Doces e travessuras?
1 Capítulo Único.
Notas iniciais
O parque de diversões de Nimbasa estava estranhamente quieto. As luzes das atrações iluminavam levemente as ruas que se estendiam entre elas; porém, os postes de luz estavam todos apagados. A falta de pessoas, música e vozes tornavam o lugar um tanto sombrio, como se algum monstro rodeasse as sombras do parque e abduzisse todas as criaturas que se atrevessem a passar por lá...
De repente, um vulto passou correndo por uma das ruas desertas, seguido de outro, e a garota nem precisou ouvir o grito agudo que se seguiu para adivinhar o que havia acontecido.
Touko espiou brevemente de seu esconderijo atrás do Gym de Elesa, voltando a se esconder quando viu um staff do parque passar junto de um Liepard mais à frente. Ela encostou-se à parede do edifício e escorregou até sentar no chão, um suspiro cansado escapando de sua boca. Seu vestidinho curto de bruxa provavelmente ficaria sujo por isso, mas a garota não estava ligando muito.
Quando ela fora convidada para participar da Hora do Terror especial do parque de Nimbasa, não imaginou que eles fossem exagerar tanto. Tudo bem que o prêmio era um estoque anual gratuito de Casteliacones para quem não fosse pego das dez à meia noite, mas aquilo estava virando quase um massacre dos frequentadores do parque.
O que esse diretor estava pensando quando fez isso, afinal? Ela perguntou para si mesma ao encarar o local escuro. Ainda faltava uma hora para o fim do jogo, e ela queria ganhar o prêmio – e quem não? Casteliacones eram um máximo – mas, mesmo assim...
Naquela confusão toda, tinha se perdido de N.
A garota levantou uma mão para tocar o chapéu de bruxa que repousava em sua cabeça. Ela tinha sido a pessoa a sugerir passar o Halloween no parque depois de descobrir que N nunca comemorara a data antes, mas ela nunca poderia achar que os organizadores fossem tomar medidas tão extremas para impedir que houvesse um vencedor. E agora ela se perdera dele, que deveria ter sido pego ou estava sozinho no escuro e aquela seria uma primeira impressão terrível desse dia e isso era injusto porque ele parecia tão animado para comemorá-lo pela primeira vez...!
– Argh, já chega! Eu não posso ficar aqui! – Ela levantou com um pulo, ignorando o fato de que provavelmente falara alto demais para alguém que estava tentando se esconder. Touko tinha de achar N e achar uma maneira de sobreviver com ele até a meia noite para consertar aquilo tudo...!
De repente, uma mão pôs-se na frente de sua boca por trás, e a garota paralisou quando sentiu um braço em sua cintura. Ela franziu as sobrancelhas com raiva – não, não agora, ela definitivamente não iria ser pega antes de ter certeza que varrera o parque inteiro atrás de seu namorado – e agarrou o braço do desconhecido no intuito de segurá-lo para dar uma cotovelada bem na sua cara-
Isto é, até que ouviu uma voz familiar murmurando seu nome.
– N? – Ela se virou, encontrando-o em toda a sua glória de trajes normais e orelhas de Zorua em sua cabeça. Touko piscou, prestes a perguntar onde ele tinha se metido, mas ele a puxou contra a parede e colocou um dedo sobre os lábios dela, sibilando um “Shhh!”.
A garota corou um pouco com a proximidade, seus olhos brilhando em confusão. Ele apontou para algo para o lado da rua do parque e ela se virou, observando outro membro do staff passando com uma Bannete, que olhou em volta brevemente antes de continuar flutuando.
– Zoroark ouviu você e viemos correndo para chegar antes que ele. – O garoto de cabelos verdes explicou, e só aí ela pôde notar o Pokémon raposa escondido por detrás das sombras, um sorriso travesso em sua boca.
– N, você não teve que entregar suas pokébolas quando entramos para o evento? – A garota perguntou, estreitando um pouco os olhos. Ela tinha quase certeza de que usar pokémons era proibido...
– Zoroark não gosta de pokébolas, então eu o deixei passeando por aí. – O garoto deu de ombros, sorrindo inocentemente em seguida. – Mas ele me encontrou e disse que queria participar porque parecia divertido, então estivemos juntos desde então.
– Ah... – Touko piscou para o pokémon. Era realmente proibido, mas... Não era como se aquelas condições tivessem sido justas. Ela, então, virou-se para o garoto em seguida. – E-então você não está triste? Seu Halloween não foi arruinado?
– Hm? Por que estaria? – N perguntou, uma expressão de dúvida cruzando suas feições. – Nós ainda não perdemos, certo? Eu certamente gostaria de ter um estoque de Casteliacones de graça por um ano...
Touko o encarou por mais um tempo, antes de um sorriso doce apossar-se de sua boca.
– Não, não perdemos ainda. Mas você tem que falar para o Zoroark voltar a se esconder dos funcionários do parque, certo?
– Ah, sim, acho que ele não vai ter problemas. – O mais alto assentiu, ajeitando as orelhinhas em sua cabeça distraidamente.
– Ok. E... – Ela hesitou um pouco, mas deu um passo para frente e puxou a cabeça dele para baixo pela nuca. O garoto percebeu seu objetivo e desceu o resto do caminho para encontrá-la, unindo seus lábios e envolvendo-a pela cintura delicadamente com um dos braços.
Touko suspirou contra o beijo, pressionando sua boca um pouco mais forte contra a dele antes de se separar e sorrir outra vez.
– Não saia de perto de mim, ok? Seria horrível me separar de você de novo.
– Hm. – ele assentiu, o braço que a envolvia a apertando um pouco mais forte antes de a soltar.
– Muito bem... – Com a energia renovada e um objetivo mais claro em mente – conseguir um estoque gratuito para ela e N -, Touko virou-se em direção ao parque e seu sorriso tornou-se quase maquiavélico.
Ah, eles veriam só. Com os dois heróis de Unova juntos e a felicidade de N no Halloween em jogo, não havia ninguém que poderia a impedir agora.
Naquele momento, todos os empregados do parque juraram ter sentido um arrepio descer por suas espinhas.
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