Doctor Who - Primeira Temporada (2025)
10 Episódio 2 - Um Espetáculo a Loucura (Parte 5 de 5)
A Doutora, ofegante, ainda sentia o peso da profecia queimando em sua mente, as imagens do pergaminho gravadas como brasas em sua alma. A fumaça negra do rolo incinerado subia em espirais, o cheiro acre de papel queimado misturando-se ao mofo metálico da TARDIS distorcida do Mestre. Ele, de pé no outro lado do porão, observava-a com um sorriso sombrio, os olhos brilhando com uma vitória venenosa. Havia orquestrado a libertação da plateia apenas para aprisioná-la com um fardo mais pesado: a visão de seu sacrifício, cercada por aliados, engolida por um vórtice de luz ofuscante.
— A verdade dói, não é, Doutora? Não sai da sua mente. — sibilou o Mestre, a voz um veneno que parecia infiltrar-se no ar denso. — O palco final… sempre o mais difícil de aceitar. Pobre e ingênua, sempre correndo para o sacrifício.
Ao seu lado, Abby tremia, o rosto pálido, os cabelos ruivos desgrenhados, mas os olhos flamejavam com uma raiva que desafiava o medo. — Você é um monstro! — gritou ela, a voz rouca, mas firme, carregada de uma determinação crua. — Não vou deixar você fazer isso com ela! Com ninguém!
A Doutora sentiu o chão pulsar sob seus pés, não pela TARDIS do Mestre, mas pela náusea da profecia — um futuro onde ela se sacrificava, onde seus amigos, incluindo Abby, assistiam impotentes. Durante séculos, ela havia desafiado o destino, correndo de um canto do universo ao outro, reescrevendo finais trágicos. Mas ali, no coração da armadilha do Mestre, a visão de seu fim parecia inevitável. Por um instante, a dúvida a envolveu como uma névoa fria, seus dois corações batendo em um ritmo descompassado.
Mas então, uma centelha de sua teimosia ancestral acendeu-se, uma chama dupla que queimava mais forte que o medo. Ela era a Doutora. Não uma marionete, não uma atriz em um roteiro alheio, especialmente não um escrito pelo Mestre. Seus olhos se ergueram, fixando-se nele com uma intensidade que o fez recuar um passo, o sorriso vacilando por um segundo.
— Não! — bradou a Doutora, a voz rouca, mas cortante como uma lâmina. — Você não escreve meu roteiro, Mestre! Você pode ter vislumbrado um futuro, mas não dita meu caminho! Eu escolho como luto! Eu escolho como vivo! E eu escolho como termino! Eu já mudei o tempo tantas vezes! Faço de novo!
Abby, ainda tremendo, olhou para a Doutora, a coragem dela reacendendo a sua própria. — Isso aí! — exclamou, a voz carregada de determinação, apesar do tremor. — Não vamos ficar presos na sua peça doentia!
O Mestre franziu o cenho, a surpresa substituindo o escárnio. — Tolice! O destino é inevitável! Vocês verão!
— O destino é o que fazemos dele! — retrucou a Doutora, avançando para a máquina de sofrimento, que pulsava irregularmente, os cristais girando em desordem após a sobrecarga anterior. As almas libertas no teatro acima ainda estavam presas na TARDIS do Mestre, e ela não podia permitir que ele as recapturasse.
Sem o pensar duas vezes, a Doutora partiu. Havia vislumbrado os diagramas no pergaminho antes de ele queimar — linhas e símbolos que revelavam a lógica da máquina.
Seus dedos dançaram sobre o painel de controle, ajustando alavancas e girando alavancas e botões com uma precisão febril, como se tocasse uma sinfonia contra o caos. — Abby, me ajude! — gritou ela. — Puxe aquela alavanca vermelha ali, agora!
Abby, hesitante por um instante, correu para o painel, os dedos trêmulos encontrando a alavanca. — Essa aqui? — perguntou, a voz tensa, mas obedecendo. — O que tá acontecendo, Doutora?
— Estamos recalibrando os cristais! — respondeu a Doutora, os olhos fixos nos controles, suor escorrendo pela testa. — Vamos transformar essa máquina de tortura em um farol pra mandar todo mundo de volta pra casa!
