Eu estava tão envolvida nas cartas com James, que acabei deixando a Sophia de lado um pouco. Então assim que cheguei em casa naquele dia, em vez de pensar na carta que escreveria ao James e ela ser minha prioridade iria escrever uma carta para Sophia. Eu tinha lido um post na internet que me fez pensar muito sobre mim e achei que seria legal compartilhar com a Sophia, por isso mandaria esse texto como mensagem do dia e escreveria algo sobre isso. Escrever as cartas me ajudam a colocar as coisas em ordem dentro de mim também. A me conectar com uma parte da minha essência que nem sempre eu tinha acesso.

Então para colocar para fora aquilo que estava me fazendo refletir, decidi fazer algo diferente naquela tarde. Resolvi fazer uma torta de bolacha e a colocaria em potinhos para que todos pudessem comer. O porque da torta ela não sabia de onde vinha, sabia que veio na cabeça e decidiu que iria fazer.

A torta por não ser algo individual e tão trabalhoso ficou pronto mais cedo.

Enquanto foi para seu quarto se deu conta porque da decisão da torta. Ela precisava de tempo para si, para pensar e foi isso que fez. Deitou-se em sua cama e começou a analisar sua vida. Suas decisões e o que estava fazendo. Se deu conta que a frase fazia muito sentido para ela também, pois era muito segura em muitas coisas, mas tratando-se de James, acabava não dando limites e também se desvalorizando, quando na verdade todo mundo vale e muito.

Querida Sophia,

Faz tempo que não escrevo nenhuma cartinha para ti. Estava navegando pela internet quando encontrei esse texto. Não sei quem é o autor, mas essa frase do bilhete me fizeram na hora lembrar de ti. Estou orgulhosa da pessoa que está te tornando e muito contente por estar conseguindo encarar as pessoas nos olhos e começando a fazer algumas amizades. É tão bom te ver descobrindo a si mesma.

Mas esse texto me lembra uma coisa que preciso aprender e usar para mim, mas que também se aplica a ti. Nós decidimos quem somos, o que nos define e o que nos machuca. Quando aprender a colocar limites o outro aprende a não passar por cima de nós. Vejo que está bem mais confiante, mas lembre-se que não devemos baixar a cabeça e fazermos tudo que os outros pensam para sermos aceita. Temos que nos valorizar primeiro e dar limites. As vezes é difícil fazer isso, mas parando para refletir vejo que isso faz toda a diferença. Se não soubermos dizer não, a outra pessoa nunca vai saber o quanto aquilo nos machuca. O outro lado não tem bola de cristal.

Mas antes que eu me perca na conversa, porque sou dessas que adora papear, friso novamente que minha mão continua estendida e que tenho certeza de que a cada dia vai ser alguém mais forte e mais consciente de si mesma. Alguém empoderada, que sabe o seu valor e dizer não, mas que nem por isso passa por cima dos outros.

Beijos,

de alguém que está acompanhando sua jornada.

Agora que Belle terminou de escrever a carta, sentiu que seu coração estava um pouco mais leve. Sabia que ainda teria coisas que trabalhar dentro de si, mas pelo menos ela se dera conta, que estava se desvalorizando. Que quando entrava no colégio, muitas vezes agia que nem a Sophia, se escondendo do mundo e deixando de ser ela mesma. Precisava mudar isso, mas não seria da noite para o dia. Mas colocou na cabeça que pelo menos deixaria de se esconder tanto no colégio e tentaria deixar de ser a garota invisível. Iria usar o poder de seu doce a favor de si mesma.

Assim com essa decisão na cabeça, estava pronta para ler novamente a carta do James e responder o seu amado.