Anabelle era uma garota alegre, cheia de vida e que adorava cozinhar. Principalmente doces. Cada vez que minha na panela e via aquelas guloseimas serem preparadas seu coração enchia de uma paz inexplicável. Ela sabia que ali era o seu lugar.

Por isso passava horas na cozinha cantarolando e mexendo a colher de pau em sentido horário enquanto cuidava com todo amor e carinho de seus doces.

Era seu ritual da tarde amava aqueles momentos.

Para muitas pessoas poderia parecer frescura, mas ela sentia que estava fazendo a diferença no mundo. Sonhava em um dia ser uma doceira famosa e ter seu próprio negócio.

Os doces que ela fazia, ela distribuía todos os dias nos dois orfanatos que havia na sua cidade e para os alunos do colégio no qual estudava.

Todas as manhã levantava bem cedo, se arrumava e ia nos orfanatos distribuir seus doces do amor. Era assim que os chamava. Em cada doce, colocava junto uma mensagem de amor, inspiração do dia. Ela acreditava que um docinho sempre fazia bem e trazia mais alegria e leveza para o dia.

Na parte de fora do papel dobrado estava escrito Um doce para alegrar seu dia. Do lado de dentro, ela escrevia frases prontas retiradas da internet, outras vezes quando conhecia a pessoa, escrita o que achava que a pessoa estava precisando ouvir. Quase que uma mini carta.

Anabelle carregava seu sorriso contagiante por todos os lugares em que passava até entrar no colégio. Quando entrava ali, fica série e quieta no seu canto. Não era a garota popular e gostava de passar por invisível para que não sofresse chacota por seu jeito de ser e de aparentar.

Ela era do tipo fofinha, que pesava alguns quilos a mais, mas nada que fizesse mal para a saúde e por não se vestir como uma princesa, bastava para não ser aceita. Por isso ficava no canto, era melhor não chamar atenção. Assim não era rejeitada. Aquilo a magoava, mas ela sabia que lá fora, tinha várias pessoas que a apoiavam e gostavam dela como era, e isso bastava para que pudesse sorrir e levar a vida adiante.

Belle era muita amada por seus pais e por esse amor transbordar que não deixava que todo aquele mal estar apagasse o brilho que havia em seu interior. Por isso ela levava os doces todos os dias, para que as pessoas dali sentisse amadas e pudessem evoluir e as mensagens que deixava escrevia com todo seu coração. Para que pudesse alcançar outros corações. Ela escrevia aquilo que gostaria que dissessem para ela quando estava reclusa, aquilo que precisa ouvir. Como ninguém lhe dava aqui, ela decidiu construir o mundo que queria e dava aos outros o que um dia gostaria de ter. Isso se chamava plantar, para colher um semente melhor.

Ela era, na maior parte do tempo, uma garota otimista e que tentava enxergar o melhor de cada um. Sonhava que um dia pudesse ter seu próprio local, onde faria seus próprios doces. Para isso precisava estudar, para se formar no ensino médio e assim depois fazer um curso de confeitaria. Ela sabia o que queria fazer e onde queria chegar e nada a impediria de distribuir amor ao mundo através dos doces.

E assim lá foi ela, começar o dia chegando mais cedo no colégio para deixar seus doces de amor. Mal sabia ela que esses doces a recompensariam.