O Mestre soltou um urro de fúria. — Vocês não podem! — gritou, lançando-se contra elas, os olhos ardendo com uma loucura desesperada.
O impacto foi brutal. O Mestre colidiu com a Doutora, derrubando-a contra o chão metálico do porão, entre cabos expostos e fragmentos de vidro dos cilindros quebrados. Abby gritou, instintivamente se movendo para ajudar, mas o Mestre a empurrou com um gesto selvagem, fazendo-a cair contra a mesa de controle, o metal rangendo sob seu peso.
A Doutora, ofegante, sentiu a dor explodir em suas costas ao bater contra uma coluna de sustentação. O Mestre estava sobre ela, as mãos apertando seu pescoço, os olhos brilhando com um ódio que beirava a insanidade.
— Você sempre estraga tudo! — vociferou ele, os dentes cerrados, o hálito amargo invadindo o espaço entre eles.
A Doutora lutou para respirar, as mãos tremendo enquanto tentavam afastá-lo. Seus dedos encontraram o rosto dele, cravando as unhas, ganhando segundos preciosos. Com um chute desesperado, ela se libertou, rolando para o lado, engasgando, o ar voltando aos pulmões em arfadas dolorosas. Abby, recuperando-se, agarrou um pedaço de metal de um suporte quebrado, os olhos arregalados de medo, mas decididos. — Sai de cima dela, seu maluco! — gritou, brandindo o metal como uma arma.
O Mestre girou, o sorriso torto voltando, mas com uma sombra de irritação. — Pequena humana, acha que pode me parar? — zombou, avançando para ela com passos predatórios.
A Doutora, ainda ofegante, viu a cena e agiu por instinto. — Abby, agora! — gritou, apontando para a alavanca que Abby havia começado a puxar. A jovem, com um grito de esforço, jogou seu peso contra a alavanca, completando o ajuste com um estalo metálico.
Uma onda de energia azul explodiu do painel, os cristais da máquina girando em uma nova frequência, ressoando com um tom puro, quase melódico, que parecia ecoar pelos corredores da TARDIS do Mestre. O cheiro de ozônio diminuiu, e os crânios nos cilindros de vidro aquietaram-se, sua ressonância maligna dissipando-se como uma névoa ao amanhecer. O Mestre foi arremessado contra uma parede de tubos, caindo com um grunhido de dor, o rosto contorcido de fúria.
No teatro acima, as figuras pálidas começaram a brilhar com uma luz etérea, não mais a luminescência doentia do controle do Mestre, mas um azul suave, pulsante, que prometia liberdade. Abby, ofegante, olhou para suas mãos, vendo o brilho refletido nelas. — Doutora, tá funcionando! — exclamou, a voz trêmula de alívio, mas cheia de emoção. — Eles estão… indo embora?
— Sim, Abby! — respondeu a Doutora, levantando-se com dificuldade, os olhos fixos nos controles. — Eles estão voltando pra Londres, 2025, pro exato momento de onde foram tirados. Memórias intactas, mas livres. Vai ser como se fosse um pesadelo para eles.
Um portal de energia formou-se no centro do palco, uma abertura brilhante que pulsava com a promessa de retorno. As figuras da plateia, agora despertas, atravessaram-no, seus rostos marcados por alívio, as mãos se entrelaçando enquanto voltavam ao mundo real, ao ponto de origem em Londres, como se o pesadelo nunca tivesse acontecido, mas com a clareza do que haviam enfrentado.
O Mestre, erguendo-se lentamente, o rosto cortado e sangrando, puxou uma esfera negra de dentro do casaco — um artefato de contenção temporal, instável e perigoso, sua superfície brilhando com uma energia que parecia sugar a luz ao redor. — Se não posso ter o controle… — disse, com um sorriso torto, ativando a esfera, que começou a zumbir ameaçadoramente — …ninguém terá!
A Doutora reconheceu o som imediatamente: uma ruptura temporal em miniatura. Se ativada, destruiria o porão, a máquina e o portal, arriscando prender todos na TARDIS para sempre. — Abby, corre! — gritou ela, lançando-se contra o Mestre com uma força nascida da pura determinação.
