Dois Irmãos: Conflitos, Amores E Grandes Momentos
14 Capítulo 14
Narr Paulo
Derrepente, percebi que o Jorge e os três homens estavam olhando pra mim e pra Marcelina. Pressenti perigo e até agi por extinto. Abandonei imediatamente o campo de futebol e corri até a arquibancada onde Marcelina estava com as meninas e a puxei pelo braço. Comecei a correr e como eu a segurava ela corria comigo sem entender nada. Quando já estávamos bem longe de tudo e de todos parei de correr.
Marcelina: ---- O que deu em você?
Eu: Era perigoso continuar ali.
Marcelina: Por que?
Eu: Era perigoso pra nós dois. Um pressentimento me dizia.
Marcelina: Mas nem deu tempo de me despedir do Jorge!
Eu: Melhor ainda. Eu quero que você termine com ele e se você não fizer isso você vai correr perigo.
Marcelina: Paulo, eu já estou preocupada com você. Quando nossos pais chegarem ao Brasil eu vai contar pra eles o que os cientistas fizeram com a gente.
Eu: Se você contar, nossos pais vão nos levar a um médico pra ver se a gente está bem e os médicos vão querer ficar estudando a gente!
Marcelina: Mas a gente deveria contar. A gente deveria fazer uma denuncia e a polícia ia procurar esses cientistas e prende-los por fazerem experiências genéticas em humanos.
Fiquei calado e deixei rolar uma lágrima, eu não gostava de ter premonições. Era uma sensação horrível e ninguém acreditaria se eu dissesse que estou pressentindo o futuro. Nem a Marcelina acredita direito.
Narr autora
4 dias depois...
Na escola, Paulo estava muito estranho e calado em todos esses dias pensando nos seus pressentimentos sobre o futuro. Não tinha vontade nem de ficar perto de Alícia para namorá-la. Ele estava tão quieto que todos da classe comentavam. Alícia e Jaime chegaram perto dele para conversar.
Alícia: Paulo, o que você tem?
Paulo: Nada.
Jaime: Como nada? Você está muito estranho. Você nem tá saindo mais na rua pra jogar bola com a gente. O último jogo foi aquele que você saiu correndo com sua irmã, que ninguém nem sabe o porque até hoje.
Alícia: Nem me procura pra namorar.
Paulo: Me deixa pessoal. Se eu contar o que é vocês vão achar que eu fiquei louco, vocês nunca vão me entender.
Alícia deu um beijo em Paulo e ela e Jaime saíram e deixaram o garoto sozinho. Marcelina chegou perto de seu irmão e tentava animá-lo. De repente, Paulo começou a sentir uma dor de cabeça muito forte e a chorar compulsivamente. Marcelina tentava acalma-lo.
Marcelina:--- O que está acontecendo Paulo? Por que você começou a chorar de uma hora pra outra? E por que você não consegue parar de chorar?
Paulo: Está acontecendo agora uma coisa que pressenti! Nossos pais estão em perigo, Marce!
Marcelina: Está tudo bem com eles, Paulo. Eles estão em uma viagem se divertindo em Portugal. Não chora, você está fora de si, não sabe o que fala.
Paulo: Eu sei muito bem o que estou falando, Marcelina.
Paulo enxugou o seu rosto e se acalmou. Mas se preocupou novamente ao ver a professora Helena sair da sala da diretoria com uma cara triste. A professora chegou até os dois irmãos e se sentou.
Helena: Paulo, Marcelina, não tenho boas notícias para dar a vocês. Aconteceu uma tragédia.
Marcelina olhou para Paulo assustada. O menino já esperava que alguma coisa fosse acontecer. Aprofessora continuou:
---- Eu... não sei como dar a notícia pra vocês.
Paulo: Professora, é alguma coisa com nossos pais, não é? O que aconteceu com eles?
Helena: --- Os pais de vocês estavam fazendo um passeio de barco em Portugal junto com um grupo de turistas brasileiros. O barco afundou e eles não foram encontrados.
Marcelina abraçou Paulo chorando. Paulo também chorava e dizia:
--- Eu sabia que algo ia acontecer. Eu sabia que eles não podiam ir nessa viagem!
Marcelina: --- Professora, eles morreram?
A professora se embolou para responder:
--- Já fazem três dias que o barco afundou e eles não foram encontrados ainda. Por isso ligaram pra cá.
Paulo: ---- Pode falar professora. Se eles não foram encontrados até hoje significa que...
Helena: Não significa nada ainda Paulo. Eles vão aparecer... vai dar tudo certo.
Marcelina: --- A gente vai ficar órfão, professora?
Professora: Não meus amores, não vão. Os pais de vocês estão vivos, vamos pensar positivo.
