Dois
1 01
Notas iniciais
Eu ainda não estou chegada na personalidade desses dois, então vou "fugir" um pouco delas.
Boa leitura!
O circo “Dollars” não era um circo comum. Shizuo percebeu isso no primeiro espetáculo do circo que presenciou, quando tinha nove anos de idade. Sua família tinha decidido que seria legal passarem um tempo juntos, algo como um “programa em família”, e o local escolhido para isso foi o circo.
Todas as atrações pareciam possuir algo de diferente dos outros circos. O apresentador agradava a todos, era bem humorado e sabia prender a atenção do publico. Os trapezistas eram fantásticos, os saltos pareciam ser parte deles, pareciam realmente voar. Tinham uma atração especial chamada de “a mulher sem cabeça” que todos diziam ser um truque, mas os que viam entravam em choque de tão real que parecia. Faltava apenas uma atração para que o espetáculo terminasse e era essa atração que Shizuo queria ver. O mágico. Todo mundo na escola comentava sobre esse tal mágico e Shizuo acabou ficando interessado em vê-lo. Qual não foi sua surpresa quando um menino da sua idade subiu no palco e cumprimentou a plateia. Todos os presentes ficaram em silêncio enquanto observavam o menino de nove anos, pálido, de cabelos pretos e olhos avermelhados que pareciam conter um brilho especial. Ele sorriu e tirou a cartola, puxando de lá de dentro um lindo buque de rosas, que era muito maior do que ela e parecia não caber lá. Ele dirigiu-se até a mãe de Shizuo e entregou-lhe o buque, retornando ao palco.
As outras mágicas que ele fez pareciam realmente magia. Truques novos que Shizuo nunca havia visto antes, e de vez em quando um brilho avermelhado parecia sair de seus dedos. Todos estavam deslumbrados, uma criança estava fazendo mágica. Fazendo mágicas que eram melhores do que a dos adultos e que parecia realmente ser magia. E as palmas vieram ao fim do espetáculo, quando o pequeno mágico simplesmente sumiu do nada, sem cortina de fumaças ou algo para cobri-lo. Sumiu diante de seus olhos. Muitos gritavam animados, outros batiam palmas e assoviavam e a grande maioria pedia em coro “bis, bis”. O apresentador foi ao centro e agradeceu a todos pela presença, então as pessoas se dispensaram, muitas comentando que viriam novamente no outro dia.
Se aquela mágica havia sido real ou apenas uma ilusão Shizuo não saberia dizer, mas naquele momento ele realmente acreditou que a magia existia.
X
Shizuo não era uma criança normal. Desde pequeno ele entendia isso. Possuía uma força que chegava a ser maior do que a de um adulto. Mas ele conseguia manter um pouco o controle sobre essa sua força por causa de uma lembrança antiga que ele tinha de quando era pequeno.
Estava agachado do lado de fora de uma loja de video-games, abraçando os joelhos junto ao peito e com a cabeça escondida ali. Havia sido expulso depois de quebrar todos os jogos e o computador do dono da loja em um ataque de fúria. Os outros meninos haviam o provocado, ele acabou se irritando e perdeu o controle. Sua família não era rica, e doía ter que imaginava o quanto seus pais trabalhariam para poder pagar ao dono da loja por todo o estrago que ele havia causado. Começou a chorar baixinho. Ninguém no meio da rua ia se importar mesmo, estavam ocupados demais com as próprias vidas para reparar em algum garotinho chorando por aí. Ao menos ele achava que sim; ficou surpreso quando sentiu alguém se agachando a sua frente e encarando-lhe fixamente, curioso.
- Você está chorando? – ouvia uma voz infantil perguntar.
Ele confirmou acenando com a cabeça. O menino colocou a mãozinha sobre a cabeça de Shizuo e fez um carinho ali.
- Você está triste?
Shizuo ergueu a cabeça para observá-lo pela primeira vez. Todos os outros detalhes da aparência do outro se tornaram não necessários de serem analisados quando ele encarou os olhos avermelhados dele. Lindos olhos vermelhos.