Os dois colidiram no chão, lutando pela posse da esfera. Abby, sem hesitar, juntou-se à briga, puxando o braço do Mestre com toda a força que podia reunir. — Para com isso! — gritou ela, a voz cheia de desespero e raiva. — Chega de machucar pessoas!
A esfera caiu, rolando até parar ao lado da máquina, o zumbido crescendo em um crescendo aterrorizante. A Doutora, com um esforço sobre-humano, afastou o Mestre e agarrou a esfera, seus dedos queimando com a energia instável. — Não hoje, Mestre! — disse, os dentes cerrados, enquanto jogava a esfera para um canto escuro do porão. Ela explodiu em uma onda de luz inofensiva, longe dos controles, o som abafado pelas paredes pulsantes. Deixando os controles da nave doentia em um curto absoluto.
O Mestre, derrotado, caiu de joelhos, o rosto contorcido de fúria e desespero. — Minha obra… minha arte! — murmurou, a voz quebrada, os olhos fixos na máquina que agora brilhava com uma luz que ele não controlava.
A Doutora, ofegante, olhou para Abby, que tremia, mas mantinha a postura firme, o pedaço de metal ainda na mão. — Boa, Abby — disse, um sorriso cansado nos lábios, os olhos brilhando com gratidão. — Vamos sair daqui, isso vai partir a qualquer momento...
No teatro acima, o portão se abria em uma luz branca Imensa enquanto os letreiros pulsavam, as últimas figuras atravessando-o, seus corpos dissolvendo-se em luz ao retornarem ao exato momento de onde foram arrancados. Abby, agora no palco, guiava os últimos, sua voz firme apesar do cansaço.
— Vamos, vão! Rápido! — gritava, ajudando um jovem a se levantar, o rosto dele marcado por alívio e clareza.
A Doutora, no porão, ajustava os controles da máquina, garantindo que o portal permanecesse estável até que todos estivessem seguros. Sem o sonic screwdriver, ela confiava em sua memória dos diagramas do pergaminho, cada movimento preciso, cada ajuste uma batalha contra o colapso da TARDIS do Mestre. As paredes continuavam a pulsar, mas agora com menos intensidade, como se a própria nave reconhecesse a derrota de seu mestre.
O Mestre, ainda de joelhos, ergueu os olhos, um lampejo de respeito misturado com ódio. — Você nunca muda, Doutora — murmurou, a voz rouca. — Sempre escolhendo a esperança, mesmo quando ela te destrói.
— É por isso que eu ganho — respondeu ela, sem desviar o olhar dos controles, os dedos movendo-se com uma determinação feroz. — Porque eu escolho, Mestre. Sempre escolho.
Abby voltou ao porão, ofegante, os olhos brilhando com alívio. — Eles foram! — disse, a voz cheia de emoção. — Todos estão fora! Mas… e agora? Como a gente sai dessa nave maluca?
A Doutora olhou para ela, um brilho de determinação nos olhos. — Minha TARDIS está lá fora, em Londres — respondeu, a voz firme. — Uma cabine azul, esperando por nós.
O Mestre começa a rir descontroladamente ao ver que sua visão ia se cumprir de uma forma ou outra. E então, apaga.
Abby assentiu, os olhos arregalados, mas decididos. — Tô com você — disse, a voz tremendo, mas cheia de coragem. — Só… não me deixa aqui, tá?
— Nunca — prometeu a Doutora, apertando o ombro dela antes de liderar o caminho pelos túneis.
Os corredores da TARDIS do Mestre continuavam a se contorcer, as paredes pulsando como veias de uma criatura viva, mas a Doutora seguia com uma certeza instintiva, guiada pela lógica da nave e pela memória de incontáveis batalhas contra o Mestre. O som da valsa arranhada havia cessado, substituído por um silêncio opressivo, pontuado apenas pelo zumbido distante da máquina agora recalibrada.
Elas alcançaram a saída da TARDIS do Mestre, uma porta que se abriu para uma rua tranquila de Londres. A cabine azul da Doutora estava lá, estacionada sob a luz fraca de um poste, um farol de esperança no caos. A Doutora correu para ela, Abby logo atrás, o ar frio da noite cortando seus rostos.
— É essa? — perguntou Abby, ofegante, os olhos arregalados ao ver a cabine de polícia azul, aparentemente comum, mas com uma aura que parecia pulsar com vida.
