em seguida em um buraco que se abrira.

Caímos por segundos, que para mim pareciam minutos. Era como um calabouço escuro e frio.

– Emma? Você está bem? – perguntei para o nada. Não ouvi nada. – Emma?! Emma! – gritei.

– O que é?! Estou aqui! Pare de escândalo! – disse ela acendendo uma lanterna e se limpando. – Abra as mãos.

– O que?

– Só abra, ok? Qual o seu problema? Parece que ficou burro depois que saímos de Garwood! – eu abri e ela conjurou outra lanterna.

– Meu problema? Não tem nenhum problema comigo! O problema está com você! Você que está tendo ataques e discutindo com todo mundo, e ficou com raiva de mim por motivo algum! – pronunciei.

– Motivo algum? Depois do que aconteceu na floresta, você simplesmente teve a coragem de se declarar para Victoria na minha frente e na frente de Josh! Seu... idiota! – gritou ela.

No dia em que saímos para beber na floresta, eu queria andar e então, Emma foi comigo. Nunca contamos a ninguém o que havia ocorrido. Mas ela me beijou. Antes disso havíamos conversado sobre nossas vidas tão opostas, e algo em nossas dores e decepções se encontraram. E daí, ela me beijou. E outras coisas mais aconteceram. Mas pensei que havia sido somente momentâneo.

– Você... está com ciúmes? – perguntei devagar.

– Claro que não! É só que... eu achei... – ela pôs a mão na testa.

– Achou o que? – perguntei.

– Nada, esquece, não posso fazer isso. – suspirou ela.

– Que era pra valer?

– Eu... É, você e eu estávamos bêbados, foi tolice minha pensar que poderia ter algo mais. Mas de qualquer jeito, não posso. – respondeu Emma nervosa.

– Não pode o que? – me aproximei dela. – Não esconda o que sente, Emma, isso só pode piorar. – segurei a mão dela. Estávamos cada vez mais próximos.

– Não posso me apaixonar. – disse ela. Pude sentir sua respiração pesada em meu rosto. – Não por um mortal.

– Quem te impede disso?

– Tudo, Walt, ordem dos feiticeiros. – ela me afastou. – E, além do mais, você ama a Victoria. Não há nada que se possa fazer para mudar tudo isso.

– Me desculpe. – sussurrei. – Eu não deveria ter dito aquilo para ela.

– Mas é o que você sente não é? – ela me perguntou. Não pude ver seu rosto, mas sabia que ela expressava tristeza, pela primeira vez.

– Não. Não sei. – respirei fundo. – Depois do que aconteceu na floresta entre nós, – ela apertou os olhos como se não quisesse lembrar, como se dissipasse seus pensamentos. – eu mudei. Algo mudou em mim. Meus sentimentos pela Vic não são os mesmos. Eu não sei se eu ainda gosto dela, ou se é apenas um sentimento antigo que vem pra me confortar quando preciso. Mas você me faz ser diferente, Emma.

O silêncio tomou o local de novo. Intenso e profundo. Como se nossas energias fluíssem e se encontrassem.

– Não importa agora. – falou Emma apontando a lanterna para frente do que parecia uma entrada. – Temos que achar a Varinha. Já chega disso.

P.O.V – Victoria

Em pouco tempo chegamos em Maysville. Deixamos o carro em um local escondido, afinal, os feiticeiros poderiam nos achar por mínimas pistas.

Já estava amanhecendo. Estava nublado então o Sol não fazia muita luz, ainda.

– É bem ali. – apontou Michael.

Era uma loja pequena em um sobrado que tinha escrito “J. Wesley Lee Alfaiataria – Acessórios e Sapatos para homens”.

– Uma alfaiataria? – perguntou Josh, confuso.

– Você pode se surpreender com os tipos de agulha! – falou Michael empurrando a porta de entrada. Para nossa surpresa, estava aberta.

Era um local aparentemente abandonado, com roupas penduradas em cabides enroladas com sacos plásticos cheios de poeira, haviam mesas no meio da alfaiataria cobertas com panos velhos. O piso de madeira rangia com os nossos passos, e a única luz que havia era a fraca luz do Sol, vinda da vitrine.

Viramos em um corredor ali perto e havia as mesmas coisas, além de estantes com linhas e outros artefatos de costura. No final deste corredor havia uma pequena lâmpada que iluminada o balcão. Atrás dele estava sentado um velho de cabeça baixa.

Michael pigarreou duas vezes para ver se o homem acordava, mas sem resultado.

– Senhor? – falou Josh prestes a acordar o homem, quando ele levantou a cabeça subitamente, nos fazendo pular para trás.

– Sim, queridos, o que desejam? – perguntou ele.

Ele tinha pouco cabelo, muitas rugas e os dentes eram tortos e muitos deles quebrados. Mas ele tinha algo incomum. Seus olhos. Um era azul, parecia uma pedra preciosa e o outro era totalmente negro. Mas não falo da íris do olho, falo do olho em si. Foi a coisa mais assustadora que vi em anos.

– Victoria Miller... – disse com uma voz assustadoramente rouca, apontando para mim. – Victoria Miller.

– Para trás, os dois. – disse Michael afastando a mim e a Josh. Ele puxou uma faca da mochila e apontou para o homem.

– O que está fazendo, meu querido? – ele gargalhou. Mas de repende sua risada se transformou, como se sua voz estivesse vindo de um computador que estava dando problemas. E então ele deu um grito estridente e fino.

Seus olhos começaram a brilhar e saiu um líquido preto de sua boca que começou a derreter tudo o que tocava.

– Cuidado, isso é ácido! – gritou Michael.

Rapidamente Michael saltou sobre a poça que havia se formado e cravou a faca no peito do homem. O líquido foi ainda mais rápido, e atingiu dois dedos de Michael.

– Ah! – gritou ele segurando a mão tentando sair dali. Ele pisou no líquido escuro, mas apenas destruiu seu sapato.

Ficamos no canto do corredor e esperamos, até o líquido desaparecer fazendo buracos no chão, e depois uma luz o engoliu.

– Michael, você está bem? – perguntei sentando ele no chão. Olhei a mão dele. Ele havia perdido parte do dedo indicador e queimado boa parte do dedo do meio, da mão esquerda.

Josh e eu fizemos curativos na mão dele e ele nos apressou para seguirmos para a porta atrás do balcão.

Notas finais
E aí, o que acharam? Mandem reviews! Até o próximo, beijos Recomendo: 31 days in New York - Beatriz http://fanfiction.com.br/historia/520063/31_days_in_New_York/