Marcelina e Paulo estavam inconsoláveis. Eles não aguentaram ficar na escola e assistir as aulas e foram para a casa abandonada. Estavam chorando muito.
Paulo: Agora você acredita em mim? Eu pressenti que ia acontecer algo na viagem deles.
Marcelina abraçou Paulo que retribuiu o abraço e disse:
--- Acredito sim, Paulo. Você deve ter desenvolvido mutações de prever o futuro depois que sofremos alterações genéticas.
Os dois irmãos ficaram juntos inconsoláveis pelo que tinha acontecido com seus pais. Eles tentavam ter esperanças de que seus sobrevivessem. Eles estavam tão frustrados que nem perceberam a chegada de Alícia e Jaime na casa abandonada. Os amigos os abraçaram para consolá-los. Paulo se sentia culpado por não impedir que seus pais viajassem.
Alícia: Você não tem culpa Paulo.
Paulo: Tenho sim Alícia. Eu sabia que ia acontecer alguma coisa com eles nessa viagem.
Alícia: Como assim?
Paulo resolveu se abrir com Alícia e Jaime e contou pra eles o que os cientistas fizeram com ele e Marcelina. E ele concluiu dizendo:
Paulo: ---- E desde que os cientistas nos modificaram geneticamente, eu tenho tido alguns tipos de visões e premonições. Eu pressenti que ia acontecer algo com meus pais, eu posso pressentir o perigo.
Jaime: Puxa Paulo, você agora pode prever o futuro? Que da hora!
Paulo: --- Não tem nada de da hora nisso, eu não gosto de ficar pressentindo perigo toda hora.
Alícia beijou Paulo para acalmá-lo. O beijo foi longo e suave.
Alícia: --- Meu amor, não fica assim. Em algum lugar do mundo seus pais devem ter sobrevivido.
Marcelina: ---- Paulo, você que diz que prevê o futuro, será que você não consegue pressentir se nossos pais estão vivos?
Paulo: Se eu me concentrar, talvez, mas eu já tentei.
Marcelina ficou desapontada. Paulo se deitou no sofá da casa abandonada com a cabeça no colo de Alícia que conversava com ele para acalmá-lo.
Narr Jaime
Coitada da Marcelina, estava tão triste.... Eu a abracei e acariciei seus cabelos pra ver se ela ficava mais tranquila. Aquele insensível do Jorge diz que a ama mas até agora não apareceu pra consolar a namorada. E já que ele não faz isso, faço eu. Aproveitei que o Paulo e a Alícia estavam bem distraídos conversando e me aproximei da Marcelina e disse:
--- Eu sei que seus pais sobreviveram. Eu tenho esperanças.
Marcelina chorou e disse:
--- Eu não sei Jaime. Tudo pode acontecer.
--- Não pensa no pior, Marce. Eu vou estar aqui com você pro que der e vier.
Aproximei meu rosto do rosto dela. Eu estava pronto para beijá-la mesmo que ela estivesse namorando o Jorge (que por sinal era meu inimigo e se ele soubesse que gosto da Marce ele me destrói). A Marcelina estava frágil, precisava de carinho, eu a amava e o Jorge não estava nem aí pra ela. A gente estava quase se beijando quando ela se afastou e disse:
--- Não podemos Jaime. Eu estou namorando o Jorge.
Eu: --- Mas você gosta de mim, Marce, sei que gosta. Você só está namorando com o Jorge pra tentar me esquecer. Eu sei que você não me esqueceu e que você não gosta do Jorge.
Marcelina: ---- Pior que é verdade.
Eu: ---- O Jorge que deveria estar aqui te consolando pelo que aconteceu com seus pais, mas eu estou aqui com você agora, não ele. Eu estou aqui te dando carinho e não o Jorge. Fica comigo e esquece ele. Eu te amo Marce!
Marcelina: --- Esse não é um bom momento pra pensar na minha vida amorosa, Jaime. Só consigo pensar nos meus pais. Se você quer me ajudar, me ajude, me console, mas esse não é um momento pra pensar se fico com você ou com o Jorge.
Respeitei a decisão dela. Ela tinha razão, estava abalada de mais pra pensar na vida amorosa. Ela não parava de pensar no que tinha acontecido com seus pais. Já que o beijo não rolou, Dei só um abraço bem apertado nela.
Eu e o Paulo fomos para minha casa e Marcelina e Alicia foram para a casa da Alicia. Uma semana se passou. E nessa semana que se passou, os pais deles até hoje não foram encontrados no mar. Isso quer dizer que ou eles morreram mesmo, ou sobreviveram em um lugar sem comunicações. Eu estava pensando no sofrimento do Paulo e da Marcelina, quando chega uma assistente social e bate na porta da minha casa. Minha mãe atendeu. O que será que uma assistente social quer na minha casa?
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