— Essa mesma — respondeu a Doutora, com um sorriso travesso, enquanto abria a porta. — Vem, Abby. Quero te mostrar algo.
Abby cruzou a soleira da porta, e seus olhos se arregalaram ao ver o interior da TARDIS da Doutora. Era vasto, quente, com luzes suaves dançando em padrões misteriosos, as paredes curvas pulsando com uma energia acolhedora, como se a nave as abraçasse após o pesadelo. O espaço era um contraste gritante com a TARDIS do Mestre — não havia escuridão opressiva, mas uma sensação de lar, de possibilidades infinitas. O console central, hexagonal e coberto de alavancas, botões e telas, parecia vivo, e no canto, uma vitrola antiga reluzia com um brilho dourado, cercada por uma coleção de discos de vinil cuidadosamente organizados. Era a coleção pessoal da Doutora, um tesouro de melodias terráqueas e alienígenas, cada disco uma memória de uma aventura, uma era, um amigo.
— Bem diferente de um Teatro. — perguntou, a voz trêmula, mas tingida de curiosidade, enquanto apontava para a cabine de polícia azul, aparentemente comum, mas com uma aura que parecia pulsar com vida própria.
A Doutora, exausta, mas com um brilho travesso nos olhos, sorriu. — Muito...— respondeu, a voz rouca, mas cheia de calor. Ela deu um passo à frente, os dedos roçando a porta da TARDIS com uma reverência quase ritualística. — Venha. Quero te mostrar tantas coisas...
Ela abriu a porta com um empurrão suave, o rangido familiar ecoando como um convite. Abby hesitou por um instante, o peso da batalha contra o Mestre — a máquina de sofrimento, a profecia aterrorizante, a luta desesperada — ainda pressionando seus ombros. Mas a curiosidade, misturada com a confiança crescente na Doutora, a fez dar um passo à frente. Ela cruzou a soleira, e o mundo mudou.
O interior da TARDIS era um espetáculo que desafiava a lógica. Vasto, quase infinito, o espaço se estendia em corredores sinuosos, iluminados por luzes suaves que dançavam em padrões misteriosos, como estrelas refletidas em um lago tranquilo. As paredes curvas, de um bronze quente com tons de âmbar, pulsavam com uma energia viva, como se a nave respirasse, acolhendo-as com um zumbido baixo e reconfortante. O console central, hexagonal e coberto de alavancas, botões e telas que piscavam em ritmos hipnóticos, parecia o coração de um organismo vivo. No canto, uma vitrola antiga reluzia com um brilho dourado, cercada por uma coleção de discos de vinil cuidadosamente organizados — um tesouro de melodias terráqueas e alienígenas, cada disco uma memória de uma era, uma aventura, um amigo.
Abby ficou paralisada, os olhos arregalados, a respiração suspensa. — Isso… é a SUA TARDIS? — murmurou, a voz fraca, mas cheia de admiração, enquanto dava um passo hesitante, os pés descalços tocando o chão quente e vibrante. — É… tão diferente. Parece… amigável. Como se estivesse feliz em me ver. Até nem parece que passei pelo inferno...
A Doutora riu, um som leve que cortou a tensão, ecoando pelo vasto espaço. — Ela é, à sua maneira — respondeu, com um piscar de olho, enquanto caminhava até o console, os dedos roçando os controles com uma familiaridade nascida de séculos. — A TARDIS tem personalidade. Às vezes, até opinião. E ela gosta de você, Abby. Dá pra sentir. Tem coragem e ela admira isso.
Abby, ainda absorvendo o espetáculo, virou-se para a Doutora, um sorriso tímido surgindo. — Sério? Uma nave que gosta de mim? — perguntou, a voz tingida de incredulidade, mas com um toque de humor. — Isso é… meio louco, né?
— Louco é o que fazemos de melhor. — respondeu a Doutora, o sorriso alargando-se enquanto se aproximava da vitrola. — Todo novo começo merece uma trilha sonora. Escolha um disco, Abby. Vamos dar o tom pra sua primeira viagem. Se quiser...