- Eu sou um monstro. – contou.
Ele ia desabafar com um garotinho que ele nem conhecia? Bem, ia. Ele precisava, nem que o menino fosse apenas julgá-lo ou sair correndo com medo. Ele precisava. E algo naqueles olhos o incentivou.
- Por quê? Você não parece ser um monstro.
- Mas eu sou... sabe, eu sou muito forte – segurou o braço dele. – Eu posso quebrar seu braço se eu aperta-lo só um pouco.
Ele arregalou os olhos e em seguida pareceu estar pensativo. Shizuo se surpreendeu quando ele sorriu docemente e colocou a mão dele sobre a sua.
- E isso não é uma coisa boa? Ser forte...
- Não! Por que seria?!
- Porque isso quer dizer que você pode fazer coisas que as outras pessoas não conseguem fazer.
Tirou a mão de cima da de Shizuo e o olhou com admiração.
- Ser forte significa que você pode fazer muitas coisas incríveis! – começou a gesticular bastante com as mãos. – Significa que você pode abrir a geladeira sozinho! Isso não é demais?!
Shizuo riu e o garoto o acompanhou, mesmo sem entender de que ele ria.
- Ah, tenho que ir! – exclamou enquanto se levantava. – Sabia que minhas irmãzinhas vão nascer hoje? – contou-lhe sorridente.
- Sério? Que legal! – sorriu. Um garotinho que ele nem conhecia havia melhorado seu humor, tinha até conseguido fazê-lo rir!
- Sim! Então eu tenho que ir. Até mais! – disse antes de correr um pouco em direção a um homem alto, que deveria ser seu pai e em seguida sumir da vista de Shizuo.
Por anos essa simples lembrança havia o motivado a controlar sua força e até o incentivado a fazer coisas boas “isso quer dizer que você pode fazer coisas que as outras pessoas não conseguem fazer”, então ele procurara ser útil e fazer para as pessoas as coisas que só ele conseguia fazer. Não conseguia abrir uma geladeira sem sorrir antes ao se lembrar de que abrir geladeiras era uma coisa incrível e que só pessoas fortes conseguiam fazer. Ele havia tentado reencontrar o garotinho daquele dia muitas vezes, mas isso era uma coisa bem difícil de fazer quando se é criança e só se lembra da cor dos olhos dele.
Foi quando completou onze anos que perdeu totalmente o controle de sua força na escola. Não lembrava-se do motivo, lembrava-se apenas que tinha machucado muitas pessoas e destruído quase toda a escola. Foi nesse dia que recebeu um convite. Um convite do Circo Dollars. O apresentador que ele vira quando tinha nove anos estava acompanhado de dois garotos de sua idade, um muito parecido com ele mesmo, que devia ser o filho dele, e o outro era o pequeno mágico. Shizuo reconhecia aquele brilho no olhar dele de algum lugar.
- Estamos aqui para saber se você aceitaria participar dos Dollars, Heiwajima Shizuo.
- O circo?
- Não somos apenas um circo. Somos uma família. Uma família diferente do normal, que possuem... dons especiais assim como você.
- Dons?
- Venha viver conosco no circo. Fazer parte da nossa família, sem se preocupar em ser julgado por ninguém.
A ideia havia agradado muito Shizuo, todavia aceita-la significava deixar a sua família atual. Não, deixar não. Eles podiam ir visita-lo, certo? E não ser julgado, ser tratado como alguém normal era tão importante para ele... significava tanto...
- Eu... eu vou.
Depois disso ele conheceu Celty, a mulher que realmente não tinha cabeça, Kishitani Shingen, o apresentador e seu filho Shinra, Kadoka, Walker e Erika, os trapezistas, Kida e Mikado, os palhaços, Anri, a garota da corda bamba e finalmente, Orihara Izaya, o mágico.
X
Notas finais
É só uma coisa que eu quis tentar...
Se quiser comentar, eu agradeço! Estou sempre aberta a sugestões.
Tchau! ( ͡° ͜ʖ ͡°)
Fale com o autor