Abby, apesar do cansaço que pesava em seus ossos, riu, um som trêmulo, mas genuíno, que parecia aliviar o peso do que haviam enfrentado. Ela caminhou até a vitrola, os olhos percorrendo a coleção com uma mistura de fascínio e curiosidade. Os discos eram uma galeria de histórias: capas desgastadas de David Bowie, Fleetwood Mac, The Beatles, até gravações alienígenas com símbolos que brilhavam sob a luz da TARDIS. Seus dedos pararam em Dark Side of the Moon do Pink Floyd, o título evocando uma conexão com o caos e a esperança que haviam vivido. — Esse aqui — disse, a voz leve, mas com um toque de emoção. — Parece… certo, sabe?
A Doutora arqueou uma sobrancelha, impressionada, um sorriso melancólico cruzando seu rosto. — Boa escolha — disse, a voz suave, mas carregada de significado. — Perfeita pra um momento como esse.
Abby colocou o disco na vitrola com cuidado, como se temesse quebrar algo sagrado. O som da agulha encontrando o vinil produziu um leve estalo, seguido pelos acordes profundos de “Time”. A bateria ressoou, os relógios distantes ecoaram, e a guitarra arrastada de David Gilmour preencheu a TARDIS, um hino de resistência que parecia capturar a essência da batalha que haviam vencido e do futuro que as aguardava. A Doutora congelou por um instante, a música tocando-a de forma inesperada, como se evocasse memórias de outros tempos, outras lutas, outros recomeços.
— Sabe, Abby — disse, a voz baixa, quase perdida no ritmo da música — Não é todo dia que alguém escolhe a trilha sonora perfeita pra um novo começo. Você tem um dom pra isso.
Abby riu, o som aliviando o peso da exaustão. — Tô só tentando acompanhar você. — respondeu, a voz ainda trêmula, mas com um brilho de esperança. Ela se aproximou do console, os olhos viajando entre os controles e a Doutora. — Você foi incrível lá, enfrentando aquele cara. Como você faz isso? Como não desiste?
A Doutora parou, os olhos suavizando-se enquanto olhava para Abby, a jovem que havia enfrentado o Mestre com uma coragem que desafiava sua própria humanidade. — Não fiz sozinha — disse, a voz sincera, carregada de uma vulnerabilidade rara. — Você foi incrível, Abby. A maneira como você se jogou naquela luta, como enfrentou o Mestre, como não deixou o medo te parar… isso me lembrou por que faço isso. E, pra ser honesta, tô cansada de viajar sozinha. É… solitário, às vezes.
Abby arregalou os olhos, surpresa com a confissão. — Sério? Você? — perguntou, a voz cheia de incredulidade. — Você parece… sei lá, invencível. Como se pudesse enfrentar qualquer coisa sozinha.
A Doutora riu, um som agridoce que ecoou pelo console. — Não sou, Abby. Longe disso — respondeu, os olhos distantes por um momento, como se vislumbrassem as cicatrizes de séculos de batalhas. — Às vezes, sinto o peso de tudo. As perdas, as escolhas, o que vem pela frente. Mas ter alguém como você por perto… isso faz diferença. Você me lembra o que é ter esperança, mesmo quando tudo parece perdido.
Abby corou, desviando o olhar, mas um sorriso tímido surgiu. — Eu só… não queria ficar presa lá — murmurou, a voz quase um sussurro. — E não ia deixar você sozinha com aquele maluco. Ele era… aterrorizante, mas você não cedeu. Isso me deu força.
A Doutora sorriu, caminhando até o console e ajustando uma alavanca, as luzes piscando em resposta, como se a TARDIS estivesse ansiosa por partir. — E é por isso que quero você comigo — disse, a voz firme, mas gentil. — Viajar comigo não é fácil, Abby. É perigoso, caótico, e às vezes… cruel. Vai ter momentos em que você vai querer desistir. Eu também sinto isso, às vezes. Mas se ficar comigo, prometo que nunca estará sozinha. Vamos fazer a diferença, juntas.
Abby engoliu em seco, os olhos brilhando com uma mistura de medo e determinação. — Eu quero isso — disse, a voz firme, apesar do tremor. — Quero ajudar. Quero… ver o que vem depois.
A Doutora sorriu, apertando o ombro dela com um calor que parecia apagar as sombras do Mestre. — Então, bem-vinda à TARDIS — disse, a voz cheia de promessa. — Sua primeira viagem começa agora. Pronta? Ou tem alguém pra ver?
Abby assentiu, os olhos brilhando com expectativa, as mãos ainda trêmulas, mas firmes. — Tô dentro. — respondeu.
A Doutora puxou uma alavanca no console, e a TARDIS vibrou intensamente, o zumbido grave crescendo até encher o ar com uma energia pulsante. As luzes piscavam freneticamente, o console dançando com vida enquanto a nave se preparava para mergulhar no vórtice temporal. Abby segurou o corrimão, os olhos arregalados, um misto de espanto e excitação no rosto. — Isso é normal? — perguntou, a voz alta para competir com o zumbido, um sorriso nervoso surgindo.
— Normal é relativo! — gritou a Doutora, com um sorriso animado, girando outro dial com um floreio. — Segura firme, Abby!
A música de “Time” continuava, os acordes profundos misturando-se ao som da TARDIS, como se a nave dançasse ao ritmo da melodia. A Doutora ajustou os controles, os olhos fixos nas telas, garantindo que a nave estivesse pronta para a jornada. A TARDIS do Mestre, com sua estrutura danificada, havia sido deixada para trás, enviada para um canto distante do universo, longe o suficiente para não ser uma ameaça imediata. Mas a Doutora sabia que ele não estava morto — apenas derrotado, um eco de sua rivalidade que voltaria, como sempre.
Abby, ainda segurando o corrimão, olhou para a Doutora, um sorriso tímido surgindo. — Sabe, quando te conheci, achei que tava sonhando. — disse, a voz cheia de emoção, quase abafada pelo zumbido da nave. — Mas agora… acho que tô começando a entender, você vai onde todos precisam... Tem outros lugares que precisam da gentem
A Doutora parou por um instante, os olhos suavizando-se enquanto olhava para sua nova companheira de viagem. — Sempre tem... Lugares incríveis.— respondeu, a voz carregada de uma promessa silenciosa. — E com você aqui, acho que temos uma chance de fazer algo incrível.
A TARDIS estabilizou seus motores de partida, ativando seus motores temporais, o zumbido diminuindo para um ronronar suave, como o respirar de um gigante adormecido. A Doutora caminhou até a vitrola, aumentando o volume de Time um gesto que parecia selar o momento. O som da guitarra de David Gilmour preencheu a nave, um ritmo que celebrava a vitória, a parceria, o recomeço. Abby riu, balançando a cabeça, o cansaço dando lugar à leveza. — Parece que gostou dessa, hein? — disse, a voz cheia de admiração, um brilho de humor nos olhos.
— Ela é perfeita. — respondeu a Doutora, com um piscar de olho, enquanto voltava ao console. — Agora gente só acompanha o ritmo.
Elas ficaram em silêncio por um momento, a música envolvendo-as como um abraço, o peso da batalha contra o Mestre dissolvendo-se na promessa de novas aventuras. A Doutora sabia que a profecia ainda pairava em sua mente — a imagem de seu sacrifício, o vórtice brilhante, os rostos de seus aliados, incluindo Abby. Era um fardo que ela carregaria, mas não sozinha. Com Abby ao seu lado, uma jovem que transformara o medo em coragem, ela sentia uma centelha de esperança, uma promessa de que o futuro podia ser reescrito.
A Doutora olhou para o console, os dedos pairando sobre os controles, um sorriso travesso nos lábios. — Pro próximo grande mistério — respondeu, a voz cheia de promessa, os olhos brilhando com a emoção de uma nova jornada. — Algum lugar com estrelas, talvez. Ou um planeta onde o céu é música. O que acha?
Abby riu, o som ecoando pela TARDIS, misturando-se à música. — Parece perfeito.
A TARDIS vibrou, o zumbido crescendo enquanto se lançava no vórtice temporal, a música segue, ecoando como um hino de esperança. As luzes do console piscavam em harmonia, as paredes pulsando com uma energia que parecia celebrar a nova parceria. E enquanto a nave desaparecia, dançando entre realidades, a Doutora e Abby sabiam que, juntas, poderiam enfrentar qualquer destino — até mesmo aquele que o Mestre havia previsto.
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